No DF, voto corporativo fragiliza a representação política da sociedade

25 03 2011

É notório que a cada nova eleição estamos acompanhando uma queda na qualidade da nossa (DF) representação política. Percebe-se uma espécie de nivelamento por baixo e ao contrário do que se poderia imaginar, o exercício do voto, pelo eleitor, não tem sido suficiente para arrancar a Câmara Legislativa da lama, do marasmo, do caos, do fisiologismo e de sua identificação como uma das mazelas e razões de muitos dos escândalos que nos são jogados a cada dia no rosto.
Tenho para mim que algumas razões podem nos dar uma certa luz para esta situação. Vou colocando-as, não na ordem de importância, mas segundo a formulação mental que vigora no momento da escrita.

1 – Prestação de contas

Tenho para mim que se trata da maior palhaçada. Faço e acompanho eleições para distrital desde 1990 e acho ridículo ler que deputado X ou Y gastou R$ 120 mil. Para aceitar tal disparate, a pessoa deve desconhecer os custos gráficos, o custo de combustível, o quanto se roda pelo DF em campanha, o custo de manutenção de cada comitê, as ajudas para cobrir custos de cafés, almoços e jantas.
Enquanto a prestação de contas for uma obra de ficção, será difícil acreditar em alguém que já começa mentindo – porque mesmo quem “dá” alguma coisa, depois contabiliza este valor e fará a cobrança devida pedindo no mínimo favores 100 vezes maiores.

2 – O malefício do voto corporativo

Digo, sem medo dos patrulhamentos e das cobranças: a predominância de distritais eleitos a partir de guetos corporativos é uma das razões da queda da qualidade da representação política. Claro está que alguém eleito pela Polícia Civil, por exemplo, estará comprometido a lutar pela preservação dos privilégios e regalias da corporação. Ao contrário do que se poderia pensar, seu compromisso jamais será com a melhoria da qualidade dos serviços na área de segurança pública, mas sim se limitará a defender os interesses ‘próprios’. O mesmo vale para a PM – e isto pode ser visto na quantidade de policiais civis, militares e bombeiros que estão fora de suas atividades ‘fim’.
A Câmara Legislativa deixou de ter o compromisso com o conjunto da sociedade e foi sendo repartida e fragmentada pelas corporações. Ninguém tem coragem de votar contra estas verdadeiras máquinas de chantagear e que só estão preocupadas em preservar os seus interesses, em aumentar as suas regalias.
Este mesmo entendimento tenho em relação ao chamado voto dos religiosos – quer católicos ou pentecostais. Porque a gente observa que existe uma tentativa de fazer do mandato uma ferramenta de barganha, para ampliar espaços.
Tenho para mim que o voto corporativo é a razão principal para a piora da qualidade de nossa representação política refletida na composição da Câmara Legislativa.

3 – Deputado foi eleito para ser deputado

Sou contra esta vergonha que é alguém ser eleito deputado distrital (o mesmo vale para vereador, onde houver; deputados estadual ou federal e também Senador) e ‘sair’ para um cargo no Executivo. Claro que isto jamais vai acontecer, mas eu defendo que a pessoa para aceitar a este convite para ser secretário ou administrador (no caso aqui do DF e de forma similar nos municípios, estados e também em nível federal), ele deveria renunciar ao mandato. Seria uma condição básica e de valorização do voto, de respeito ao eleitor.

4 – Quem é mais corrupto: eleitor ou político?

