Existem dores que ficam como marcas em nós

7 04 2011

Passei o dia entre conversas e reuniões e na medida em que sou um jornalista à moda antiga, daqueles que ainda não sabem usar as modernas geringonças tecnológicas que possibilitam mobilidade, somente agora, diante do computador, tenho tempo para tentar colocar em ordem os pensamentos que me atordoam desde quando eclodiu a barbárie do assassinato de crianças no Rio de Janeiro – contraditoriamente dentro de uma escola que, sempre se supõe, seja um ambiente seguro.
Escutei recortes de várias entrevistas com autoridades, com policiais, com psiquiatras forenses, com psicólogos e uma série de pessoas que tinham em suas linhas de raciocínio e de argumentação mais ‘quês’ de dúvida do que ‘porque’ de convicção.
A minha única certeza é de que esta é daquelas dores que ficam em nós como marcas, como um divisor de águas a nos chamar sempre de novo para a lembrança de uma cruel realidade: o homem opta de modo célere pela sedução da barbárie. O lado animalesco, antes contido por valores e parâmetros sociais, de repente torna frágeis os mecanismos de retenção da besta que vive ‘a solta’ e é parte do ser humano.
Tenho filhos como por certo tantos dos leitores que a cada dia por aqui passam neste universo virtual e imagino a sensação de ódio e de dor que permeia os familiares de cada uma das vítimas. O que aconteceu no Rio de Janeiro é destes episódios que mostram a que nível perigoso chegou a desestruturação do ser humano, o que uma besta pode fazer quando deixa de ter parâmetros em sua relação com o mundo.
De repente muitos de nós já estávamos acostumados com ataques de ‘serial killer’ em shoppings, universidades, igrejas e escolas lá nos Estados Unidos e em outros países. De certo modo, sentíamo-nos amparados numa segurança deque aqui, entre nós, isto jamais teria como acontecer.
E quando nos descobrimos passíveis de sermos vítimas de tais monstros, nos deparamos com tantas perguntas que permanecem sem resposta. Tenho medo que este episódio possa ter rompido o lacre e de repente nos vejamos permanentemente ameaçados, dentro da percepção de que o episódio no Rio de Janeiro pode não ter sido apenas um fato isolado.
Destarte todas as linhas de raciocínio, tenho para mim que existem alguns pontos que considero fundamentais – sem antes reiterar o verdadeiro asco que sinto pelo sensacionalismo que as TVs tentam dar a fatos desta natureza, desrespeitando a dor de quem foi vitimizado pelos disparos:
1. O papel novamente leviano de boa parte da mídia, servindo mais para gerar pseudo-verdades e como forma de disseminar preconceitos, amparando-se em ‘me disseram’ para formular perfis que buscam denegrir outras religiões, outros povos. Na sua busca por audiência, percebo que a mídia enveredou por um caminho de leviandade. Não há mais tempo para checar uma informação. O importante é jogar no ar e quanto mais chocante, melhor.
2. A transformação de bandidos em heróis, quando na realidade deveriam ser tratados apenas como pessoas que vivem em conflito com a Lei. A mídia dá um glamour a figuras de delinquentes, traficantes e assaltantes que tem seus atos retratados em horário nobre dos nossos telejornais. Esta exposição em destaque enseja uma percepção de que basta ser bandido para virar astro.
3. A existência de um processo mimético onde algum esquizofrênico de repente se identifica com uma situação análoga e que tenha acontecido em outro País mas que, repercutido pela TV no Brasil, pode instá-lo a querer ‘ser igual’ ao que ele usa como referência de sua insanidade.
4. A absoluta falta de valores que hoje domina o ser humano. Não é ser chato, apenas a minha sincera opinião: está faltando Deus na vida do ser humano.





