Agnelo tem o desafio de tirar o GDF do mar de lama

2 04 2011

A Caixa de Pandora, tal qual na mitologia, depois de aberta pela Polícia Federal como parte de uma operação, está revelando toda a podridão que tomou conta da política no DF – depois de janeiro de 1999, quando a Capital de todos os brasileiros foi governada por Roriz durante oito anos, Arruda três, Wilson Lima alguns dias e Rogério Rosso poucos meses.
Mas, ao contrário do legado grego, é preciso mantê-la aberta. Tenho para mim, que depois de todas as revelações, há de sobrevir a esperança. Não é possível que nós, brasiliense, não tenhamos razões de continuar acreditando em um novo tempo.
Estive ontem à tarde em um evento no Buriti. Não tive estômago para ficar mais do que meia hora no local.
Confesso que fiquei enojado vendo figuras que se locupletaram nos governos podres que transformaram Brasília em sinônimo de lama e corrupção andando com perversa desenvoltura pelos corredores de um Palácio hoje ocupado por um governo que deveria portar-se unicamente pelo padrão ético. E o que mais me apavorou foi ver como algumas pessoas são facilmente seduzidas pelas amplas ramificações da bandidagem.
Estes últimos 12 anos serviram para enraizar uma cultura de podridão entre a classe política que certamente vai acabar atingindo muitos dos que usam discursos de moralidade. Que a sociedade faça uma limpa, mas é vergonhoso como o eleitor é manipulável, como ele aceita trocar seu voto por uma promessa, por um benefício ou simplesmente por dinheiro.
É ruim que continuem na equipe de Agnelo pessoas que tem sido constantemente acusadas de atos de clara improbidade – mantendo-se sob a ameaça de que, sem espaço, passariam para a oposição. Não entendo como pode o governo Agnelo estar tão capenga em termos de negociação política. Não tem lógica esta ambição e querer construir um governo com 22 dos 24 distritais na sua mão.
Já disse isso e volto a repetir: de que adianta o apoio de Agaciel Maia, por exemplo, se ele na verdade é controlado politicamente por Pedro Passos – seu apoiador e financiador? Nos corredores da Câmara Legislativa fala-se abertamente que o mandato de Agaciel é ‘cuidado’ por Pedro Passos – e ele sabe usá-lo indicando apaniguados seus para a Secretaria de Agricultura, para administrações regionais. Qual a vantagem de contar com o apoio de Benedito Domingos, político que usa a sigla para fazer negócios e beneficiar familiares? Estes são apenas dois casos, mas poderíamos aqui discorrer sobre como a casa legislativa do DF tem prazer em chafurdar na lama.

Mais escândalos

A cada nova semana, um festival de denúncias.
A cada dia que passa, mas podridão vem à tona.
Segundo um velho conhecido da Receita Federal, já aposentado, os desvios no DF seriam superiores a R$ 30 bilhões – entre subornos, corrupção, desvios, aumento de gabaritos de prédios, remissão fiscal e tributária, tráfico de influência, etc.
E que o meio mais seguro para lavar este dinheiro é através de fazendas com criação de gado, lojas em shopping (consta que um ex-secretário dos governos Roriz e Arruda é dono de 10 lojas em um só shopping no DF, todas elas em nomes de laranjas), aquisição de imóveis e carros através de consórcios.
Talvez isto explique porque no DF está o metro quadrado construído mais caro do País – havendo apartamentos que são vendidos por R$ 14 mil o metro quadrado. Sempre tive curiosidade em saber se a desculpa de que o terreno encarece a construção poderia justificar tal absurdo. Ao encontrar um engenheiro/empreendedor, divaguei sobre valores e cheguei a conclusão de que o que encare a construção civil do DF são os chamados sócios ocultos.
A coisa funciona mais ou menos assim: alguém entra com um projeto numa administração regional ou órgão do GDF. Para o documento andar, começam a ser feitas concessões. Para quem não sabe, cada administração regional é nicho comandado e controlado por um distrital. Assim, para que o documento seja liberado e a autorização para a obra saia, o empreendedor é obrigado a dar apartamentos que são escriturados em nome de laranjas, ou igrejas, ou empresas…

Hora de dar um basta!

