Sou politicamente incorreto

31 12 2009

Nós, enquanto sociedade, estamos enveredando por um caminho cada vez mais sedutor e perigoso. Em lugar de pautarmos nossa vida, nossas relações e nossa forma de ver o mundo segundo alguns parâmetros e referências, optamos por algo bem mais simples e prático: a cada situação avaliamos apenas as conveniências. Ou seja: deixamos de agir segundo um conjunto de pressupostos éticos, de leis e códigos e passamos a reagir não mais segundo o que somos, mas seguindo normas dominantes naquele meio em que estamos naquele momento.

É assustador perceber como a cultura da condescendência pode ser maléfica e destrutiva. O meio está definindo que aqueles que pensam, que estudam, que lêem e que, portanto, são capazes de formular pressupostos e têm coragem de viver referenciados por eles, estes devem ser isolados, eliminados ou ridicularizados. São os chamados radicais – onde maniqueisticamente a palavra ‘radical’ é associada a posturas fundamentalistas e não pontos de vista fundamentados no conhecimento.

Há uma tirania a impor suas verdades, que é esta bizarrice que atende pelo nome de “politicamente correto”. Trata-se de embuste comportamental que traz, como base de aplicação, a ditadura de uma minoria com acesso aos meios de comunicação, que se definem como “formadores de opinião” e que, por isso mesmo, são imolados (mas mantidos vivos) e tratados como donos da verdade. Cria-se uma norma de conduta, encontra-se um segmento disposto a assumir a “idéia” como sendo sua e deste momento em diante torna-se errado o seu questionamento ou a sua avaliaçãos egundo limites éticos. Desta forma, os grupos se estabelecem como pequenas gestapos a perseguir quem não aceita curvar-se aos códigos definidos pelo segmento que se abriga sob o manto do “politicamente correto”.

É uma avalanche tão poderosa que as pessoas optam por aceitar tudo, ainda que não concordem com nada. Temem o isolamento e o opróbrio. Quem resolve enfrentar esta verdadeira correia de transmissão da idiotia que vai se coletivizando, este corre o risco de viver exilado entre os seus, como se estivesse carregando dependurada no pescoço uma ostra* a remetê-lo ao vazio. Sentir-se solitário entre os iguais, sem ter com quem falar, conversar ou interagir.

Dia destes, conversando com o também jornalista Beto Almeida de Brasília, convergimos a conversa sobre o medo que a esquerda e os que se pensam de esquerda têm em se assumir “nacionalistas”. É algo absurdo este receio em divergir, em assumir e em mostrar a importância de um pensamento de esquerda comprometido com um projeto nacional, de fortalecimento das estruturas nacionais e não de usurpação. Como também é também inconcebível, para mim, que um partido de esquerda não tenha como prática o centralismo democrático, pressuposto leninista e que é esquecido pelos ideólogos – e tenho para mim que são ideólogos que jamais leram Trotsky, Lênin, Gramsci e já nem falo em Marx e Engels, que daí seria querer demais.

A esquerda nacional está cada vez mais parecida com a direita – deixando de agir e passando a reagir. E deixa de agir por não ter formulação política e por não ter investido na qualificação de sua militância, preferindo mantê-la em sua maioria como ‘tarefeira’ e não partícipe. E passa a reagir como forma de manter a ocupação dos espaços sociais, deixando de agir no sentido de mudá-los pelo “medo” de perder algo que pensa ter conquistado, quando na realidade deveria se pensar parte ou agente de um processo.

Sou assumidamente alguém que defende o “politicamente incorreto” como caminho para vencer um padrão onde as relações estão fadigadas por não apresentarem perspectiva de mudanças – e não pensem que se possa pensar em alguns arroubos e rompantes como demosntração de que existe algo diferente no horizonte do nosso cotidiano.

Precisamos voltar a ter coragem de não sermos aceitos, de sermos criticados e de sermos até mesmo ridicularizados por insistirmos em ter ponto de vista próprio, em acreditar em valores e referências.

Claro que sei que é muito mais fácil, simples, de prazer inebriante e de palmas da patuléia e da claque sempre disponível a louvar quem fala o que “eles” querem e precisam ouvir. Mas quem foi que disse que eu esotu interessado com o que é mais fácil?

