Grêmio campeão, mas ainda sem time

10 03 2011

Acompanhei aqui de Brasília, na companhia dos meus três filhos gremistas, a decisão da Taça Piratini – o turno inicial do Campeonato Gaúcho. A final foi contra o Caxias, dentro do Olímpico – mas quem sobrou em campo foi o time da serra gaúcha no primeiro tempo. E outra vez o Grêmio entrou com 9 em campo, numa teimosia incompreensível do Renato. Porque Carlos Alberto e Gilson podem ser gente boa, amigos e camaradas. Mas não são jogadores de futebol – ao menos não neste momento da temporada. Ou não são jogadores para o Grêmio.
O time do Lisca, treinador formado na base colorada e que tem feito uma carreira interessante em Clubes do RS, fez 2 a 0 e poderia ter feito mais – que não seria nenhum crime. Outra vez Renato teve de sacrificar muito cedo uma substituição, quando o paquiderme do Carlos Alberto saiu para a entrada de Bruno Colaço – arrumando um pouco a meia-cancha. Pode-se dizer que o Grêmio acho um gol com William Magrão quase no fim da etapa inicial e poderia até mesmo ter empatado numa cabeçada preciosa de André Lima que, como diriam os narradores de antigamente, tirou tinta da trave direita do goleiro.

Grêmio domina etapa final

O segundo tempo só teve um time em campo – mas daí esbarrou na defesa do Caxias, também por conta de apresentar num futebol burocrático. E foi amontoando gols desperdiçados – com Borges, com André Lima. A partir do meio da segunda etapa, o Grêmio voltou a contar com 11 jogadores, com a saída de Gilson e a entrada do Lúcio, aquele que é, na minha opinião, o ponto de equilíbrio de todo o time do Grêmio desde 2010 (naquela reação fantástica no Brasileirão). No primeiro lance, ele mostrou como se faz: Lúcio entregou uma bola precisa para Borges, mas o goleiro fez defesa no reflexo. Volto a dizer: Lúcio faz o time do Grêmio jogar com mais rapidez e qualidade.
Teve de tudo: expulsão, lesão e bate-boca – além de muita cera por parte dos jogadores de camiseta grená, mas apesar do amplo domínio do tricolor gaúcho a bola insistia em não entrar. Se na minha casa o clima era tenso, imaginemos só como estava a energia de milhares de gremistas.
Quase ao final, William Magrão que fizera o primeiro gol do Grêmio, salvou de forma espetacular aquele que seria o gol do título que subiria a serra.
Mas… com o Grêmio sempre tem um mas… no último lance, aos 49 do segundo tempo, uma bola levantada para a área e Borge dá uma ajeitada e Rafael Marques conclui empatando o jogo – levando a decisão para os penâltis. Então, outra vez entra o mas… Mas o Grêmio tem Vitor – que em 2010 pegou seis penalidades em jogos…
E foi ele quem pegou as duas primeiras cobranças executadas por atleteas do time caxiense. O Grêmio convertera todos – com Borges, Douglas, Rochemback e finalmente Lúcio, fazendo o gol que fez a torcida – 23.456 pessoas – explodir de alegria no Olímpico.

Teimosia e susto

Renato contou mais com a sorte do que com a qualidade do time ou a organização tática para conquistar o seu primeiro título treinando aquele que ele mesmo diz ser o seu time do coração, clube pelo qual ele conquistou os maiores e mais importantes títulos de sua carreira de jogador. Alguns jogadores já deixaram claro que não tem condições de estar nem ao menos no grupo do Grêmio – casos de Gilson, Carlos Alberto e Diego Clementino. Também deve ser só por birra que Renato insiste em jogador com dosi centroavantes de área. Bastos o time do Caxias encurtar os espaços e a dupla de ataque naufragou.
Que fiquem as lições que nem a conquista desta Taça Piratini é suficiente para jogar para um segundo plano. O time foi mal escalado e Renato precisa rever seus conceitos.