Terá Agnelo coragem e força para dar quebrar esta cadeia?
É difícil saber, porque a corrupção acabou empoderando pessoas que hoje detém mandatos parlamentares. E foi de atl forma letal que acabou seduzindo até mesmo deputados e políticos do próprio partido do Governador. Para romper todo este esquema, apenas com transparência e sem passar a mão na cabeça de aliados. Existe uma engrenagem carcomida, com dentes podres e alavancas invisíveis, entraves com vida própria.
A saída do Secretário de Desenvolvimento Econômico dá bem uma dimensão do poder desta máfia. O mesmo acontece em áreas como da Agricultura, Terracap, Saúde, Obras, Transporte, Educação, Tecnologia… Sei de histórias escabrosas que são contadas por pessoas que descobrem fatos e percebem que o comando destas estruturas corrompidas continuam nas mesmas mãos que estavam nos últimos anos, a mostrar o quanto esta rede de proteção criminosa detém de poder.





Comunicação falha e Agnelo ‘apanha’ de graça

27 03 2011

Ainda que toda unanimidade seja burra, há uma convergência quanto à perda de oportunidades pelo GDF pelo fato de não ter uma Secretaria de Comunicação com a estrutura e o perfil necessários. Há uma flagrante incompatibilidade entre uma repartição que emite releases, ocupada por um porta-voz, e a expectativa e os desafios que devem ser assumidos por um Secretário de Comunicação qualificado.
Resta saber até quando o Governador Agnelo irá continuar teimando com esta solução que ele criou, gerando um monstrengo. Se de um lado contemplou o ego e a demanda salarial pedida, de outro gerou uma situação ridícula. Nada justifica ficar amassando barro, sem sair do lugar, apenas para dar a falsa impressão de estar se movimentando.
O que se sabe é que decorridos quase 100 dias da posse, a imagem do governo Agnelo está muito mais próxima a uma convicção de continuidade dos outros governos do que uma ruptura ética. Dentro deste quadro, é apavorante observar que a Secretaria de Comunicação é de uma incompetência aterradora, sem se contrapor ao noticiário que tenta colar estereótipos no Governo Agnelo. Falta alguém com autoridade para dizer que episódios como os de Alírio Neto e de Chico Leite não dizem respeito ao atual governo, que foram suspeitas em relação a atuações lá no passado.
Estou entre aqueles que não tem nenhuma razão para defender ou achar que Alírio Neto seja um modelo de político, ainda mais pela sua participação efetiva no processo de destruição da qualidade de vida do Guará – tanto no episódio da tramitação do PDOT – que desrespeitou TODAS as deliberações dos moradores do Guará que em audiências públicas definiram gabaritos de prédios e outras ações – quanto na transformação da cidade em um amplo campo para a ilegalidade de construções, com a proliferação de kitinetes e a construção de novos andares nos setores de oficina e do chamado pólo de modas. Cabe lembrar que o administrador da cidade foi e continua sendo indicado por ele, Alírio.
Mas para mim, soa estranho que Durval diga que entregou dinheiro ao Alírio e estranhamente não o filmou. Logo ele que filmou a todos. Ou será que neste caso, como em outro envolvendo um policial, ele, Durval, prudentemente e por medo tratou de não exibir as imagens?
A palavra de Durval, volto a dizer, não tem credibilidade alguma. Já escrevi várias vezes que, para mim, ele continua sendo apenas e tão somente alguém com muitas contas a acertar com a Justiça e ao entregar AS FITAS ele fez algo para tentar salvar um pouco a sua pele – mas que isso em nada o redime dos crimes pelos quais está sendo acusado. A palavra de Durval não tem valor se não estiver amparada por fitas de vídeo.

