Boca de urna presidencial

31 10 2010

Extra oficialmente, a boca de urna do Ibope aponta Dilma com 57% dos votos e Serra com 43%.
Pelo tom sarcástico dos comentaristas da Globo, os números tiraram a turma do sério.
Estão destilando raiva. Ódio. Rancor. Preconceito.
Ás 19h sai o boca de urna oficial.





Ufa! Vencemos…

31 10 2010

Boca de urna do Ibope no DF:
Agnelo 63%
Weslian 37%
– Chega ao fim um dos períodos mais vergonhosos da política nacional.
Agora, é contar os votos.
Chorar e sorris: o novo caminho é o caminho do povo de Brasília.





DF: abstenção não ameaça vitória de Agnelo

31 10 2010

O DF deverá registrar abstenção supeiro a 30% neste 2º turno, mas nem isto coloca em risco a vitória de Agnelo. A pesquisa da Exata, realizada neste sábado, já tinha este ingrediente, e mesmo assim a diferença do levantamento mantinha-se em 64 a 36. A previsão de hoje é que Agnelo deve vencer na proporção de 62 a 38.
No Goiás, pelo que tenho falado com jornalistas que estão afzendo compilação de resultados em cidades de todo estado apontam a vitória de Perillo na proporção de 53 a 47. Por uma questão de estratégia deles, não estão fazendo nenhum trabalho com a eleição presidencial. Neste sentido, valho-me das informações de Delúbio Soares apontando para a força de Dilma no Estado.
Volta a chover pesado em todo o DF.
Meu filho, do alto dos seus 16 anos, indo votar. Aluno de Direito da UnB, eleitor de Dilma e Agnelo. Futuro embaixador. Consciente de que não vota apenas por ele. Mas por todos que sonham com um Brasil mais justo, digno, humano, fraterno e igualitário.
Por telefone, falei com o pessoal do Filippelli – nunca sei como se escreve corretamente o nome dele. Estão também na expectativa.
As denúncias de malversações do rorizismo são esporádicas. Coisas pontuais. As tradicionais maracutaias de gente votando com documento de outros. Gente recebendo dinheiro para votar.
Sobre a Dilma aqui no DF, os dados apontam que ela e o ‘coiso’ disputam cabeça com cabeça. Voto por voto.
É esperar mais um tempo. Os minutos se arrastam…





2º turno: Aos que vierem depois de nós…

31 10 2010

Eu sei: todos os institutos de pesquisa apontam para a vitória de Dilma e de Agnelo. Vi, revi todos eles muitas vezes. Tal como aquele que recebe uma notícia na qual custa acreditar. lho. Meu coração bate descompassado. Acelerado.
Daqui um pouco, teremos os resultados de boca de urna.
Aqui no DF pipocam as denúncias dos malfeitos da turma do Roriz, do Estevão. A bandidagem está agindo. Para eles, a vontade do povo é apenas um detalhe. Há denúncia de compra de voto. Há denúncias de mesários votando em lugar dos ausentes.
Conversei com o povo lá do Goiás. Acham que dá Dilma e Perillo. Eu me pergunto: como pode alguém votar em Dilma e Perillo? Mas esta também é uma realidade aqui no DF, onde a votação em Agnelo será bem maior do que em Dilma. Dizem que a coordenação da campanha da Dilma não quis trabalhar em conjunto. É a velha disputa de vaidades. De veleidades. Quando haverá enfim a travessia da aprendizagem?
Comprei Giraffas – logo eu que gosto de cozinhar aos domingos.
Estou fazendo o Jornal Passe Livre – edição especial deste domingo. O povo da gráfica perguntando a que horas o material estará pronto.
Peguei um poema de Brecht, na tradução do Manuel Bandeira:

Aos que vierem depois de nós

Realmente, vivemos muito sombrios!
A inocência é loucura. Uma fronte sem rugas
denota insensibilidade. Aquele que ri
ainda não recebeu a terrível notícia
que está para chegar.

Que tempos são estes, em que
é quase um delito
falar de coisas inocentes.
Pois implica silenciar tantos horrores!
Esse que cruza tranqüilamente a rua
não poderá jamais ser encontrado
pelos amigos que precisam de ajuda?

É certo: ganho o meu pão ainda,
Mas acreditai-me: é pura casualidade.
Nada do que faço justifica
que eu possa comer até fartar-me.
Por enquanto as coisas me correm bem
(se a sorte me abandonar estou perdido).
E dizem-me: “Bebe, come! Alegra-te, pois tens o quê!”