Esta dúvida me acompanha faz muito tempo… Há muitos anos vivencio a rotina de campanhas – aqui no DF desde 1990. A primeira delas deve ter sido em 1974 – quando Paulo Brossard, então no MDB, venceu Nestor Jost, da Arena, na disputa para o Senado. Apenas para ilustrar: Jost é da minha cidade, Candelária, ainda assim estive com o pessoal que ficou ao lado de Brossard – que ganhou inclusive no quintal do queridinho da ditadura. Pois bem… Tenho que confessar: a obrigatoriedade do voto é a ferramenta que o eleitor tem – e sabe usar muito bem – para barganhar o seu voto, para trocá-lo por algo concreto ou pelo compromisso futuro de lote, emprego ou intervenção política na defesa de algum interesse seu.
Não estou entre aqueles que pensam e defendem o eleitor como alguém ‘santo’.
Quem duvidar, fale com algum candidato e ouvirá relatos aterradores. O eleitor, obrigado a votar, tenta levar algum tipo de vantagem.
Qual o percentual do eleitor corrupto e que tenta levar vantagem? Eu creio que cada local tenha sua peculiaridade, mas aqui no DF, na minha opinião, deva ser da ordem de 70%. As pessoas até se justificam com argumentos pífios como: eu peço porque sei que depois ele vai roubar. Mas.. calma aí… a pessoa assume que vota num ladrão e que apenas está tentando levar alguma vantagem?
É preciso punir da mesma forma tanto o eleitor corrupto quanto o político safado. Político e política safados, para que fique bem claro que não estou me referindo a A ou B.

Apontamentos preliminares

Certamente este texto será adensado e terá adendos, complementos e remendos, na medida em que pretendo me debruçar mais vezes sobre a encruzilhada política na qual nos encontramos aqui no DF.





Cadáver fresco na praça: O PSD já nasce morto e inútil

23 03 2011

Idealizado como trampolin e esperteza, reles chicana de espertalhões para que o insosso Kassab possa migrar para o PSB sem correr o risco de perder o cargo de prefeito de São Paulo, o PSD já é um entulho político insepulto no seu nascedouro. Não se trata de um partido, mas um depósito mal-cheiroso e fedorento onde estarão empilhados cadáveres de entes públicos que só prosperaram pela extrema conivência do eleitor brasileiro com a fisiologia, com o oportunismo.
O que dizer então do PSB que flerta com figuras deste nível? Observando as reações de Erundina, cada vez mais me dou conta que falta aos políticos profissionais esta dignidade e indignação que ela tem manifestado. O PSB não pode, por pragmatismo, conviver com a presença de figuras assim tão deploráveis.
O que esperar de uma sigla que abriga sob o manto da impunidade figurar como Afif, Índio da Costa e outras viúvas que pulam de galho em galho em busca de sobrevivência política – sem nenhum compromisso ideológico?
Qual a linha doutrinária a ser posta em prática, não aquela escrita em suposto estatuto que pdoe ser copiado e adaptado facilmente a partir de modelos disponíevsi na internet. Como este novo partido entende o papel do Estado? Apenas como fonte de enriqueciomento dos políticos ou como essencial dentro de uma ação para atacar as origens de nossas desigualdades regionais? Qual o entendimento deles em relação ao Judiciário – hoje, seguramente o mais corrupto dos três poderes sobre os quais está ‘construída’ a nossa democracia?
Tenho lido com certo pavor os noticiários dando conta de que a sigla está sendo construída com o apoio de setores do Planalto para que atue na ‘base’ de sustentação do Governo Dilma. De quems erá esta genial idéia de fomentar o fisiologismo assim de modo tão escancarado? Qual será o gênio que terá tido a brilhante idéia de reunir todos os que apenas surrupiam em uma mesma sigla? Creio tratar-se de uma jogada digna de Golbery, quando atuou para que a sigla do PTB não voltasse para as mãos de Brizola e a entregou nas mãos de uma aliada fisiológica, moldável, adaptável, submissa, dócil e curvadamente agradecida (algo que em verdade continua sendo o veraddeiro perfil do PTB nos dias de hoje).
Pergunto, nesta manhã de quarta: alguém acredita na viabilidade política e eleitoral desta coisa chamada PSD?