Alfredo Bessow, jornalista e escritor

* Segundo o Dicionário Eletrônico Houaiss 3.0,  ostracismo: “na antiga Grécia, desterro político, que não importava ignomínia, desonra nem confiscação de bens, a que se condenava, por período de dez anos, o cidadão ateniense que, por sua grande influência nos negócios públicos e por seu distinto merecimento ou serviços, se receava que quisesse atentar contra a liberdade pública”.





Especial de Brasília – Lula comanda a oposição

28 12 2009

Transcrevo o artigo veiculado na Revista Boa Viagem – leitura de bordo, na edição de dezembro. É uma reflexão sobre o vazio que hoje desnorteia a oposição política e a mídia, tornando-os reféns de Lula.

LULA COMANDA A OPOSIÇÃO

Impressiona o vazio de ideias, projetos e pontos de vista próprios da chamada ‘oposição política’ brasileira. Este nihilismo foi cevado ao longo do mandato Lula/PT pela preguiça dos oposicionistas que preferiram ser pautados pela mídia do que pensar pela própria cabeça, e acabou resultando numa doce realidade: é o próprio presidente Lula quem, de fato, comanda e determina a agenda política da oposição.
E o presidente vai se esmerando na arte de tensionar os atores, impondo a eles não a ação que se espera da oposição, mas a reação que interessa ao governo. Ao “antecipar” a sucessão eleitoral de 2010, Lula expôs as divergências internas da oposição, onde o que menos existe é harmonia ou convergência.
Dentre tantos cenários, ficou claro que Serra é hoje mais unanimidade no raquítico PPS do que no seu partido ou no Demo – que funciona como mero apêndice, hoje ainda mais fragilizado para qualquer negociação ou barganha política por conta do episódio que defenestrou Arruda do cenário nacional. Ficou claro também que o governador paulista, a despeito de índices que oscilam de 28% a 36% das intenções de voto, não tem capacidade de agregar novos apoios e assim a tendência é ver seu sonho presidencial ir sendo desidratado pelo crescimento contínuo e consolidado da Ministra Dilma Rousseff.
Os próprios líderes oposicionistas já se deram conta de que acompanhar Serra é estar com os pés no alçapão por onde tende a submergir a candidatura preferencial das elites mais retrógradas deste País. Estes líderes na verdade sabem, amparados em pesquisas que não são reveladas, que o único contraponto possível ao nome de Dilma Rousseff seria do governador Aécio Neves, que surgiria como fato novo, podendo unificar e tonificar os ânimos exauridos dos anti-Lula em vários níveis. Mas o tempo se esvai por entre os dedos e, vingativo, Serra pode anunciar a eventual desistência em um tempo que não possibilite a potencialização do nome de Aécio, enfrentando como Dilma um elevado índice de desconhecimento por parte do eleitorado.
Hoje, o apoio de Serra restringe-se ao peso das pesquisas, porque de modo discreto para a opinião pública, mas de modo intenso e decisivo nos bastidores, os caciques já se deram conta da inviabilidade eleitoral do governador paulista. Até mesmo as pesquisas conspiram contra ele, na medida que apontam no horizonte uma linha de corte no qual as opções de voto em Dilma superam as do ainda líder.
Este é um dado a ser pensado: apenas uma reduzida minoria deseja votar em um anti-Lula, preferindo alguém que represente o aprofundamento das mudanças sociais que o País viveu nos últimos anos e que possibilitou que milhões de brasileiros deixassem a linha da miséria; a manutenção da retomada do crescimento e do fortalecimento da economia; a continuidade de uma política externa independente e capaz de fazer o Brasil ser parte do mundo – enfim, um agente dos tempos modernos e não um exótico mundo desconhecido que chegou ao ponto de ter  Buenos Aires como sua capital.
Quem quer um anti-Lula personificado na candidatura de Serra e na postura dos meios de comunicação, é uma parte de um Brasil que não se deu conta das mudanças estruturais que o País vivenciou – tendo em vista estarem mais preocupados e interessados na manutenção de seus privilégios do que comprometidos com um projeto político. Lula, ao perceber esta cegueira, este reducionismo conjuntural e a extrema incompetência deste grupo ‘anti’ de formular qualquer alternativa política, resolveu ele próprio comandar a pauta da oposição e dos meios de comunicação.
Assim, mais do que ‘bater’ em Lula e no PT, a mídia já se depara com um novo desafio: quem terá interesse em ir ao cadafalso? Ao que parece, Serra e Aécio já fugiram da raia…

Alfredo Bessow é jornalista e escritor.