Alívio

Festa lá no RS, festa dos gremistas pelo Brasil afora e alegria dos meus meninos que, mesmo longe do RS, criaram uma garra e são parceiros para torcer pelo Grêmio. E eu sempre aviso: para nós, do Grêmio, tudo é muito difícil.
Mas… assim é o Grêmio…





Para PMN, Jaqueline foi ingênua. Alguém mais acredita?

9 03 2011

Transcrevo a seguir a carta de Jaqueline Roriz na qual ela anuncia ao PMN que ‘renuncia’ sua vaga na Comissão da Reforma Política. Depois, vem uma peça que é verdadeira obra de ficção e de cinismo: a carta do PMN. E, pot fim, a matéria veiculada pelo G1.

1 – Carta de Jaqueline

Ilma Sr.

Telma Ribeiro dos Santos
Secretária-Geral Nacional do PMN

Cara amiga,

Quando pleiteei uma vaga para o Partido da Mobilização Nacional, na Comissão Especial da Reforma Política, no colégio de líderes da Câmara dos Deputados, o fiz com a convicção de que o nosso PMN e seus militantes têm uma valorosa contribuição a dar a essa comissão.

A reforma política é necessária e essencial para o avanço da democracia no Brasil, para o seu aperfeiçoamento e para toda a classe política. O atual modelo é falho e precisa ser revisto com a maior brevidade possível.

Aprendi que os interesses da sociedade, de um grupo político, devem prevalecer acima de qualquer interesse individual ou vontade pessoal e, neste contexto, solicito a minha substituição na Comissão Especial representando o PMN.

Continuarei contribuindo com propostas que façam com que o País encontre mecanismos eleitorais ainda mais democráticos, que ajudem a minimizar as injustiças sociais do nosso Brasil.

Deputada Federal Jaqueline Roriz
Presidente do PMN do Distrito Federal

2 – Agora este primor de cinismo que é a nota oficial do PMN

Partido da Mobilização Nacional, em resposta ao questionamento da imprensa em geral acerca do acontecimento ocorrido em 2006, envolvendo a atual Deputada Federal Jaqueline Roriz eleita em 2010 por esta Agremiação, vem registrar o que segue:

-I- ao convidarmos, em 2009, a então Deputada Distrital para ingressar em nossas fileiras, o fizemos baseados nas informações então colhidas de se tratar de uma pessoa de boa índole e fácil trato, filha zelosa, mãe dedicada, esposa amantíssima, estimada pela população, com estabilidade financeira, interessada no exercício da ação política, permitindo-nos visualizar um futuro promissor e uma carreira em ascensão;

-II- lamentamos profundamente que com esse perfil – por moto próprio ou induzida por terceiros – tenha se deixado envolver ingênua e desnecessariamente numa prática nefasta, própria de agentes políticos de pequena expressão, com tibieza ética, moral e intelectual, sem horizontes e carreira curta;

-III- lamentamos igualmente a transformação do instituto da “delação premiada” num instrumento de manipulação política de que a sociedade brasileira não é merecedora;

-IV- lamentamos também que – com elogiáveis exceções – alguns jornalistas venham se especializando em promover antecipadamente e a seu bel-prazer o linchamento moral de algumas pessoas, quando é visível o “poupamento” de outras cujo enriquecimento súbito causa estranheza, tanta vez que incompatível com o currículo de atividades até então exercidas;

-V- por fim, não pretendendo invadir a competência dos Órgãos a que a matéria está e estará submetida, reserva-se esta Direção – sem prejuízo das providências internas que achar conveniente adotar, aguardar o desenrolar dos acontecimentos.

São Paulo, 09 de março de 2011

TELMA RIBEIRO DOS SANTOS
Secretária Geral Nacional

Por fim, a matéria veiculada no G! – o portal de notícias da Globo.

