Transparência necessária

23 07 2010

De quando em vez volta a velha e surrada choradeira de que a mídia golpista manipula, desvirtua e mente sobre o Brasil – compreendido aqui o Brasil que nós, brasileiros, começamos a reconstruir a partir de janeiro de 2003. Eu mesmo estou entre estes que ralham os dentes, mesclando ódio e destilando ira – sem compreender como um governo que tanto fez, foi incapaz de construir uma nova relação com a velha mídia.
E não adianta vir o povo da Secom com a surrada balela de que houve uma ‘democratização’ no acesso às verbas – que esta é uma daquelas historinhas para boi dormir e engordar piranha. Que alguém tente furar o bloqueio da mídia na Secom, na CEF ou no BB, hoje pequenos currais onde os mecanismos de manipulação dos fatores obscuros, das normas ocultas e das estratégias de comunicação seguem intocadas – com pessoas e condutas – dos tempos dos tucanos.
Diria que o ÚNICO setor onde houve uma sensível democratização no acesso às verbas foi na Petrobras. O resto do Governo poderia copiar os acertos e, juntos, eliminar os resíduos de tucanismo que ainda perduram, em pequena e incômoda escala, na Petrobras.
No caso das verbas de publicidade, eu creio que seria importante que a Secom tratasse de centralizar o fluxograma de suas liberações e colocasse no site quanto custou cada veiculação. Lembro, salvo engano, de iniciativa de uma ex-prefeita petista de Santos e que colocava quanto tinha custado cada anúncio.
Tenho para mim que a sociedade merece saber quanto a Veja recebe do Governo Federal, da Caixa, do BB e de todas as empresas públicas. O mesmo valendo para a Globo, Band, Folha, RBS (o câncer que corrói e destrói o RS e SC com um monopólio enojante e que é reiteradamente alimentado com as verbas públicas do Governo Federal – que paga para ser vilipendiado em noticiários que via de regra criminalizam os movimentos sociais, que servem de instrumento para a manipulação da informação) e outros quetais.
Os meios de comunicação, que são os que mais cobram transparência, também poderiam adotar esta cruzada pela moralização dos recursos públicos. Então se poderia ter a clara noção de como é desigual a repartição do bolo de publicidade e se poderia ver, também, como certas práticas perversas continuam acontecendo – para ficar ainda mais claro, poderia colocar ao lado qual o deputado ou senador da oposição que pediu a liberação das verbas.
Outro aspecto bem lembrado pelo Josemar Dantas de Aguiar, que mandou e-mail, foi no sentido de que o governo cobrasse das grandes empresas de comunicação o rigor que tem com as pequenas – sendo obrigado a estar em dia com todos os encargos. Sabe-se que mais de 99% dos grandes veículos de comunicação são devedores do FGTS, Previdência, IRRF, Ecad e outros débitos (inclusive empréstimos) e mesmo assim continuam transacionando com o governo. Que as verbas de publicidade sejam restritas a quem estiver rigorosamente em dia.
É preciso partir para a transparência, porque, em última instância, o dinheiro da publicidade advém dos impostos diretos e indiretos do contribuinte. Não tem nenhuma lógica o cidadão saber quanto o governo gasta com os cartões corporativos ou as passagens dos deputados federais e não ter a informação sobre os recursos de publicidade.
Este é um ponto fundamental. Mas quem terá coragem de propor algo assim? Talvez o Brizola Neto, do PDT-RJ, mas quem mais?
Volto a repetir: que o governo veicule quanto gasta comj cada veículo de comunicação, esmiuçando quanto custou cada inserção e patrocínio e mesmo compra de horários e que só depois serão usados (outra prática tucana que perdura).

Para encerrar

Conversando com um prócer do PT, após uma entrevista, perguntei sobre mídia e outros aspectos. Contou-me então que outros já haviam feito a mesma pergunta a ele e que ele responderia a mim como respondeu aos outros: mude a linha editorial de sua revista (ou publicação). Faça algumas edições atacando o nosso governo, o nosso partido e o nosso presidente e então sim o pessoal da Secom (e da área de comunicação de outras empresas do Governo Federal) vai lhe atender, porque então sim você estará sendo um deles…


Ações

Informação

5 responses

23 07 2010
mauro pinheiro

Seu artigo é muito pertinente, embora ache que o nosso presidente tenho imposto, com suas críticas à grande imprensa, uma nova relação da sociedade com este setor. Acho que hoje a sociedade vê a imprensa com olhos mais criticos porque o próprio presidente da república, volta e meia põe em dúvida a credibilidade dela. É uma relação meio neurótica: a gente paga mas critica, eles cobram e também criticam. Tudo para disfarçar.

23 07 2010
Josybel Atílio Alencastro

Me parece que o problema é que o Governo Lula teve que fazer concessões demais. Veja-se o caso do Ministérios das Comunicações que continuou sendo uma capitania hereditária da Globo. No atual governo foi muito maior a perseguição às rádios comunitárias. Sobre as verbas: eu apóio. Quero saber quanto cada um recebe, mas não no total, discriminado – tintin por tintin.

23 07 2010
Marcia Avelar Dutra

Este governo financia a baixaria. E paga pra Veja porque é mole. Por que não tem coragem e faz como o Requião e manda a Globo & Cia pra merda? O problema é que a turma do PT adora bajular e puxar o saco dos poderosos.

23 07 2010
Luis Carlos Sant'Anna

Meu caro Alfredo: morei aí no DF no tempo do Governo do Cristovam e vi como o povo do PT adorava veicular publicidade na Globo, no Correio e nos jornais que viviam descendo a lenha. Depois, no Governo do Olívio, por força da minha profissão fiquei pelo RS e SC. A turma vivia enchendo os bolsos dos desgraçados da RBS. E podes ter certeza: se o Agnelo aí ou o tarso aqui ganharem, vão continuar jogando dinheiro nestes veículos e não apoiando a chamada mídia alternativa.

23 07 2010
Marcolino Zamprogna

Se não gastar na Globo, na Veja e outros jornais, como o povo vai viver sem as comissões? Deixa de ser tolo e ingênuo – é tudo farinha do mesmo saco. O pior cego é aquele que não vê. Franklin? Não me dê razão para rir…

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