Existem dores que ficam como marcas em nós

7 04 2011

Passei o dia entre conversas e reuniões e na medida em que sou um jornalista à moda antiga, daqueles que ainda não sabem usar as modernas geringonças tecnológicas que possibilitam mobilidade, somente agora, diante do computador, tenho tempo para tentar colocar em ordem os pensamentos que me atordoam desde quando eclodiu a barbárie do assassinato de crianças no Rio de Janeiro – contraditoriamente dentro de uma escola que, sempre se supõe, seja um ambiente seguro.
Escutei recortes de várias entrevistas com autoridades, com policiais, com psiquiatras forenses, com psicólogos e uma série de pessoas que tinham em suas linhas de raciocínio e de argumentação mais ‘quês’ de dúvida do que ‘porque’ de convicção.
A minha única certeza é de que esta é daquelas dores que ficam em nós como marcas, como um divisor de águas a nos chamar sempre de novo para a lembrança de uma cruel realidade: o homem opta de modo célere pela sedução da barbárie. O lado animalesco, antes contido por valores e parâmetros sociais, de repente torna frágeis os mecanismos de retenção da besta que vive ‘a solta’ e é parte do ser humano.
Tenho filhos como por certo tantos dos leitores que a cada dia por aqui passam neste universo virtual e imagino a sensação de ódio e de dor que permeia os familiares de cada uma das vítimas. O que aconteceu no Rio de Janeiro é destes episódios que mostram a que nível perigoso chegou a desestruturação do ser humano, o que uma besta pode fazer quando deixa de ter parâmetros em sua relação com o mundo.
De repente muitos de nós já estávamos acostumados com ataques de ‘serial killer’ em shoppings, universidades, igrejas e escolas lá nos Estados Unidos e em outros países. De certo modo, sentíamo-nos amparados numa segurança deque aqui, entre nós, isto jamais teria como acontecer.
E quando nos descobrimos passíveis de sermos vítimas de tais monstros, nos deparamos com tantas perguntas que permanecem sem resposta. Tenho medo que este episódio possa ter rompido o lacre e de repente nos vejamos permanentemente ameaçados, dentro da percepção de que o episódio no Rio de Janeiro pode não ter sido apenas um fato isolado.
Destarte todas as linhas de raciocínio, tenho para mim que existem alguns pontos que considero fundamentais – sem antes reiterar o verdadeiro asco que sinto pelo sensacionalismo que as TVs tentam dar a fatos desta natureza, desrespeitando a dor de quem foi vitimizado pelos disparos:
1. O papel novamente leviano de boa parte da mídia, servindo mais para gerar pseudo-verdades e como forma de disseminar preconceitos, amparando-se em ‘me disseram’ para formular perfis que buscam denegrir outras religiões, outros povos. Na sua busca por audiência, percebo que a mídia enveredou por um caminho de leviandade. Não há mais tempo para checar uma informação. O importante é jogar no ar e quanto mais chocante, melhor.
2. A transformação de bandidos em heróis, quando na realidade deveriam ser tratados apenas como pessoas que vivem em conflito com a Lei. A mídia dá um glamour a figuras de delinquentes, traficantes e assaltantes que tem seus atos retratados em horário nobre dos nossos telejornais. Esta exposição em destaque enseja uma percepção de que basta ser bandido para virar astro.
3. A existência de um processo mimético onde algum esquizofrênico de repente se identifica com uma situação análoga e que tenha acontecido em outro País mas que, repercutido pela TV no Brasil, pode instá-lo a querer ‘ser igual’ ao que ele usa como referência de sua insanidade.
4. A absoluta falta de valores que hoje domina o ser humano. Não é ser chato, apenas a minha sincera opinião: está faltando Deus na vida do ser humano.





