Sobre criminosos e heróis

13 05 2010

Desde o surgimento das ‘denúncias’ do ex-delegado Durval Barbosa sempre deixei bem claro, que por detrás da revelação do esquema do Arruda estavam as digitais de Roriz, um político que se esmerou na arte de trair aliados, fazendo-os sangrar de modo vexatório em público. Que o digam Valmir Campelo e Abadia em 94, Gim em 2002 e a mesma Abadia (que parece não ter aprendido) em 2006.

Cabe resgatar que no Jornal Passe Livre nº 399 – circulou na semana de 12 a 19 de novembro de 2009 – o título de capa era uma pergunta: Roriz e Arruda: qual o pior? E já na abertura do comentário, estava explicitado de forma clara: “Talvez nem seja preciso perguntar, porque a realidade mostra que não há entre os dois ‘diferenças’. Os dois transformaram o GDF num balcão de negócios, manipulando a Câmara Legislativa, negociando com o Tribunal de Contas (onde construíram base de apoio), contando com a conivência da mídia mediante sistemática injeção de recursos – com uma oposição enfraquecida e dividida, sem conseguir estruturar um discurso único, até porque muitos dos chamados ‘oposicionistas’ têm o hábito de gostar de uma dupla convivência, de um conchavo”. (Se quiser ler a edição toda, acesse em https://passelivreonline.wordpress.com/2009/12/15/passe-livre-edicao-399/)

Somente alguém muito desinformado ou inocente por conveniência não fará a permanente ligação entre Roriz e Arruda, que a despeito dos estremecimentos pontuais e dos ódios e das mágoas recíprocas, sempre tiveram consciência de que um precisa do outro para sobreviver politicamente. A eleição de Roriz no 2º turno de 1998 passa pelo apoio ostensivo que ele recebeu de Arruda, da mesma forma que em 2002.

Quem quiser negar a realidade, que reclame e esperneie. Mas Roriz sempre foi devedor de Arruda, na mewdida em que possibilitava ao que destruiu a qualidade de vida dos moradores de Brasília angariar votos nas regiões mais politizadas, como Plano Piloto, lagos Sul e Norte, Guará e Cruzeiro. Foi a migração dos votos no 2º turno de 98 que deram a vitória para Roriz – contra todas as previsões e prognósticos, inclusive de boca de urna. Roriz ganhou graças ao trabalho de Arruda e Augusto Carvalho no 2º turno…

É preciso ser cego ou estupidamente comprometido com a desinformação esquecer que Durval Barbosa sempre foi homem de confiança de Roriz e que sua fama de xeretar a vida alheia fazia parte de sua trajetória como Delegado de Polícia.

Tenho para mim, e explicitei isto no Jornal Passe Livre, que não foi a corrupção do Governo Arruda que derrubou o seu governo – porque esta corrupção endêmica se tornou prática política e administrativa desde janeiro de 1999 – mas o anseio do ex-governador Roriz de voltar ao poder, algo que seria inviável com a manutenção no páreo de um Arruda no auge de sua popularidade, ávio por cada vez controlar e manipular novos partidos (fazendo-os funcionar como correias de transmissão do seu projeto de poder) e tendo feito uma administração marcada por obras – nem todas prioritárias, com a visível opção por privilegiar os corruptos do setor imobiliário. Ao perder o apoio do PMDB, Roriz resolveu abrir sua caixa de maldades.

Foi o Jornal Passe Livre-especial, edição 402 que circulou de 27 a 30 de novembro, quem pela primeira vez revelou que a divulgação dos vídeos pelo ‘Durval’ não teve nenhum gesto nobre, mas apenas uma ação política de Roriz para tirar alguém do seu caminho. E como forma de se vingar do que lhe havia aprontado o PMDB com a negativa da legenda. Basta ler: “Há mais de 60 dias, Roriz manifestou a interlocutores na sua casa no Park Way a sua certeza de que Arruda não seria candidato ao Buriti e nem a nenhum cargo em 2010. Era um período no qual ele ainda estava no PMDB e por lá passavam cotidianamente figuras de todos os timbres e calibres, ‘lideranças’ prestes a serem seduzidas por propostas e antigos aliados que, por oportunismo ou instinto de sobrevivência, acorriam a casa do ‘chefe’ na tentativa de ver qual o galho mais seguro no qual poderiam se segurar para continuar levando vantagens da proximidade com o poder, independente de quem seja o governador. A certeza de Roriz era tanta que já naquela época se falava abertamente, no alpendre da casa, da existência de vídeos e de dinheiro.” (Confira a íntegra em https://passelivreonline.wordpress.com/2009/12/15/passe-livre-edicao-402-extra/)