Dois pesos, duas medidas

Quando Arruda denunciou o povo do Demo e do PSDB, sem no entanto conseguir provar nada, houve uma enxurrada de questionamentos – inclusive pela impossibilidade de comprovação das denúncias. E elas foram saindo rapidamente do noticiário. No entanto, agora com o Chico Leite, a palavra de Arruda – um mentiroso contumaz e assumido – passou a ter valor. Não se trata de uma defesa do Chico Leite, mas apenas a constatação de que existem avaliações circunstanciais que são utilizadas e disseminadas por conveniência. Quando ele, Arruda, diz que bancou o Demo e o PSDB – mas não tem como provar, ou ao menos não lhe convém provar ou mostrar os comprovantes – daí as revelações são descaracterizadas e rapidamente esquecidas pelas mídia.
No entanto, quando este mesmo Arruda diz que foi procurado por Chico Leite, a palavra de Arruda volta a ter valor e peso. Logo algo vindo de Arruda, um mentiroso de carteirinha.

E as juras da Celina?

Não resistiu muito tempo o arrazoado da distrital Celina Leão dizendo que seu marido nada tinha a ver com a farra de cartas-convite na administração de Samambaia. A revelação de fac-simile com as assinaturas serviu para mostrar que se houver interesse por parte do Ministério Público, muita coisa poderá ser descoberta. Esta é a avaliação que especialistas fazem, corroboradas pelos dados já coletados e analisados pelo pessoal do Tribunal de Contas do DF. Descobrir o vínculo certamente é uma tarefa que ficará mais fácil se forem observadas as movimentações financeiras, a prestação de contas da campanha e outras ações que podem corroborar as suspeitas ou, o que acabaria sendo bom para a política do DF, a plena e total certeza de que ela não tem nada a ver com o que aconteceu na Administração de Samambaia.

Agnelo e uma nova agenda

Para sair do corner, para deixar de pagar por erros de outros, Agnelo precisa trabalhar com a parte saudável do seu governo. Já escrevi antes e repito: não precisa ter a maioria de 22 votos na CLDF. Basta costurar uma maioria de 16 votos confiáveis e deixe o resto ser oposição. É mais barato. É mais fácil.
Outra medida urgente é a de redefinir a estrutura de sua pasta de comunicação. Hoje o GDF não tem ‘comunicação’. Tem alguém ocupando uma função, sem no entanto ter a capacidade e a compreensão política que o cargo exige. Insistir com uma enjambração é continuar apanhando sem precisar, por coisas que não fez. Achar que comunicação continua se restringindo a uma TV e a um jornal aqui no DF é assumir a miopia e a incompetência. Há uma gama de novos agentes que estão sendo deixados de lado – revelando a arrogância de quem se pensa acima do bem e do mal.
Agnelo precisa formular uma política de comunicação, para falar com a sociedade e deste modo mudar esta imagem de continuísmo e de marasmo que hoje começa a se consolidar. Ainda é tempo, claro que sim – mas para não desperdiçar todas as oportunidades, Agnelo precisa começar a entender que ele é o Governador do DF…





Durval Barbosa garante: Alírio recebia mensalão de Arruda

26 03 2011

O Governo Agnelo começa a sofrer as consequências por ter saido montado sem respeitar os princípios defendidos durante a campanha. Entregar secretarias para quem tinha participado dos governos corruptos de Roriz e Arruda (Rosso) foi uma jogada de extremo risco e falta de percepção política da realidade local.
Continuo sendo um defensor do Governo Agnelo e creio que estas denúncias, uma vez reiteradas e comprovadas, devem servir de senha para o governador se livrar de uma série de figuras nefastas, perversas e comprometedoras. Depois de quase 100 dias, Agnelo tem a chance de realmente mostrar para Brasília e seus habitantes que tem compromisso com um novo caminho, sem estar na companhia de pessoas que vivem de velhas práticas.
E se fizer esta limpa, poderá inclusive compor uma base menos fisiológica na Câmara Legislativa. O governo não precisa contar com 22 dos 24 votos. O melhor é ter a maioria. Fica mais barato, inclusive financeiramente. Não sei de onde esta vontade de ter 22 votos. Não entendo de onde esta necessidade.
É preciso fazer uma limpa imediata nas administrações regionais. Não tem cabimento deixar administrações importantes nas mãos de pessoas que tem o único compromisso de esculhambar e acabar com as cidades.

