Sobre mensalões e os venais da imprensa

3 04 2011

Por qual razão a mídia golpista está requentando o assunto mensalão?
Por uma razão simples: se o STF não for constrangido e achincalhado pela mídia e for julgar apenas pelos autos e as provas já colhidas, poucos serão os condenados. Esta é a opinião de advogados, de pessoas que, sem a paixão política que o caso gera, conhecem todo o emaranhado de documentos.
Basta observar que existe uma espécie de ‘escada’: um veículo requenta bombasticamente um tema já surrado e então entra blogueiros, comentaristas e outras doidivanas a tratar de manter em pauta algo que já está morto.
É ridículo ler, por exemplo, no blog do Josias Souza que ele se arvora no páladino da verdade, na quinta-essência da ala das baianas da Opus Dei. A verdade dele é ridícula e só serve para iludir beócios e imbecis de várias classificações.
Joaquim Barbosa, o ministro do STF sob a responsabilidade de quem está a peça acusatória, já se deu conta de que como está, nada se sustenta. Perguntou coisas, quer saber de novidades para a PF. A bem da verdade, há três novidades:
1 – Menção a um filho de Marco Maciel;
2 – O surgimento da filha de Roriz no imbróglio (e onde não há um Roriz envolvido em falcatrua?),
3 – E a extemporânea inclusão de Aécio – totalmente sem pé e nem cabeça.
Mas, em lugar de retratar estas novidades e, portanto, mostrar que nada há de novo no que diz respeito ao suposto mensalão, a revista Época e os cães que ladram e as viúvas que se lamentam da perda do País que era só deles, revista e jornalistas estão colocando, de forma irresponsável, como sendo ‘novidade’, algo que já foi divulgado anteriormente.
Lá estão as três bombas – que de tão ridículas, vão jogando cada vez mais no descrédito a imprensa oficial da oposição:
1 – O caso do segurança pessoal do ex-presidente Lula.
Este assunto foi largamente veiculado pela imprensa em 2006, mormente pelo jornal O Estado de São Paulo.
2 – O suposto envolvimento de assessores do Ministro Pimentel.
Quando o assunto veio a tona, o hoje ministro demitiu todos os assessores que então trabalhavam com ele.
3 – O custeio da posse de Lula.
Algo que já foi admitido e assumido por Delúbio Soares, ex-Tesoureiro do PT.

De envergonhar

Ou seja: nada há de novo e o que poderia ser novidade, foi ignorado.
Está em curso uma cruzada para chantagear ministros, para submetê-los ao ridículo – para que abandonem a condição e magistrados e passem a ser condicionados pela opinião pública.
Tenho dito e volto a repetir: ao se reduzir a serviçal da mídia, a oposição brasileira se destruiu, sem nenhuma capacidade de articulação e interlocução com a sociedade. A oposição política pensou que o Brasil ainda era dominado e condicionado pela mídia. É ruim, muito ruim, para o Brasil que ele não tenha uma oposição com capacidade de pensar, de entender o que se passa no Brasil. A oposição perdeu o discurso político ao assumir o discurso de rancor e ódio imposto pela mídia.
A mídia, cega em sua cruzada messiânica, não se deu conta ainda de sua dissociação com o Brasil real e com os brasileiros. Incrível como este segmento não percebe a queda na venda de exemplares, a redução da audiência…
Esta pressão, esta chantagem a mídia faz e obtém algum êxito porque ela sabe que hoje só quem a lê, escuta, acompanha e leva a sério é uma elite pestilenta e enojante. Esta minoria é onde os magistrados também se movimentam, razão pela qual, de uma hora para outra, a mídia voltou a requentar matérias – dando ares de bombástica a uma informação que já foi veiculada anteriormente.

O verdadeiro mensalão

Mas se a mídia e a elite estiverem realmente interessados em algo escabroso e que tem muitas provas, basta se debruçar sobre o Mensalão Tucano de Minas, de 1998; a Lista de Furnas de 2002; os escândalos do Governo Yeda no RS (inclusive com mortes nunca elucidadas) e o Mensalão do Dem no DF – que, conforme Arruda disse em entrevista para a Veja, encheu de dinheiro o bolso de demos, tucanos e assemelhados.





