Jornalismo de Brasília está de luto

17 02 2011

Recebo do amigo e jornalista ACQ – Antonio Carlos Queiroz, a notícia da morte de um daquels que não se forjam mais na realidade do jornalismo dos dias de hoje. O que se foi e do qual logo em seguida transcrevo o texto emocionado e o relato esclarecedor que o ACQ mandou, este, o que agora é só saudade, era de um tempo onde lutar não era apenas uma expressão de fim de noite. Era um compromisso de vida, um referencial cotidiano.
Pessoas assim acabam fazendo muita falta, porque cada vez mais esta nossa profissão está sendo ocupada por oportunistas, sem comprometimento e sem ética.
O texto do ACQ serve para resgatar o Seninha. De minha parte, cabe apenas dizer que ficará o vazio e a saudade que poderemos e deveremos preencher com seus exemplos de lealdade e de dignidade.

Perdemos o companheiro Clóvis Sena, o Seninha

Perdemos, nessa terça-feira, 15, um importante membro de nossa Velha Guarda: o jornalista, poeta e escritor maranhense Clóvis de Queiroz Sena, aos 81 anos de idade, vítima de câncer abdominal. Ele foi enterrado às 11 horas desta quarta-feira.

Seninha, como era tratado pelos amigos, participou ativamente das lutas dos jornalistas de Brasília. Foi um dos fundadores do Sindicato dos Jornalistas e do Clube da Imprensa, e ocupou a presidência do Comitê de Imprensa da Câmara dos Deputados no período 1985 e 1986.
Durante 25 anos, no DF, foi correspondente do Correio do Povo, de Porto Alegre. Passou pelas redações do Correio Braziliense, do Jornal de Brasília, do Diário de Brasília, dos semanários José, O País e O Semanário, e dos Cadernos do Terceiro Mundo. Foi também servidor da Câmara dos Deputados.

Clóvis Sena era um democrata radical e defendia a ideia de que os jornalistas devem ter posição, sem prejuízo da objetividade. Como militante, cerrou fileiras com lideranças da oposição à ditadura militar, entre os quais o deputado federal Neiva Moreira, do antigo Partido Social Progressista (PSP), um dos primeiros cassados após o golpe de 1º de abril de 1964, e que participou da organização do PDT de Leonel Brizola na redemocratização. Sena iniciou sua carreira jornalística no Jornal do Povo de São Luís, de propriedade de Neiva, nos anos 50, exercendo as funções de repórter, redator, cronista e crítico de assuntos culturais. Na gestão de 1955-56, foi diretor da União Nacional dos Estudantes.

Além de jornalista, Sena destacou-se como crítico de cinema e de música erudita, poeta e escritor. São de sua autoria as obras: Neiva Moreira, testemunha de libertação (depoimento). Brasília: Movimento Brasileiro pela Anistia, 1979; Flauta rústica (romance). Brasília: Thesaurus, 1984 (2.ed., Thesaurus, 1985); Jornalismo de Brasília: impressões e vivências (co-autoria). Brasília: Lantana Comunicação, 1993; A queda de Ovídio (poema), distinguido com o 1º lugar do Prêmio Nacional de Literatura da Fundação Cultural do Distrito Federal, 1987; O senhor da cerimônia (poema), 1985; O arquipélago (poemas), 1989; Muitos cajus da vida (poema), 1990; Mitolavratura (poema), 1991; Poema do continente e das ilhas, 1991.

Sena foi membro do Conselho de Cultura do Distrito Federal; do Júri Nacional de Cinema e de diversos júris de festivais de Cinema de Brasília e de Gramado; da Associação Nacional de Escritores; do Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal; e da Academia Brasiliense de Letras. Ocupava a cadeira número 5 da Academia Maranhense de Letras. E foi vice-presidente da Associação Cláudio Santoro. Em 2006, recebeu o título de Cidadão Honorário de Brasília da Câmara Legislativa do DF.

Um depoimento do Seninha sobre a sua carreira e sobre as mudanças políticas ocorridas no País em meio século foi colhido pelo jornalista Paulo José Cunha para o programa Comitê de Imprensa, da TV Senado, e pode ser visto no seguinte endereço: http://tinyurl.com/4rqqtmz Nesse documentário ele conta que veio para Brasília, entre outras razões, por achar que aqui o chão ficava mais perto do céu.

Outro depoimento dele, sobre a história do nosso Sindicato e do Clube da Imprensa, está no vídeo “Cadê o Sindicato que estava aqui?”, de autoria de Luiz Turiba, à venda no SJPDF.

A Velha Guarda dos Jornalistas do Distrito Federal vai encaminhar à direção do Sindicato dos Jornalistas a proposta de Turiba de dar ao auditório da futura sede da entidade no SIG o nome de nosso querido companheiro. Será uma homenagem mais que merecida a um jornalista e artista que foi, antes de tudo, um lutador das causas democráticas e populares.


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