Alírio e Durval – figuras do mensalão do demo

Transcrevo a seguir o material veiculado no portal do Terra Notícias, que por sua vez escreveu o texto a partir de notícias da edição de hoje, sábado, do jornal Folha de São Paulo.

A matéria do Terra é a seguinte:

DF: secretário de Agnelo é acusado de receber mensalão do DEM

26 de março de 2011 • 08h43 – Notícia

Reduzir Normal Aumentar Imprimir O secretário de Justiça do governo do Distrito Federal na gestão do petista Agnelo Queiroz, Alírio Neto (PPS), é acusado ter recebido propina do escândalo de corrupção conhecido como “mensalão do DEM”. Durval Barbosa, delator do esquema, disse em depoimento à Promotoria do DF que encaminhou repasses de R$ 80 mil mensais a Alírio quando o secretário ocupava a mesma pasta na gestão do ex-governador José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM). As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

Alírio presidiu na Câmara Distrital a CPI criada para investigar a corrupção no DF. De acordo com Barbosa, Alírio era um dos beneficiários de parte dos R$ 220 mil desviados mensalmente do Detran. O dinheiro, segundo ele, era arrecadado junto a empresas de informática contratadas pelo Detran e pela Secretaria de Justiça e Cidadania. O secretário nega as acusações e diz que elas têm motivação política. O policial aposentado Marcelo Toledo, que aparece em um dos vídeos gravados por Barbosa entregando dinheiro, seria o responsável por repassar a propina ao secretário.

Entenda o caso

O mensalão do governo do DF, cujos vídeos foram divulgados no final de 2009, é resultado das investigações da operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal. O esquema de desvio de recursos públicos envolvia empresas de tecnologia para o pagamento de propina a deputados da base aliada.

O então governador José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM) aparece em um dos vídeos recebendo maços de dinheiro. As imagens foram gravadas pelo ex-secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa, que, na condição de réu em 37 processos, denunciou o esquema por conta da delação premiada. Em pronunciamento oficial, Arruda afirmou que os recursos recebidos durante a campanha foram “regularmente registrados e contabilizados”.

As investigações da Operação Caixa de Pandora apontam indícios de que Arruda, assessores, deputados e empresários podem ter cometido os crimes de formação de quadrilha, peculato, corrupção passiva e ativa, fraude em licitação, crime eleitoral e crime tributário.

Já a reporragem veiculada pela Folha de São Paulo é a seguinte:

Secretário do DF é acusado de receber propinas
Delator do mensalão do DEM diz que R$ 90 mil eram repassados a político

Secretário da Justiça já ocupava pasta na gestão Arruda; Alírio nega as acusações e diz que elas têm motivação política

FERNANDA ODILLA
DE BRASÍLIA

O atual secretário de Justiça do governo do petista Agnelo Queiroz, no Distrito Federal, é acusado de receber propina do mensalão do DEM, de acordo com depoimentos até agora inéditos do delator do esquema de corrupção na capital do país.
Durval Barbosa, denunciante do escândalo, revelou à Promotoria do DF que encaminhou repasses de R$ 90 mil mensais a Alírio Neto (PPS), quando o secretário ocupava a mesma pasta na gestão do ex-governador José Roberto Arruda.
Segundo Barbosa, Alírio era um dos beneficiários de parte dos R$ 220 mil desviados mensalmente do Detran. O dinheiro, segundo ele, era arrecadado junto a empresas de informática contratadas pelo Detran e pela Secretaria de Justiça e Cidadania.
Alírio Neto nega as acusações e diz que elas têm motivação política.
Barbosa detalha a participação do secretário no esquema em dois depoimentos no dia 14 de setembro do ano passado. Não faz menção a vídeos registrando a entrega do dinheiro a Alírio, que presidiu a CPI criada para investigar a corrupção no DF.
Barbosa afirma nos depoimentos que “eram arrecadadas propinas” junto a duas empresas que prestavam serviços de informática no Detran e uma na Secretaria de Justiça e Cidadania.
“Por determinação do então governador Arruda, parte desses valores era repassado diretamente ao deputado distrital Alírio Neto, então secretário da referida pasta”, afirmou Barbosa.
Quem repassava a propina ao secretário, segundo os depoimentos, era o policial aposentado Marcelo Toledo, que aparece em um dos vídeos gravados pelo delator entregando dinheiro.
Ao falar sobre a Secretaria de Justiça, o delator afirma que os repasses de R$ 90 mil foram feitos no quando Alírio permaneceu na pasta- de fevereiro e novembro de 2009.
No caso do Detran, Barbosa diz que Arruda determinou que cerca de 30% do arrecadado na área de informática do Detran fosse entregue a Alírio e ao ex-deputado Leonardo Prudente.