Carnaval deve ser no fim de janeiro – I

9 03 2011

Antes de mais nada, vamos ser simples e diretos: nós vivemos em um Estado laico. Ao menos é isto que está disposto em nossas Constiutições desde a edição do Decreto119-A, de 17 de janeiro de 1890, que instaurou a separação entre a Igreja e o Estado – ainda que a Constituinte de 1988 tenha apresentado falhas legislativas e tenha propositalmente, na minha opinião, tentado repor a dubiedade no que diz respeito à citação de Deus no preâmbulo da nossa Carta Magna. Estou, inclusive, entre aqueles que advogam a revogação do disposto na letra ‘b’, do item IV do Art. 150 – mas isto é pano para outra abordagem.
O tema de agora é esta farsa de que a data do carnaval não pode ser fixa por conta de ser ‘parte’ de um contexto religioso. E não adianta vir com esta história de tradição ou de democracia, porque o carnaval hoje em dia pode ser tudo – menos popular e democrático. Isto posto, quero passar a defender aqui uma tese simples, amparada numa cruel constatação: no Brasil, o ‘ano’ só começa depois do carnaval.
Levando isto como algo sério, temos que assumir: o domingo de carnaval precisa acontecer no último domingo de janeiro. Trata-se de uma questão de compromisso e de respeito com aqueles que efetivamente querem fazer parte da construção de um novo País.
Do jeito que hoje está, é ruim para empresas, para escolas e também para quem trabalha.
Eu não vejo razão para esta besteira de ser a Páscoa – que eu como Cristão respeito e, ao lado do Natal, considero as datas magnas da Cristandade – um feriado móvel. Deixemos de lado a hipocrisia. A Igreja Católica que se vire, afinal de contas é apenas uma data de referência e, como disse no começo, vivemos um estado LAICO. Assim, se o Natal incide sempre no dia 25 de dezembro, qual a justificativa para a Páscoa ter data móvel?
Do ponto de vista do País, colocar o carnaval na última semana de janeiro elimina esta estupidez que joga tudo para ‘depois das festas’, como se a vadiagem de nossa classe política ainda precisasse de um argumento a mais. O mesmo valeria para o Judiciário, sendo que o Carnaval serviria como um fecho de ouro ao seu justo e merecido recesso.
Todo mundo sairá lucrando com o Carnaval na última semana de janeiro.
Veja o caso das escolas, públicas e privadas. Os próprios professores açulam esta percepção nas crianças desde muito jovens. Dia destes, conversando com os filhos sobre o andamento e a assimilação de novos conteúdos, disseram-me patéticos que ‘tudo vai começar pra valer depois do carnaval’.
Hora… somos um País que não pode estar preso a este tipo de desculpas, a um posicionamento assim leviano frente à vida.
Voltarei ao tema mais vezes, porque não tolero esta hipocrisia, este cinismo e a leviandade como o Brasil é tratado por suas ‘mentes dirigentes’ e por oportunistas de plantão.