09/03/2011 15h59 – Atualizado em 09/03/2011 16h12
Jaqueline Roriz anuncia saída da comissão de reforma política

Deputada federal foi indicada ao cargo pelo PMN.
Ela aparece em vídeo recebendo dinheiro de pivô do mensalão do DEM.

Iara Lemos
Do G1, em Brasília

A deputada federal Jaqueline Roriz (PMN-DF), flagrada em um vídeo recebendo dinheiro de Durval Barbosa, delator do mensalão do DEM de Brasília, entregou nesta quarta-feira (9) um pedido oficial para deixar a comissão especial da reforma política da Câmara dos Deputados. Jaqueline foi indicada pelo PMN para o cargo.

“Aprendi que os interesses da sociedade, de um grupo político, devem prevalecer acima de qualquer interesse individual ou vontade pessoal e, neste contexto, solicito a minha substituição na Comissão Especial representando o PMN”, disse a deputada, por meio de nota oficial. A nota foi encaminhada à secretária-geral do PMN, Telma Ribeiro dos Santos.

No texto, a deputada critica o modelo político no Brasil. “A reforma política é necessária e essencial para o avanço da democracia no Brasil, para o seu aperfeiçoamento e para toda a classe política. O atual modelo é falho e precisa ser revisto com a maior brevidade possível”, disse a deputada.

A deputada, contudo, não fez nenhuma referência ao vídeo em que apareceu recebendo dinheiro do delator do suposto esquema de corrupção. O assessor da família Roriz, Paulo Fona, disse que a deputada não irá se manifestar sobre o vídeo.

Na manhã desta quarta, a direção do PMN divulgou nota afirmando que aguardará o “o desenrolar dos acontecimentos “sobre o caso Jaqueline Roriz (PMN-DF)”. O partido disse lamentar que Jaqueline Roriz “tenha tenha se deixado envolver ingênua e desnecessariamente numa prática nefasta, própria de agentes políticos de pequena expressão, com tibieza ética, moral e intelectual, sem horizontes e carreira curta”.

Ainda nesta quarta, a assessoria do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, informou que ele pedirá ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de inquérito para apurar o caso. Segundo a assessoria de Gurgel, o procurador-geral deve solicitar nos próximos dias a abertura de inquérito contra a deputada, que tem foro privilegiado e só pode ser investigada com autorização do STF.





Carnaval deve ser no fim de janeiro – I

9 03 2011

Antes de mais nada, vamos ser simples e diretos: nós vivemos em um Estado laico. Ao menos é isto que está disposto em nossas Constiutições desde a edição do Decreto119-A, de 17 de janeiro de 1890, que instaurou a separação entre a Igreja e o Estado – ainda que a Constituinte de 1988 tenha apresentado falhas legislativas e tenha propositalmente, na minha opinião, tentado repor a dubiedade no que diz respeito à citação de Deus no preâmbulo da nossa Carta Magna. Estou, inclusive, entre aqueles que advogam a revogação do disposto na letra ‘b’, do item IV do Art. 150 – mas isto é pano para outra abordagem.
O tema de agora é esta farsa de que a data do carnaval não pode ser fixa por conta de ser ‘parte’ de um contexto religioso. E não adianta vir com esta história de tradição ou de democracia, porque o carnaval hoje em dia pode ser tudo – menos popular e democrático. Isto posto, quero passar a defender aqui uma tese simples, amparada numa cruel constatação: no Brasil, o ‘ano’ só começa depois do carnaval.
Levando isto como algo sério, temos que assumir: o domingo de carnaval precisa acontecer no último domingo de janeiro. Trata-se de uma questão de compromisso e de respeito com aqueles que efetivamente querem fazer parte da construção de um novo País.
Do jeito que hoje está, é ruim para empresas, para escolas e também para quem trabalha.
Eu não vejo razão para esta besteira de ser a Páscoa – que eu como Cristão respeito e, ao lado do Natal, considero as datas magnas da Cristandade – um feriado móvel. Deixemos de lado a hipocrisia. A Igreja Católica que se vire, afinal de contas é apenas uma data de referência e, como disse no começo, vivemos um estado LAICO. Assim, se o Natal incide sempre no dia 25 de dezembro, qual a justificativa para a Páscoa ter data móvel?
Do ponto de vista do País, colocar o carnaval na última semana de janeiro elimina esta estupidez que joga tudo para ‘depois das festas’, como se a vadiagem de nossa classe política ainda precisasse de um argumento a mais. O mesmo valeria para o Judiciário, sendo que o Carnaval serviria como um fecho de ouro ao seu justo e merecido recesso.
Todo mundo sairá lucrando com o Carnaval na última semana de janeiro.
Veja o caso das escolas, públicas e privadas. Os próprios professores açulam esta percepção nas crianças desde muito jovens. Dia destes, conversando com os filhos sobre o andamento e a assimilação de novos conteúdos, disseram-me patéticos que ‘tudo vai começar pra valer depois do carnaval’.
Hora… somos um País que não pode estar preso a este tipo de desculpas, a um posicionamento assim leviano frente à vida.
Voltarei ao tema mais vezes, porque não tolero esta hipocrisia, este cinismo e a leviandade como o Brasil é tratado por suas ‘mentes dirigentes’ e por oportunistas de plantão.