Aécio: mais para Collor do que para Tancredo

7 04 2011

Escutei o discurso de Aécio.
Confesso que esperava mais.
Mas devo reconhecer que FHC tinha razão quando ele disse que Aécio é apenas o parente de Tancredo.
O discurso é uma colagem de clichês – como alguém que pega um roteiro e vai preenchendo com aquilo que pode impactar. Como ensinava meu velho pai: em terra de vesgo, quem tem um olho no máximo enxerga meia realidade.
Pensei que depois de dois anos de mandato de governador, tendo uma passagem apagada antes como Federal… pensei sinceramente que Aécio tivesse crescido intelectualmente, tivesse amadurecido politicamente, tivesse aprendido com os mineiros. Mas me lembrei: ele não é mineiro. Ele é uma espécie de carioca que optou por Minas apenas por comodismo e a facilidade de se apresentar sempre com um caixão debaixo do braço.
Definitivamente, Aécio, depois deste dircurso, cheio de lugares-comuns, cheio de futilidades linguísticas.. ele está sim mais para o Collor caçador de marajás e que falava qualquer besteira e a mídia do Rio e São Paulo transformava em grande evento político.
E sem querer fazer qualquer ironia, cabe lembrar que Collor e Aécio são dois cariocas – inclusive recaindo sobre os dois as mesmas dúvidas quanto a condutas e hábitos.
A dúvida que fica depois de tanto vazio em palavras é se a mídia irá tornar o vazio um poço de sabedoria.
Para quem esperava ver surgir, no discurso, a esperança de um futuro líder da oposição, a papagaiada de Aécio deixou a firme convicção do ressurgimento de um fantasma do passado. Resta saber se o povo brasileiro aceitará ser tapeado mais uma vez.





Passe Livre 495

6 04 2011

A edição do Jornal Passe Livre 495 será distribuída nesta sexta-feira na rodoviária de Brasília – com 60 mil exemplares – e tem, entre outros destaques:
– Governo Agnelo está procurando sarna?
– Diretoria Comercial da Terracap continua um balcão de negócios
– Esquema de corrupção do Pró-DF continua a pleno vapor
– Turma do atraZo ‘abandona’ o DF e centra fogo nas eleições do Entorno
– Por que o Governo Agnelo não revoga todo o PDOT?
– Sinpro realiza nesta 5ª um dia de lutas.


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O desafio de combater a impunidade

5 04 2011

Imunidade, sim! Impunidade, jamais!

Alfredo Bessow, jornalista

Observo com uma ponta de preocupação a ação de grupos políticos e até mesmo de segmentos supostamente sociais que de quando em vez encetam cruzadas ‘eugenizantes’ da política – centrando fogo nas reiteradas mazelas apresentadas pelos nossos representantes dos legislativos e executivos em todos os níveis da chamada república. A minha dúvida ‘prática’ não é com o movimento em si – louvável sob todos os aspectos! – mas sim pelo equívoco político de reduzir o tema a soluções intempestivas ou vangloriantes do acaso. Não acredito no espontaneísmo como instrumento ou meio de ação política.
Quero reiterar para que não paire dúvida: é preciso destacar a importância de apoiar e reforçar a ação destes grupos, mas deixando claro o reducionismo de suas cruzadas messiânicas. Na minha modesta opinião, o problema que aflige o ‘fazer política’, dentro de uma sociedade guiada e dominada pelo dinheiro, é bem mais simples na sua compreensão e, contraditoriamente, complexo na transformação prática.
Antes de mais nada, ações pontuais como adote isso ou adote aquilo me lembra de um prefeito de uma cidade do interior que nos anos 70 criou um programa chamado ‘adote uma praça’, até que veio alguém que sugeriu que ele alterasse o projeto para ‘adote uma rua’ – tendo em vista que praça e ruas da cidade careciam de conservação. De repente, não mais do que de repente, um gaiato que havia ‘adotado uma rua’, se sentiu no direito de se portar como dono da rua, quando esta deveria ser de todos.
Um vereador ou deputado não precisa ser adotado, mas sim ter compromisso com todos. E saber que em nenhum momento estará acima da Lei. E como fazer esta vigilância: pelo voto. Não alivio o lado do eleitor como co-responsável pelas mazelas tanto do Legislativos quanto dos Executivos pelo País afora. Quem foi candidato bem sabe como é fazer campanha ideológica, sem prometer nada, sem trocar e sem atolar-se no corporativismo de grupos profissionais, religiosos ou mesmo criminosos.
Sempre entendi que uma verdadeira Lei Eleitoral também deveria punir severamente a extorsão do eleitor. A proibição de brindes, shows e outros eventos já contribuiu para tornar a disputa mais ‘parelha’ – mas, ainda assim, o peso desta fisiologia ideológica praticada pelo eleitor custa caro e acaba comprometendo o próprio mandato.
Eu acredito que estas ações pontuais que, repito, são importantes, na realidade acabam ajudando a encobrir questões que para mim acabam sendo mais ‘causa’ de desvios no exercício do mandato do que a própria ação perversa do eleitor. Me refiro à judicialização do processo eleitoral e, por conta dos meandros e intermináveis recursos, acaba sendo incentivo à impunidade.
Nada é mais caro à sociedade do que a percepção de que a Lei só existe para o pobre, que não tem advogado renomado e que no máximo conta com um defensor público. É só observar a celeridade com que os tribunais julgam causas cotidianas que envolvem desavenças entre pobres e como são demoradas as oitivas, as diligências, as audiências e a quantidade de recursos que são interpostos ao longo do processo, questionando por vezes, questões de total insignificância e que não afetariam o mérito da causa, quando estão envolvidos os interesses de poderosos – muitas vezes apostando na prescrição.
A Lei teoricamente é a mesma. Mas a aplicação dela difere de acordo com o poder financeiro. Veja-se o caso de Nenê Constantino, o milionário dono da Planeta e da Gol – cujos processos como mandante de vários assassinatos ainda se encontra na fase preliminar. São crimes dos quais ele é acusado e que foram perpetrados há 10, 15 anos. Ou o processo trabalhista que envolve a hoje ainda federal Jaqueline Roriz que teria contratado, valendo-se de subterfúgios, trabalhadores para uma de suas fazendas e, na hora da rescisão, cometido arbitrariedades. O processo é de 2007 e simplesmente não anda. Imagine se um chacareiro em situação análoga já não teria tido de acertar contas com a justiça trabalhista…
A certeza da impunidade dos poderosos, volto a dizer, é o verdadeiro combustível, é o insumo básico para que muitos acabem confiando nestes subterfúgios como forma de garantir a manutenção de práticas deploráveis.