Agnelo recebe direção da CUT-DF nesta quarta, 23

22 03 2011

Não habituado a conviver com o jogo de pressão e com a necessidade de compartilhar informações, afinal de contas toda vivência política de Agnelo se deu dentro do PCdoB que funciona como uma espécie de seita onde um decide e os outros obedecem em resignada hierarquia, o governador do DF está se dando conta de que precisa ‘entrar’ no PT. A avaliação de muitos petistas que hoje Agnelo apenas está filiado ao partido – sem no entanto ter captado as diferenças entre estar (filiado) e ser (do partido).
A percepção destes petistas é que as opções do governador também priorizam alguns petistas que não possuem uma vida dentor do partido, ainda que estejam filiados há muitos anos. Para estes, tais figuras sempre colocam em sua atuação política em primeiro lugar a tendência a qual são ligados, deixando o partido em segundo plano.
Para mostrar ao governador que ele precisa entrar e viver o processo político e dialético peculiares do PT é que um grupo de dirigentes está trabalhando arduamente para mostrar que ao se cercar de um grupo mais adepto da negociação e da mercantilização da política ele, Agnelo, pode estar caminhando para o suicídio político com a eclosão até mesmo de escândalos.
Foi preciso que o presidente do PT-DF, deputado Roberto Policarpo, chutasse o pau da barraca para que Agnelo retomasse com a realidade política. Sabe-se lá instado pelos conselhos de quem, mesmo há quase 100 dias no poder, somente nesta quarta-feira, 23, ele irá receber a direção da CUT-DF em audiência em Águas Claras – contando com a presença também de dirigentes da CUT Nacional que estão em Brasília até sexta em reunião de sua diretoria.
Estranhamente, Agnelo parece ter esquecido o papel que a CUT e os sindicatos a ela filiados desempenharam na sua campanha. Talvez por estar seduzido por novos aliados, mas a verdade é que Agnelo esqueceu totalmente o que assumiu com as categorias de servidores.
Será uma reunião tensa esta marcada para quarta-feira na residência oficial de Águas Claras.
Mas talvez seja o primeiro passo para Agnelo Queiroz definitivamente entrar no PT…





Comunicação é o ‘calcanhar’ do governo Agnelo (PT-DF)

20 03 2011

Ao assumir, Agnelo se deparou com um quadro de terra arrasada: serviços públicos sem funcionar; cascas de banana deixadas aqui e acolá por Rogério Rosso – com a assessoria do grupo de Roriz e até alguns raivosos ligados ao Arruda; lixo acumulado por todos os cantos; mato vergonhoso. Não teve, no entanto, habilidade para dimensionar junto à sociedade que isto não teria solução em um passe de mágica.
Além deste quadro, ele também contribuiu para um certo desencanto junto ao eleitor ao nomear e indicar como auxiliares diretos pessoas que tinham sido servis e serviçais dos governos Roriz e Arruda.
Esta situação gerou uma situação de perplexidade. Em alguns, até mesmo de desencanto.
Em um primeiro momento, parece que Agnelo não tinha assumido a dimensão política do cargo de Governador. Quis, por exemplo, ser secretário de Saúde, como se esta área seria consertada com algumas visitas.
A bem da verdade, o descaso dos últimos 12 anos em áreas como Saúde, Segurança, Educação, Transporte Coletivo e Habitação demanda o trabalho POLÍTICO de um governador 24 horas por dia. Agnelo, ao se cercar de pessoas com interesses políticos e em permanente disputa de espaço e poder dentro do Governo, acabou alimentando o fisiologismo. Falta ao GDF um gerente, alguém que tenha o perfil para fazer tecnicamente o governo andar e o governador poder fazer POLÍTICA – algo que hoje não lhe sobra tempo. Delegar a tarefa de fazer POLÍTICA é criar cobras dentro da própria casa.
Querer ser ao mesmo tempo gerente e político é perda de tempo.
Sem querer comparar, mas apenas para que se tenha um parâmetro real do que estou dizendo: Lula teve êxito porque não precisou se preocupar com o andamento da máquina, que ficou nas mãos de Dilma. Lula teve todo tempo do mundo para fazer política. É esta figura que falta no GDF de hoje.
É hora de sair da fase das visitas e partir para questões operacionais – algo que, cá entre nós, será quase que impossível com a atual equipe – e nem vou nominar aqui nomes que ocupam cargos e sua ação é pífia. E sua competência já ficou provada inexiste.
Agnelo e o PT precisam criar uma agenda positiva que faça com que a sociedade tenha a percepção de que o governo está funcionando. Como são muitas caras que continuaram, é preciso mudar o modo de chegar na sociedade. Uma medida positiva seria desativar aqueles postos da PM que o Arruda, de modo tresloucado e incompreensível, instalou no DF. Ali poderiam funcionar postos de atendimento ao cidadão – uma espécie de ‘na hora’. Algo precisa ser feito com aqueles cubículos hoje inúteis.
O governo não está mal, mas infelizmente não tem tido competência para dizer à sociedade o que está fazendo e como o quadro está sendo alterado aos poucos. Fez bem ao alterar a estrutura viciada que havia, deixando a publicidade nas mãos de uma pessoa de sua confiança. Errou, no entanto, ao confundir porta-voz com o responsável pela implementação das políticas de comunicação do seu governo. São coisas parecidas, assim como o vidro e o cristal são similares e tem na areia a sua origem e no calor a sua busca do ponto de fusão. Mas o porta-voz, vidro, pode ser qualquer um ou uma, enquanto que a pessoa a quem cabe o papel de criar uma política de comunicação do governo deve ser alguém lapidado, capaz, competente e que não se limite a emitir releases.
Vidro é vidro. Cristal é cristal.
Porta-voz é porta-voz. Secretário de comunicação é outra coisa – bem distinta.
Enquanto Agnelo e o PT não entenderem isso, continuará esta sensação de marasmo e de imobilismo – algo que seguramente agrada algumas pessoas (mesmo petistas) e principalmente os partidos hoje aliados e que, com tempo de fazer política, começam desde já a tricotar com vistas a 2014.





