Os dilemas de Roriz

9 09 2010

Quando resolveu, em ação combinada com Durval Barbosa, defenestrar Arruda e seu grupo político – aproveitando também para se livrar de alguns compromissos que impunham mais ônus do que bônus (neste caso se insere a destruição pública de Eurides Brito, Brunelli, Leonardo Prudente, Pedro do Ovo, Berinaldo Pontes, Rogério Ulisses, entre outros, e mesmo alguns empresários como JC Gontijo) – Roriz jamais pensou que o tiro na realidade teria o efeito bumerangue e, por conta da nova percepção política que a sociedade adquiriu a partir dos vídeos, o que ele (Roriz) pensou ser uma forma de deixar o seu caminho livre para voltar ao Buriti, na verdade está sendo o veneno que o está matando.
Cabe lembrar que a chamada ‘lei da ficha limpa’, que é apenas o complemento de uma lei anterior e que trata da questão das condições de elegibilidade, andou mesmo depois dos vídeos que Durval e Roriz colocaram ao dispor da sociedade. E foi por pressão e imposição da sociedade que os congressistas aprovaram esta Lei. Ou seja: ao matar Arruda e seu grupo, Roriz se envenenou e ficou isolado.
Esta é a percepção da realidade que hoje vivenciamos: Roriz, o ficha-suja, se esvai politicamente pela incapacidade de aglutinar. Ao tentar manter viabilidade eleitoral, Roriz matou todos aqueles que antes lhe davam sustentação. Basta ver a votação dos que Roriz foi matando. Percebe-se que Roriz tem poucos votos e vai ter cada vez menos – quanto maior for a truculência do seu grupo de ataque.
O dilema de Roriz – com derrotas no TRE-DF, TSE e agora no STF – é como sair fora, buscando eleger as duas filhas. Com poucos recursos, Roriz está reduzindo as ações e aparições públicas, inclusive por falta de agenda, e mesmo muitas das bandeiras usadas são antigas, velhas. Ele pode continuar na disputa, tenatndo reverter pesquisas, eleger-se e antes de ser caçado, renunciar e entregar o GDF para Jofran, o seu vice, que na realidade seria um reles boneco, fazendo tudo aquilo que o verdadeiro governador determinar. Pode colocar alguém em seu lugar e assim se dedicar de corpo e alma na eleição das filhas.


Em tempo: mais sorte teve Maria de Lourdes Abadia, do PSDB, que terá a sua situação relatada, no STF, por Gilmar Mendes, seu companheiro de partido, de militância e de conduta…





Serra e o sigilo violado: mídia requenta notícias

9 09 2010

Pode soar estranho, mas é verdadeiro.
Pode soar ridículo, mas é verdadeiro.
Todo este alarde acerca do sigilo fiscal do Serra e de outros é balela. Como afirma com muita propriedade o jornalista Paulo Henrique Amorim: Serra trabalha para desqualificar um livro que vai ser lançado em 2011 e não para tentar mudar o quadro da eleição de 2010.
Exemplo clamoroso desta manipulação espúria encontramos no fato, por exemplo, de que apenas Eduardo Jorge tem a relação completa dos quase três mil CPFs acessados na agência de Mauá da Receita. Porque a Receita não toma uma titude e termina com o cineminha dos bandidos do PSDB? É simples: informa todos os CPFs que foram acessados e pronto. Termina o drama. Acaba a sangria diária. Esvai-se o circo.
Por que a Receita não libera os nomes de todos que tiveram seus dados acessados em 2009? Em parte porque a Receita está imersa numa guerra fisiológica e corporativa onde os auditores – que se pensam uma espécie de deuses tributários – querem a Receita para eles, não para a sociedade e nem para o governo.
De outro lado, há um grupo que defende, por exemplo, um controle externo da Receita. Este grupo, onde há uma percepção maior do próprio papel da Receita e de que ela existe para a sociedade e não para o benefício dos seus servidores, precisa ser mais ouvido.
Outra medida simples e que ajudaria e muito a oxigenar a Receita Federal seria a transferência de auditores ao cabo de três anos. De preferência para outros estados, de forma escalonada, impondo quarentenas e a não formação de grupos de ação. Evitaria que certas práticas se tornassem lesivas aos interesses da sociedade e da Receita.
Mas, voltando ao tema original deste comentário: a mídia, os tucanos e parcelas do Judiciário vivem de requentar notícias. Observem esta reportagem do SBT – algo lá de 2006… ou antes…





STF nega registro de candidatura a Roriz

9 09 2010

Pelo visto, só restou mesmo ao ex-governador Roriz a opção pela truculência. Tido, havido e apontado como seu refúgio, o STF – ou ao menos alguns mos ministros – deu a primeira demonstração de que algo também está mudando no Judiciário.
O Ministro Ayres Brito – um dos que merecem o M maiúsculo – não só considerou improcedente a ação dos advogados de Roriz como ainda resloveu lhes aplicar algumas lições básicas destacando que extrair partes de votos ou pontos de vista jamais pode ser compreendido como o entendimento pleno do próprio voto (de algum ministro).
Eis a reportagem publicada no portal do Uol:

09/09/2010 – 01h40

STF nega primeiro recurso de Roriz

FELIPE SELIGMAN
DE BRASÍLIA

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Carlos Ayres Britto julgou improcedente a primeira tentativa do candidato ao governo do Distrito Federal Joaquim Roriz (PSC) de reverter decisão do TSE, que barrou sua candidatura por considerá-lo “ficha suja”.

Roriz entrou com a chamada representação, afirmando que a decisão do TSE desrespeitou diversos julgamentos do STF, segundo os quais qualquer mudança nas regras eleitorais deve ocorrer pelo menos um ano antes do pleito.

Para Ayres Britto, porém, os casos citados pelos advogados de Joaquim Roriz nada têm a ver com a decisão do TSE que negou seu registro de candidatura. “o reclamante, ao transcrever trechos isolados de determinados votos plenários (alguns deles vencidos), não conseguiu demonstrar, minimamente que fosse, as supostas violações às nossas decisões plenárias”, diz a decisão do ministro do STF.

O candidato ainda pode recorrer ao plenário e já entrou com um recurso extraordinário no próprio TSE para que seja enviado ao Supremo.

Na semana passada, o TSE confirmou, por 6 votos a 1, que Joaquim Roriz é “ficha suja” e não pode concorrer nas eleições deste ano.

Os ministros entenderam que a Lei do Ficha Limpa vale para quem já renunciou, inclusive para alguém como Roriz, que o fez antes da promulgação da legislação.

Roriz foi alvo de impugnação por ter renunciado ao cargo de Senador, em 2007, para escapar de processo de cassação. Ele era acusado de ter quebrado decoro parlamentar, após ter sido flagrado em conversa telefônica, discutindo a partilha de cheque de R$ 2 milhões. Roriz alega que se tratava de uma discussão para comprar uma bezerra.

A Lei do Ficha Limpa estabelece que o político que renuncia para não ser cassado fica inelegível por oito anos após o fim do mandato que ele cumpriria. Como seu mandato se encerraria somente em 2014, ele fica inelegível até o final de 2022, quando ele terá 86 anos.