Na mesma edição, Alírio Neto se defendeu:

OUTRO LADO

Acusações têm motivação política, afirma Alírio Neto

DE BRASÍLIA

O secretário de Justiça e Cidadania do DF, Alírio Neto (PPS), negou todas as acusações do delator do mensalão do DEM e disse que as declarações de Durval Barbosa têm motivação política.
Segundo Alírio, ele e Durval sempre foram de grupos adversários dentro da Polícia Civil do DF. O secretário disse desconhecer os depoimentos prestados pelo delator à Promotoria do DF, mas afirmou saber que Barbosa fala mal dele “há muito tempo”.
“Todo mundo que ele acusa, apresenta vídeo. É fácil falar, quero ver um vídeo com minha imagem e minha voz.”
O governo do DF informou não ter “conhecimento oficial sobre qualquer denúncia contra o secretário”.
Procurado pela Folha, o advogado de Marcelo Toledo disse que não o localizou. Também não foi localizado o defensor do ex-deputado Leonardo Prudente. Os advogados de Arruda não atenderam ligações da reportagem.


Ou seja: uma boa oportunidade para o Governo Agnelo se livrar de Alírio e a Câmara Legislativa inicra um processo de cassação do seu mandato.





No DF, voto corporativo fragiliza a representação política da sociedade

25 03 2011

É notório que a cada nova eleição estamos acompanhando uma queda na qualidade da nossa (DF) representação política. Percebe-se uma espécie de nivelamento por baixo e ao contrário do que se poderia imaginar, o exercício do voto, pelo eleitor, não tem sido suficiente para arrancar a Câmara Legislativa da lama, do marasmo, do caos, do fisiologismo e de sua identificação como uma das mazelas e razões de muitos dos escândalos que nos são jogados a cada dia no rosto.
Tenho para mim que algumas razões podem nos dar uma certa luz para esta situação. Vou colocando-as, não na ordem de importância, mas segundo a formulação mental que vigora no momento da escrita.

1 – Prestação de contas

Tenho para mim que se trata da maior palhaçada. Faço e acompanho eleições para distrital desde 1990 e acho ridículo ler que deputado X ou Y gastou R$ 120 mil. Para aceitar tal disparate, a pessoa deve desconhecer os custos gráficos, o custo de combustível, o quanto se roda pelo DF em campanha, o custo de manutenção de cada comitê, as ajudas para cobrir custos de cafés, almoços e jantas.
Enquanto a prestação de contas for uma obra de ficção, será difícil acreditar em alguém que já começa mentindo – porque mesmo quem “dá” alguma coisa, depois contabiliza este valor e fará a cobrança devida pedindo no mínimo favores 100 vezes maiores.

