Líbia: rebeldes entregam os pontos e, derrotados, querem negociar

1 04 2011

Alguns se mostrarão surpresos. Outros dirão que é 1º de abril. Até poderia ser, por conta de onde está veiculada a notícia caso eu buscasse a informação apenas na mídia mentirosa do Brasil. Mas a verdade é que Kadaffi não apenas está vencendo a guerra, como irá derrotar os chamados rebeldes – grupos de apátridas onde se misturam mercenários contratados pelos EUA, guerrilheiros da Al Quaeda de Bin Laden, traficantes de armas e de drogas.
Em verdade, aconteceu aquilo que já era sabido por quem acompanhou a cobertura da Telesur – hoje o melhor canal de jornalismo da América Latina. Mas a miopia da mídia brasileira, a boçalidade daqueles que ainda se pensam formadores de opinião e a estupidez daqueles que ainda se pensam como a ‘elite’ de nosso País, impede que ‘eles’ vejam a realidade com os olhos de brasileiros. Preferem olhar de cócoras, esperando para bajular o que vem do norte…
Precisamos parar de pensar que o que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil.
Pelo contrário: tudo que é bom para eles, é péssimo para nós enquanto País e povo.
Os rebeldes perderam a guerra porque Kadaffi tem apoio popular. Esta é a única verdade.
Vejam a matéria veiculado no portal Uol:

01/04/2011 – 08h30

Rebeldes líbios dizem aceitar cessar-fogo, mas com condições

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

Os rebeldes na Líbia afirmaram nesta sexta-feira estarem dispostos a um cessar-fogo, desde que algumas condições seja cumpridas. Entre elas, o recuo das tropas do ditador Muammar Gaddafi de cidades no oeste e a liberdade para o povo se pronunciar.

Mustafa Abdel Jalil, chefe do Conselho Nacional de Transição, no reduto rebelde de Benghazi, pediu a remoção das tropas de “mercenários” das ruas, antes de decretar o fim das batalhas.

“Nós não temos objeção a um cessar-fogo, mas na condição que os líbios nas cidades do oeste tenham total liberdade de expressão de seus pontos de vista”, disse Jalil, em entrevista coletiva ao lado do enviado especial da ONU (Organização das Nações Unidas) ao país, Abdelilah al-Khatib.

Ele alertou também que os rebeldes não vão abrir mão de uma questão crucial, que é a saída de Gaddafi e sua família do país.

Jalil disse ainda que os rebeldes precisarão de armas, caso as forças de Gaddafi não parem de atacar os civis, repetindo os pedidos de ajuda para enfrentar as forças melhor equipadas do ditador.

O presidente americano, Barack Obama, não descarta armar os rebeldes. Contudo, a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), que assumiu o comando da operação, rejeita a ideia –assim como a Rússia. Muitos questionam se é seguro dar armas a grupos desconhecidos e as consequencias disso após a guerra.

CONFRONTOS

Os combates entre as tropas de Gaddafi e os milicianos revolucionários continuam nas imediações de Brega, 225 quilômetros a oeste de Benghazi, segundo o porta-voz militar dos rebeldes, coronel Ahmad Omar Bany.

“Os confrontos continuam ao redor de Brega. As tropas de Gaddafi se encontram no oeste da cidade, a cerca de 30 quilômetros”, acrescentou Bany.

Segundo a agência de notícias France Presse, pela primeira vez os jornalistas não foram autorizados a acompanhar o confronto. Os insurgentes impediam a passagem da imprensa e dos civis pela entrada oeste de Ajdabiya, que leva à frente de batalha.

Os rebeldes mudaram de estratégia para enfrentar os leais ao dirigente líbio nos últimos dois dias, já que situaram membros do Exército na primeira linha de batalha. Na segunda linha estão as milícias de voluntários.

Nesta quinta-feira, as tropas de Gaddafi bombardearam as posições rebeldes com mísseis Grad e foguetes Katyusha.

Enquanto isso, a maior parte dos habitantes da vizinha Ajdabiya, a 65 quilômetros ao leste de Brega, fugiram da cidade por temor a novos ataques.

Se Brega cair nas mãos das forças governamentais, seu alvo seguinte seria Ajdabiya, uma cidade estratégica já que dela sai uma estrada que liga diretamente com Tobruk, ao leste de Benghazi, sem passar por esta última cidade. Sua conquista é chave para isolar a capital rebelde.





1º de abril de 1964 – Pelo direito de saber!

1 04 2011

Transcrevo aqui no blog o texto de capa do Jornal Passe Livre que, excepcionalmente esta seman, estará sendo distribuído nesta sexta-feira aqui na rodoviária de Brasília. Ainda durante a parte da manhã, a edição estará disponível online. Lembrando sempre que o Passe Livre foi lançado em 1998, é semanal, num formato único e especial e tem tiragem semanal de 60 mil exemplares. A edição desta semana é a de número 494

1º de abril de 1964 – Pelo direito de saber

A história é um lamaçal onde geralmente os vitoriosos tentam adequar o que foi ao que desejam que no futuro se tenha como verdade. Aqui no Brasil, são os derrotados que querem perpetuar uma versão de heroísmo que em nada condiz com a longa noite de terror, morte, tortura e repressão que os brasileiros viveram a partir de 1º de abril de 1964. Sim, estimados: não foi em 31 de março, mas sim num prosaico 1º de abril que se implantou uma das mais sangrentas e perversas ditaduras de todos os tempos – como se houvesse ‘ditadura’ mais ou menos cruel.
Mas ao contrário de tantos outros povos e países, aqui os remanescentes e bajuladores da repressão continuaram vivos e ativos e tratam de impedir que se faça o necessário resgate da memória destes tempos. Não se trata de revanchismo, mas sim do direito de mostrar às gerações futuras o que realmente aconteceu.
Não podemos continuar reféns de manipulações e omissões. O golpe, que sempre foi apoiado pela chamada grande imprensa (a mesma que passou oito anos atacando Lula e o Governo do PT), ainda hoje tem muitas viúvas. Cabe lembrar que a própria Folha de São Paulo emprestava seus veículos, devidamente pintados, para que o Dops pudesse fazer o serviço sujo sem gerar a curiosidade das pessoas.
Este é um dos epísódios maca-bros, mas que serve para revelar a identidade entre os golpistas de 1º de abril de 64 e aqueles que continuam, sob qualquer pretexto, insinuando e defendendo a urgência de um golpe para restaurar os seus benefícios e privilégios. Porque, a bem da verdade, eles odeiam a liberdade e a democracia.