E viva a passionalidade do torcedor!

31 03 2011

Comecei a escrever este post no dia 19 de março. E o retomo agora – convicto de que vale sim uma provocação.
Antes de mais nada: sou gremista, que isso fique sempre bem claro.
Mas me permito falar de outros times – porque também torcedores de outros falam do meu.
Vamos, pois, aos fatos – uma vez que a mídia hoje só tem olhos e ouvidos e atenção para Obama (quando, na minha opinião, o mais notável é saber que ele veio com esposa, filhas e sogra). E agora começa a colocar os pés num lodaçal tipo Vietnã, Afeganistão e Iraque – sem saber como fazer para derrubar Kadaffi – que não é molenga como Sadam.
De repente, uma estranha contradição: os rebeldes líbios são apoiados pela “Alcaida” do Bin Laden e pelos ianques de Obama. Até parece o samba do afro-descendente com problemas mentais.
Quando Renato chegou ao Grêmio, o time estava na zona do rebaixamento.
Isto todos lembram. Silas era um boneco nas mãos dos jogadores.
Renato chegou e foi para o emocional.
Indicou alguns reforços que se encaixaram perfeitamente e alguns até jogaram bem mais do que podiam.
O 2º semestre de 2010 foi de intensa sinergia entre Renato – time – torcida.
Veio dezembro e diante da tragédia do Goiás, a vaga para a LIbertadores caiu no colo do Grêmio. Uma espécie de prêmio – que se revelou também um castigo.
O Grêmio mudou a diretoria. Saiu um Duda Kroeff que estava mais preocupado com a sua fazenda do que com o Grêmio. Entrou Odone, mais preocupado com seu ego e sua carreira política do que com o Clube.
E Odone desandou a fazer trapalhadas – e o preço está sendo pago agora, com um time que se arrasta em campo… Quis Ronaldinho e deixou Jonas sair de graça. É um pavão que administra o Grêmio com ódio de Koff – que irá derrota-lo no final de 2012. Ou algum dos leitores acredita que com este time limitado, sem esquema de jogo, sem jogadas treinadas, sem dinâmica e nem mecânica de jogo… alguém acredita que se poderá ganhar algo além de um Gauchão?
Dispensou Paulo e Anderson Paixão – pai e filho que fizeram o Grêmio correr no final da temporada atropelando adversários. O novo preparador físico não consegue fazer os jogadores correrem no começo da temporada. Dizem que Renato e nem Odone gostam do Paixão porque ele é voz forte de vestiário, mobilizador e incendiário.
E o que se vê em campo é um time sem esquema tático, cheio de canhotinhos padrão enceradeira (Douglas, por exemplo, é pra mim um Zinho piorado). O time não tem padrão, corre feito um bando. A defesa leva gol de cabeça de jogadores altos, baixos – basta cruzar a bola na área e o pânico está instaurado.
E lá vem o Renato dizer que não escala o Mário Fernandes na zaga porque ele não sabe cabecear? E qual dos atuais sabe? Gilson? Gabriel? Rafa? Rodolfo?
Renato começa a naufragar no Grêmio porque o seu ego não permitiu que tivesse uma compreensão de que futebol não é apenas vamos-vamos.
O Grêmio não tem esquema tático. O Grêmio está mais pra bando do que pra time.
Não é só o Gilson que está ocupando espaço indevido.
O que dizer de Vinicius Pacheco… de Carlos Alberto… de Diego Clementino…
Enquanto isso, o Lins, aquele que veio do Criciúma e que na minha opinião seria o jogador de velocidade lá na frente, nem concentrar, concentra. Ele não faz parte da panela do Renato. Não foi jogador indicado por ele.
Tenho olhado os jogos. Sei que não vamos passar da próxima fase da Libertadores. Pode ser bom, uma vez que assim talvez o Renato comece a trabalhar fundamentos – passes, cobrança de lateral, cobranças de falta (não aquela porcaria de levantamento de bola para a área, nossa única jogada). Coisas assim prosaicas e que revelam o quadro de abandono do futebol do Grêmio.
Hoje o Grêmio precisa de um zagueiro pela direita; um lateral esquerdo; um meia de qualidade e que jogue com o pé direito e um atacante de melhor qualidade do que o Borges.
A torcida sempre é passional. Eu também sou.
Por isso, para mim, este time do Grêmio em 2011 é vergonhoso, patético e ridículo.
A mística da suposta imortalidade não pode nos cegar ao ponto de ver que o Grêmio em 2011 está matando o seu torcedor de raiva e também matando torcedores de outros times de tanto rir deste timeco bem limitado – mas ainda arrogante, sem perceber que a simples identificação com uma mística imortalidade não tem como transformar pernas de pau em jogadores dignos de vestir a camiseta do Grêmio.