2 – O malefício do voto corporativo

Digo, sem medo dos patrulhamentos e das cobranças: a predominância de distritais eleitos a partir de guetos corporativos é uma das razões da queda da qualidade da representação política. Claro está que alguém eleito pela Polícia Civil, por exemplo, estará comprometido a lutar pela preservação dos privilégios e regalias da corporação. Ao contrário do que se poderia pensar, seu compromisso jamais será com a melhoria da qualidade dos serviços na área de segurança pública, mas sim se limitará a defender os interesses ‘próprios’. O mesmo vale para a PM – e isto pode ser visto na quantidade de policiais civis, militares e bombeiros que estão fora de suas atividades ‘fim’.
A Câmara Legislativa deixou de ter o compromisso com o conjunto da sociedade e foi sendo repartida e fragmentada pelas corporações. Ninguém tem coragem de votar contra estas verdadeiras máquinas de chantagear e que só estão preocupadas em preservar os seus interesses, em aumentar as suas regalias.
Este mesmo entendimento tenho em relação ao chamado voto dos religiosos – quer católicos ou pentecostais. Porque a gente observa que existe uma tentativa de fazer do mandato uma ferramenta de barganha, para ampliar espaços.
Tenho para mim que o voto corporativo é a razão principal para a piora da qualidade de nossa representação política refletida na composição da Câmara Legislativa.

3 – Deputado foi eleito para ser deputado

Sou contra esta vergonha que é alguém ser eleito deputado distrital (o mesmo vale para vereador, onde houver; deputados estadual ou federal e também Senador) e ‘sair’ para um cargo no Executivo. Claro que isto jamais vai acontecer, mas eu defendo que a pessoa para aceitar a este convite para ser secretário ou administrador (no caso aqui do DF e de forma similar nos municípios, estados e também em nível federal), ele deveria renunciar ao mandato. Seria uma condição básica e de valorização do voto, de respeito ao eleitor.

4 – Quem é mais corrupto: eleitor ou político?

Esta dúvida me acompanha faz muito tempo… Há muitos anos vivencio a rotina de campanhas – aqui no DF desde 1990. A primeira delas deve ter sido em 1974 – quando Paulo Brossard, então no MDB, venceu Nestor Jost, da Arena, na disputa para o Senado. Apenas para ilustrar: Jost é da minha cidade, Candelária, ainda assim estive com o pessoal que ficou ao lado de Brossard – que ganhou inclusive no quintal do queridinho da ditadura. Pois bem… Tenho que confessar: a obrigatoriedade do voto é a ferramenta que o eleitor tem – e sabe usar muito bem – para barganhar o seu voto, para trocá-lo por algo concreto ou pelo compromisso futuro de lote, emprego ou intervenção política na defesa de algum interesse seu.
Não estou entre aqueles que pensam e defendem o eleitor como alguém ‘santo’.
Quem duvidar, fale com algum candidato e ouvirá relatos aterradores. O eleitor, obrigado a votar, tenta levar algum tipo de vantagem.
Qual o percentual do eleitor corrupto e que tenta levar vantagem? Eu creio que cada local tenha sua peculiaridade, mas aqui no DF, na minha opinião, deva ser da ordem de 70%. As pessoas até se justificam com argumentos pífios como: eu peço porque sei que depois ele vai roubar. Mas.. calma aí… a pessoa assume que vota num ladrão e que apenas está tentando levar alguma vantagem?
É preciso punir da mesma forma tanto o eleitor corrupto quanto o político safado. Político e política safados, para que fique bem claro que não estou me referindo a A ou B.

Apontamentos preliminares

Certamente este texto será adensado e terá adendos, complementos e remendos, na medida em que pretendo me debruçar mais vezes sobre a encruzilhada política na qual nos encontramos aqui no DF.





