Dia de ressaca

13 05 2010

Para quem gosta de futebol – e eu gosto, mesmo tendo na verdade jogado muito e como treinador minha experiência foi mesmo com times de futebol de botão – a quarta-feira foi repleta de emoções, alegrias, tristeza e farto material para reflexão.

O Flamengo, para raiva dos leitores que torcem pelo time ancorado pela Rede Globo, está na plenitude de sua normalidade. Ganhou o Brasileirão de 2009 e não se deu conta de que ‘venceu’ por circunstâncias que não dependeram dele. Quem entregou o título foi o Palmeiras. E ainda foi beneficiado pelo fato de que na última rodada, o Grêmio, pela rivalidade regional, sentiu-se impedido de jogar ‘a veras’, entregando o jogo (e quase que o Flamengo perdeu para os reservas do tricolor gaúcho).

Assim, seu desempenho em 2010 revela: perdeu o campeonato carioca, entrou na segunda fase da Libertadores com as calças na mão e precisará ser épico para reverter o resultado de ontem no Maracanã na próxima quarta-feira, quando em Santiago do Chile vai se deparar com o time da Universidade. É jogo encruado. Tem condições? Pode… mas quantos flamenguistas ainda acreditam?

No duelo dos brasileiros, a volta do velho São Paulo – velho mesmo, basta observar a idade de seus principais jogadores. Venceu o Cruzeiro por 2 a 0 – mas, cá entre nós, o resultado não diz o que foi o jogo. Pelo visto, Adilson Batista poderá procurar novo emprego na semana que vem…

Nada vi e nem observei do jogo entre Atlético-GO e Vitória. Fico com a entrevista do Geninho: foi a pior partida do time goiano. Talvez isso explique a razão do magro resultado. A decisão ficou para Salvador, para onde o time aqui do centro-oeste leva a vantagem de poder empatar para passar de fase.

Já no jogo do Olímpico, uma constatação: fosse apenas pelo jogo de ontem e Dunga teria razão em não convocar o Vitor. Mas em relação ao Grêmio, acontece algo estranho: o time entra apático, toma um banho de bola no primeiro tempo e costuma reagir na volta do vestiário.

Fica a sensação de que Silas ainda não sabe armar o time para ‘começar’ um jogo, mas tem a qualidade de ler corretamente o desenrolar da partida e sabe reverter resultados. O intervalo tem feito maravilhas para o time – mas no caso do jogo da Vila, pode ser tarde. Impressiona, também, a condição física dos jogadores gaúchos – comandados na preparação física pela família ‘Paixão’ (Paulo, o pai, e Anderson, o filho).

No jogo em si, o Grêmio deu o primeiro gol numa pixotada geral da zaga, culminando com o Vitor catando borboleta. Desde os tempos de jogador – e  cobro isso até dos meus jogadores do time de futebol de botão – aprendi que não se marca a bola, mas sim o jogador. O que Grêmio levou o primeiro gol por ter ignorado este ensinamento básico.

Na continuidade, veio o segundo jogo e fiquei com a nítida impressão de que ninguém do time do Grêmio olhou ao menos um jogo do Santos por VT que fosse. É a forma como o time do peixe marca a maior parte de seus gols: roubada de bola no meio de campo e rápidos toques de bola.

Uma barbaridade que observei (responsável inclusive pelo terceiro gol santista) foi o Grêmio jogar com os zagueiros em linha contra um ataque rápido, talentoso e fatal como o do Santos. Não tem cabimento, mas foi assim no segundo e no terceiro gols do time da Vila Belmiro (como não foi mostrado o lance de cima, fique com dúvida em relação à posição do Robinho, mas tudo indica que Edilson desse condições).

A reação tricolor no segundo tempo teve algo de épico, mas fazendo o Santos provar do próprio veneno, com bolas entregues no meio de campo. O resultado final de 4 a 3 e a atuação de Ganso deixaram no ar a certeza de que Dunga errou feio ao não convocar Ganso – o melhor em campo. E mesmo com a falha de ontem, continuo acreditando que Vitor mereceria uma chance na Copa…

Por fim, uma dúvida…

A Federação Paulista de Futebol não deixou que os jogos finais do Paulistão acontecessem na Vila Belmiro pela flagrante falta de condições daquele estádio para sediar jogos ‘importantes’. Se isto valeu para uma decisão de Estadual, o que dizer da 2ª competição mais importante do País, no caso a Copa do Brasil?

É lamentável que a Vila, que não pode sediar jogos do Paulistão, seja liberada para uma competição muito mais importante – mas aí tem a ver com a própria CBF. Lembrando que na última eleição para o Clube dos 13, a CBF apoiou abertamente a candidatura de Kleber Leite – contando na sua cruzada com o aval e o apoio do timer do santos. Só mesmo isto pode justificar a liberação da Vila para um jogo da importância deste que acontecerá na próxima semana.

Previsões para lá:

– Vitória não passa pelo Atlético-GO

– São Paulo assegura a vaga

– Flamengo vence, mas não consegue fazer o resultado

– Contando com o alçapão da Vila – tenho o mau pressentimento de que o juiz vai ser o Hebert Lopes (para facilitar as coisas para o Santos) – o time praieiro vence o Grêmio e faz a final da Copa do Brasil.

Quanto ao jogo de hoje: gostaria que desse Estudiantes, mas o Inter faz o dever de casa…


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