Um pouco de luz para assustar quem vive das trevas

9 03 2011

Nasci no campo e cedo aprendi com meu pai que o meio mais seguro de evitar que as ratazanas não atacassem milhões, arroz, feijão e outros produtos guardados no galpão (paiol) era deixar a luz entrar nestes ambientes. Assim também é com as baratas, que vivem em esgotos e bueiros – basta tirar a tampa e correm desesperadas de um aldo para outro. É de lá que vem a expressão: correndo feito barata tonta.
Foi lembrandod e meu pai que resolvi tomar uma atitude e, pela reação, vejo e pressinto que se trata da mais correta: como os vermes continuam valçendo-se das redes sociais, dos grupos de debates e listas das quais faço parte para continuarem com a disseminação de mentiras e ataques furibundos e ensandecidos, tomei a decisão de passar a publicar tais aleivosias, tais diatribes no blog.
A publicação de um – que pode ser lido no link https://passelivreonline.wordpress.com/2011/03/03/a-direita-e-incansavel-e-burra/ – gerou reações de ameaças, arrogância, ódio e rancor. Mas tenho para mim que colocar estas visões e estes ataques doentios diante da opinião pública, disseminá-las para que mais pessoas saibma o que está sendo ‘distribuído’, é parte do processo de debater estas posições.
Longe de mim debater ou defender esta ou aquela bandeira. O que eu considero fundamental é que as pessoas debatam estes assuntos como parte de um processo dialético, não vociferando aleivosias e destilando e insuflando o ódio. Escrevi, e pode ser pesquisado neste blogue, um texto sobre os riscos de vivermos em um País sem uma oposição séria. Disse, inclusive, que o grande problema do Lula foi o fato de a oposição ter deixado de fazer política e se prestado ao papel de boneco manipulado pela mídia e pelas grandes corporações privadas.
O diacho é que este povo da oposição e seus porta-vozes obscuratistas não aprenderam com as sucessivas surras que levou. Perderam o rumo e o eixo e hoje observam, sem forças, a consolidação do projeto político que teoricamente deveria ter sido implantado pelo PSDB. Tenho para mim que o PT hoje domina o centro da cena política nacional, assumindo uma visão social-democrata – enquanto que a turma do Psdb e as exéquias do Demo e do PPS migram céleres para a extrema direita.
Por esta razão, volto a dizer: faz falta ao Brasil uma oposição política, uma alternativa de poder, um projeto diferenciado. Tanto é verdade a barafunda na qual os tucanos se meteram que a campanha do Serra chegou a usar imagens do Lula e em muitas eleições estaduais – mesmo aquelas vencidas por candidatos da extrema-direita, como no Paraná, SC, SP, MG e outros – os candidatos diziam que tinham boas relações de amizade com o Governo Lula.
Posso ser enfadonho e repetitivo, mas não vou desistir e nem mudar de batida: falta uma oposição política, um projeto alternativo para o País – para que a sociedade tenha como cotejar os dois (ou mais, se for o caso). Mas este projeto não emergirá,a na minha visão, destes grupos que hoje estão postados nem na extrema-direita (Psdb, PPs, Demo, PV e um sem fim de agremiações mais parecendo balcões de negociatas fisiológicas) e nem na extrema-esquerda (Pstu e Psol). E não emergirá porque os dois campos assim antagônicos pautam sua ação muito mais de olho na repercussão junto da mídia do que preocupados em mostrar para a sociedade que existem outras variáveis, outros caminhos.
Em relação aos textos do meu e-mail, volto a repetir e reiterar: eles serão sempre publicados, porque eu sei, afinal de contas nasci no campo e lembro bem de muitas das lidas campeiras, que elas não toleram a luz, nem a claridade.