Coragem sob encomenda e com hora marcada

Também me causa espanto a extrema coragem dos idealistas de plantão que atacam membros do Legislativo e do Executivo, mas são cegos e coniventes com os desmandos do Judiciário. Acredito que estes rompantes de coragem decorrem de um simples fato: legisladores e membros do poder executivo não detêm em suas mãos o poder de prender.
Ou seja: a coragem que sobra é apenas uma fantasia da qual se valem em momentos, desde que garantidas as suas próprias salvaguardas.
Se o propósito for mesmo o de melhorar a democracia brasileira é preciso sim também dissecar as mazelas que afligem o Judiciário – mormente nas instâncias superiores. Uma boa medida seria a de que todos os chamados democratas e éticos cidadãos deste País fizessem um abaixo assinado para completar, para melhorar a proposta encaminhada pelo senador Pedro Simon.
Simon, para quem não sabe, apresentou projeto de lei que proíbe a concessão de aposentadoria para parlamentares que tenham sido cassados (não sei se ele fala também em caso de renúncia). Caberia aqui acrescentar também que magistrados, membros do MP e outros entes da Justiça que tenham sido demitidos por justa causa percam o direito de se aposentarem com a integralidade dos vencimentos.
Este é o mínimo que se espera. Porque assim já acontece com os servidores do Legislativo e do Executivo que são demitidos, perdendo todos os direitos. Digam-me o que justifica que apenas para os membros do Judiciário exista tal benevolência?

Um assunto já tratado

Ainda que já tenha abordado este assunto em outros post, quero aqui enfatizar o seguinte: a Reforma Eleitoral em gestação no Congresso Nacional pelos congressistas deveria, mas não fará, deixar bem clara a proibição de que vereadores, deputados e senadores eleitos ocupem cargos no Executivo. Eleitos, que cumpram o mandato, ou renunciem a ele para atender aos chamados de Executivos.
Como também considero que vereadores, deputados e senadores candidatos às eleições subsequentes ao mesmo cargo no qual já se encontram devam renunciar ao mandato para que em seu lugar entrem suplentes. Seria uma fórmula de tornar a disputa mais parelha entre os que já são e os que querem ser eleitos.
No caso dos senadores, ao contrário da maioria, considero que a suplência está correta, reduzindo-a a uma só. Mas que os senadores que se afastarem para ocupar cargos no Executivo ou que queiram se aventurar em disputas enquanto são protegidos pelo mandato de oito anos, que renunciem ao mandato de Senador.
Para concluir o tópico, um adendo que aqui publico e que pretendo sugerir a algum parlamentar da Comissão: que a posse dos vereadores, deputados estaduais/distritais e federais e dos senadores coincida com a data da posse de prefeitos (quando houver), dos governadores e do Presidente da República – para evitar que a sociedade pague por suplentes que vão assumir mandatos por 15 ou 30 dias. Mas que não corra a falta de vergonha que acontece aqui em Brasília, onde os deputados distritais tomam posse no dia 1º de janeiro, junto com o governador, e logo entram em recesso de 30 dias e, se o governador precisar votar questões com urgência, terá de convocá-los extraordinariamente. Que a lei seja clara neste sentido: no ano em que tomam posse, vereadores, deputados estaduais/distritais e federais e senadores NÃO terão direito ao recesso do mês de janeiro.