Por trás da queda

3 03 2011

Confesso que ontem, depois do anúncio da queda de Emir Sader, fiquei preocupado com o rumo que este governo da Dilma está tomando. Volto a repisar uma tecla que me angustia: o PT já ocupou, no coração da elite, o espaço que antes era reservado ao PSDB. Se voltarmos ao começo dos anos 90, haveremos de nos lembrar que a agremiação tucana surgiu com um forte discurso social-democrata – que é hoje o retrato mais acabado deste PT.
A caminhada para o centro, sem preconceitos se aliando com agrupamentos de centro direita e de centro esquerda, já forçou os tucanos a adotarem um discurso de extrema-direita nas eleições de 2010. Digo, inclusive, se os tucanos quiserem sobreviver, terão de ocupar o espectro, o espaço e o campo que hoje está nas mãos do Demo, do PV, do PPS, do PTB e um sem fim de siglas que não chegam a se configurar em partidos – assumindo, também, a aliança com as alas mais conservadoras da maçonaria, tfp, udr, igrejas católica e pentecostais e outros grupos.
Com a ida do PT para o centro, com uma forte visão social-democrata nos moldes europeus dos anos 60 e 70, e com a ida do PSDB para a extrema-direita, há espaço sim para um partido de esquerda – ideia que deve mover boa parte de quem está no PSB, mas este sofre também pelo fato de sua cúpula ser de centro, com fortes pendores para a direita.
Assim… quem fica na esquerda? Nem Pstu e nem Psol dão sinais de capacidade política de transcenderem a dimensão de agrupamentos – com bons e preparados quadros, mas ainda carecendo de maior interação com o conjunto da sociedade, com dificuldade de levar a sua mensagem e sendo estereotipado até mesmo pela mídia, que acolheu o PT e rejeita divulgar as ações destes grupos efetivamente de esquerda.
Dentro desta visão, o episódio Emir Sader revela algumas questões fundaentais e isto ficou claro na extremada alegria com que comentaristas de TV, de jornais/blogues/portais e de rádio, ligados ao conservadorismo e obscurantismo da mídia comentavam que Ana de Holanda havia vencido a queda de braço contra os petistas. Também confirma, como já disse antes, que o PT hoje é o partido de centro que as elites adotaram.
Este episódio vem na esteira de outras ações de Dilma que deixam a militância de cabelos em pé, como a presença no convescote da Folha, nos programas de tititi e na relutância do governo de assumir a luta política pela regulação da mídia.
Para quem esperava que Dilma ajudasse a embicar o barco do governo um pouco a bombordo pode ir se acostumando com a certeza de que a timoneira está mais interessada em flertar a estibordo/boroeste. A travessia até 2014, ao que tudo indica, será de muitas e outras tantas frustrações de curso e não se admirem se esta mesma militância começar a trabalhar silenciosamente pela volta inexorável de Lula nas próximas eleições.





Jornalismo de Brasília está de luto

17 02 2011

Recebo do amigo e jornalista ACQ – Antonio Carlos Queiroz, a notícia da morte de um daquels que não se forjam mais na realidade do jornalismo dos dias de hoje. O que se foi e do qual logo em seguida transcrevo o texto emocionado e o relato esclarecedor que o ACQ mandou, este, o que agora é só saudade, era de um tempo onde lutar não era apenas uma expressão de fim de noite. Era um compromisso de vida, um referencial cotidiano.
Pessoas assim acabam fazendo muita falta, porque cada vez mais esta nossa profissão está sendo ocupada por oportunistas, sem comprometimento e sem ética.
O texto do ACQ serve para resgatar o Seninha. De minha parte, cabe apenas dizer que ficará o vazio e a saudade que poderemos e deveremos preencher com seus exemplos de lealdade e de dignidade.

Perdemos o companheiro Clóvis Sena, o Seninha

Perdemos, nessa terça-feira, 15, um importante membro de nossa Velha Guarda: o jornalista, poeta e escritor maranhense Clóvis de Queiroz Sena, aos 81 anos de idade, vítima de câncer abdominal. Ele foi enterrado às 11 horas desta quarta-feira.

Seninha, como era tratado pelos amigos, participou ativamente das lutas dos jornalistas de Brasília. Foi um dos fundadores do Sindicato dos Jornalistas e do Clube da Imprensa, e ocupou a presidência do Comitê de Imprensa da Câmara dos Deputados no período 1985 e 1986.
Durante 25 anos, no DF, foi correspondente do Correio do Povo, de Porto Alegre. Passou pelas redações do Correio Braziliense, do Jornal de Brasília, do Diário de Brasília, dos semanários José, O País e O Semanário, e dos Cadernos do Terceiro Mundo. Foi também servidor da Câmara dos Deputados.

Clóvis Sena era um democrata radical e defendia a ideia de que os jornalistas devem ter posição, sem prejuízo da objetividade. Como militante, cerrou fileiras com lideranças da oposição à ditadura militar, entre os quais o deputado federal Neiva Moreira, do antigo Partido Social Progressista (PSP), um dos primeiros cassados após o golpe de 1º de abril de 1964, e que participou da organização do PDT de Leonel Brizola na redemocratização. Sena iniciou sua carreira jornalística no Jornal do Povo de São Luís, de propriedade de Neiva, nos anos 50, exercendo as funções de repórter, redator, cronista e crítico de assuntos culturais. Na gestão de 1955-56, foi diretor da União Nacional dos Estudantes.