Veja e o exercício da desinformação

18 03 2011

A cada momento, um pouco mais do lamaçal no qual se transformou a Veja – que a exemplo de outros veículos optou por se transformar em instrumento de comunicação a serviço da direita retrógrada que viceja entre o esgoto e o lixo no Brasil.
A entrevista teria sido feita em setembro de 2010. Esta informação circula pela internet e em nenhum momento foi desmentida pela famiglia que controla a publicação. Ou seja: a patifaria é bem maior do que se pensa. A justificativa para a veiculação AGORA está no fato de que a referida entrevista teria sido concedida ao repórter Diego Escosteguy – alguém adequado para navegar e chafurdar em tais meandros.
Por conveniência política, foi engavetada. Imaginemos o estrago desta entrevista se ela tivesse sido veiculada em setembro de 2010… Quantos do que hoje ostentam mandato, teriam conseguido?
Ou seja… se faltava alguma ‘coisa’ na escala de decadência da Veja, esta foi a chamada pá de cal.
Agora, com a ida do Diego para a Época, a Veja sentiu que poderia ver a matéria publicada numa concorrente e para nãos er furada, colocou na edição online.
Ou seja: é pura lama e podridão.
Veja e Arruda, tudo assim… bem juntinho…





39,29% consideram ‘péssimo’ início do governo Agnelo

17 03 2011

Enquete realizada por este blog apontou que para 39,29% dos internautas que participaram, o começo do governo Agnelo/PT é péssimo. Esta sensação de que nada acontece no ‘novo caminho’ se dá por uma série de equívocos que são apontados pelos próprios petistas com os quais conversei nos últimos dias. Para eles, Agnelo hoje contabiliza muitos erros e não consegue ‘faturar’ com os eventuais e esporádicos acertos.
Falta coordenação, falta sincronia, falta competência, falta capacidade de trabalho, falta criatividade… nas conversas, depois de preencher alguma spáginas com avaliações negativas, resolvi nem mais anotá-las – tamanha a carga de críticas que são feitas pelos próprios petistas.
Enquanto isso, 20,54% o consideram ótimo. A terceira opção com 15,18% foi para ‘Espero que melhore’. ‘Não inovou muito’ teve 13,39% dos votos; ‘Acima do esperado’ obteve 8,04% e ‘Outro’ apenas 3,57%.
Ou seja: fica a impressão, a estranha sensação de que o governo Agnelo para muitos acabou antes mesmo de começar!