Imunidade, sim! Impunidade, jamais!

Poderia resumir este meu entendimento das mazelas atuais que assolam a política nacional – decorrência, digo mais uma vez, da judicialização do ‘fazer’ político – como oriundas da imunidades, dos chamados foros especiais e privilegiados e outras figuras jurídicas que servem para encobrir a mesma prática perversa.
Sou defensor ferrenho da tese segundo a qual, todo e qualquer homem público só deve ter direito à imunidade para os chamados delitos de opinião no exercício do mandato. Todos os demais crimes dos quais venham a ser acusados que sejam tratados pela Justiça Comum.
Reduzir à imunidade aos delitos de opinião é, no meu modesto juízo, muito mais salutar para a melhoria da qualidade da nossa representação política do que adotar este ou aquele político.
Continuo acreditando que podemos melhorar a democracia. Mas isto, repito, não será através de ações messiânicas ou promessas de pureza – que é a promessa e o compromisso que marca o início de todo e qualquer processo ditatorial, conforme tão bem nos mostra e ensina a história.





Líbia – imprensa brasileira toma partido e não sabemos o que acontece

4 04 2011

Quem for se basear apenas pelo noticiário disponível nos sites e portais nacionais ou lligados de alguma forma ao modo norte-americano de ver o mundo, continuará certo de que os ‘rebeldes’ líbios estão vencendo a guerra contra Kadaffi.
Sinceramente, não sei em que pé está aquele salseiro lá.
Sei apenas que, também neste embate, quem está perdendo mesmo é a informação.
Não há compromisso em informar o que acontece.
Percebe-se que há muito mais torcida e vontade, do que notícias sérias acerca deste embate.
Tudo é superficial. Não há um aprofundamento nas questões básicas – como, por exemplo, na dissecação dos interesses envolvidos.
Quem fornece armas para os chamados rebeldes? Quem está por trás da ação de mercenários no País?
Fica complicado entender a mídia nacional, que parece funcionar como porta-voz do departamento de Estado norte-americano. Aqui, predomina apenas a visão de um lado.
Ninguém se ateve a questionar, por exemplo, o tipo de armamento dos rebeldes. Qual a origem deste armamento? Não sou especialista em armas, gostaria de saber o que usam, quem fornece alimentação e carros de combate?
Em face de tantas verdades, ouso transcrever um texto tentando mostrar que, de repente, pode haver um outro lado em toda esta história. Um outro lado que a nossa briosa mídia não aceita nem ao menos sugerir a sua existência.

Movimentos Sociais manifestam-se contra guerra na Líbia e pela Paz no Oriente Médio. Fazem manifestação no Senado, Câmara e Itamaraty.

Por KHARINNA CANAVARRO:

INTER.PRESS – AGNOT – Brasília – DF – Br. 313\11; 18.h: – Com uma vasta programação que incluiu a entrega de um documento com a posição dos movimentos sociais brasileiros sobre a revolta no Oriente Médio, a guerra na Líbia e pedindo a Paz no Oriente Médio, a CMS, Coordenação dos Movimentos Sociais, no Distrito Federal, a pedido de uma das entidades que a integra, o MDD, Movimento Democracia Direta, deliberou e com o apoio e a mobilização dos principais dirigentes das demais organizações populares que compõem sua direção, como representantes da CUT, CTB, CGTB, UNE, UBES, MST, CEBRAPAZ, CDR Cubana, dentre outras entidades posicionaram-se contra a guerra na Líbia, a intervenção dos EUA e da União Européia e pediram a imediata revogação da Resolução do conselho de Segurança da ONU de trata o assunto.
O documento foi entregue nesta quita feira, 31, na Comissão de Relações Exteriores do Senado Federal, na Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados e no Gabinete do Ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota.
O documento afirma que: “É com grande indignação que a Coordenação dos Movimentos Sociais, reunida no dia 28 de março, acompanha as conseqüências da resolução do Conselho de Segurança da ONU que, mesmo sem ser unânime, deflagrou uma agressão militar contra a Líbia. Sob cínicas declarações “humanitárias”, os governos das grandes potências (EUA, França, Reino Unido, Itália, Espanha) – agora com a chancela da OTAN – bombardeiam esse país norte – africano de apenas seis milhões de habitantes”.
O documento afirma ainda mais adiante que : “A agressão imperialista intervém numa guerra civil, causa centenas de mortes entre a população e é, na verdade, uma nova guerra de rapina por petróleo e uma estratégia de contenção contra a luta que varreu os regimes ditatoriais sustentados pelos EUA e a OTAN nos vizinhos Egito e Tunísia. Os Movimentos Sociais do Brasil exigem o fim imediato dos bombardeios à Líbia, reafirma que a intervenção militar externa é inaceitável e atentatória à soberania nacional dos povos. É a descarada manutenção, pela força, dos interesses das potências imperialistas e suas multinacionais na região.
Mais adiante e finalizando, o documento diz: “Neste momento de profunda aflição, prestamos toda nossa solidariedade ao povo líbio, pois apenas a ele cabe a decisão sobre seu próprio destino.Dirigimo-nos ao Ministério das Relações Exteriores do Brasil e as representações do Senado e da Câmara Federal, para que expresse junto aos organismos internacionais e, em particular à Organização das Nações Unidas, a exigência dos Movimentos Sociais pelo imediato fim da intervenção militar da OTAN na Líbia, pela cessação imediata dos bombardeios, e pelo restabelecimento da paz naquela região”.
Após a entrega do documento e em todos os locais onde foi deixado os manifestantes fizeram questão de afirmar que podem ir ás ruas na próxima semana em manifestações de rua nas principais capitais do país.
Ao finalizar a reunião no Itamaraty o grupo de manifestantes dirigiu-se a casa do Embaixador da Líbia no Brasil, Salem Al Zubeid onde fizeram questão de manifestar pessoalmente seu apoio ás manifestações que acontecem em todo o mundo contra a guerra na Líbia e por uma solução pacífica sem intervenção das potencias imperialistas.
O Coordenador da CMS no DF e representante da CUT, Ismael Silva fez questão de manifestar sua indignação contra os bombardeios praticados pelos EUA e França que mataram centenas de civis em Trípoli nestes últimos dias.
Acilino Ribeiro, Coordenador Nacional do MDD e um dos principais dirigentes da CMS no DF, disse que os crimes praticados pelos EUA e a União Européia, através da OTAN, a qual chamou de Organização Terrorista do Atlântico Norte , serão julgados e condenados pela história, e que “ terroristas como Obama, Sarkozy, Cameron, Hillary Clinton e Robert Gates devem pegar prisão perpetua pelos hediondo crimes praticados, como o assassinato de crianças, jovens, idosos e mulheres, dentre milhares de civis os quais são os responsáveis”, concluio.
Paulo Vinicius, representante da CTB, Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, reafirmou a unidade dos movimentos sociais pela necessidade de combater o imperialismo e levá-lo a derrota política em todo o mundo.
O representante do Comitê de Defesa da Revolução Cubana, Marcelo Melquiedes, reafirmou a posição dos movimentos sociais brasileiros em lutarem até as últimas conseqüências para conseguirem a Paz na região, buscando se necessário a articulação internacional para o fortalecimento da luta.
Iberê Lopez, Presidente do CEBRAPAZ, Centro Brasileiro pela Paz, afirmou que levará o assunto ao Conselho Mundial da Paz para intensificar suas ações, lembrando que a Presidente do órgão, Socorro Gome, já manifestou posição idêntica ao dos movimentos sociais brasileiros e que continuará lutando pela paz na líbia e demais países do Oriente Médio.
O embaixador da Líbia no Brasil, Salem Zubeib, agradeceu aos manifestantes afirmando que além do governo brasileiro a sociedade manifesta seu apoio a paz na Líbia e em toda a região como tradicionalmente tem sido de forma histórica. Afirmou que tais manifestações eleva a moral dos líbios que lutam contra o imperialismo e o sionismo, responsáveis pelo que hoje acontece em seu país.