O papel nada digno da mídia

27 12 2009

Para quem gosta de se debruçar com alguma paixão sobre o papel que a mídia desempenha em nossa sociedade, estes têm sido momentos de muita riqueza de ‘material’. Chega a ser vergonhoso para quem, por opção, buscou ser jornalista, formando-se não apenas na faculdade, mas através da leitura, da pesquisa – sempre, de preferência, longe do santificado saber das academias.

Na verdade a mídia se move apenas pelos seus interesses e tenho para mim que é, de todos os ‘poderes’, o que menos apego tem pela democracia, pela liberdade e pela igualdade. Guiada por parâmetros que pressupõem a prevalência do ‘finaneiro’ e da dominação sobre qualquer compromisso com a divulgação das ações governamentais, no caso Lula/PT, que tenham como premissa a construção de estruturas sociais menos excludentes e que impliquem, na manutenção e no aprofundamento das mesmas, a esperança dos excluídos de viverem numa sociedade mais justa, humana e fraterna, a mídia não age ou reage sem estar embasada em parâmetros e estratégias bem definidas.

Pouco tem se falado, até por não ser conveniente abordar estes temas dentro das academias porque isto pode levar alguns alunos de comunicação a tirar a viseira da deformação a qual hoje estão submetidos, em estudos que apontam a forma como a mídia trata de manipular as pessoas. Se observarmos o que nos indica a Agenda Setting, nos daremos conta de que os meios de comunicação não estão mais apenas interessados em  priorizar opiniões presentes na mídia. Estão indo além: eles querem na verdade determinar uma agenda daquilo que, para eles, é importante. Chegou-se ao nível de tirania no qual estes ‘meios’, que são concessões do Estado, assumem o papel de determinar o que a comunidade pode pensar ou dizer e, assim, arbitrariamente, definir, segundo seus interesses, como a sociedade vai reagir, agir ou se expressar.

Os que não concordam com esta manipulação, que são a maioria, optam por permanecer em silêncio. Com esta variável, já estamos botando o pé em outro trabalho inquietador, da alemã Elisabeth Noelle-Neumann, que busca exatamente provocar a reflexão sobre os conceitos de democracia na comunicação. Para que não se descarregue uma massante verborragia acerca da Espiral do Silêncio, vamos atentar ao que nos diz Felipe Pena, no livro Teorias do Jornalismo, lançado pela Editora Contexto em 2005: “A opção pelo silêncio é causada pelo medo da solidão social, que se propaga em espiral e, algumas vezes, pode até esconder desejos de mudança presentes na maioria silenciosa. Ou seja, as pessoas não só são influenciadas pelo o que os outros dizem como também pelo que imaginam que eles poderiam dizer.”(Felipe Pena,2005:155).

É isto que observamos cotidianamente no papel da mídia, assumindo o trabalho sujo de omitir e distorcer a realidade, de ‘esquecer’ deliberadamente assuntos como no caso aqui do DF, quando a mídia, seguindo ao que tudo indica a orientação política do governador José Serra, tirou a temática Arruda da pauta. Este é um exemplo perverso e que mostra o quão nefasta tem sido a omissão do Estado na fiscalização do uso das concessões.

O que é mais preocupante no caso do DF é a ausência de alternativas de informação, como se fossem todos cooptados pelo poder financeiro do GDF, que usa as verbas para manipular conteúdos.

Por tudo isso é importante que se leve adiante a implantação das conclusões e sugestões da 1ª Confereência Nacional de Comunicação e se parta, desde já, para a discussão dos temas de uma nova Conferência – ainda em 2010.





Mensagem natalina

26 12 2009

Aqui, respeita-se a diversidade… ainda que na conclusão existam divergências. Mas o importante é despertar a discussão sobre o futuro nosso e do nosso País (e, em consequência, do planeta terra como um todo).

Como os nossos pais?

Neste fim de ano, gostaria de propor a seguinte reflexão.

Nossos filhos, diferentemente de nós, estão prontos para enfrentar os desafios do futuro deles, com consciência ecológica plena, sem contaminações e adquirida naturalmente, com sensibilidade e instinto de sobrevivência.

