Cuidado: Bolsonaro não está sozinho!

4 04 2011

Tenho lido toda esta celeuma envolvendo as declarações de Bolsonaro com extrema preocupação.
Tenho conversado com pessoas – não apenas no restrito círculo dos que pensam igual a mim, com os quais tenho convergência de ideias e ideais.
E posso assegurar: a cruzada de Bolsonaro pode gerar um efeito que irá assustar muita gente.
Me refiro ao surgimento público de novos ‘bolsonaros’.
Para quem é do DF, haverá de lembrar como foi a campanha – e a votação dos candidatos Ronaldo Fonseca e Ricardo Quirino. NO caso de Ronaldo Fonseca, ele fez mais de 67 mil votos com uma ‘cruzada’ marcada por parâmetros e propostas muito semelhantes as de Bolsonaro. Percebo que muita gente não se depara com esta questão por uma razão simples: Bolsonaro é o primeiro com coragem de externar um sentimento que é latente em boa parte da sociedade. Quer queiramos ou não, mas ele é o primeiro com coragem de dizer o que pensa de modo claro.
O estimado leitor não concorda com este perigo? Basta que cada um comece a prestar atenção nos eleitos em seus municípios e estados e ficará mais claro o que estou dizendo: existem muitos outros ‘bolsonaros’.
Pode ser estranho e muitos poderão não concordar, mas com toda esta mídia, hoje ele virou figura nacional e, pelo seu exemplo (e não estou aqui julgando se é bom ou ruim), vai acabar encorajando outras pessoas a defenderem as mesmas causas.
Volto a dizer: não é conveniente continuar tratando Bolsonaro apenas como um louco ou um caso isolado.





Agnelo recebe direção da CUT-DF nesta quarta, 23

22 03 2011

Não habituado a conviver com o jogo de pressão e com a necessidade de compartilhar informações, afinal de contas toda vivência política de Agnelo se deu dentro do PCdoB que funciona como uma espécie de seita onde um decide e os outros obedecem em resignada hierarquia, o governador do DF está se dando conta de que precisa ‘entrar’ no PT. A avaliação de muitos petistas que hoje Agnelo apenas está filiado ao partido – sem no entanto ter captado as diferenças entre estar (filiado) e ser (do partido).
A percepção destes petistas é que as opções do governador também priorizam alguns petistas que não possuem uma vida dentor do partido, ainda que estejam filiados há muitos anos. Para estes, tais figuras sempre colocam em sua atuação política em primeiro lugar a tendência a qual são ligados, deixando o partido em segundo plano.
Para mostrar ao governador que ele precisa entrar e viver o processo político e dialético peculiares do PT é que um grupo de dirigentes está trabalhando arduamente para mostrar que ao se cercar de um grupo mais adepto da negociação e da mercantilização da política ele, Agnelo, pode estar caminhando para o suicídio político com a eclosão até mesmo de escândalos.
Foi preciso que o presidente do PT-DF, deputado Roberto Policarpo, chutasse o pau da barraca para que Agnelo retomasse com a realidade política. Sabe-se lá instado pelos conselhos de quem, mesmo há quase 100 dias no poder, somente nesta quarta-feira, 23, ele irá receber a direção da CUT-DF em audiência em Águas Claras – contando com a presença também de dirigentes da CUT Nacional que estão em Brasília até sexta em reunião de sua diretoria.
Estranhamente, Agnelo parece ter esquecido o papel que a CUT e os sindicatos a ela filiados desempenharam na sua campanha. Talvez por estar seduzido por novos aliados, mas a verdade é que Agnelo esqueceu totalmente o que assumiu com as categorias de servidores.
Será uma reunião tensa esta marcada para quarta-feira na residência oficial de Águas Claras.
Mas talvez seja o primeiro passo para Agnelo Queiroz definitivamente entrar no PT…





Comunicação é o ‘calcanhar’ do governo Agnelo (PT-DF)