Cadáver fresco na praça: O PSD já nasce morto e inútil

23 03 2011

Idealizado como trampolin e esperteza, reles chicana de espertalhões para que o insosso Kassab possa migrar para o PSB sem correr o risco de perder o cargo de prefeito de São Paulo, o PSD já é um entulho político insepulto no seu nascedouro. Não se trata de um partido, mas um depósito mal-cheiroso e fedorento onde estarão empilhados cadáveres de entes públicos que só prosperaram pela extrema conivência do eleitor brasileiro com a fisiologia, com o oportunismo.
O que dizer então do PSB que flerta com figuras deste nível? Observando as reações de Erundina, cada vez mais me dou conta que falta aos políticos profissionais esta dignidade e indignação que ela tem manifestado. O PSB não pode, por pragmatismo, conviver com a presença de figuras assim tão deploráveis.
O que esperar de uma sigla que abriga sob o manto da impunidade figurar como Afif, Índio da Costa e outras viúvas que pulam de galho em galho em busca de sobrevivência política – sem nenhum compromisso ideológico?
Qual a linha doutrinária a ser posta em prática, não aquela escrita em suposto estatuto que pdoe ser copiado e adaptado facilmente a partir de modelos disponíevsi na internet. Como este novo partido entende o papel do Estado? Apenas como fonte de enriqueciomento dos políticos ou como essencial dentro de uma ação para atacar as origens de nossas desigualdades regionais? Qual o entendimento deles em relação ao Judiciário – hoje, seguramente o mais corrupto dos três poderes sobre os quais está ‘construída’ a nossa democracia?
Tenho lido com certo pavor os noticiários dando conta de que a sigla está sendo construída com o apoio de setores do Planalto para que atue na ‘base’ de sustentação do Governo Dilma. De quems erá esta genial idéia de fomentar o fisiologismo assim de modo tão escancarado? Qual será o gênio que terá tido a brilhante idéia de reunir todos os que apenas surrupiam em uma mesma sigla? Creio tratar-se de uma jogada digna de Golbery, quando atuou para que a sigla do PTB não voltasse para as mãos de Brizola e a entregou nas mãos de uma aliada fisiológica, moldável, adaptável, submissa, dócil e curvadamente agradecida (algo que em verdade continua sendo o veraddeiro perfil do PTB nos dias de hoje).
Pergunto, nesta manhã de quarta: alguém acredita na viabilidade política e eleitoral desta coisa chamada PSD?





Agnelo recebe direção da CUT-DF nesta quarta, 23

22 03 2011

Não habituado a conviver com o jogo de pressão e com a necessidade de compartilhar informações, afinal de contas toda vivência política de Agnelo se deu dentro do PCdoB que funciona como uma espécie de seita onde um decide e os outros obedecem em resignada hierarquia, o governador do DF está se dando conta de que precisa ‘entrar’ no PT. A avaliação de muitos petistas que hoje Agnelo apenas está filiado ao partido – sem no entanto ter captado as diferenças entre estar (filiado) e ser (do partido).
A percepção destes petistas é que as opções do governador também priorizam alguns petistas que não possuem uma vida dentor do partido, ainda que estejam filiados há muitos anos. Para estes, tais figuras sempre colocam em sua atuação política em primeiro lugar a tendência a qual são ligados, deixando o partido em segundo plano.
Para mostrar ao governador que ele precisa entrar e viver o processo político e dialético peculiares do PT é que um grupo de dirigentes está trabalhando arduamente para mostrar que ao se cercar de um grupo mais adepto da negociação e da mercantilização da política ele, Agnelo, pode estar caminhando para o suicídio político com a eclosão até mesmo de escândalos.
Foi preciso que o presidente do PT-DF, deputado Roberto Policarpo, chutasse o pau da barraca para que Agnelo retomasse com a realidade política. Sabe-se lá instado pelos conselhos de quem, mesmo há quase 100 dias no poder, somente nesta quarta-feira, 23, ele irá receber a direção da CUT-DF em audiência em Águas Claras – contando com a presença também de dirigentes da CUT Nacional que estão em Brasília até sexta em reunião de sua diretoria.
Estranhamente, Agnelo parece ter esquecido o papel que a CUT e os sindicatos a ela filiados desempenharam na sua campanha. Talvez por estar seduzido por novos aliados, mas a verdade é que Agnelo esqueceu totalmente o que assumiu com as categorias de servidores.
Será uma reunião tensa esta marcada para quarta-feira na residência oficial de Águas Claras.
Mas talvez seja o primeiro passo para Agnelo Queiroz definitivamente entrar no PT…