Como já foi bem dito: não há nenhuma possibilidade de acreditar que Durval Barbosa tenha feito todas estas estripulias a revelia do então governador Roriz. Não cabe no entendimento de nenhuma pessoa com o mínimo de capacidade de discernimento que o velho coronel não tivesse percebido que estava sendo lesado em milhões de reais por alguém que tinha a missão de gerir uma área com contratos milionários. Logo ele, conhecido morubixaba que costuma administrar deixando o povo fazer festa, mas tudo sob seu controle…

Vale lembrar de um telefonema trocado entre Arruda, Roriz e Durval, quando tudo teria sido acertado. Estão faltando claramente algumas perguntas, tanto para Durval, quanto para Roriz e Arruda. A começar pelo fato mais singelo: como ele conseguia esconder e justificar aquele tráfego de pessoas, aquele montante de dinheiro – tudo assim, sem gerar suspeitas em Roriz e nos seus ávidos colaboradores?

Tenho muitas dúvidas e algumas convicções bem formadas. Para mim, até provem o contrário, Durval e Roriz atuavam de comum acordo, com a troca permanente de informações – do contrário, como Roriz saberia dos vídeos e do dinheiro? Atuavam e continuam atuando. Se protegiam e continuam se protegendo.

Como tenho certeza de que Roriz e Durval continuam fechados no intuito de se protegerem, o único meio de clarear este fato é se Arruda resolver contar a sua versão da verdade daquele período. É preciso apenas perguntar para o ex-governador Arruda se ele conversou com Roriz alguma vez sobre o esquema de repasse de dinheiro. É algo simples.

Pode ser que Arruda opte por não responder, mas se tiver realmente desejo de melhorar a qualidade da representação política do DF, basta ele responder a esta simples pergunta: Roriz sabia? Conversou com ele? O que ele disse no telefonema?

É importante esclarecer algo simples: quando um criminoso da máfia italiana, por exemplo, resolve entregar os seus parceiros de crimes, ele continua sendo apenas e tão somente um ‘fora da lei’ – arrependido, mas criminoso. A delação pode ajudar a ‘limpar’ uma cidade ou região, mas não apaga sua participação. Este ato não tem nada de ‘generoso’ ou ‘heróico’, mas pode ser muito mais uma tentativa de se proteger da própria estrutura criminosa na qual estava inserido. Não existe ‘bom-mocismo’ numa ação que foi estrategicamente pensada para desviar do foco central. E volto a dizer: não é uma ‘delação’ de alguns pontos, enquanto que protege os verdadeiros chefes, que justifica mudar sua condição de criminoso, e muito menos o livrar da execração pública e dos rigores da lei. O mesmo princípio cabe aqui para Durval: ele pode, com o gesto que praticou a mando de Roriz, ter jogado um pouco de luz sobre o mar de lama e corrupção que tomou conta do DF a partir de janeiro de 1999, mas isto em nada diminui o seu papel de partícipe de uma quadrilha que transformou o GDF num alvo a ser pilhado e saqueado diuturnamente.

Não cabe nenhum tratamento de herói e tenho para mim que a própria imprensa o incensa na tentativa de se proteger, porque também ela tem seus pecados…





Militância contra a aliança

13 05 2010

A militância petista no DF está eriçada e com os cabelos em pé. E a razão é muito simples: no domingo, o Partido dos Trabalhadores decide se pode ou não fazer aliança com o PMDB. O resultado ainda é incerto, mas fica a percepção de que não vale a pena carregar o fardo pesado de um partido que foi governo e que deu guarida a todo o processo de corrupção no DF a partir de janeiro de 1999.

Como dizem os militantes: o PT precisa do PMDB no DF e em nível federal para governar, mas não para ganhar a eleição…





A sedução da luz

13 05 2010

É evidente que nos dias de hoje, cresce a sedução pela luz. Atribui-se a Andy Warhol a assertiva de que todo mundo tem direito aos seus instantes de fama. Trata-se de glória fugidia, pois que construída sobre uma base ilusória.

É esta busca pelo ‘brilho’ que percebo como prática cotidiana de alguns, que se esmeram na arte de bajular de bajular,s ervindo de boca de aluguel e nem se dando ao trabalho de dizer que atuam a mando de alguém…





Dia de ressaca

13 05 2010

Para quem gosta de futebol – e eu gosto, mesmo tendo na verdade jogado muito e como treinador minha experiência foi mesmo com times de futebol de botão – a quarta-feira foi repleta de emoções, alegrias, tristeza e farto material para reflexão.

O Flamengo, para raiva dos leitores que torcem pelo time ancorado pela Rede Globo, está na plenitude de sua normalidade. Ganhou o Brasileirão de 2009 e não se deu conta de que ‘venceu’ por circunstâncias que não dependeram dele. Quem entregou o título foi o Palmeiras. E ainda foi beneficiado pelo fato de que na última rodada, o Grêmio, pela rivalidade regional, sentiu-se impedido de jogar ‘a veras’, entregando o jogo (e quase que o Flamengo perdeu para os reservas do tricolor gaúcho).