Esta constatação é óbvia, quando vemos uma criança de 10 anos nos chamando a atenção:

– Pai, onde tem uma lixeira para colocar esse lixo?

– Pai, me passa a salada verde…

– Pai, não fuma, por favor… e outras tantas manifestações diárias, que as vezes nos deixam surpresos e sem jeito.

São eles que vão administrar o lixo, que nós, ao longo dos anos, jogamos no chão.

Essa geração não vai usar drogas, não  vai cobrar e nem receber propinas, eles não mentem, são doces, educados, sensíveis.

A pergunta é… “E nós, o que vamos fazer  ?”

Continuaremos permitindo que os viciados em uma conduta doente, que contamina a maioria dos lideres e formadores de opinião, pessoas que teriam que dar bons exemplos a nossos filhos,  nos afrontem impunemente sem pudor, mentindo e enganando na cara dura, roubando descaradamente na nossa lata?

Gente,  olhem a realidade da saúde publica em nosso país, é o inferno na terra.

Em 2010,  vamos ter que nos esforçar mais pra dar um basta nisto tudo, temos que abrir a boca, ir pra  rua, pra TV, pro rádio, pro jornal externar nossa indignação e pânico, votar em branco!

O branco da paz, o branco do não agüenta mais essa sacanagem toda.

“Por nossos filhos e netos, façamos deste ano que se inicia, um ano  de luta  contra a corrupção, contra o desmatamento, contra esse modelo nefasto, violento e cansado de fazer política apostando sempre no quanto pior melhor, apostando no fim do mundo, numa hecatombe… chega! Isso não vai permitir.

Que 2010, seja o ano da cura e reabilitação da nossa consciência ecológica e política!

Um beijo e um abraço a todos, e um 2010, vermelho de vergonha, e se não der pra votar em branco, então votemos em verde, o da esperança!

Caco Rodrigues – Florianópolis






PV se revigora em SC

26 12 2009

Recebo do Caco Rodrigues, amigo de muitos anos e que segue na Florianópolis de magias e saudades notícia do PV-Partido Verde. Espera-se que por lá o PV não funcione como mero apêndice do Psdb, do Demo e do Pps como ocorre na maioria dos estados.

O PV de Florianópolis tem nova direção, sangue novo e mais verde.

No momento em os partidos em geral sofrem abalos constantes, por conta de denuncias de corrupção, o Partido Verde vem despontando como uma das poucas alternativas séria e independente no cenário eleitoral para 2010.

Anselmo Doll assume a presidência do diretório municipal de Florianópolis nesta lua crescente do PV.

O projeto tem como foco principal as eleições de 2014, vale lembrar que o PV este ano, trouxe para suas fileiras inúmeras celebridades de renome nacional, Paulo Zulu é um dos nomes fortes no estado.





Razões de esperança

26 12 2009

Todos nós recebemos mensagens diariamente em nossos e-mails. Eu estou entre aqueles que não reclamam dos chamados ‘spam’, porque costumo abrir apenas arquivos anteriormente combinados – assim, nunca tive problemas com meus computadores.

Recebemos também correntes, pedidos e mensagens falsas, como aquela ficha canalha da Dilma que continuam fazendo circular como verdadeira.

A cada dia, tem uma mensagem que sempre espero pelo que ela traz de esperança e de reflexão acerca da presença de Deus em nossa vida. Segue abaixo a mensagem de hoje:

O Natal passou

A época do Natal é apropriada para refletirmos na vinda do filho de Deus a este mundo. Neste gesto encontramos a maior expressão do amor de Deus. Ele veio com o objetivo de iluminar todos os corações com a única e verdadeira luz. É perigoso rejeitar a graciosa oferta de Deus. É trágico não dar importância para o maior de todos os presentes. Mas é o máximo crer nele como o Salvador.

Agora que o Natal já passou, não se esqueça disto: O menino é Cristo, o Filho de Deus, o único Salvador de toda a humanidade.

Oremos: Bondoso Deus, mesmo que tenha tanta dificuldade em reconhecer a Cristo como meu único e suficiente Salvador, fortalece-me na fé e motiva-me a testemunhar o teu amor aonde houver oportunidade. Amém.

Trata-se de um serviço de apoio espiritual da IELB – Igreja Evangélica Luterana do Brasil. Se você, estimado leitor, ficou interessado, seguem mais informações:

Mensagens de Esperança é um serviço gratuito de mensagens diárias por e-mail oferecido por Cristo Para Todas as Nações – CPTN.