Governo Agnelo: risco de naufrágio apavora petistas do DF

17 03 2011

A letargia das ações governamentais, o amadorismo na formação da equipe de governo, a incapacidade política do governador de assumir compromissos e se desvencilhar deles, a falta de visão estratégica do cargo, a falta de sensibilidade na definição dos administradores regionais, a indefinição e a dubiedade da movimentação política do governador, a omissão diante da voracidade do vice que abocanhou as áreas estratégicas, um incompreensível alheamento do que acontece ao seu redor…
Estas são as opiniões recorrentes que a gente capta conversando com petistas de vários matizes e tendências. Dizem que até agora a marca do governo Agnelo é a omissão. Nem mesmo o povo da DS, corrente do secretários e deputados Paulo Tadeu e de Arlete Sampaio, e que foi a mais aquinhoada com espaço, cargos e poder, está contente.
Antes de completar 100 dias de governo, há uma sensação de frustração e desencanto com a tibieza de Agnelo Queiroz – que se cercou de um núcleo de amigos e, diante de problemas, acaba sempre se omitindo de tomar as decisões necessáiras. Tomado por uma percepção de infalibilidade, o governador não se dá conta de que manter alguns dos secretários escolhidos sabe-se lá segundo quais critérios é fazer naufragar ainda mais o seu governo.
E aqui, sejamos francos, ninguém leva a sério ou considera como real a possibilidade de haver alguma fita incriminadora de Durval contra Agnelo. O que está apavorando as pessoas é a falta de ação. Não houve rompimento com as antigas práticas – e muitos dos que se locupletaram com Roriz, Arruda e Rosso continuam nadando de braçada. Administrações regionais, como a do Guará, por exemplo, continuam nas mãos do grupo político que esculhambou a cidade, tornando-a um reduto de kits e um inferno por conta de prédios autorizados bem além do gabarito estipualdo pelos moradores em audiências públicas para a definição do PDL.
Agnelo, reclamam outros, é refém de esquemas com os quais fez acordos no afã de chegar ao poder.
A pergunta que fica: estes mesmos petistas que hoje temem pelo naufrágio… eles não sabiam o que estava sendo tramado? Há os que reclamam e ameaçam coocar a boca no trombone mostrando que Agnelo não está cumprindo acordos políticos e financeiros – um cenário que deixa petistas apavorados.





MPF alimenta central de boatos no DF?

13 03 2011

Como não estou entre aqueles jornalistas, blogueiros e nem ‘viúva’ de quem quer que seja que tem fontes, amigos, compadres e informantes dentro do MPF – Ministério Público Federal, só me resta esperar que aconteça durante a semana a derrama de vídeos que as verdadeiras viúvas de Roriz e Arruda vêm anunciando. Diga-se de passagem que é bastante questionável esta postura do MPF de ficar vazando informações e depoimentos, supostamente prestados sob segredo de justiça e muitas vezes amparado por instrumentos como a delação premiada e outras variantes. Terá o glorioso MPF o papel de alimentar uma espiral de fofocas – inclusive em revistas que se esmeram na arte de requentar informações?
Antecipadas e anunciadas com estardalhaço, as revistas apenas serviram para repisar velhos e surrados episódios. Não houve nenhum questionamento, por exemplo, acerca das razões que levaram Durval Barbosa a entregar a filha de Roriz. Fossem publicações sérias – Veja, Isto É e O Globo – e poderiam ter prestado um belo serviço à ética dizendo a quem interessa a renúncia de Jaqueline e o que ela traz de simbolismos.
Mas seria demais esperar algo de quem se vale de conversas de corredor, mesclando sensacionalismo e irresponsabilidade!
Desde o fim do carnaval tenho insistido com alguns interlocutores, mormente no twitter, se algum deles viu as tais ‘outras fitas’, tal a riqueza de detalhes que afzem questão de enunciar – dentro de um círculo de realimentação do boato e da fofoca. Percebe-se que há mais desejo do que amparo em fatos e na realidade.
Agora, a derrama de filmes está sendo anunciada para esta semana. Sabem até quantos são, o que demonstra a proximidade de muitos deles com Durval Barbosa. Sabem quais os personagens de cada um deles, o que supõe que tiveram acesso. Mas, questionados sobre conivência e cumplicidade – todos tratram de desconversar e cair fora. De fininho. Teve um que até tuitou durante o carnaval que as edições das fitas estavam em ritmo galopante.
Votei em Agnelo – e assumo meu voto. Mas não sou conivente com nenhuma forma de patifaria. No entanto, não acredito que seja um reforço para a democracia a sistemática disseminação de boatos. Percebe-se que tudo é jogado para a frente como forma, na tentativa de tirar o foco da única realidade jurídica e política inconteste: flagraram a filha de Roriz com a mão na massa.
O resto é boato – mesmo que seja, esta prática, alimentada pelo vazamernto do MPF.