Além de jornalista, Sena destacou-se como crítico de cinema e de música erudita, poeta e escritor. São de sua autoria as obras: Neiva Moreira, testemunha de libertação (depoimento). Brasília: Movimento Brasileiro pela Anistia, 1979; Flauta rústica (romance). Brasília: Thesaurus, 1984 (2.ed., Thesaurus, 1985); Jornalismo de Brasília: impressões e vivências (co-autoria). Brasília: Lantana Comunicação, 1993; A queda de Ovídio (poema), distinguido com o 1º lugar do Prêmio Nacional de Literatura da Fundação Cultural do Distrito Federal, 1987; O senhor da cerimônia (poema), 1985; O arquipélago (poemas), 1989; Muitos cajus da vida (poema), 1990; Mitolavratura (poema), 1991; Poema do continente e das ilhas, 1991.

Sena foi membro do Conselho de Cultura do Distrito Federal; do Júri Nacional de Cinema e de diversos júris de festivais de Cinema de Brasília e de Gramado; da Associação Nacional de Escritores; do Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal; e da Academia Brasiliense de Letras. Ocupava a cadeira número 5 da Academia Maranhense de Letras. E foi vice-presidente da Associação Cláudio Santoro. Em 2006, recebeu o título de Cidadão Honorário de Brasília da Câmara Legislativa do DF.

Um depoimento do Seninha sobre a sua carreira e sobre as mudanças políticas ocorridas no País em meio século foi colhido pelo jornalista Paulo José Cunha para o programa Comitê de Imprensa, da TV Senado, e pode ser visto no seguinte endereço: http://tinyurl.com/4rqqtmz Nesse documentário ele conta que veio para Brasília, entre outras razões, por achar que aqui o chão ficava mais perto do céu.

Outro depoimento dele, sobre a história do nosso Sindicato e do Clube da Imprensa, está no vídeo “Cadê o Sindicato que estava aqui?”, de autoria de Luiz Turiba, à venda no SJPDF.

A Velha Guarda dos Jornalistas do Distrito Federal vai encaminhar à direção do Sindicato dos Jornalistas a proposta de Turiba de dar ao auditório da futura sede da entidade no SIG o nome de nosso querido companheiro. Será uma homenagem mais que merecida a um jornalista e artista que foi, antes de tudo, um lutador das causas democráticas e populares.





Jornal Passe Livre nº 482

5 01 2011

A edição 482 do Jornal Passe Livre estará sendo distribuída amanhã na rodoviária de Brasília. São 60 mil exemplares!
Na edição desta semana, entre os destaques:
– Hospitais não podem exigir cheque-caução
– Agência Brasília virou reduto de anti-petistas
– Governo Agnelo castiga o Guará mantendo a cidade sob o comando dos que a odeiam
– Arruda ensaia retorno
e muito mais…


Para ver em tela cheia, selecione “Menu” e depois “View fullscreen”





Governo Agnelo: nomes ou cogitações?

1 12 2010

Conforme a edição do Jornal Passe Livre 477 – que circulará amanhã aqui no DF e que terá sua edição online liberada às 19h aqui no site/blog – Agnelo Queiroz já definiu alguns nomes do seu secretariado e já tem gente ‘convidada’ convidando gente para trabalhar na equipe de futuras secretarias. Áreas como Comunicação, Saúde, Educação e Trabalho já teriam titulares definidos.
Quem está atuando de modo mais intenso é Campanella, ainda alojado na sigla do PMDB e próximo a Filippelli, futuro secretário do Trabalho.





Jornal Passe Livre 477 – Usuários exigem: Transporte público de qualidade!