20 03 2011

Ao assumir, Agnelo se deparou com um quadro de terra arrasada: serviços públicos sem funcionar; cascas de banana deixadas aqui e acolá por Rogério Rosso – com a assessoria do grupo de Roriz e até alguns raivosos ligados ao Arruda; lixo acumulado por todos os cantos; mato vergonhoso. Não teve, no entanto, habilidade para dimensionar junto à sociedade que isto não teria solução em um passe de mágica.
Além deste quadro, ele também contribuiu para um certo desencanto junto ao eleitor ao nomear e indicar como auxiliares diretos pessoas que tinham sido servis e serviçais dos governos Roriz e Arruda.
Esta situação gerou uma situação de perplexidade. Em alguns, até mesmo de desencanto.
Em um primeiro momento, parece que Agnelo não tinha assumido a dimensão política do cargo de Governador. Quis, por exemplo, ser secretário de Saúde, como se esta área seria consertada com algumas visitas.
A bem da verdade, o descaso dos últimos 12 anos em áreas como Saúde, Segurança, Educação, Transporte Coletivo e Habitação demanda o trabalho POLÍTICO de um governador 24 horas por dia. Agnelo, ao se cercar de pessoas com interesses políticos e em permanente disputa de espaço e poder dentro do Governo, acabou alimentando o fisiologismo. Falta ao GDF um gerente, alguém que tenha o perfil para fazer tecnicamente o governo andar e o governador poder fazer POLÍTICA – algo que hoje não lhe sobra tempo. Delegar a tarefa de fazer POLÍTICA é criar cobras dentro da própria casa.
Querer ser ao mesmo tempo gerente e político é perda de tempo.
Sem querer comparar, mas apenas para que se tenha um parâmetro real do que estou dizendo: Lula teve êxito porque não precisou se preocupar com o andamento da máquina, que ficou nas mãos de Dilma. Lula teve todo tempo do mundo para fazer política. É esta figura que falta no GDF de hoje.
É hora de sair da fase das visitas e partir para questões operacionais – algo que, cá entre nós, será quase que impossível com a atual equipe – e nem vou nominar aqui nomes que ocupam cargos e sua ação é pífia. E sua competência já ficou provada inexiste.
Agnelo e o PT precisam criar uma agenda positiva que faça com que a sociedade tenha a percepção de que o governo está funcionando. Como são muitas caras que continuaram, é preciso mudar o modo de chegar na sociedade. Uma medida positiva seria desativar aqueles postos da PM que o Arruda, de modo tresloucado e incompreensível, instalou no DF. Ali poderiam funcionar postos de atendimento ao cidadão – uma espécie de ‘na hora’. Algo precisa ser feito com aqueles cubículos hoje inúteis.
O governo não está mal, mas infelizmente não tem tido competência para dizer à sociedade o que está fazendo e como o quadro está sendo alterado aos poucos. Fez bem ao alterar a estrutura viciada que havia, deixando a publicidade nas mãos de uma pessoa de sua confiança. Errou, no entanto, ao confundir porta-voz com o responsável pela implementação das políticas de comunicação do seu governo. São coisas parecidas, assim como o vidro e o cristal são similares e tem na areia a sua origem e no calor a sua busca do ponto de fusão. Mas o porta-voz, vidro, pode ser qualquer um ou uma, enquanto que a pessoa a quem cabe o papel de criar uma política de comunicação do governo deve ser alguém lapidado, capaz, competente e que não se limite a emitir releases.
Vidro é vidro. Cristal é cristal.
Porta-voz é porta-voz. Secretário de comunicação é outra coisa – bem distinta.
Enquanto Agnelo e o PT não entenderem isso, continuará esta sensação de marasmo e de imobilismo – algo que seguramente agrada algumas pessoas (mesmo petistas) e principalmente os partidos hoje aliados e que, com tempo de fazer política, começam desde já a tricotar com vistas a 2014.





O custo do lazer

24 02 2011

O Correio do Metrô edição 398, que circula no DF com data de 24/fev a 02/mar, traz instigante artigo sobre a dependência cada vez maior imposta pelo dinheiro às pessoas – que perderam a capacidade de conversar, dialogar, rir e fazer algo sem o tal do dinheiro. Levando em conta que o Correio do Metrô circula apenas no DF, com tiragem de 12 mil exemplares, a publicação do artigo aqui no blog possibilita que esta oportuna reflexão da psicóloga e jornalista Sandra Fernandes seja compartilhada por toda a blogosfera.