Fontes : – INTERPRENSA – AGNOT – INTERPRESS – MIDIA LATINA. 31.03.11- KM.





Sobre mensalões e os venais da imprensa

3 04 2011

Por qual razão a mídia golpista está requentando o assunto mensalão?
Por uma razão simples: se o STF não for constrangido e achincalhado pela mídia e for julgar apenas pelos autos e as provas já colhidas, poucos serão os condenados. Esta é a opinião de advogados, de pessoas que, sem a paixão política que o caso gera, conhecem todo o emaranhado de documentos.
Basta observar que existe uma espécie de ‘escada’: um veículo requenta bombasticamente um tema já surrado e então entra blogueiros, comentaristas e outras doidivanas a tratar de manter em pauta algo que já está morto.
É ridículo ler, por exemplo, no blog do Josias Souza que ele se arvora no páladino da verdade, na quinta-essência da ala das baianas da Opus Dei. A verdade dele é ridícula e só serve para iludir beócios e imbecis de várias classificações.
Joaquim Barbosa, o ministro do STF sob a responsabilidade de quem está a peça acusatória, já se deu conta de que como está, nada se sustenta. Perguntou coisas, quer saber de novidades para a PF. A bem da verdade, há três novidades:
1 – Menção a um filho de Marco Maciel;
2 – O surgimento da filha de Roriz no imbróglio (e onde não há um Roriz envolvido em falcatrua?),
3 – E a extemporânea inclusão de Aécio – totalmente sem pé e nem cabeça.
Mas, em lugar de retratar estas novidades e, portanto, mostrar que nada há de novo no que diz respeito ao suposto mensalão, a revista Época e os cães que ladram e as viúvas que se lamentam da perda do País que era só deles, revista e jornalistas estão colocando, de forma irresponsável, como sendo ‘novidade’, algo que já foi divulgado anteriormente.
Lá estão as três bombas – que de tão ridículas, vão jogando cada vez mais no descrédito a imprensa oficial da oposição:
1 – O caso do segurança pessoal do ex-presidente Lula.
Este assunto foi largamente veiculado pela imprensa em 2006, mormente pelo jornal O Estado de São Paulo.
2 – O suposto envolvimento de assessores do Ministro Pimentel.
Quando o assunto veio a tona, o hoje ministro demitiu todos os assessores que então trabalhavam com ele.
3 – O custeio da posse de Lula.
Algo que já foi admitido e assumido por Delúbio Soares, ex-Tesoureiro do PT.

De envergonhar

Ou seja: nada há de novo e o que poderia ser novidade, foi ignorado.
Está em curso uma cruzada para chantagear ministros, para submetê-los ao ridículo – para que abandonem a condição e magistrados e passem a ser condicionados pela opinião pública.
Tenho dito e volto a repetir: ao se reduzir a serviçal da mídia, a oposição brasileira se destruiu, sem nenhuma capacidade de articulação e interlocução com a sociedade. A oposição política pensou que o Brasil ainda era dominado e condicionado pela mídia. É ruim, muito ruim, para o Brasil que ele não tenha uma oposição com capacidade de pensar, de entender o que se passa no Brasil. A oposição perdeu o discurso político ao assumir o discurso de rancor e ódio imposto pela mídia.
A mídia, cega em sua cruzada messiânica, não se deu conta ainda de sua dissociação com o Brasil real e com os brasileiros. Incrível como este segmento não percebe a queda na venda de exemplares, a redução da audiência…
Esta pressão, esta chantagem a mídia faz e obtém algum êxito porque ela sabe que hoje só quem a lê, escuta, acompanha e leva a sério é uma elite pestilenta e enojante. Esta minoria é onde os magistrados também se movimentam, razão pela qual, de uma hora para outra, a mídia voltou a requentar matérias – dando ares de bombástica a uma informação que já foi veiculada anteriormente.

O verdadeiro mensalão

Mas se a mídia e a elite estiverem realmente interessados em algo escabroso e que tem muitas provas, basta se debruçar sobre o Mensalão Tucano de Minas, de 1998; a Lista de Furnas de 2002; os escândalos do Governo Yeda no RS (inclusive com mortes nunca elucidadas) e o Mensalão do Dem no DF – que, conforme Arruda disse em entrevista para a Veja, encheu de dinheiro o bolso de demos, tucanos e assemelhados.