Comunicação é o ‘calcanhar’ do governo Agnelo (PT-DF)

20 03 2011

Ao assumir, Agnelo se deparou com um quadro de terra arrasada: serviços públicos sem funcionar; cascas de banana deixadas aqui e acolá por Rogério Rosso – com a assessoria do grupo de Roriz e até alguns raivosos ligados ao Arruda; lixo acumulado por todos os cantos; mato vergonhoso. Não teve, no entanto, habilidade para dimensionar junto à sociedade que isto não teria solução em um passe de mágica.
Além deste quadro, ele também contribuiu para um certo desencanto junto ao eleitor ao nomear e indicar como auxiliares diretos pessoas que tinham sido servis e serviçais dos governos Roriz e Arruda.
Esta situação gerou uma situação de perplexidade. Em alguns, até mesmo de desencanto.
Em um primeiro momento, parece que Agnelo não tinha assumido a dimensão política do cargo de Governador. Quis, por exemplo, ser secretário de Saúde, como se esta área seria consertada com algumas visitas.
A bem da verdade, o descaso dos últimos 12 anos em áreas como Saúde, Segurança, Educação, Transporte Coletivo e Habitação demanda o trabalho POLÍTICO de um governador 24 horas por dia. Agnelo, ao se cercar de pessoas com interesses políticos e em permanente disputa de espaço e poder dentro do Governo, acabou alimentando o fisiologismo. Falta ao GDF um gerente, alguém que tenha o perfil para fazer tecnicamente o governo andar e o governador poder fazer POLÍTICA – algo que hoje não lhe sobra tempo. Delegar a tarefa de fazer POLÍTICA é criar cobras dentro da própria casa.
Querer ser ao mesmo tempo gerente e político é perda de tempo.
Sem querer comparar, mas apenas para que se tenha um parâmetro real do que estou dizendo: Lula teve êxito porque não precisou se preocupar com o andamento da máquina, que ficou nas mãos de Dilma. Lula teve todo tempo do mundo para fazer política. É esta figura que falta no GDF de hoje.
É hora de sair da fase das visitas e partir para questões operacionais – algo que, cá entre nós, será quase que impossível com a atual equipe – e nem vou nominar aqui nomes que ocupam cargos e sua ação é pífia. E sua competência já ficou provada inexiste.
Agnelo e o PT precisam criar uma agenda positiva que faça com que a sociedade tenha a percepção de que o governo está funcionando. Como são muitas caras que continuaram, é preciso mudar o modo de chegar na sociedade. Uma medida positiva seria desativar aqueles postos da PM que o Arruda, de modo tresloucado e incompreensível, instalou no DF. Ali poderiam funcionar postos de atendimento ao cidadão – uma espécie de ‘na hora’. Algo precisa ser feito com aqueles cubículos hoje inúteis.
O governo não está mal, mas infelizmente não tem tido competência para dizer à sociedade o que está fazendo e como o quadro está sendo alterado aos poucos. Fez bem ao alterar a estrutura viciada que havia, deixando a publicidade nas mãos de uma pessoa de sua confiança. Errou, no entanto, ao confundir porta-voz com o responsável pela implementação das políticas de comunicação do seu governo. São coisas parecidas, assim como o vidro e o cristal são similares e tem na areia a sua origem e no calor a sua busca do ponto de fusão. Mas o porta-voz, vidro, pode ser qualquer um ou uma, enquanto que a pessoa a quem cabe o papel de criar uma política de comunicação do governo deve ser alguém lapidado, capaz, competente e que não se limite a emitir releases.
Vidro é vidro. Cristal é cristal.
Porta-voz é porta-voz. Secretário de comunicação é outra coisa – bem distinta.
Enquanto Agnelo e o PT não entenderem isso, continuará esta sensação de marasmo e de imobilismo – algo que seguramente agrada algumas pessoas (mesmo petistas) e principalmente os partidos hoje aliados e que, com tempo de fazer política, começam desde já a tricotar com vistas a 2014.