O custo do lazer

Sandra Fernandes*

Se há duas coisas no mundo que combinam são criança e diversão. Em nenhum outro momento da vida uma simples brincadeira de correr, pular ou cantar proporciona tanto prazer. De todas as regalias deixadas na infância, a que mais lamento é a perda daquela sensação gostosa de correr, correr, ficar ofegante e feliz. Toda aquela euforia que a bioquímica fornecia generosamente, agora só é conquistada com muito esforço, método e determinação. Eram outros tempos. Mas não eram outros tempos apenas para o meu relógio biológico. Eram outros tempos também para toda a sociedade. Para a gente se divertir, bastava descer para debaixo do bloco, reunir a meninada e alguém levar uma bola, ou nem isso. Brincar de esconde-esconde, por exemplo, requeria apenas nossa presença – ou a dissimulada ausência. Com o passar dos anos, o capitalismo foi transformando o lazer em consumo. Brincar passou a ser cada vez mais caro.
Os encontros diários com os amigos ficaram menos frequentes e passaram a ser em parte substituídos pela internet. As recreações de rua deram lugar aos jogos eletrônicos, cada dia mais sofisticados e dispendiosos. A obsolescência programada dos jogos infantis chega a ser assustadora. Uma plataforma sucede a outra e os jogos, às dezenas, vão sendo descartados para dar lugar ao novo – palavra mágica do capitalismo. Junte a isso o aumento da criminalidade nas grandes cidades que leva os pais a não permitir que as crianças passem o dia brincando na rua. As muitas notícias de crimes e o aumento do consumo de drogas fez com que os meninos e meninas que coloriam e animavam as quadras de Brasília passassem a ficar mais tempo nas casas e apartamentos. Assim, a mão calçou a luva. Os fabricantes vendem mais e os pais se tranquilizam sabendo que, enquanto trabalham, suas crianças estão a salvo, em casa. Mas isso custa caro.
Não é custo, alguns poderiam objetar, é investimento. Sem dúvida, os jogos eletrônicos desenvolvem habilidades essenciais ao cidadão do futuro. Saber lidar com a tecnologia é fundamental para quem não pretende passar os próximos cinquenta anos em uma oca isolada na floresta amazônica e as crianças precisam estar preparadas para um mundo cada dia mais eletrônico. Acontece que, como em todo movimento social, às vezes, as coisas fogem do controle e extrapolam o desejável. E não é apenas de jogos que estou falando. Incluo aqui os shoppings, templos do consumo, que transformaram a diversão em produto a ser comprado. Nada contra o cinema, a lanchonete. O problema é quando as pessoas já não conseguem mais encontrar outra alternativa de lazer que não seja comprada. Aquela capacidade natural de rir e de se divertir ficou obsoleta. Estar com o outro exige sempre a intermediação de alguma mercadoria. O carinho é vendido na forma de presentes, lanches e ingressos e a inclusão, o pertencimento e o valor social estão relacionados à capacidade de ver primeiro o filme da moda, de usar as roupas da estação e de frequentar os restaurantes badalados.
Trabalhei alguns anos como terapeuta familiar. Convivi com famílias egressas de divórcio em que a condição financeira ficou abalada pela necessidade de sustentar duas casas, ao invés de uma. Notava a grande dificuldade de pais, crianças e adolescentes em encontrar diversão, agora que não dispunham mais dos mesmos recursos. É como se tivessem sido jogadas em um mundo estranho, sem mapa, sem GPS. Como encontrar os amigos sem ir ao shopping? Como passear com os filhos sem recorrer à indústria do fastfood? Mas, aos poucos, as pessoas iam descobrindo novas alternativas e percebendo que eram donas de suas vidas, de seus relacionamentos, de seu prazer. Muitos perceberam que os verdadeiros amigos são aqueles que gostam de estar conosco, simplesmente.
Não podemos permitir que nos convençam que a felicidade vem com código de barras e que dependemos deles – sejam eles quem for – para vivermos momentos de prazer, tranquilidade e confraternização.

* Sandra Fernandes – jornalista e psicóloga





Educação também é cidadania!