Líbia: rebeldes entregam os pontos e, derrotados, querem negociar

1 04 2011

Alguns se mostrarão surpresos. Outros dirão que é 1º de abril. Até poderia ser, por conta de onde está veiculada a notícia caso eu buscasse a informação apenas na mídia mentirosa do Brasil. Mas a verdade é que Kadaffi não apenas está vencendo a guerra, como irá derrotar os chamados rebeldes – grupos de apátridas onde se misturam mercenários contratados pelos EUA, guerrilheiros da Al Quaeda de Bin Laden, traficantes de armas e de drogas.
Em verdade, aconteceu aquilo que já era sabido por quem acompanhou a cobertura da Telesur – hoje o melhor canal de jornalismo da América Latina. Mas a miopia da mídia brasileira, a boçalidade daqueles que ainda se pensam formadores de opinião e a estupidez daqueles que ainda se pensam como a ‘elite’ de nosso País, impede que ‘eles’ vejam a realidade com os olhos de brasileiros. Preferem olhar de cócoras, esperando para bajular o que vem do norte…
Precisamos parar de pensar que o que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil.
Pelo contrário: tudo que é bom para eles, é péssimo para nós enquanto País e povo.
Os rebeldes perderam a guerra porque Kadaffi tem apoio popular. Esta é a única verdade.
Vejam a matéria veiculado no portal Uol:

01/04/2011 – 08h30

Rebeldes líbios dizem aceitar cessar-fogo, mas com condições

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

Os rebeldes na Líbia afirmaram nesta sexta-feira estarem dispostos a um cessar-fogo, desde que algumas condições seja cumpridas. Entre elas, o recuo das tropas do ditador Muammar Gaddafi de cidades no oeste e a liberdade para o povo se pronunciar.

Mustafa Abdel Jalil, chefe do Conselho Nacional de Transição, no reduto rebelde de Benghazi, pediu a remoção das tropas de “mercenários” das ruas, antes de decretar o fim das batalhas.

“Nós não temos objeção a um cessar-fogo, mas na condição que os líbios nas cidades do oeste tenham total liberdade de expressão de seus pontos de vista”, disse Jalil, em entrevista coletiva ao lado do enviado especial da ONU (Organização das Nações Unidas) ao país, Abdelilah al-Khatib.

Ele alertou também que os rebeldes não vão abrir mão de uma questão crucial, que é a saída de Gaddafi e sua família do país.

Jalil disse ainda que os rebeldes precisarão de armas, caso as forças de Gaddafi não parem de atacar os civis, repetindo os pedidos de ajuda para enfrentar as forças melhor equipadas do ditador.

O presidente americano, Barack Obama, não descarta armar os rebeldes. Contudo, a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), que assumiu o comando da operação, rejeita a ideia –assim como a Rússia. Muitos questionam se é seguro dar armas a grupos desconhecidos e as consequencias disso após a guerra.

CONFRONTOS

Os combates entre as tropas de Gaddafi e os milicianos revolucionários continuam nas imediações de Brega, 225 quilômetros a oeste de Benghazi, segundo o porta-voz militar dos rebeldes, coronel Ahmad Omar Bany.

“Os confrontos continuam ao redor de Brega. As tropas de Gaddafi se encontram no oeste da cidade, a cerca de 30 quilômetros”, acrescentou Bany.

Segundo a agência de notícias France Presse, pela primeira vez os jornalistas não foram autorizados a acompanhar o confronto. Os insurgentes impediam a passagem da imprensa e dos civis pela entrada oeste de Ajdabiya, que leva à frente de batalha.

Os rebeldes mudaram de estratégia para enfrentar os leais ao dirigente líbio nos últimos dois dias, já que situaram membros do Exército na primeira linha de batalha. Na segunda linha estão as milícias de voluntários.

Nesta quinta-feira, as tropas de Gaddafi bombardearam as posições rebeldes com mísseis Grad e foguetes Katyusha.

Enquanto isso, a maior parte dos habitantes da vizinha Ajdabiya, a 65 quilômetros ao leste de Brega, fugiram da cidade por temor a novos ataques.

Se Brega cair nas mãos das forças governamentais, seu alvo seguinte seria Ajdabiya, uma cidade estratégica já que dela sai uma estrada que liga diretamente com Tobruk, ao leste de Benghazi, sem passar por esta última cidade. Sua conquista é chave para isolar a capital rebelde.