Delação premiada ou autorização para chantagear?

11 03 2011

Foi preciso que alguém fora do viciado círculo político de Brasília resolvesse levantar a voz e dizer que está na hora de dar um basta nesta pantomima na qual se transformou o espetáculo deprimente que Durval Barbosa vem produzindo no DF, com a divulgação a conta gotas e a seu bel-prazer de farto material colhido na sua pratica criminosa de filmar reuniões e encontros. Volto a dizer: para mim, não existe bandido bom ou ruim. Sem querer ser maniqueísta, mas para mim existem bandidos e existem pessoas de bem. Um ato isolado, ainda que supostamente beneficie ‘meu’ grupo político ou atinja algum inimigo ‘meu’, mas praticado por um bandido continuará sendo um ato praticado por um bandido. O caminho para bandidos é a cadeia – depois de julgados e caso forem condenados pela Justiça.
É dentro desta ótica que vejo e lamento muito que as pessoas estejam si divertindo com o circo armado, onde nós, eleitores, somos os verdadeiros palhaços. Por isso saúdo o presidente da Câmara dos Deputados, o gaúcho Marco Maia (PT) ao dizer que a concessão da ‘Delação premiada’ implica na entrega de todo o material e não pode servir (interpretação minha) como escudo para a veiculação de ameaças e através de recadinhos – como pode ser lido em tuits e mesmo em blogs, onde supostas bocas de aluguel usam as chamadas redes sociais para a disseminação de boatos, tentando gerar um clima de apreensão e, quem saberá?, facilitar a prática de negociações excusas.
A fonte é sabida, mas a impunidade acaba gerando uma atenção desmerecida a tais figuras – muitas delas partes do mesmo lamaçal de onde emergiu o escândalo. Por vezes é hilário, noutras chega a ser patético o ataque sistêmico tipo: o rolo vai começar, as imagens estão sendo editadas, tem gente perdendo o sono… Cria-se a falsa impressão de que a classe política em sua totalidade é podre – clima propício, digo uma vez mais, para a perversa prática deletéria da generalização.
Há quem diga, de fonte segura, que a divulgação destas imagens de Jaqueline Roriz foi fruto apenas de desavença financeira e sensação de abandono. E que ao divulgá-las, estaria mandando um recado para algumas pessoas que não estariam cumprindo os acordos de silêncio, proteção e apoio já firmados. Volto a dizer: teve uma atitude correta o deputado Marco Maia ao não silenciar diante da pilantragem, de não calar diante da patifaria, de não pactuar com bandidos.
Se tem fitas/imagens com A, B ou C… que sejam divulgadas e que cada um assuma seus erros, responda por seus atos e se justifique perante o eleitor e trate de arranjar outra profissão bem longe da necessidade de referendo popular. É preciso emparedar o MP, que já se sabe também tem seus pecados, para que a coisa ande. Da mesma que respondo por meus atos e meus pecados, que cada um se vire pelo que fez – mesmo que tenha sido em alguém em quem eu tenha votado. Não me cabe pactuar ou passar a mão sobre a cabeça de ninguém. Quem errou que arque com as consequências.
Mas quero enfatizar: não é justo o MP e a PF manterem o benefício da Delação premiada para quem apenas a usa como escudo e nuvem de fumaça para manter-se no noticiário e usufruir outras benesses.
Ao circular por Brasília hoje de manhã, me deparei com toda sorte de ilações – mas não consegui encontrar nenhuma pessoa, independente de paixão ou facção partidária que tenha achado que Durval está divulgando estas fitas por ter algum compromisso com a ética e a justiça. A opinião pública que em um primeiro momento até pode ter visto no gesto do delator uma demonstração de hipócrito desejo de refazer o caminho, já descobriu que ele usa tais imagens para continuar usufruindo vantagens.
Que a PF e o MP cessem imediatamente os benefícios da Delação premiada e que ele passe a responder pelos crimes que já responde e por mais outros decorrentes destas práticas subterrâneas que fazem parte do seu modus operandis.