Pegaram a filha de Roriz com a mão na massa!

4 03 2011

Uma verdadeira bomba explodiu nesta sexta-feira de pré-carnaval aqui em Brasília: o Ministério Público divulgou um vídeo onde Jaqueline, filha de Roriz e tida como a aposta do clã para continuar sugando as tetas do Estado, está, junto com o marido, pegando dindin com Durval Barbosa. Dindin e também pedindo estrutura para a campanha.
A despeito do teor explosivo do vídeo – que a exemplo do carnaval de 2010 coloca outro político da turma do atraZo na bica de ser preso ou no mínimo cassado – fica a pergunta: por quais razões só agora o MP está liberando este material? O que mais está guardado lá na ‘pinacoteca’? Durval entregou tudo de uma vez ou está entregando na base do conta-gotas? Se está afzendo a entrega por etapas, isto quer dizer que houve uma ruptura dele com Roriz?
Antes que me digam que não é pinacoteca, vou explicar: é cada quadro surrealista que vem surgindo… É neste sentido que digo ‘pinacoteca’. Coloco isto porque tempos atrás escrevi que queriam ‘caçar’ o Tiririca e vieram dizer que estava errado. Eu queria dizer caçar mesmo, de abater, de tirar do cenário…
Voltando ao post… Como fica agora a situação política dela? Já era uma deputada que frequentava um escalão abaixo do baixo-clero – e depois da revelação destas imagens fica a pergunta: Por que só agora?
A bomba serviu para alimentar a turma do boato, aqueles que juram saber toda verdade, cochichando e dizendo que a ‘pinacoteca’ de Durval é razão para tirar o sono de muitos azuis, verdes e vermelhos de todos os matizes. Pergunta-se: a quem interessa este jogo de soltar aos poucos o conteúdo do material, como vem fazendo o MP? Esta gravação tem continuidade? O que mais está guardado?
Enfim… lá está outra vez o nome do DF envolvido com podridão!





Três cores de emoção

2 03 2011

O Bruno Henrique, gremista de paixão e entrega, fez uma edição de imagens muito legal tendo como música Três cores de emoção – letra de Alfredo Bessow e música/voz do Lucas Araújo.
Valeu Bruno Henrique e que Deus sempre te mantenha este menino talentoso e especial.





Taça das Bolinhas: Serra é o vencedor

1 03 2011

Pesquisa realziada pelo blog do Passe Livre mostrou que, para os internautas, a famigerada Taça das Bolinhas – razão de antiga disputa entre Flamengo e São Paulo e cuja discussão ganhou força com a ordem da Globo para que a CBF reconhecesse o título do Flamengo de 1987 – quem merece levar o troféu para casa é José Serra.
Foi o seguinte o resultado geral:
1 – José Serra com 48,78%
2 – Rede Globo com 21,95%
3 – Flamengo com 14,63%
4 – São Paulo com 12,2%
5 – Eurico Miranda com 2,44%
Ou seja… aqui, Serra, o azedo, venceu!