Assim, seu desempenho em 2010 revela: perdeu o campeonato carioca, entrou na segunda fase da Libertadores com as calças na mão e precisará ser épico para reverter o resultado de ontem no Maracanã na próxima quarta-feira, quando em Santiago do Chile vai se deparar com o time da Universidade. É jogo encruado. Tem condições? Pode… mas quantos flamenguistas ainda acreditam?

No duelo dos brasileiros, a volta do velho São Paulo – velho mesmo, basta observar a idade de seus principais jogadores. Venceu o Cruzeiro por 2 a 0 – mas, cá entre nós, o resultado não diz o que foi o jogo. Pelo visto, Adilson Batista poderá procurar novo emprego na semana que vem…

Nada vi e nem observei do jogo entre Atlético-GO e Vitória. Fico com a entrevista do Geninho: foi a pior partida do time goiano. Talvez isso explique a razão do magro resultado. A decisão ficou para Salvador, para onde o time aqui do centro-oeste leva a vantagem de poder empatar para passar de fase.

Já no jogo do Olímpico, uma constatação: fosse apenas pelo jogo de ontem e Dunga teria razão em não convocar o Vitor. Mas em relação ao Grêmio, acontece algo estranho: o time entra apático, toma um banho de bola no primeiro tempo e costuma reagir na volta do vestiário.

Fica a sensação de que Silas ainda não sabe armar o time para ‘começar’ um jogo, mas tem a qualidade de ler corretamente o desenrolar da partida e sabe reverter resultados. O intervalo tem feito maravilhas para o time – mas no caso do jogo da Vila, pode ser tarde. Impressiona, também, a condição física dos jogadores gaúchos – comandados na preparação física pela família ‘Paixão’ (Paulo, o pai, e Anderson, o filho).

No jogo em si, o Grêmio deu o primeiro gol numa pixotada geral da zaga, culminando com o Vitor catando borboleta. Desde os tempos de jogador – e  cobro isso até dos meus jogadores do time de futebol de botão – aprendi que não se marca a bola, mas sim o jogador. O que Grêmio levou o primeiro gol por ter ignorado este ensinamento básico.

Na continuidade, veio o segundo jogo e fiquei com a nítida impressão de que ninguém do time do Grêmio olhou ao menos um jogo do Santos por VT que fosse. É a forma como o time do peixe marca a maior parte de seus gols: roubada de bola no meio de campo e rápidos toques de bola.

Uma barbaridade que observei (responsável inclusive pelo terceiro gol santista) foi o Grêmio jogar com os zagueiros em linha contra um ataque rápido, talentoso e fatal como o do Santos. Não tem cabimento, mas foi assim no segundo e no terceiro gols do time da Vila Belmiro (como não foi mostrado o lance de cima, fique com dúvida em relação à posição do Robinho, mas tudo indica que Edilson desse condições).

A reação tricolor no segundo tempo teve algo de épico, mas fazendo o Santos provar do próprio veneno, com bolas entregues no meio de campo. O resultado final de 4 a 3 e a atuação de Ganso deixaram no ar a certeza de que Dunga errou feio ao não convocar Ganso – o melhor em campo. E mesmo com a falha de ontem, continuo acreditando que Vitor mereceria uma chance na Copa…

Por fim, uma dúvida…

A Federação Paulista de Futebol não deixou que os jogos finais do Paulistão acontecessem na Vila Belmiro pela flagrante falta de condições daquele estádio para sediar jogos ‘importantes’. Se isto valeu para uma decisão de Estadual, o que dizer da 2ª competição mais importante do País, no caso a Copa do Brasil?

É lamentável que a Vila, que não pode sediar jogos do Paulistão, seja liberada para uma competição muito mais importante – mas aí tem a ver com a própria CBF. Lembrando que na última eleição para o Clube dos 13, a CBF apoiou abertamente a candidatura de Kleber Leite – contando na sua cruzada com o aval e o apoio do timer do santos. Só mesmo isto pode justificar a liberação da Vila para um jogo da importância deste que acontecerá na próxima semana.

Previsões para lá:

– Vitória não passa pelo Atlético-GO

– São Paulo assegura a vaga

– Flamengo vence, mas não consegue fazer o resultado

– Contando com o alçapão da Vila – tenho o mau pressentimento de que o juiz vai ser o Hebert Lopes (para facilitar as coisas para o Santos) – o time praieiro vence o Grêmio e faz a final da Copa do Brasil.

Quanto ao jogo de hoje: gostaria que desse Estudiantes, mas o Inter faz o dever de casa…