A Globo e o aborto do Serra

17 10 2010

É no mínimo sui generis a situação vivida pela famiglia Marinho e os veículos de comunicação da Globo. Assumidamente defensores de Serra e que adoram veicular uma linha editorial que criminaliza os movimentos sociais, que ridiculariza aqueles que defendem um projeto nacional, adversários ferrenhos da política externa brasileira implementada a partir de janeiro de 2003.
Em verdade, há uma postura radical da famiglia Marinho em ser contra tudo aquilo que o Governo Lula/PT defende enquanto política de governo.
E aqui é preciso mais uma vez fazer três registros e um resgate:
1. a famiglia Marinho é contra o Governo, apesar de ter se fartado de ganhar dinheiro deste governo;
2. a famiglia Marinho teve inúmeros benefícios em linhas de financiamento (de igual modo que O Estadão);
3. o governo não teve nenhuma preocupação ou cuidado em fazer valer o seu poder na questão das concessões de rádios e TVs de grupos ligados a TV Globo;
4. o resgate necessário: os petistas babam de desejo, algo que seguramente uma terapia poderia ajudar a resolver, de aparecer na TV Globo. Diria até que têm sonhos eróticos sendo entrevistados pela ex-vênus platinada, hoje reles e sabuja enlameada. Mas é patético observar o desejo de ser entrevistado0 pela Globo. Ridículo seria mais correto dizer.
Diante de um quadro assim tão favorável, a Globo quer Serra por uma questão de afinidade ideológica. De apego ao neoliberalismo – quem sabe na esperança de ‘ganhar’ alguma empresa a ser privatizada.
Mas a Globo também é – ou ainda é – uma empresa jornalística.
E agora está diante de um dilema: como tratar a questão do aborto que, segundo duas testemunhas, teria sido confessado por Mônica Serra em aulas? Continuar omitindo o assunto, como tem feito até agora – ainda que no horário eleitoral gratuito o assunto já tenha sido veiculado? Fingir que nada existe, mesmo o assunto sendo veiculado em jornais, rádios e TVs ‘rivais’? Deixar a água passar por debaixo da ponte, olhando descuidadamente para o outro lado e assim nem reparar que até mesmo ‘seus’ blogueiros tratam do assunto?
O dilema (e/ou quem sabe medo) do jornalismo Global – que me parece ser administrado pelo departamento comercial da empresa – está numa sutileza: se ela der publicidade e veicular o desmentido do carcamano Serra e sua esposa acerca do aborto, estará levantando a bola para o principal assunto político deste 2º turno que para ela ainda não é jornalismo (similar ao imbróglio Paulo Preto, igualmente ignorado pela famiglia Marinho). Se não veicular, estará desrespeitando seu ‘público’, mas para a famiglia isso parece ser coisa de menos importância.
É por estas e outras que apenas alguns petistas ainda continuam tendo sonhos com a Globo, cada vez mais venal, cada vez mais enrascada nas suas próprias contradições.

Em tempo:

Que fique bem claro: não faço nenhum juízo de valor ou julgamento da opção que Serra e Mônica fizeram acerca do aborto. Alegar situação de ‘vulnerabilidade’ é tão óbvio que chega a ser risível: toda mulher e/ou casal é levado ao aborto por uma situação de vulnerabilidade. O que resta aguardar é se o Serra terá uma atitude de homem e vai ser solidário com a esposa Mônica ou vai deixar sobre os ombros dela a responsabilidade individual de uma prática que, no caso do casal, sempre é tomada pelos dois.





Marina faz opção pela direita

17 10 2010

O pior na covardia e no oportunismo é quando as pessoas buscam revestir a sua falta de dignidade com argumentos onde procuram imputar aos outros sua própria falha. Tenho para mim que Marina poderia ter optado por Serra ou por Dilma. Teria este direito, afinal de contas ela se julga acima do bem e do mal. Ela se julga maior que o PT, que a fez senadora e que num ato de estranha generosidade não o requereu (lembremo-nos, o mandato é do partido, não do candidato)quando ela ‘saiu’ – tenho para mim que ainda haverá um dia no qual o PT haverá de se livrar desta visão de piedade e de oportunismo que marca a ação política dos Suplicis da vida.
Mas Marina preferiu a hipocrisia da neutralidade – mero aforismo para tentar ficar bem com a mídia e com a sociedade. Mas esta farsa tem um preço e ela sabe. Depois deste ato, só lhe restará a jornada rumo à direita. Logo-logo estará junto de Aécio Neves – que herdará o tucanato com a derrota de Serra. E Marina estará com Serra do mesmo modo que Heloísa Helena esteve com Luiz Estevão – as duas, por sinal, são muito amigas…
É preciso entender o ato de Marina como o medo de que a mídia passasse a atacar seu marido caso ela optasse por se aliar com Dilma. De outro lado, não pode confessar-se optante do Serra porque nem mesmo o seu oportunismo e cegueira política podem ser suficientes para encobrir a realidade do quão distante estão seus ideais dos professados por Serra e seus aliados.
Do PV, nada a comentar. Não se trata de um partido. Trata-se de uma confraria de negócios. Uma espécie de balcão ‘ecológico’ sempre ao dispor de quem está disposto a pagar por tê-los no seu governo – como quem tem um aborrígene guardado no quartinho dos fundos para ser mostrado às visitas ilustres.
Só para lembrar: o PV é Lula, é Serra, é Yeda, é Aécio. É de quem pagar, tal qual certa ‘moça’ tão bem retratada em sempre lembrada música de Chico Buarque.
Ao contrário de alguns, creio que fará bem para a campanha da Dilma não contar com este moralismo de fachada, de fancaria, que a Marina hoje revelou ter com a sua base espiritual. É destas que usam Deus e a religião não para assumir responsabilidades, mas para se omitir.
Resta observar a movimentação que Marina fará com vistas a 2012 – quem sabe um mandato de vereadora lá pelo Acre. Ou no Rio. Ou em São Paulo. Para ela e o PV (se é que ela vá ficar no PV, o que muito duvido), sempre é tempo de negócios…