Lembranças de um olhar diante do portão do cemitério

1 03 2011

Terça-feira! Dia de fechar as edições do Correio do Metrô e do Passe Livre. Mas eis que de repente me vem uma saudade sem fim de quem já se foi, mas segue vivo em voz, gestos, imagens e ensinamentos dentro de mim. São os golpes da vida…

A saudade

Alfredo Bessow

Era um fim de tarde,
talvez setembro se bem me lembro
ou quem sabe abril – como saber?
Era um fim de tarde destes quando o sol
espicha sombras a chamar a noite
Ali paramos, de a cavalo, em silêncio…
Um portão de cemitério é sempre gelado
por mais mãos que o toquem e abram
ele sempre fecha, como sina ou destino

E ali, olhamos e vi teus olhos
na única vez em que choraram
e quando negaciei o corpo pra apear
dissestes apenas que esperasse
que teu coração já estava voltando

De repente lanhastes a espora no pampa
que se bandeou num galope largo
como a carregar bem mais que meu pai
E me fui, a trote seguindo rastros
e colhendo ensinamentos

Hoje, quando chego no portão
do mesmo cemitério pra te rever
eis que te vejo sempre de novo
a me dizer: teu coração me visita
nos fins de tarde quando o sol
espichando sombras a nos juntar

Na distância do que jamais podemos ser
a cada dia o caminho constrói
um reencontro – a galope, a trote
nestas marcas do que somos
e que depois serão de outros
que hoje me acompanham em silêncio
diante do portão do cemitério…