Você pode também ouvir Mensagens de Esperança pelo telefone (011) 5097-7620 ou através do site de Cristo Para Todas as Nações: www.cptn.org.br





Arruda e Yeda, símbolos marcantes

25 12 2009

Dois governadores – um eleito pelo Demo e outra pelo Psdb – mostram claramente a face mais perversa do modelo de governo que a mídia e a oposição querem de volta em 2010. Os dois trazem o dna da corrupção, da mentira e de uma aliança espúria com os meios de comunicação. É vergonhosa a forma conivente como os meiosd e comunicação do DF e do RS tratam os dois ‘governantes’ – ambos flagrados cometendo toda sorte de delitos.

Yeda está com o corpo todo na lama – com episódios como a compra d euma mansão, o caso do Detran, a arapongagem de adversários e uso da truculência pela BM (que no RS não existe PM, mas sim a Brigada Militar). Arruda é um caso atípico, onde o que mais existe é motivo de vergonha. No caso dele há algo que o próprio Lula deveria se preocupar: como pode a União bancar a PM e o Governador usá-la contra o povo?

Houvesse um meio seguro de mensurar a dimensão da performance criminosa dos dois, certamente haveria empate. A paulista Yeda Crusius, que a RBS comandada por Pedro Parente (ex-Chefe da Casa Civil do defenestrado FHC) e com algumas bocas de aluguel como Lasier Martins e outros igualmente abjetos, é um símbolo acabado da decadência gaúcha comandada pelo monopólio da comunicação no Sul.

Para entender o empobrecimento moral dos gaúchos, a perda de sua auto-estima, o fim de sua cantada e propalada ‘maturidade política’ é preciso entender, avaliar e se debruçar sobre como os veículos da RBS trabalham em sua programação para a bestificação dos gaúchos. Se alguém considera a programação da Globo de baixo nível, tendenciosa e omissa coma verdade, multiplique-se por muitos pontos e se terá uma vaga idéia do que é a RBS – tanto no RS, como em Santa Catarina.

A perversidade da ação deste grupo é tamanha que acabou com toda a diversidade da informação, comprando ou ‘matando’ os jornais que existiam em cidades pólos, como Santa Maria, Passo Fundo, Caxias, Pelotas e Santa Cruz do Sul. Não por acaso, nestas cidades o PT enfrenta uma fadiga eleitoral por conta da opção dos veículos em apoiar abertamente candidatos reacionários e que assumam o compromissos de drenar boa parte dos recursos de publicidade e de comunicação para os veículos do ‘grupo’ – quando não são responsáveis pela indicação dos secretários de comunicação. Que os indicativos da Confecom contra toda forma de monopólio sejam prontamente aplicados no RS…

No caso do DF, a  relação não é menos promíscua – envolvendo também boa parte dos chamados jornais comunitários, que recebem a PI de algum anúncio e a indicação das matérias a serem veiculadas. Nada se sabe do que aocntece fora da vontade oficial.





Crônica do Trajano Jardim

24 12 2009

Publico uma crônica do jornalista Trajano Jardim, velho amigo e conhecido de muitos anos, embates e uma amizade que se fortalece a cada ano.

Um outro mundo é possível e outra Brasília também

Por Trajano Jardim

Quando chegamos a esta cidade para ficar três anos, banido do Rio pela impossibilidade de arranjar emprego, devido à nossa atividade sindical, lá pelos idos anos de 1980. Era o tempo do governo Zé Aparecido, que a elite reacionária procurava desmoralizar, em virtude da sua popularidade, por ser amigo de JK e o seu costume de estar junto ao povo, principalmente nas tarde-noites da EPTG, nas barracas que tinham na margem ao longo da via e por ser um dos grandes defensores da autonomia política no DF. Em seu governo, os brasilienses foram pela primeira vez às urnas para eleger, em 1986, uma bancada de oito deputados federais e três senadores.

Assim, Brasília ainda era uma cidade civilizada e aprazível. Sem arranhacéus, sem a voracidade imobiliária paulotaviana e sem a volúpia popularesca roriziana. Os nossos três anos de estadia transformaram-se em 29. Não voltamos mais para o Rio de Janeiro, cidade do meu coração. Brasília aconchegou-se num cantinho, tomou conta e não saiu mais.

