Domingo: Se Nietzsche falasse

3 04 2011

Manhã de domingo.
Um carreteiro com ‘carne verde’ sendo feito na velha panela de ferro, em um fogão a lenha que serve para me unir um pouco mais as saudades que carrego lá da Linha Palmeira.
E repassando velhos escritos, eis que me defronto com um perdido eu.
Sem confronto, apenas reencontro.
Aos olhos, pelo menos.
Na alma, com certeza…

Se Nietzsche falasse

Alfredo Bessow

Quando vemos o que somos
é que na verdade sabemos
as raízes do que buscamos
Das coisas que perdemos,
o valor é criação humana
e nos tornamos escravos
dos relógios e das semanas,
trocando sonhos por centavos

Quem se aparta do que é
sempre vive bem dividido,
na verdade não sabe o que quer
e anda no mundo perdido
Inventa palavras pra mentir,
se apega a coisas, fantasias
e pra ter forças e prosseguir
se mata por outras ideologias

Um homem não pode agora
abandonar o que viveu de fato,
fica na alma tempo afora
grudado feito um carrapato
E ainda que seja teimoso
dizendo que sabe mudar,
o tempo é cruel e ardiloso
dando pra depois cobrar


Ações

Informação

2 responses

3 04 2011
Carmen Regina Dias

Nas dobras do tempo, o filme

“… nos tornamos escravos
dos relógios e das semanas,
trocando sonhos por centavos …”

“Prisioneiros náo somos, nem do tempo nem do espaço…” (Rumi)

“Quem se aparta do que é
sempre vive bem dividido,
na verdade não sabe o que quer
e anda no mundo perdido…”

A alma apagou a luz e ele dormiu. Ainda dorme, pobre anjo…

“Inventa palavras pra mentir,
se apega a coisas, fantasias
e pra ter forças e prosseguir
se mata por outras ideologias …”

Enquanto dorme nutre fantasias, re cria ilusões.

“… o que viveu de fato,
fica na alma tempo afora
grudado feito um carrapato…”

Já não sabe estar sozinho e, só, alimenta fantasmas.O anjo agora é multidões.

“… o tempo é cruel e ardiloso
dando pra depois cobrar.”

Nada como um domingo assim, de uma lua minguante assim, sol oculto entre as nuvens, para a impostergável reflexáo > Quem sou eu, quem somos nós?
Qual o sentido de existir?

A alma traz a sombra e o sonho para o poeta iluminar.

3 04 2011
Maria Rosa Cândido

Fiquei entre pasma e estarrecida.
De repente um poeta ‘campeirro’, versejador de distâncias, um pajador, falar dele? Que bom que existe a internet. Assim de repente, o amanhã até será possível.

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