Patrulhas ideológicas na blogosfera

28 02 2011

Passada a eleição de 2010, quando houve uma natural convergência e sinergia de todos os blogueiros inconformados – que alguns erroneamente ainda tentam enquadrar e estereotipar como ‘progressistas’ – em favor da candidatura de Dilma Rousseff (até para oferecer um contraponto de informação e de resistência ao apoio massivo da mídia tradicional em favor da candidatura de José Serra), é mais do que natural que as diferenças que antes eram relegadas a um segundo plano, passem a destacar os olhares distintos entre os vários atores daquela verdadeira batalha virtual que foi travada.
Para mim, o primeiro ponto de discórdia sempre foi a questão da tentativa de padronização partidária que alguns tentam impor para os blogueiros – como se todos tivessem que responder a uma só cartilha. Passo seguinte – e num certo sentido até anterior a tudo isso – foi a percepção de que um grupo (que eu chamo de panela) tentou servir de referência para todos os blogueiros. As coisas naturais também podem ser impostas e este grupo passou a agir da mesma forma que a grande mídia. Quis se transformar em emissor e fonte onde ‘los de abajo’ deveriam se espelhar e sempre reproduzir os seus comentários. É, em síntese, o mesmo procedimento que a chamada ‘grande mídia’ faz com a mídia sem grife, na infeliz expressão de uma certa secretária de comunicação.
Lembro bem que passada a eleição, esta panela conseguiu uma audiência/entrevista com o então presidente Lula. Fui o primeiro a denunciar que, a despeito da importância daquele evento, era uma demonstração de desrespeito da panela com o conjunto dos blogueiros. Deixei bem claro que ali não havia representatividade, tendo em vista que a escolha foi a partir de vínculos de amizade, de conveniências grupias, afinidades ideológicas/partidárias. Para falar a verdade, até hoje não sei o que foi tratado na entrevista, porque sou de um tempo onde o conceito de democracia só tinha valor com uma efetiva prática democrática cotidiana.
Estes assuntos que incomodam e questionam, são sempre escamoteados e eliminados por uma força tarefa que tem o papel de massacrar qualquer ponto de vista diferente. Existe um grupo dentro do grupo que tem o papel de dizer o que o grupo pode discutir. A blogosfera está em polvorosa, principalmente nos grupos de discussão. Onde antes havia uma condescendência com as diferenças, uma convergência por conta do desafio maior que era ajudar a derrotar o obscurantismo e o atraso, agora ficam cada vez mais claras as diferenças.
Assustados, alguns observam por exemplo que a presidente Dilma Rousseff e o seu partido, o PT, continuam mantendo a mesma política de bajulação da grande mídia. Parece que nem o PT e nem a Dilma aprenderam com as eleições de 2006 e 2010. Mas nisto não deve haver nenhuma surpresa, tendo em vista a imensa dificuldade do PT em trabalhar um projeto de comunicação que não seja de subserviência. Não é só o Suplicy, o Mercadante e o Vacarezza que fazem das tripas coração para ocuparem espaços na TV Globo, na Veja, na Folha e nos demais ‘grandes’ meios de manipulação e de desinformação. O ministro Paulo Bernardo, das Comunicações, por exemplo, está cada vez menos convicto de que vai ser possível efetivar a regulação dos meios de comunicação. E olha que ele ainda parece ser uma das poucas vozes comprometidas com esta bandeira.
Pode-se dizer que no campo da esquerda há um preconceito muito grande com posicionamentos críticos. Há um olhar torto e rancoroso para quem pensa diferente, para quem não tem o hábito de curvar a espinha. Talvez pela visão ‘partidarizada’ que sempre move as pessoas. Talvez pela compreensão, dos ‘capas’, de que eles sabem o que a raia miúda deve pensar. Talvez pela doutrinação excessiva, como se sempre houvesse um inimigo externo a ser abatido – real ou imaginário. Talvez por outra razão qualquer, mas a verdade é que o pensar diferente incomoda e quem o exercita, acaba sendo vítima das perversas patrulhas ideológicas.
Alguns aspectos causam pavor e espanto, principalmente porque há indícios de que muitos gostariam de monitorar e de tutelar a blogosfera, mantendo-a quietinha e ordeira, dentro de um comportamento que não contempla nenhum questionamento. Quando a presidente Dilma foi na festa da Folha, quem ousou criticar a atitude dela foi patrulhado – como se a nós, povo, fosse dado apenas o direito de aplaudir os atos dos ‘eleitos’.
Posso falar com tranquilidade sobre o assunto, porque o ato da presidente Dilma não me frustrou e nem me surpreendeu. Apenas confirmou o pior dos presságios que tenho comigo: deste mato, não vai sair cachorro. Basta observar que a visão que hoje domina o PT é muito semelhante a visão que as elites têm de boa parte dos assuntos prioritários para o País (deles). Ao migrar para o centro e flertar com grupos de centro-direita, o PT acabou se transformando na alternativa segura para boa parte das elites. Pode-se dizer, gerando ódios, que o PT acabou sendo aquilo que a elite esperava do PSDB.
Dentro desta minha visão, a ida da presidente Dilma para o regabofe da Folha foi um tapa de mão cheia na cara dos militantes, mas algo pra lá de natural dentro da visão – volto a dizer – de boa parte dos dirigentes petistas que sonham em fazer as pazes com a mídia, em serem aceitos pela mídia. Fazem de tudo para isso, inclusive deixam de lado a lei que deveria botar ordem no grande prostíbulo que é a comunicação em nosso País.
O quadro é desanimador, porque não há uma alternativa a esta situação.
Observo estarrecido a juvenilização, no pior sentido, dos preparativos para o II Encontro Nacional dos Blogueiros. A realização dos chamados encontros estaduais em lugar de servir prioritariamente para a discussão da realidade local, está sendo usado, de modo dissimulado, para a escolha da claque que irá para o Nacional. É dentro desta visão que digo que a partidarização da blogosfera é um risco muito grande – porque foi esta prática que acabou matando e tirando a representatividade da UNE, da CNBB, da OAB e de tantas outras instituições históricas. Ao servirem para defesa ‘corporativa’, acabaram se suicidando.
Sejamos francos, depois das eleições de 2010, quem ainda consegue levar a sério algum posicionamento da CNBB? E com as últimas diretorias da OAB, alguém ainda considera o posicionamento dela para qual coisa? E a UNE… que se transformou apenas em uma entidade em defesa do lucro das carteirinhas?
Quem não tiver bem claro o valor pelo respeito à diversidade de pontos de vista de quem faz a blogosfera precisa rever seus conceitos. Ou assumir o papel de dono da verdade. Não adianta bater no peito e se ufanar da democracia quando em nível pessoal coloca em prática o pior dos obscurantismos que é revelado pelo patrulhamento ideológico.