18 02 2011

Confesso que ando apavorado com as cenas explícitas de barbarismo e de preconceito que tenho vivenciado no dia-a-dia. É algo perverso, doentio e que revela um aspecto cruel e que tem sido deixado de lado: percebo cada vez mais que as pessoas estão com vergonha de serem educadas, de demonstrarem vestígios mínimos de civilidade e de condições para a convivência social.
Cheguei a pensar que se tratasse de uma contatação pessoal e, neste caso, talvez motivada por minha dificuldade em aceitar o novo, em não endeusar qualquer modismo ou, como diz um velho amigo meu, não aceitar passivamente que a promiscuidade e a vulgaridade são os valores reinantes nesta sociedade do Séc. XXI.
De quando em vez sou usuário de ônibus e de metrô aqui no DF – em verdade, duas mentiras muito grandes. Primeiro que os ônibus que circulam na capital federal são verdadeiras gaiolas velhas, sujas, fedorentas, barulhentas e que deveriam envergonhar as autoridades – mas estas devem estar felçizes porque a manutenção deste monopólio hediondo deve ser muito conveniente financeiramente. A segunda mentira é chamar este troço que circula aqui no DF de metrô.
Mas… em todo caso… sou usuário de ônibus e de metrô…
Confesso: é apavorante observar a falta de educação, a falta de respeito de pessoas para com pessoas e entre estas, dos mais jovens em relação aos mais velhos. Vejam bem: nem esotu falando naquela coisa velha, arcaica, ultrapassada e cafona de levantar-se e dar lugar a uma mulher. Creio que este tipo de cavalheirismo talvez gerasse até situação de constrangimento para as duas partes…
A minha revolta é com a falta desta educação que faz parte da cidadania e do respeito, de conceder um lugar para um idoso, para um deficiente, para alguém grávida ou com crinaça no colo…
Definitivamente eu não sei se ainda tem espaço para este tipo de educação…
Hoje à tarde, mais ou menos 14h25, ‘peguei’ o trem que vai para Ceilândia (e só então me dei conta de que os carros são da Alstom, aquela que deu mundos e fuindos de dinheiro para o Psdb e o Demo e que foi o Arrudo, no começo dos anos 90, quem fechou estes contratos – quando ele era secretário de Obras de Roriz…). Como embarquei na primeira estação, sem muito esforço sentei-me ao lado de uma senhorita. Duas estações depois, o troço encheu e entrou uma senhora, tez marcada pelos sóis de muitos agostos e janeiros. Fiz menção de levantar para que ela tivesse um lugar e eqnautno ela cmainhava em minha direção, um destes alunos mal-educados de uma destas escolas da moda do Plano Piloto tentou passar na frente dela para sentar-se. Tive que antepor meu corpo para que ela pudesse chegar ao local e escutar uma série de imprecações de alguém que, pela altura, deverria ter uns 19/20 anos do alto de 1,80, pela capacidade mentqal, um imbecil e mentecapto.
Voltou para seu canto, mas em lugar de sentir-se ridículo, continuo achando graça na conversa de vocabulário reduzido qaue conseguia travar com seus amigos de aula – mais grunhidos, síncopes guturais a substituir letras de quem tem um vocabulário cada vez mais reduzido.
Em momentos assim, resgato aquela dúvida que não quem colocou acerca não do tipo de planeta que estamos deixando para nossos filhos, mas que tipo de filhos/homens e filhas/mulheres que vamos legar para o planeta/mundo de amanhã.
De quem é a culpa? Só falta dizer que é do Lula e da Dilma…
Será que só eu que sou um imbecil e tolo a reparar nestas coisas?
Será que as famílias estão tão modernas que deixaram de transmitir valores de cidadania?
Sinceramente… não sei…





Quando a saudade dá um “Oh! de casa”