Mas como posso comer e beber,
se ao faminto arrebato o que como,
se o copo de água falta ao sedento?
E todavia continuo comendo e bebendo.

Também gostaria de ser um sábio.
Os livros antigos nos falam da sabedoria:
é quedar-se afastado das lutas do mundo
e, sem temores,
deixar correr o breve tempo. Mas
evitar a violência,
retribuir o mal com o bem,
não satisfazer os desejos, antes esquecê-los
é o que chamam sabedoria.
E eu não posso fazê-lo. Realmente,
vivemos tempos sombrios.

Para as cidades vim em tempos de desordem,
quando reinava a fome.
Misturei-me aos homens em tempos turbulentos
e indignei-me com eles.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.
Comi o meu pão em meio às batalhas.
Deitei-me para dormir entre os assassinos.
Do amor me ocupei descuidadamente
e não tive paciência com a Natureza.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.

No meu tempo as ruas conduziam aos atoleiros.
A palavra traiu-me ante o verdugo.
Era muito pouco o que eu podia. Mas os governantes
Se sentiam, sem mim, mais seguros, — espero.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.

As forças eram escassas. E a meta
achava-se muito distante.
Pude divisá-la claramente,
ainda quando parecia, para mim, inatingível.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.

Vós, que surgireis da maré
em que perecemos,
lembrai-vos também,
quando falardes das nossas fraquezas,
lembrai-vos dos tempos sombrios
de que pudestes escapar.

Íamos, com efeito,
mudando mais freqüentemente de país
do que de sapatos,
através das lutas de classes,
desesperados,
quando havia só injustiça e nenhuma indignação.

E, contudo, sabemos
que também o ódio contra a baixeza
endurece a voz. Ah, os que quisemos
preparar terreno para a bondade
não pudemos ser bons.
Vós, porém, quando chegar o momento
em que o homem seja bom para o homem,
lembrai-vos de nós
com indulgência.
===
Acompanho as conversas pelo twitter.
Nada acalma o coração. Voto às 16h – velho ritual que repito a cada nova eleição. Por voltas desta vida, nesta hora já tenho a informação da chamada boca de urna. Conversei com um vizinho rorizista. Ele diz: não pensem vocês que está ganha, nós sabemos como virar o jogo de última hora.
É um misto de ameaça e confissão: este povo adora uma mutreta.
Vamos lá. O Brasil merece Dilma. O DF precisa de Agnelo.