Eu defendo e apóio a CPMF

22 02 2011

Podem me xingar, podem me atacar – mas eu assumo e defendo: sou a favor da CPMF (com este nome ou com o nome que vierem a criar). E tenho esta posição não apenas pela convicção pessoal de que mais do que um tributo, a CPMF é um valoroso instrumento contra a sonegação, uma ferramenta eficaz em favor das ações da Receita e da PF contra a sonegação, contra a lavagem de dinheiro e contra os crimes do sistema financeiro.
Alguém já parou para reparar que depois do fim da CPMF, diminuíram as ações contra lavagem de dinheiro? Na realidade, a derrubada da CPMF foi uma cruzada conjunta da oposição política do Senado, segmentos empresariais que adoram sonegar, a mídia que precisava derrotar Lula e setores comprometidos do STF com toda uma engrenagem que não é salutara o Estado e aos brasileiros. O Senado rejeitou a CPMF e o STF armou um verdadeiro circo contra os grampos. Chegou a tal nível de ridículo que pela primeira vez tivemos a transcrição de um diálogo que nunca foi escutado por mais ninguém (aquele onde o senador Demóstenes, do Demo-GO, simulava uma conversa com seu velho parceiro Gilmar, ministro de FHC e defensor de FHC e seu legado no Supremo).
Pode-se dizer que a Fiesp bancou financeiramente a campanha contra a CPMF porque ela sabia e sabe – por isso já prometeu lutar contra a nova versão da CPMF – que da forma como ela foi elaborada – e olha, isto é um elogio a FHC! – ela representava sempre um risco para os contraventores, sonegadores e assemelhados. Não é errado também dizer que a outrora gloriosa OAB se posicionou contra a CPMF por uma prosaica e corporativa razão: tratava-se do único tributo, dentre o emaranhado tributário nacional, onde advogados não ganhavam nada.
Eu sempre achei estranho ninguém lutar pelo fim de coisas como Pis/Cofins – mas é compreensível: trata-se da maior fonte de corrupção e uma garantia de renda para muitos que são diretamente envolvidos na máquina de liminares e de pareceres. São milhares de ações e recursos para justificar a sonegação do Pis/Cofins e, portanto, não interessa terminar com este mecanismo que justifica preços e enriquece quem não produz e nem faz nada e penaliza os mais pobres…
Assim, é importante destacar: o retorno da CPMF – com qualquer que seja seu nome – é importante não apenas para injetar recursos na saúde – mas principalmente para oportunizar à Receita e a PF terem mais um mecanismo na sua luta contra a sonegação, a corrupção e a lavagem de dinheiro.
Por fim, um lembrete: os mesmos empresários, políticos, jornalistas e oportunistas que mentiam descaradamente dizendo que a CPMF tinha impacto final de 5% no preço dos produtos e serviços foram desmentidos pela realidade. A CPMF foi revogada e nenhum produto ou serviço diminuiu de valor.
Espera-se que desta vez o Governo tenha mais competência para enfrentar a guerra midiática que será travada. Basta mostrar a verdade e quais os verdadeiros objetivos dos que lutam contra a CPMF.