6 02 2011

Faz bem de quando em vez a gente olhar o largo dos caminhos andados, percorrer no coração e na saudade as mesmas sendas por onde carregamos nossos sonhos, nossos medos e principalmente nossa inquebrantável vontade de estar ‘mas alla’ – como tão bem nos ensinam los hermanos de alla frontera.
Tenho imenso orgulho de cada passo dado e de ter sempre mantido uma coerência em relação ao que busco, sonho, desejo e tenho como referências – isto na vida, onde carrego em mim as lições do velho Romeo; na política, desde as primeiras descobertas e ensinamentos nos tempos da Convergência Socialista; no esporte, onde sempre são três cores de muita emoção; na profissão, onde o jornalismo foi a única busca, além do futebol; na família, base de tudo e que Deus me oportunizou como dádiva e bálsamo para quem, sem ela, não teria forças para reerguer-se nos lanhaços do viver; na fé, por Luterano que sempre sou desde 04 de dezembro de 1958 e onde construo o meu Castelo Forte; na lealdade aos amigos, e acima de tudo a gratidão por quem me possibilitou tantas e tantas vezes superar adversidades – tal qual um resiliente…
Deambulei tanto para dizer da estranha sensação que vivi, junto com meu filho, ao consultar livros na Estante Virtual e encontrar exemplares de três dos cinco livros por mim escritos. Para falar bem a verdade, só tenho exemplares do Diário de um trabalhador e de um cordel publicado no Recife, em parceria com o magistral cordelista pernambuca Allan Salles.
Assim, comprei Horas de pensar…, publicado em 1979 e do qual não tinha mais nenhum exemplar – naquela estranha mania de ir repassando exemplares e quando a gente se dá conta, nem um para mostrar para os filhos.
Aproveite e adquiri um dos exemplares do livro que lancei em 1982, chamado Engenheiro de sonhos – com prefácio de Antonio Hohlfeldt, um dos mais severeos críticos literários do País.
Mas confesso que não tive coragem de pagar R$ 50,00 por um livro meu – que mesmo tendo apenas sete páginas – isto mesmo! – está sendo vendido por esta verdadeira fortuna. Na verdade, o livro saiu como parte de um projeto genial de dois gênios catarinenses – Flávio José Cardoso e Silveira de Souza – que aproveitando restos/aparas de papel da IOESC-Imprensa Oficial do Estado de Santa Catarina, imprimiam ‘livros’ no formato de ‘sanfona’.
Vou continuar sem a companhia daqueles versos que, curtos, correram mundo, apartaram-se de mim – já os li em encartes e coletâneas, mas quem sabe um dia eles voltem a estar junto de mim.
Mas… confesso: estas sete páginas irão continuar faltando junto de mim…





BBB – a lama da TV

30 01 2011

Por uma questão de saúde pública, assistir a TV Globo deveria ser vetado. É deprimente observar o malefício da omissão do Governo Federal no que tange a obrigar as emissoras a cumprir o que está disposto – e não regulamentado – na Constituição Federal. Transformar uma concessão pública num espaço de aviltamento do ser humano, com a banalização dos valores e a sistemática manipulação dos fatos deveria ser motivo de sua não renovação.
Deveria, mas então por que isso não acontece? Há uma perversa cumplicidade entre Executivo, Legislativo e Judiciário – onde só quem perde é a sociedade.
Em primeiro lugar, o Congresso Nacional se omite e se acovarda na medida em que muitos dos parlamentares são donos – reais ou através de laranjas – ou apenas ‘pau-mandado’ de grupos. Revelador é o caso da RBS que, depois de ter transformado o RS num estado sem consciência crítica, se vangloria de sempre eleger um senador seu – saiu Sérgio Zambiasi (PTB) e entrou Ana Amélia Lemos (PP), alinhados com a defesa do monopólio e dos cartéis da desinformação.
O Executivo se ‘achica’ ao poderio e ao fascínio da telinha e por não ter coragem de afrontar este poder, acaba sustentando-o com verbas e mais verbas. Isto acontece em nível federal, estadual e municipal.
O Judiciário, em suas instâncias superiores, por sua vez, serve como bastião em defesa dos interesses dos donos dos meios de comunicação – assim foi na questão do fim da obrigatoriedade do diploma de jornalista; na revogação da Lei de Imprensa, com o fim do direito de resposta e no que diz respeito a má-vontade de analisar as ações movidas pelo jurista Fábio Konder Comparato, autor de três ações diretas de inconstitucionalidade por omissão (ADO), contra o Congresso Nacional, que até hoje não regulamentou os artigos da Constituição de 1988 que tratam da comunicação.
Enquanto Executivo, Legislativo e Judiciário se omitem, teremos de conviver com uma programação degradante e que não reflete o modo de ser dos brasileiros.