Nesses 29 anos vivemos Brasília intensamente. Integrado ao Partidão (de saudosa memória) lutamos pela emancipação política da Capital de todos os brasileiros. Participamos da primeira eleição para eleger os constituintes que iriam construir a nossa Lei Orgânica. Fizemos parte do governo democrático-popular de Cristovam como administrador do Riacho Fundo I. A esperança de fazer de Brasília uma cidade humana, democrática e solidária, era o nosso grande sonho.

Com a ansiedade dos idealistas não prestamos atenção que estava sendo gerado nas sombras o “ovo da serpente”, sob os auspícios da ditadura militar. Aquelas mesmas figuras que lutaram contra o projeto de Juscelino de construção da nova capital, gestaram o seu filhote de destruição, Joaquim Roriz e o indicaram governador biônico de Brasília. Quando demos fé, a nossa cidade estava a caminho do desastre.

A partir daí, Brasília descaracterizou-se por completo. Ocupação desordenada do solo. Criação de assentamentos em áreas de lençóis freáticos e de preservação. Tudo sob o manto de beneficiar o povo. Ocupada, pelo que em 1995 nós dissemos na campanha eleitoral, “Brasília está dominada por uma grande família, do tipo das máfias italianas”. Compadres, genros, cunhados, primos, irmãos e toda uma chusma de oportunistas que transformaram a cidade em um feudo patrimonialista e passaram a locupletar-se do dinheiro público.

Afinal, toda essa política destrutiva tinha que dar no que deu. Roriz, “o grande corleone capi de tuti capi”, criou os durvais, os fábios, os fillipelis, os gins, os canhedos, os prudentes e por fim, José Roberto Arruda e tantos outros.

Brasília não merece isso.  Ainda temos tempo de mudar. Só depende de nós.





PASSE LIVRE – Edição 409

24 12 2009

Link para Download: 409





Nós e nossa cara de palhaços

24 12 2009

A cada novo dia cresce a percepção de que boa parte da classe política trata a nós, eleitores, como palhaços. Para muitos, política é apenas um circo mambembe onde desempenham papéis. Não sei se alguém já foi assistir alguma encenação nestes circos que andam pelas periferias ou visitam as cidades do interior. São situaçõs grotescas, onde o público se deleita não pela qualidade do espetáculo, mas exatamente pela parte ‘bufa’, pelo erro, pelo grotesco.

Esta é a imagem que se consolida quando observamos de modo desapaixonado o comportamento dos políticos aqui do DF flagrados no episódio da corrupção e do mensalão do Demo. Ao contrário do que teima em veicular boa parte da mídia, não é similar o episódio que envolveu o PT e agora o Demo e o Pmdb e antes já havia colocado o Psdb no rol dos malfeitores.

Imaginemos, por mais impossível que seja (até por sua formação pessoal) se houvesse qualquer imagem de deputados ou senadores recebendo dinheiro durante aquele período no qual houve a tentativa de golpe contra o Governo Lula/PT. Imaginemos se houvesse uma assinatura trocando apoio financeiro por comprometimento publicitário. Imaginemos se houvesse uma Lista de Furnas… A mídia teria incendiado este País com a sua versão apenas.

No caso do DF, há deputados pegando dinheiro (filmagens sãotambém no tempo do Governo Roriz), botando nas meias, há um governador pegando dinheiro, há pessoas indicadas pelo vice-governador fazendo o reparte, há menção específica sobre a voracidade por dinheiro do vice… e a mídia silencia.

Este espisódio de ontem, quando o patético Leonardo Prudente ‘pede’ desfiliação e anuncia que vai voltar à Presidência da Câmara Legislativa é destas coisas vergonhosas, enojantes e que mostram o desprezo que certas pessoas tem para com a sociedade. E os outros… inclusive o vice, Paulo Octávio?

E o que vai fazer o Pmdb que teve uma meia dúzia de seus ‘históricos’ flagrados com a mão na grana? E a Executiva Nacional não vai investigar as denúncias contra Michel Temer? O que será que eles temem?

Neste episódio todo, lapidar foi APENAS o comportamento do Psb, que defenestrou de seus quadros alguém citado em conversas e com uma prática adesista ao Governo Arruda que sempre gerou suspeitas.

Nós somos, definitivamente palhaços…