1 12 2010

Em instantes, a versão online do Jornal Passe Livre 477 – que será distribuído amanhã na rodoviária de Brasília, com tiragem de 60 mil exemplares.
Na edição você poderá ler e saber:
– Agnelo Queiroz no Programa do Servidor da próxima terça-feira, dia 7
– O Brasil dá um ‘até breve’ ao presidente Lula
– Jogadores italianos marcam greve para os dias 11 e 12 de dezembro
– 255 mil brasileiros não sabem que são portadores de HIV
– Paulo Bernardo nas Comunicações é o fim da capitania hereditária da Globo na Esplanada dos Ministérios
– Hora de quebrar o monopólio do transporte coletivo no DF

Para ampliar, clique em ‘Menu’ (abaixo, canto esquerdo) e depois em View Fullscreen





No DF, bandidagem arma esquema para ‘emparedar’ Agnelo

18 11 2010

Meio por baixo do pano, mas não fazendo nenhuma questão de atentar-se aos cuidados e precauções elementares, o grupo criminoso que foi montado durante os governos Roriz – 1999 a 2006 – e que, pela chantagem, conivência e troca de favores, tornou Arruda refém de suas práticas (que continuam intactas no governo Rosso), está atuando fortemente no sentido de colocar Agnelo sob o seu comando.
Trata-se basicamente de um grupo de policiais civis aposentados, capitaneados por Durval Barbosa e Toledo, que se dizem credores de Agnelo por não terem fornecido o material de que dispunham para a campanha de Roriz e, em troca, agora, querem a manutenção de suas benesses.
É muito amplo e estranho o leque de atuação – vai de agências de comunicação com contratos com o GDF e que desavergonhadamente se extenderão pelo primeiro ano do mandato de Agnelo/PT. Mas é bem mais audaciosa a rede montada, inlcuindo a intimidação ao governador no sentido dele aceitar entregar a parte das finanças (Secretaria da Fazenda, BRB), das obras (Secretaria de Obras), transportes (cartelizado ao extremo – enquanto em Salvador atuam cerca de 70 empresas, no DF apenas quatro operam todos os serviços) e a questão fundiária (Terracap e legalização de condomínios e vistas grossas para invasão de áreas públicas – além dos interesses do Creci, Ademi & Cia).
A turma tem expoentes, além dos dois já mencionados. Figuras manjadas das tramóias, falcatruas e malversações de recursos e práticas desabonadoras como Brunelli, Luiz Estevão, Afrânio, Pedro Passos, Zé Edmar, Pedro Barbudo, Rosso, Welligton Morais (conhecido como Baiano) e que foi secretário de comunicação de Roriz por oito anos e fiel escudeiro de Arruda, Omézio Pontes – passando por pessoas do judiciário, ministério público, Tribunald e Contas do DF e União.
Em verdade, trata-se de herança de podridão que a passagem de Roriz e seu modo de fazer política – emporcalhando e enxovalhando as instiutições aqui no DF – conseguiu dar ares de normalidade e de imutabilidade. Será necessária uma urgente e profunda assepsia nas estruturas do pdoer no DF. E o desafio desta turma é impedir que Agnelo tenha condições de fazê-lo.
Quem irá vencer o embate?
Pelos sinais que estamos vendo, teme-se que o crime seja vencedor!





Baixaria dá voto?

22 10 2010

Me criei fazendo campanha no tempo em que se discutiam propostas. Lembro que participei da campanha do Brossard (MDB) contra o Nestor Jost (Arena) – mesmo o Jost sendo da minha cidade (Candelária-RS). Lembro ainda de um discurso, em 1974, do Brossard, feito no CTG Sentinela dos Pampas onde ele, com aquele sotaque de fronteira dizia: “Nós temos que perder o medo. Nós temos que voltar a acreditar na democracia. Esta noite não poderá ser eterna”.
Nesta reta final de campanha, lembro do Brossard (aquele que sendo um liberal, na oposição ao regime militar virou um democrata radical). Temos que perder o medo da imprensa. Temos que perder o medo do poder das trevas que o Serra representa. E nós aqui no DF, precisamos voltar a ter orgulho de dizer que somos ‘brasilienses’ e não partícipes de uma bandalheira como forma os oitos anos de Roriz e os quatro anos de Arruda.
Transcrevo a seguir o texto ‘de capa’ do Jornal Passe Livre que circulou hoje em Brasília – 150 mil exemplares distribuídos gratuitamente – na rodoviária, em Taguatinga, na Ceilândia e no Guará.