Porque hoje é quinta-feira…

28 10 2010

É claro que, quanto mais se aproxima o dia e a hora, mais acelerado e por vezes descontrolado o coração bate.
Toma-se mais café.
As conversas mesclam euforia e preocupação.
Disparam-se telefonemas a amigos.
São feitas ligações a amigos do outro lado, para descobrir como anda o clima por lá. A gente tenta entender e ler até mesmo as diferenças na respiração… nos silêncios.
É quinta-feira. Faltam três dias.
Continua o cheiro de armação no ar.
Continua esta Marina Silva sem coragem de assumir.
Reclama que os tucanos distorcem suas palavras.
Diz que os tucanos – leia-se campanha do Serra – inventam declarações.
Diz que não é dela o falso e-mail que anda circulando pela blogosfera.
Mas ela é frouxa, mole. Não tem fibra. Parece uma ameba.
Por vezes penso que é melhor assim: ela pensa que teve 20 milhões de votos…
Mas é quinta-feira.
Tem jogo do Grêmio com o Fluminense, lá no Engenhão – que parece um chiqueiro de tão descuidado que está. Mas mesmo assim, vamos torcer… É dia de ganhar, continuar na luta por uma vaga na Libertadores… Na outra semana, será aqui ao lado, no Serra Dourada contra o Goiás e já tenho convite da equipe de esportes da Rádio Cultura para comentar o jogo – confesso: será bom voltar a comentar uma partida de futebol depois de 25 anos… nos tempos de Guarujá de Floripa… pelos idos de 1985…
Hoje é dia de preparar mais um Jornal Passe Livre, que lançado em 1998, com a proposta de ser semanal, foi transformado em bi-semanal e nesta reta final está sendo diário e com tiragem de 150 mil exemplares.
Pode não ser muito, mas é uma forma de guerrilha.
E tenho certeza que vai ajudar a virar o jogo pró-Dilma no DF – lembrando que na primeira pesquisa depois de 3 de outubro, Serra tinha 10 pontos de vantagem sobre Dilma aqui no DF.
Como tenho certeza também que o Jornal Passe Livre vai ajudar a consolidar a vitória de Agnelo.
Mas é quinta-feira…
Falta três dias.
Sobra tempo para a extrema direita mentir, inventar, manipular.
É quinta-feira e eu não acredito em urna eletrônica.
Não adianta. Nada me convence da lisura destas máquinas.
Hoje é quinta-feira.
Ninguém sabe da Mônica Serra, a chilena que vociferava pelas ruas que a Dilma mata criancinhas. Tadinha. Tenho pena dela. Logo ela que carrega a dor de um aborto. Ela e o Serra.
Confesso, sem maldade, que sempre pensei que o Serra fosse um aborto da natrureza pela forma doentia como s eposiciona. Mas, falando com outros psicólogos, me disseram que o descontrole do Serra é o peso na consciência.
Bom, se for isto – menos mal: ao menos se descobre que ele tem consciência. Pesada, mas tem…
Hoje é quinta-feira. Faltam três dias.
Dizem que a Folha não vai mais publicar a matéria contra Dilma.
Duvido. Logo-logo Gilmar Dantas, ops, Gilmar Mendes libera.
Logo ele, Gilmar, que ontem babava de tanto ódio. De tanto rancor.
E acabou reconhecendo: a Lei da Ficha Limpa é do PT.
Agora o Sera terá de ligar de novo para ele?
E como fica o Índio que queria roubar a relatoria do projeto, que na verdade foi do Cardoso do PT-SP? E Índio vai ter que falar com o Gilmar…
Continuar também na guerrilha virtual.
Seguir estruturando o projeto de um seminário para novembro – OS DESAFIOS DA BLOGOSFERA. Quem falando para quem.
Coisa que se mesclam.
Já preocupado. Domingo é dia de vestir uma camisa vermelha, verdadeiro sacrilégio. Só visto de 4 em 4 anos. Por causa das eleições.
Hoje é quinta…
Faltam três dias…





José Serra já fez aborto?

16 10 2010

Antes que me questionem, quero dizer que no caso de um casal, geralmente a opção pelo aborto é uma decisão dos dois. Trata-se de algo muito denso emocionalmente para ser decidido por uma só pessoa. Portanto, o aborto que saupostamente teria sido particado por Mônica Serra também teve como ‘partícipe’ o seu marido.
Em relação à expressão de que os dois – ela e o Serra – estariam em uma situação muito vulnerável, é preciso deixar de lado a hipocrisia: toda pessoa ou casal que é levado a fazer aborto (ou, no caso do Serra, ser parte do aborto) está numa situação vulnerável.
Transcrevo abaixo a reportagem de Mônica Bérgamo veiculada na edição de hoje da Folha de São Paulo e disponível tambémna íntegra para os assinantes no endereço: (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/po1610201011.htm)
Por fim, e antes que as pessoas comecem a dizer que estão envolvendo a vida familiar na eleição, esta situação só ocorreu pelas baixarias tucanas na rede – inclusive questionando a sexualidade de Dilma Rousseff, mãe, mulher e digna e honesta. Além do mais, foi esta figura ignóbil da Mônica Serra quem acusou a Dilma de matar criancinhas e, sabe-se agora, que a história não é bem assim…

Monica Serra contou ter feito aborto, diz ex-aluna

Reportagem tentou ouvir mulher de candidato tucano por dois dias, sem sucesso

MÔNICA BERGAMO
COLUNISTA DA FOLHA

O discurso do candidato à Presidência José Serra (PSDB) de que é contra o aborto por “valores cristãos”, que impedem a interrupção da gravidez em quaisquer circunstâncias, é questionado por ex-alunas de sua mulher, Monica Serra.
Num evento no Rio, há um mês, a psicóloga teria dito a um evangélico, segundo a Agência Estado, que a candidata Dilma Rousseff (PT), que já defendeu a descriminalização do aborto, é a favor de “matar criancinhas”.
Segundo relato feito à Folha por ex-alunas de Monica no curso de dança da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), a então professora lhes contou em uma aula, em 1992, que fez um aborto quando estava no exílio com o marido.
Depois do golpe militar no Brasil, Serra se mudou para o Chile, onde conheceu a mulher. Em 1973, com o golpe que levou Augusto Pinochet ao poder, o casal se mudou para os Estados Unidos.

