Dilma, a minha presidenta!

1 11 2010

Foram dias de luta e cansaço.
Enfrentar toda a avalanche dos meios de comunicação, não é nada fácil.
Ao acordar – que afinal de contas a vida segue e já está na hora de fazer mais uma edição do Jornal Passe Livre – passei os olhos pelo noticiário da internet: eles não conseguem aceitar a derrota!
Impressionante a cegueira que tomou conta destas pessoas.
Ontem assisti, com meus filhos, ao mais hilariante programa de humor dos últimos anos da TV brasileira: as carpideiras serristas se lamuriando na Globo News – Merval, Waack, Waldvoguel, Lobo. Nos divertimos muito escutando a penca de frustrados destilando ódio, rancor e amargura.
Até mesmo a Record News se prestou ao papel de toalha para dejetos, como um certo candidato derrotado do PV ao Senado de SP que não conseguia esconder a frustração pela derrota do Serra.
Confesso: fui dormir de alma lavada!





Agnelo governador

31 10 2010

Com 75,46%¨dos votos apurados, o DF enterra uma família política.
Agnelo é governador.
Parabéns a todos nós!





Weslian candidata a Distrital. Em 2014

31 10 2010

A famiglia Roriz que foi desalojada do poder já trabalha com vistas a 2014. Pretendem se rearticular. A idéia é trabalhar um grupo coeso – incluindo Estevão, Rosso, as duas filhas e Weslian. Que poderá ser candidata a Distrital. Ela gostou da experiência. Como Roriz é um defunto político, a mulher e as filhas tentarão manter o grupo nas cercanias do poder…





Boca de urna presidencial

31 10 2010

Extra oficialmente, a boca de urna do Ibope aponta Dilma com 57% dos votos e Serra com 43%.
Pelo tom sarcástico dos comentaristas da Globo, os números tiraram a turma do sério.
Estão destilando raiva. Ódio. Rancor. Preconceito.
Ás 19h sai o boca de urna oficial.





Ufa! Vencemos…

31 10 2010

Boca de urna do Ibope no DF:
Agnelo 63%
Weslian 37%
– Chega ao fim um dos períodos mais vergonhosos da política nacional.
Agora, é contar os votos.
Chorar e sorris: o novo caminho é o caminho do povo de Brasília.





DF: abstenção não ameaça vitória de Agnelo

31 10 2010

O DF deverá registrar abstenção supeiro a 30% neste 2º turno, mas nem isto coloca em risco a vitória de Agnelo. A pesquisa da Exata, realizada neste sábado, já tinha este ingrediente, e mesmo assim a diferença do levantamento mantinha-se em 64 a 36. A previsão de hoje é que Agnelo deve vencer na proporção de 62 a 38.
No Goiás, pelo que tenho falado com jornalistas que estão afzendo compilação de resultados em cidades de todo estado apontam a vitória de Perillo na proporção de 53 a 47. Por uma questão de estratégia deles, não estão fazendo nenhum trabalho com a eleição presidencial. Neste sentido, valho-me das informações de Delúbio Soares apontando para a força de Dilma no Estado.
Volta a chover pesado em todo o DF.
Meu filho, do alto dos seus 16 anos, indo votar. Aluno de Direito da UnB, eleitor de Dilma e Agnelo. Futuro embaixador. Consciente de que não vota apenas por ele. Mas por todos que sonham com um Brasil mais justo, digno, humano, fraterno e igualitário.
Por telefone, falei com o pessoal do Filippelli – nunca sei como se escreve corretamente o nome dele. Estão também na expectativa.
As denúncias de malversações do rorizismo são esporádicas. Coisas pontuais. As tradicionais maracutaias de gente votando com documento de outros. Gente recebendo dinheiro para votar.
Sobre a Dilma aqui no DF, os dados apontam que ela e o ‘coiso’ disputam cabeça com cabeça. Voto por voto.
É esperar mais um tempo. Os minutos se arrastam…