DF: Onda de boatos e leviandades outras

10 03 2011

Alguns se dizem colunistas, outros se apresentam como articulistas e tem aqueles que se escondem por detrás do epiteto de ‘jornalistas’, mas estes todos estão se esmerando nos últimos dias a uma só prática e rotina no DF: disseminar e realimentar os boatos que eles próprios criam. Formam-se grupos que atuam de modo quase que orgânico, focados no mesmo objetivo.
A bem da verdade, eles andavam sumidos depois da vitória de Agnelo. Voltaram com a montagem da equipe frankenstein que o nosso governador entregou para a população – que em alguns casos foi um verdadeiro soco no estômago dos que realmente (como eu) acreditavam e ainda acreditam (como eu) na proposta de um novo caminho.
Depois de um ou dois dias nos quais estas pessoas ficaram claramente ‘passadas’ por terem se sentido traídas por Durval – afinal de contas ele entregou um vídeo editado e cortado que jamais tinha sido apresentado no cineminha que rolava numa certa casa no Park Way.
A onda de boatos assim está servindo muito mais para disseminar vontades do que amparados pela realidade. Fala-se com tanta convicção de coisas que nunca foram vistas que chega a beirar a irresponsabilidade. Leio, observo e me reservo o direito de acreditar que não passa de um trauma pelo inusitado da fita onde a própria filha de Roriz está com Durval.
Tudo bem… tem gente dizendo, insinuando que os últimos dias foram de intensas atividades de edição de imagens – mas e se entre as imagens houver alguma de Roriz, por exemplo, com Durval? Sabe-se que ele, Durval, devolveu ao menos a um personagem todo o material que teria desta figura. Será isto verdade ou apenas um boato a mais?
O que eu percebo é que muitos dos coleguinhas estão mais inseridos no exercício de um papel do que comprometidos com a informação.
Dentro desta visão – não estou aqui absolvendo ninguém e muito menos dizendo ou julgando, estou apenas me posicionando: para mim, boato pode virar notícia quando estiver amparado em fatos e não atendendo a um desejo ou necessecidade pessoal. É também importante saudar a postura firme, enérgica e clara do presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia, para quem não tem cabimento alguim o Durval continuar usufruindo do instituto da Delação Premiada e ir soltando o material na base do conta-gotas, como se só liberasse depois de não obter vantagens. Suspendendo o benefício da Delação Premiada, ele voltaria a ser um reles réu – ainda que seja daquelas figuras de alto poder destrutivo e com uma carga de ódio muito grande.
Já disse antes e este é meu posicionamento via Jornal Passe Livre desde que eclodiu o episódio das fitas de Arruda: para mim, Durval não passa de alguém encrencado na Justiça. Para mim, não existe bandido bom ou bandido ruim. É preciso acabar com este circo – que hoje serve apenas para alimentar uma imensa rede de boatos que tem como fontes emissoras um grupo de viúvas. E que os envolvidos – inclusive magistrados, pessoal do TCDF, políticos, jornalistas e agregados em geral – paguem exemplarmente por participarem desta bandalheira.