Torcedor sofre, sempre…

22 12 2009

Há um fascínio na passionalidade do torcedor, de qualquer modalidade esportiva, que ainda não foi devidamente estudada. Durante muito tempo, pessoas ditas sérias, consideravam uma perda de tempo debruçar-se sobre tema assim tão popular e destituído de charme, encanto e magia. Por conta deste preconceito, muitos sociólogos, antropólogos e outros ‘sabichões’ deixaramd e dar sua contribuição para que todos nós pudéssemos entender um pouco mais da alma e das reações do torcedor – no sentido da euforia e também pelo seu lado mais perverso e deplorável que é o da violência.

Recorro a este tema por ser o futebol uma de minhas paixões e por ter acontecido agora, no fim da tarde, a decisão do Brasileiro Sub-20. Duas questões: sou gremista e quando iniciei a escrita deste texto o jogo estava aos 30 minutos do 2º tempo e o tricolor gaúcho vencia por 1 a 0.

Por estar trabalhando, acompanhei o jogo pela internet, num destes sistemas interativos onde os lances vão sendo descritos, ao mesmo tempo em que são postadas mensagens dos torcedores. E pode-se perceber a extrema rivalidade entre as torcidas do Grêmio e do Inter – lembrando que a final está sendo jogada pelo time gaúcho e o Atlético Mineiro. Ainda que o time colorado não esteja na disputa, nota-se a agressividade no linguajar, na tentativa permanente de confrontar.

Perdeu-se no futebol o hábito de apenas torcer por seu time. É preciso destruir o outro. Isto também se dá na política, onde mais importante do que enfatizar o trabalho ‘do meu candidato’, é destruir tudo aquilo que é proposto e feito pelo outro. Não se trata de ‘não’ criticar. Falo da incapacidade de reconhecer no outro qualquer mérito, qualquer relevância no que ele faz e executa.

Talvez por ser mais fácil apenas destruir, sem precisar apresentar sugestões. Tirando do futebol para a política, pode-se dizer que boa parte da admiração que uma parcela da sociedade tem pelo Lula advém da incapacidade da oposição em reconhecer o trabalho e o compromisso do Presidente. Ficou a sensação de que os do ‘contra’ são do contra apenas porque Lula é a favor do povo. E amparado nesta percepção, Lula acabou assumindo com orgulho o papel que a oposição e a mídia queriam entregar para ele como sendo um erro político. É como um torcedor que não vê mérito na conquista dos outros times – razão pela qual não consegue ter em seu imaginário outro recurso a não ser o da violência e da agressividade. Ao não se permitir a racionalidade, ele acaba deixando de lado a paixão e partindo e se limitando a agredir. O mesmo ocorre na política: incapaz de se contrapor ao discurso e à prática de Lula, a mídia e a oposição preferem manter-se adeptos de uma sistemática disseminação de mentiras, de manipulações e de omissões.

Realmente, o futebol é muito parecido com a política…

E por falar em futebol, o Grêmio venceu, ficou com o título – que acabou sendo o único título nacional do futebol gaúcho em 2010…

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