BAIXARIA DÁ VOTO?

Na medida em que se aproxima o 2º turno das eleições para presidente em todo país e para governador no DF e em outros estados, o eleitor volta a conviver com o estigma da baixaria e da mentira.
Mas o eleitor está cansado de tanta patifaria e de tanta armação. As ‘revelações’ da turma do atraZo e da campanha do Serra não conseguem mais ludibriar ninguém. O problema do Serra e da turma do atraZo é que eles gostam de tratar o eleitor como se ele fosse um burro, uma anta e não tivesse capacidade de entender que tudo não passa de coisas enjambradas, mutretas e vídeos editados.
As mentiras e a hipocrisia do Serra estão fazendo com que Dilma abra 12 pontos de vantagem na pesquisa do Ibope divulgada na quarta-feira, dia 20. Ninguém tolera a leviandade e a irresponsabilidade de alguém que no afã de conquistar a presidência acaba optando pelo ‘vale tudo’.
Este quadro de irresponsabilidade se repete aqui no DF, onde a turma do atraZo despenca nas pesquisas e na tentativa de sobrevivência, parte para um proselitismo político que revela a leviandade que norteia suas ações demagógicas. Quem eles pensam snsibilizar com a promessa de anistiar multas? Só aqueles que já estavam com eles e que adoram ilegalidades e falcatruas. O que a turma do atraZo esquece é que aqui no DF vivem também pessoas com dignidade e com responsabilidade – que, conforme o 1º turno, representam a imensa maioria dos habitantes.
Fala-se em coisas bombásticas, mas o eleitor está vacinado: vindo da turma do atraZo não tem credibilidade. Afinal de contas, são sempre os mesmos, usando os mesmos métodos – valendo-se do mesmo roteiro da mentira. Nesta reta final da campanha para o 2º turno é preciso ficar atento e prestar bem atenção. Muitas ‘denúncias’ serão lançadas ao ar, tentarão destruir a reputação de muitas pessoas, muitas promessas estapafúrdias serão anunciadas.
A turma do atraZo e o pessoal do Serra ainda não se deu conta que o povo cansou de ser tratado como massa de manobra, como se não tivesse capacidade de decidir acerca do seu próprio destino.





A TFP ainda apoia o Serra?

16 10 2010

Observando a reação de alguns amigos e amigas católicos – destes devotos, fervorosos e num certo sentido cegados pelo ódio – fiquei com a certeza que esta reta final de campanha terá um acirramento do ódio. Mas nãos erá apenas a continuidade do ódio pela Dilma. Conversando com católicos, percebi que eles hoje estão com ódio de Serra.
Em verdade, não sabem o que dizer. Não sabem como reagir. Apenas odeiam. Sentem-se traídos e enganados por Serra. A questão do aborto foi como a gota d’água – de uma série de mentiras que Serra e sua campanha vinham pespegando contra os adversários, tentando transformá-los em inimigos da liberdade, da fé e do seu (dele, Serra) direito de mentir.
Cansaram-se desta fantoche porque mesmo grupos abjetos como da TFP, da maçonaria e outros agrupamentos fascistas, porque mesmo eles tem alguns pudores éticos. Para estes, Paulo Preto soou como uma barreira, uma espécie de alerta. O suposto abor, a gota d’água.
Resta saber se a TFP ainda continuará dando apoio e guarida para alguém tão vil e descartável como Serra. Não só pela questão do aborto, mas pelo roseiral de mentiras e de trapalhadas.

Em tempo:

Que fique bem claro: não faço nenhum julgamento da opção que Serra e Mônica fizeram acerca do aborto. Alegar situação de ‘vulnerabilidade’ é tão óbvio que chega a ser risível: toda mulher e/ou casal é levado ao aborto por uma situação de vulnerabilidade. O que resta aguardar é se o Serra terá uma atitude de homem e vai ser solidário com a esposa Mônica ou vai deixar sobre os ombros dela a responsabilidade individual de uma prática que, no caso do casal, sempre é tomada pelos dois.