2º turno: Aos que vierem depois de nós…

31 10 2010

Eu sei: todos os institutos de pesquisa apontam para a vitória de Dilma e de Agnelo. Vi, revi todos eles muitas vezes. Tal como aquele que recebe uma notícia na qual custa acreditar. lho. Meu coração bate descompassado. Acelerado.
Daqui um pouco, teremos os resultados de boca de urna.
Aqui no DF pipocam as denúncias dos malfeitos da turma do Roriz, do Estevão. A bandidagem está agindo. Para eles, a vontade do povo é apenas um detalhe. Há denúncia de compra de voto. Há denúncias de mesários votando em lugar dos ausentes.
Conversei com o povo lá do Goiás. Acham que dá Dilma e Perillo. Eu me pergunto: como pode alguém votar em Dilma e Perillo? Mas esta também é uma realidade aqui no DF, onde a votação em Agnelo será bem maior do que em Dilma. Dizem que a coordenação da campanha da Dilma não quis trabalhar em conjunto. É a velha disputa de vaidades. De veleidades. Quando haverá enfim a travessia da aprendizagem?
Comprei Giraffas – logo eu que gosto de cozinhar aos domingos.
Estou fazendo o Jornal Passe Livre – edição especial deste domingo. O povo da gráfica perguntando a que horas o material estará pronto.
Peguei um poema de Brecht, na tradução do Manuel Bandeira:

Aos que vierem depois de nós

Realmente, vivemos muito sombrios!
A inocência é loucura. Uma fronte sem rugas
denota insensibilidade. Aquele que ri
ainda não recebeu a terrível notícia
que está para chegar.

Que tempos são estes, em que
é quase um delito
falar de coisas inocentes.
Pois implica silenciar tantos horrores!
Esse que cruza tranqüilamente a rua
não poderá jamais ser encontrado
pelos amigos que precisam de ajuda?

É certo: ganho o meu pão ainda,
Mas acreditai-me: é pura casualidade.
Nada do que faço justifica
que eu possa comer até fartar-me.
Por enquanto as coisas me correm bem
(se a sorte me abandonar estou perdido).
E dizem-me: “Bebe, come! Alegra-te, pois tens o quê!”

Mas como posso comer e beber,
se ao faminto arrebato o que como,
se o copo de água falta ao sedento?
E todavia continuo comendo e bebendo.

Também gostaria de ser um sábio.
Os livros antigos nos falam da sabedoria:
é quedar-se afastado das lutas do mundo
e, sem temores,
deixar correr o breve tempo. Mas
evitar a violência,
retribuir o mal com o bem,
não satisfazer os desejos, antes esquecê-los
é o que chamam sabedoria.
E eu não posso fazê-lo. Realmente,
vivemos tempos sombrios.

Para as cidades vim em tempos de desordem,
quando reinava a fome.
Misturei-me aos homens em tempos turbulentos
e indignei-me com eles.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.
Comi o meu pão em meio às batalhas.
Deitei-me para dormir entre os assassinos.
Do amor me ocupei descuidadamente
e não tive paciência com a Natureza.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.

No meu tempo as ruas conduziam aos atoleiros.
A palavra traiu-me ante o verdugo.
Era muito pouco o que eu podia. Mas os governantes
Se sentiam, sem mim, mais seguros, — espero.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.

As forças eram escassas. E a meta
achava-se muito distante.
Pude divisá-la claramente,
ainda quando parecia, para mim, inatingível.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.

Vós, que surgireis da maré
em que perecemos,
lembrai-vos também,
quando falardes das nossas fraquezas,
lembrai-vos dos tempos sombrios
de que pudestes escapar.

Íamos, com efeito,
mudando mais freqüentemente de país
do que de sapatos,
através das lutas de classes,
desesperados,
quando havia só injustiça e nenhuma indignação.

E, contudo, sabemos
que também o ódio contra a baixeza
endurece a voz. Ah, os que quisemos
preparar terreno para a bondade
não pudemos ser bons.
Vós, porém, quando chegar o momento
em que o homem seja bom para o homem,
lembrai-vos de nós
com indulgência.
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Acompanho as conversas pelo twitter.
Nada acalma o coração. Voto às 16h – velho ritual que repito a cada nova eleição. Por voltas desta vida, nesta hora já tenho a informação da chamada boca de urna. Conversei com um vizinho rorizista. Ele diz: não pensem vocês que está ganha, nós sabemos como virar o jogo de última hora.
É um misto de ameaça e confissão: este povo adora uma mutreta.
Vamos lá. O Brasil merece Dilma. O DF precisa de Agnelo.