Blogueiros e patrulhas ideológicas

30 03 2011

Já faz tempo que não me debruço sobre os e-mails que chegam por meio de listas pela repetição temática.
Não é um problema ‘desta’ lista, mas que se repete em maior ou mais intensa escala em cada uma delas.
Mas creio que, aqui, tem acontecido algo que tem a ver com o DNA ideológico de boa parte dos seus integrantes e principalmente pelo viés de censura e de imposição de uma só voz que advém do núcleo político-partidário que tenta, insiste e persiste no trabalho de colocar cabresto, de colocar viseiras em um movimento – a blogosfera – que nem a direita e nem a esquerda ainda conseguiram entender e, por isso mesmo, tentam controlar e manipular.
Estive no 1º Encontro em São Paulo e percebi que se tratava da construção de uma escada, na qual caberia a plebe de blogueiros o papel de incensar e emular os escolhidos. Disse isso na minha intervenção e destaquei que havia um claro sistema de castas.
Mantenho um blog que está migrando para um portal onde estarão todos os meus produtos de comunicação. Não posso, não tenho do que me queixar da minha média diária de acessos – 4.158 na última semana. Faço isso sem contar com a escada que outros blogues fazem, exatamente porque não me interesso em fazer parte de panelas. Acho interessante no twitter, por exemplo, como alguns ‘blogueiros’ ajudam os outros. Acho isso bacana, legal – este é o sentido e espírito de uma panela.
Percebo que existe uma preocupação em não fortalecer a diversidade, mas sim em fortalecer uma unidade em torno de alguns. É do jogo. Estamos repetindo aqui a mesma estratégia da grande imprensa: a Folha publica, a Veja replica e a Globo sataniza os personagens. Esta é a escada que ocorre em nosso meio.
Vejo, com preocupação, a tentativa de criar uma ‘linha editorial’ para os blogues. Existe o AI-5 Digital do Azeredo e existe a Sibéria da esquerda – porque nem a direita e nem a esquerda sabem conviver com a democracia, com a diversidade.
Espero que não se queira transformar o II Encontro Nacional dos Blogueiros numa espécie de ‘congresso da Une’, com delegados escolhidos/eleitos nos estados para formar claque. Vejo como infantil a colocação de ‘progressistas’ como parte do nome do evento, porque se trata de um conceito pessoal, um auto-elogio que precisa ser visto de uma perspectiva mais ampla. Ao reduzir a blogosfera entre ‘progressistas’ e ‘atrasados’ estamos criando guetos, porque nada impede que os atrasados se sintam, na verdades, ‘mais progressistas’…
Eu, de minha parte, sei quais os ‘post’ aqui da lista que me interessam ler. Os demais apenas excluo.
Considero petulante, arrogante e descabido que uma pessoa se sinta no direito de pedir que alguém pare de falar ou de tocar em determinado assunto.
A blogosfera precisa ser livre e respeitar a diversidade. Quer a esquerda empedernida e que se auto-intula progressista quer ou não queira.

Sobre o assunto leia também, se quiser:

https://passelivreonline.wordpress.com/2011/02/28/patrulhas-ideologicas-na-blogosfera/