A TFP vai continuar apoiando o Serra?

17 10 2010

Hoje, domingo-17, de manhã ao chegar em casa depois de ter ido ao culto, me deparei com uma cena de arrepiar – pelo que fez relembrar, coisas que não vivi, mas que sei pelos relatos de quem viveu naquele tempo de trevas: em minha rua, um abutre velho com um estandarte de Plínio Coirrêa de Oliveira, um carro 0km com uma caixa de som e quatro jovens batendo de porta-em-porta, entregando material pela fé, contra os comunistas e pédindo voto no beato Serra.
Fiquei esperando que chegassem até a porta da minha casa, não o fizeram talvez pelo fato de haver nela uma faixa de Agnelo e Dilma, talvez por meu carro estar adesivado ou pela fama que eu carrego por já ter escorraçado outros devotos deste catolicismo mais conservador, retrógrado e perverso que a Igreja Católica abriga. Abriga, protege e num certo sentido incentiva.
De qualquer sorte, resta uma pergunta: a TFP, que tanto preza pela integridade da família, continuará apoiando Serra mesmo depois da revelação de que os dois (Mônica e José) fizeram aborto nos anos 70?

Em tempo:

Que fique bem claro: não faço nenhum juízo de valor ou julgamento da opção que Serra e Mônica fizeram acerca do aborto. Alegar situação de ‘vulnerabilidade’ é tão óbvio que chega a ser risível: toda mulher e/ou casal é levado ao aborto por uma situação de vulnerabilidade. O que resta aguardar é se o Serra terá uma atitude de homem e vai ser solidário com a esposa Mônica ou vai deixar sobre os ombros dela a responsabilidade individual de uma prática que, no caso do casal, sempre é tomada pelos dois.





2º turno: Serra e o aborto no caminho de Marina

17 10 2010

Ao ser convencida a participar de uma festa, na condição de ‘divertidora de plateia’, Marina Silva talvez não tivesse como dimensionar os riscos que poderia estar correndo.
Tudo é um pouco patológico, mas com preensível…
Marina sempre foi um apêndice dos donos do PT no Acre. Uma espécie de ‘menina da floresta’. Valia mais pelo que podia representar do que propriamente pelos conceitos de ecologia que tinha – e todos podemos observar o vazio de suas propostas, mesmo sendo candidata de um PV.
Mas Marina viu o vazio de opções com que o PT e Lula se defrontaram. Logo percebeu, que estava fora de cogitação seu nome. E lançou âncoras, lançou bóias ao mar buscando onde pudesse navegar.
Fez uma votação muito acima do papel do PV na política nacional e muito além da própria dimensão que ela, Marina, tem em termos de Brasil.
E agora está diante de um dilema: para onde ir? Que rumo convém seguir?
Marina está isoada dentro do PV. Talvez tenha a simpatia de Sirkis, do Rio.Talvez. Os demais sonham com Serra, mas acreditam que possam se dar bem também com a eleição de Dilma. E a cabeça de Martina balança tal qual um pêndulo de um relógio esquecido no tempo.
Se quiser continuar tendo vida pública, sabe que terá de apoiar Dilma, mas teme perder a luz da fama que a mídia lhe dá exatamewnte por atacar Dilma e o PT. Ou vota em Dilma ou terá de reconstruir sua vida política pela direita. Não lhe restará nem o conforto do PSB ou do PMDB.
Amigos que a conhecem, confessam que ela gostaria de voltar ao PT. Dizem que Serra lhe dá calafrios. Que esta história da Mônica foi além de sua capacidade. Será verdade ou se trata mais de manifestação do desejo de quem passa a informação?
No domingo, o PV deve decidir que nada decidiu.
E a Marina? O PV é apenas uma destas siglas que servem como balcão de negócios. Mas Marina sabe que está numa encruzilhada. OU lembra Lênin e dá um passo atrás. Ou pega o caminho da direita. Para nunca mais ter volta. Para morrer ali adiante, como morreu sua amiga Heloísa Helena – hoje relegada a uma condição muito aquém daquela que ela pensava ter.
Marina pode lembrar de Heloísa, antes de decidir.
O tempo se esvai.
E se a menina da floresta, de repente, se der conta que não passou de um brinquedo, de uma bonequinha exótica do sistema?