OUTRO LADO
A Folha tentou falar com Monica Serra durante dois dias para comentar o relato das ex-alunas, sem sucesso.
Um dia depois do debate da TV Bandeirantes, no domingo, 10, a bailarina Sheila Canevacci Ribeiro, 37, postou uma mensagem em seu Facebook para “deixar a minha indignação pelo posicionamento escorregadio de José Serra” em relação ao tema.
Ela escreveu que Serra não respeitava “tantas mulheres, começando pela sua própria mulher. Sim, Monica Serra já fez um aborto”. A mensagem foi replicada em outras páginas do site e em blogs.
“Com todo respeito que devo a essa minha professora, gostaria de revelar publicamente que muitas de nossas aulas foram regadas a discussões sobre o seu aborto traumático”, escreveu Sheila no Facebook. “Devemos prender Monica Serra caso seu marido fosse [sic] eleito presidente?”
À Folha a bailarina diz que “confirma cem por cento” tudo o que escreveu. Sheila afirma que não é filiada a partido político. Diz ter votado em Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) no primeiro turno. No segundo, estará no Líbano, onde participará de performance de arte.
Se estivesse no Brasil, optaria por Dilma Rousseff (PT). Sheila é filha da socióloga Majô Ribeiro, que foi aluna de mestrado na USP de Eva Blay, suplente de Fernando Henrique Cardoso no Senado em 1993. Majô foi pesquisadora do Núcleo de Estudos da Mulher e Relações Sociais de Gênero da USP, fundado pela primeira-dama Ruth Cardoso (1930-2008).
Militante feminista, Majô foi candidata derrotada a vereadora e a vice-prefeita em Osasco pelo PSDB.
A socióloga disse à Folha estar “preocupada” com a filha, mas afirma que a criou para “ser uma mulher livre” e que ela “agiu como cidadã”.
Sheila é casada com o antropólogo italiano Massimo Canevacci, que foi professor de antropologia cultural na Universidade La Sapienza, em Roma, e hoje dirige pesquisas no Brasil.
A Folha localizou uma colega de classe de Sheila pelo Facebook. Professora de dança em Brasília, ela concordou em falar sob a condição de anonimato.
Contou que, nas aulas, as alunas se sentavam em círculos, criando uma situação de intimidade. Enquanto fazia gestos de dança, Monica explicava como marcas e traumas da vida alteram movimentos do corpo e se refletem na vida cotidiana.
Segundo a ex-estudante, as pessoas compartilhavam suas histórias, algo comum em uma aula de psicologia.
Nesse contexto, afirmou, Monica compartilhou sua história com o grupo de alunas. Disse ter feito o aborto por causa da ditadura.
Ainda de acordo com a ex-aluna, Monica disse que o futuro dela e do marido, José Serra, era muito incerto.
Quando engravidou, teria relatado Monica à então aluna, o casal se viu numa situação muito vulnerável.
“Ela não confessou. Ela contou”, diz Sheila Canevacci. “Não sou uma pessoa denunciando coisas. Mas [ela é] uma pessoa pública, que fala em público que é contra o aborto, é errado. Ela tem uma responsabilidade ética.”

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Colaboraram LIGIA MESQUITA e MARCUS PRETO , de São Paulo





Família Roriz em ação

3 10 2010

Deu na Folha Online

03/10/2010 – 16h42
Candidato a deputado agride fiscal de coligação no Distrito Federal
DA AGÊNCIA BRASIL

Ao distribuir santinhos às pessoas que chegavam para votar numa seção eleitoral em Santa Maria (DF), o candidato a deputado distrital Paulo Roriz (DEM) agrediu a fiscal da coligação contrária (PT, PDT, PSB), Tatiana Gomes Araújo.

Tatiana alertou Paulo Roriz de que a prática era proibida e, com isso, recebeu um empurrão. Ela revidou com tapas e socos e acabou sendo agredida por Roriz. O caso foi parar na 33ª Delegacia de Polícia para registro de ocorrência.

O delegado do TRE (Tribunal Regional Eleitoral) esteve na delegacia e informou que o episódio não foi caracterizado como crime eleitoral.

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Ou seja: são sempre eles. Até quando?