Zé Alencar – nem santo e nem demônio. Apenas humano

29 03 2011

Eu, a exemplo de milhares de brasileiros, acompanhei a luta estóica de Zé Alencar contra este famigerado câncer que é uma espécie de espada de Dâmocles a brandir e brilhar ameaçadora sobre a cabeça de cada um de nós. Sempre o coloquei em minhas orações, como coloco a todos os que não conheço – mesmo os que são meus inimigos apenas porque discordam dos meus pontos de vista.
Se para alguns o ser humano é o conjunto de suas próprias contradições, Zé Alencar é exemplo dos muitos ‘eus’ que vive em cada um de nós. Para mim, duas lembranças ficarão para sempre emoldurando a imagem do mineiro bonachão e bom de prosa, arraigado em sua fé.
De um lado, o empresário que teve coragem, convencido (segundo o Roberto Jefferson, do PTB, a custa de muito dinheiro) a ser vice de Lula – rompendo assim um estigma cuidadosamente criado pela mídia, colocando sob a imagem de Lula (e do PT) toda sorte de defeitos (alguns reais). Foi a vinda de Zé para ser vice de Lula que possibilitou quebrar uma barreira eleitoral e tornar-se palatável para a classe média.
Este Zé Alencar entra para a história como aquela figura que ajudou a mudar a história política nacional. E além do mais é um exemplo de dignidade, ao não aceitar que o tratamento médico fosse pago pelo governo, sempre bancando-o com a opulência do seu cheque. Quantos teriam a mesma dignidade?
Mas há um outro Zé, menos louvável e que nem por isso deve ser esquecido neste momento de sua morte. Foi o Zé que não aceitou fornecer material para o DNA que poderia determinar a obrigatoriedade dele em reconhecer a paternidade de uma filha supostamente sua gerada de uma relação com uma mulher que trabalhou com enfermeira em um clube em Caratinga. Para defender-se, Zé disse que se tratou de um affair regiamente remunerado – enfatizando em entrevistas que teve vários casos na zona e que não teria como se lembrar de todos.
Foi ridículo e patético escutar e ler esta grande figura reduzir-se a pouco mais do que nada com esta negativa. Para mim, ele é igual a Pelé ao não reconhecer uma filha tida de um relacionamento com uma pessoa humilde – antes da fama, antes do poder, antes de ficar rico.
São as múltiplas facetas, mas acima de tudo a revelação do quanto somos, em verdade, contraditórios e múltiplos. Algo que é superior ao mito e ao idealizado como símbolo e referência.
Descanse em paz, Zé.





Hora de democratizar impostos e tributos

29 03 2011

Trocando informes e farpas com alguns internautas, me dei conta do extremo acerto do Governo Federal em aumentar o IOF para as despesas com cartão de crédito no exterior. Diria mais: o aumento teria de ser ainda maior, porque se trata de um imposto que atinge uma parcela mínima da população. Em troca deste aumento, o Governo isentou do IR os TRABALHADORES brasileiros que recebem até R$ 1.566,61 por mês.
É assim que se faz justiça social, porque em nosso país só quem paga imposto é trabalhador, o resto é balela. Empresário não paga imposto, embute no preço que depois vai ser pago pelo consumidor – trabalhador. E há tantos estudos mostrando que o impsoto embutido em produtos pesa muito mais no bolso de quem paga menos. Rico pagava uma miséria de CPMF. Trabalhador não. Este já recebe com desconto.
E ficou a impressão de que muito deste esperneio contra o aumento do IOPF é porque escritórios de advocacia não poderão ganhar dinheiro com liminares. Uma pena para eles e para alguns membros do poder Judiciário – e feliciadde da imensa maioria dos brasileiros.
Seria importante que este fosse um primeiro passo, que deveria incluir a tributação das igrejas – TODAS! – as faculdades confessionais e pilantrópicas, cobrando IPTU, IPVA, ITR (sim, tem igrejas que são proprietárias de grandes áreas rurais). Se vivemos em um Estado Laico e ter uma igreja – qualquer que seja! – virou fonte de renda, nada mais justo do que submetê-la ao regime tributário vigente em nosso País.

Tantos absurdos

O aumento do IOF sobre contas no exterior deveria ter sido ainda maior, na minha opinião – como também se faz urgente aumentar a carga tributária de bebidas, cigarreos e refrigerantes, sabidamente maléficos à saúde.
Fico assustado coma cegueira das elites, que pensam o Brasil apenas como o lugar onde vivem a contragosto.
OU alguém vê lógica e sentido no fato de que produtos veterinários são isentos de vários impsotos e remédios para humanos, não!
OU alguém vê lógica na cobrança de taxas e tributos de quem tem um Uno Mille 2005 e quem é dono de um helicóptero, de um jatinho, de um iate ou uma lancha estar isento?
Na verdade, o melhor que uma elite brasileira poderia fazer era ir logo ser cucaracha nos EUA, porque eles aqui não passam de cadáveres de um Brasil que nós, brasileiros, sabemos que precisamos deixar no passado – um país onde as elites podiam deitar e rolar.

Último bastião

Se já houve uma acentuada mudança no perfil do Congresso Nacional…
Se já temos um Governo Federal que começa a pensar o Brasil do ponto de vista dos brasileiros
Continuamos, no entanto, vítimas de um modelo perverso e repugnante – que tem a mídia cosnervadora ao seu lado e este verdadeiro cancro da democracia nacional que é a estrutura do nosso Judiciário. Este sim, o grande bastião da impunidade. Dos ricos e poderosos.





Cuidado CUT – Os urubus estão voando

29 03 2011

Recebo de jornalista com muito trânsito na imprensa sindical uma notícia que deve ser motivo de alerta, de reflexão e de providências.

Cuidado CUT – Os urubus estão voando

Corre a boca pequena que o Ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, envolvido em uma enxurrada de denúncias ainda não explicadas, pretende trazer para o MTE o senhor Antonio Porcino Sobrinho. E quem é a ilustre figura? Ex-prefeito de Itaporanga, na Paraíba e, ao mesmo tempo, presidente da FENEPOSPETRO – Federação Nacional dos Empregados em Postos de Serviços de Combustíveis e Derivados de Petróleo (Fenepospetro), criada em 1992 pelo próprio e filiada à Força Sindical (Central sindical vinculada ao PDT, partido presidido pelo Ministro).
Em Itaporanga, o ex-prefeito teve as contas rejeitadas pelo Tribunal de Contas do Estado da Paraíba e também pelo Ministério Público, referente ao exercício de 2007 que lhe imputou um débito no valor de R$ 1.496.961,38. Contrariando todos os relatórios e pareceres dos dois órgãos, a Câmara Municipal aprovou as contas do prefeito. Mas o processo segue adiante.
Na FENEPOSPETRO, o maior passatempo do dirigente sindical da Força é tomar a base de sindicatos cutistas de frentistas em todo o Brasil. Para isso, contou com o apoio do ex-secretário de Relações do Trabalho e Emprego, Antônio Medeiros que até criou a Portaria 186 com esse objetivo. Em Brasília, por conta de sua participação na CPI dos Combustíveis que apurou a formação de cartel no setor, o presidente do Sindicato dos Frentistas (Raimundo Miquilino), filiado à CUT, foi implacavelmente perseguido e teve a sua base tomada com a criação de outro sindicato na mesma base, dentro do gabinete do senhor Medeiros. Uma resposta da Rede Gasol por conta das denúncias contra o grupo que atua em Brasília e segundo apurado pela CPI lidera a combinação de preços.
O negócio foi familiar: a esposa de Medeiros é irmã de um dos donos da Rede Gasol. Se esse senhor for realmente para o Ministério do Trabalho, é bom que os sindicatos cutistas coloquem a barba de molho.





Comunicação: o estranho mundo do GDF

29 03 2011

Dizer que há um privilegiamento na divulgação das informações do DF – e falo aqui no fato de que algumas pessoas recebem informações, são mantidas a par de certas coisas que talvez nem devessem ter este acesso – é repisar numa tecla enfadonha e que serve para denunciar o estranho compadrio entre quem chega a um cargo sem ter tido a honestidade profissional de se dizer incapacitada para o exercício do mesmo e quem se beneficia deste ‘trânsito’. Não se trata de ‘fonte’, quando quem serve de ‘fonte’ deveria ser apenas emissor. Trata-se mais de um exemplo de incompetência do que de estratégia de comunicação.
É óvio que o GDF sob o comando de Agnelo – a quem eu defendo por continuar entendendo que a despeito de vacilos e titubeios, por equívocos e trapalhadas, ainda é o único nome que pode fazer um mandato de transição entre a lama e o caos dos últimos 12 anos e um novo tempo que é o anseio maior de todos os brasilienses.
Amanhã, por exemplo, tem a reunião de Agnelo com a CUT-DF – que estava marcada para a semana passada e foi transferida de última hora. Esta, por sinal, é uma reclamação geral: as pautas furadas que são passadas, as informações mambembes que são repassadas e uma indefinição acerca do papel que deve executar dentro deste script. Mas nada é feito. Nada é dito.
Falo de comunicação porque é meu mundo. Falo, pois, do que bem sei e busco pela leitura cotidiana compreendê-la (a comunicação) cada vez mais dentro desta dinâmica de um mundo no qual ‘fazer comunicação’ não é mais botar as mãos na cintura e se julgar acima do bem e do mal – ainda mais quando se faz parte de uma equipe de um governo eleito por um partido como o PT que tem vínculos históricos com a luta pela democratização da informação e contra toda sorte de privilegiamento.





A política como um negócio meramente familiar

27 03 2011

Não sei se é pelo fato de eu estar entre aqueles milhões de brasileiros que precisam trabalhar – e muito! – para garantir o meu sustento e o de minha família; não sei se é pelo fato de eu, a exemplo de milhões de brasileiros, não compreender a mágica do enriquecimento de algumas pessoas; não sei se tem algo a ver com minha dificuldade com a matemática desde os tempos que tive aula com a profª Domitila Rodrigues, lá no Ginásio Agrícola Gastão Bragatti Lepage; não sei se ficou faltando algo do período de confirmação com o Pastor Elmer Nicodemus Flor ou de minhas conversas com o também Pasor Aragão… mas a verdade é que não compreendo a cínica mágica de pessoas que sobrevivem, enriquecem, engordam patrimônio e ainda têm lucros sem jamais terem trabalhado.
Uma reportagem hoje, domingo dia 27, veiculada no Correio Braziliense pode ajudar um pouco a revelar esta mágica. Mas ela se refere apenas ao universo de uma família e sua ramificação no DF. Vou colhendo tantos exemplos de pessoas que nunca trabalharam e continuam bancando campanhas milionárias. Possoaqui citar uns 30 nomes, como os de Pedro Simon, Esperidião Amin, Álvaro Dias, José Serra, César Maia e seu filho Rodrigo, Aécio Neves, Marconi Perillo, ACM Neto, José Sarney e seus filhos Roseana e Zéquinha.
É importante que a gente se dê conta e se revolte contra uma perversa realidade: a nossa elite dirigente só briga quando está fora do poder por não ter acesso a benesses. Vejam o caso do velho e nada saudoso ACM com a OAS, corretamente de Obras para os Amigos do Sogro.
Por esta razão, sou totalmente contra toda a reeleição.
Na minha forma de entender o mundo, a pessoa deveria disputar um mando e ao fim do seu exercício deveria ficar igual período em alguma atividade produtiva – comprovando a manutenção do padrão de renda. Só depois ele poderia voltar a se candidatar outra vez. Já disse isso e vou repetir: vereador, deputado estadual ou distrital, deputado federal ou senador que saísse do seu cargo durante o mandato teria de renunciar.
A reportagem do Correio Braziliense deveria servir para uma demorada reflexão sobre estas pessoas que fazem da política a profissão e mesmo com o baixo salário, enriquecem, adquirem patrimônio e vivem impunes.

Organograma da Câmara Legislativa revela uma teia de apadrinhados políticos
Lilian Tahan

Ricardo Taffner

Publicação: 27/03/2011 08:16 Atualização:

Antônio Abrão Hizim é advogado, faz bico como vendedor de couro, mas o que tem lhe ocupado a maior parte do tempo desde janeiro é a rotina na Câmara Legislativa. Irmão da distrital Celina Leão (PMN), ele cuida de assuntos administrativos no gabinete da parlamentar, que mal inaugurou o mandato e já entrou na mira do Ministério Público e da Polícia Civil por suposto envolvimento em desvio de dinheiro em Samambaia e suspeita de conivência com a manutenção de servidores fantasmas na época em que era chefe de gabinete de Jaqueline Roriz (PMN).

Como outro funcionário qualquer, Abrão Hizim dá expediente na Câmara Legislativa. Sempre com uma pastinha debaixo do braço, circula com desenvoltura pelos gabinetes dos colegas de Celina. Foi Abrãozinho, como é tratado carinhosamente pela irmã, quem esteve à frente, por exemplo, da negociação de cargos e salários dos funcionários que compõem a equipe da deputada. Apesar da função que exerce, esse não é um caso clássico de nepotismo. Simplesmente porque Abrão não está formalmente contratado pela Câmara. Faz um “trabalho informal” e recebe “uma ajudinha financeira” da irmã. Abrão é casado com Camila Calazâncio, uma das enteadas de Manoel Neto, que era empregada do gabinete de Jaqueline Roriz entre 2007 e 2010. “Sou representante de couro aqui em Brasília, mas como meu trabalho é muito por telefone, acaba me sobrando tempo”, disse Abrão ao Correio. A deputada contou que recompensa a dedicação do irmão. “Abrãozinho me ajuda muito desde a campanha. Sempre que posso, pago umas contas para ele”, disse Celina.

Irmãos

A situação de Abrão é apenas uma das esquisitices do organograma montado pelos distritais com os cargos comissionados. Outra excentricidade: trabalham no gabinete de Celina três irmãos. Dois deles, Sandro de Moraes Vieira e Sílvio de Moraes Vieira, estão lotados lá oficialmente. O terceiro, Alcidino Júnior, tem rotina parecida com a de Abrão. Cumpre tarefas na Câmara em nome de Celina, mas não está oficialmente no gabinete. Na última terça-feira, Maria Balbina de Moraes Vieira foi nomeada com CL 14 de R$ 8,6 mil para a secretaria executiva da Comissão de Ética e Direitos Humanos da Câmara. Maria é mãe de Sandro, Sílvio e Alcidino e foi indicada para o cargo por Celina Leão, que é a presidente da Comissão. Antes, a família Balbino, como é conhecida na Câmara, era vinculada ao gabinete de Eurides Brito, cassada no ano passado por ter embolsado o dinheiro de Durval Barbosa.

Juninho, o Alcidino, não pode ter vínculo formal na Câmara, pois estaria em estágio probatório de três anos como técnico penitenciário. Conseguiu licença do emprego na Secretaria de Justiça sob o argumento de exercer atividades para o sindicato que representa a categoria. Porém é visto no dia a dia da Câmara, tendo acesso, inclusive, ao plenário, que é restrito a servidores da Casa ou do GDF com atuação na área parlamentar.

Jaqueline Roriz foi eleita para a Câmara dos Deputados, mas deixou herança no Legislativo local. Acomodou uma de suas afilhadas no gabinete da irmã Liliane Roriz. Angélica Veras dos Anjos era assessora de plenário de Jaqueline. É requisitada do Serviço de Limpeza Urbana (SLU) para atuar no Poder Legislativo. Entre os colegas, é vista com desconfiança. Há quem acredite que ela ainda mantém vínculos políticos com Manoel Neto, marido de Jaqueline e desafeto de Liliane, de quem é cunhado. Outra ex-funcionária de Jaqueline também foi mantida na Casa. Fabíola Pereira dos Santos ficou alojada no gabinete de Celina Leão por 11 dias e depois foi transferida para o bloco Avanço Democrático, do qual a deputada faz parte.

Engano

Jorcelino Teixeira dos Santos foi nomeado em 3 de fevereiro para o CL 3 no gabinete do distrital Raad Massouh (DEM). Ficou pouco tempo, apenas cinco dias, com um fim de semana no meio, mas o suficiente para causar estranheza. Em dezembro do ano passado, descobriu-se que Jorcelino era caseiro de Manoel Neto, mas recebia salário de R$ 2,8 mil. Ele é casado com Sandra Ribeiro Soares, que era lotada no gabinete de Jaqueline com salário de R$ 12 mil, mas trabalharia como empregada doméstica da então distrital. Raad Massouh disse que a nomeação de Jorcelino foi um erro. “Trata-se de um equívoco da minha chefe de gabinete, Ana Maria, reconhecido por ela própria. Nunca vi essa pessoa, nem sabia da existência dela. Não mandei nomear nem exonerar. Penso que alguém tenha tentado plantar esse funcionário em meu gabinete. Mas não colou, pois o erro foi corrigido de um dia para o outro.”

A teia de apadrinhados é comprida e complexa. Leny Eiró Dias de Oliveira pertencia ao gabinete de Jaqueline Roriz e foi nomeada para trabalhar com Celina Leão. O marido de Leny, José Flávio de Oliveira, é o chefe de gabinete de Liliane Roriz. Pessoa da confiança de Joaquim Roriz, ele trabalhou como secretário de Assuntos Parlamentares do ex-governador, de quem foi tesoureiro na campanha.

Giselle Ferreira de Oliveira trabalhou com Jaqueline Roriz e hoje está com Washington Mesquita. Ela é filha de Vera Lúcia Ferreira, que é apontada por ex-colegas de ter agido como laranja no gabinete de Jaqueline. O caso está sob investigação. Poliana Oliveira Melo atua como secretária parlamentar no Bloco Avanço Democrático na cota de Olair Francisco. Na legislatura passada, Poliana foi uma das principais servidoras do gabinete de Jaqueline, tendo, inclusive, chefiado o gabinete da então distrital. A permanência dela na Casa, no entanto, não pode ser atribuída a Jaqueline. Poliana se desentendeu com Manoel Neto.

Olair ainda ficou com o espólio de Júnior Brunelli, que assim como Eurides Brito, saiu do cenário político por ter se envolvido no escândalo da Caixa de Pandora. Getúlio Soares Novaes Frota foi chefe de gabinete de Brunelli e agora trabalha com Olair. Esses são alguns dos casos em meio a muitos semelhantes. Sinal de que os deputados até passam, mas os laços continuam.