Agnelo tem o desafio de tirar o GDF do mar de lama

2 04 2011

A Caixa de Pandora, tal qual na mitologia, depois de aberta pela Polícia Federal como parte de uma operação, está revelando toda a podridão que tomou conta da política no DF – depois de janeiro de 1999, quando a Capital de todos os brasileiros foi governada por Roriz durante oito anos, Arruda três, Wilson Lima alguns dias e Rogério Rosso poucos meses.
Mas, ao contrário do legado grego, é preciso mantê-la aberta. Tenho para mim, que depois de todas as revelações, há de sobrevir a esperança. Não é possível que nós, brasiliense, não tenhamos razões de continuar acreditando em um novo tempo.
Estive ontem à tarde em um evento no Buriti. Não tive estômago para ficar mais do que meia hora no local.
Confesso que fiquei enojado vendo figuras que se locupletaram nos governos podres que transformaram Brasília em sinônimo de lama e corrupção andando com perversa desenvoltura pelos corredores de um Palácio hoje ocupado por um governo que deveria portar-se unicamente pelo padrão ético. E o que mais me apavorou foi ver como algumas pessoas são facilmente seduzidas pelas amplas ramificações da bandidagem.
Estes últimos 12 anos serviram para enraizar uma cultura de podridão entre a classe política que certamente vai acabar atingindo muitos dos que usam discursos de moralidade. Que a sociedade faça uma limpa, mas é vergonhoso como o eleitor é manipulável, como ele aceita trocar seu voto por uma promessa, por um benefício ou simplesmente por dinheiro.
É ruim que continuem na equipe de Agnelo pessoas que tem sido constantemente acusadas de atos de clara improbidade – mantendo-se sob a ameaça de que, sem espaço, passariam para a oposição. Não entendo como pode o governo Agnelo estar tão capenga em termos de negociação política. Não tem lógica esta ambição e querer construir um governo com 22 dos 24 distritais na sua mão.
Já disse isso e volto a repetir: de que adianta o apoio de Agaciel Maia, por exemplo, se ele na verdade é controlado politicamente por Pedro Passos – seu apoiador e financiador? Nos corredores da Câmara Legislativa fala-se abertamente que o mandato de Agaciel é ‘cuidado’ por Pedro Passos – e ele sabe usá-lo indicando apaniguados seus para a Secretaria de Agricultura, para administrações regionais. Qual a vantagem de contar com o apoio de Benedito Domingos, político que usa a sigla para fazer negócios e beneficiar familiares? Estes são apenas dois casos, mas poderíamos aqui discorrer sobre como a casa legislativa do DF tem prazer em chafurdar na lama.

Mais escândalos

A cada nova semana, um festival de denúncias.
A cada dia que passa, mas podridão vem à tona.
Segundo um velho conhecido da Receita Federal, já aposentado, os desvios no DF seriam superiores a R$ 30 bilhões – entre subornos, corrupção, desvios, aumento de gabaritos de prédios, remissão fiscal e tributária, tráfico de influência, etc.
E que o meio mais seguro para lavar este dinheiro é através de fazendas com criação de gado, lojas em shopping (consta que um ex-secretário dos governos Roriz e Arruda é dono de 10 lojas em um só shopping no DF, todas elas em nomes de laranjas), aquisição de imóveis e carros através de consórcios.
Talvez isto explique porque no DF está o metro quadrado construído mais caro do País – havendo apartamentos que são vendidos por R$ 14 mil o metro quadrado. Sempre tive curiosidade em saber se a desculpa de que o terreno encarece a construção poderia justificar tal absurdo. Ao encontrar um engenheiro/empreendedor, divaguei sobre valores e cheguei a conclusão de que o que encare a construção civil do DF são os chamados sócios ocultos.
A coisa funciona mais ou menos assim: alguém entra com um projeto numa administração regional ou órgão do GDF. Para o documento andar, começam a ser feitas concessões. Para quem não sabe, cada administração regional é nicho comandado e controlado por um distrital. Assim, para que o documento seja liberado e a autorização para a obra saia, o empreendedor é obrigado a dar apartamentos que são escriturados em nome de laranjas, ou igrejas, ou empresas…

Hora de dar um basta!

Terá Agnelo coragem e força para dar quebrar esta cadeia?
É difícil saber, porque a corrupção acabou empoderando pessoas que hoje detém mandatos parlamentares. E foi de atl forma letal que acabou seduzindo até mesmo deputados e políticos do próprio partido do Governador. Para romper todo este esquema, apenas com transparência e sem passar a mão na cabeça de aliados. Existe uma engrenagem carcomida, com dentes podres e alavancas invisíveis, entraves com vida própria.
A saída do Secretário de Desenvolvimento Econômico dá bem uma dimensão do poder desta máfia. O mesmo acontece em áreas como da Agricultura, Terracap, Saúde, Obras, Transporte, Educação, Tecnologia… Sei de histórias escabrosas que são contadas por pessoas que descobrem fatos e percebem que o comando destas estruturas corrompidas continuam nas mesmas mãos que estavam nos últimos anos, a mostrar o quanto esta rede de proteção criminosa detém de poder.





Líbia: rebeldes entregam os pontos e, derrotados, querem negociar

1 04 2011

Alguns se mostrarão surpresos. Outros dirão que é 1º de abril. Até poderia ser, por conta de onde está veiculada a notícia caso eu buscasse a informação apenas na mídia mentirosa do Brasil. Mas a verdade é que Kadaffi não apenas está vencendo a guerra, como irá derrotar os chamados rebeldes – grupos de apátridas onde se misturam mercenários contratados pelos EUA, guerrilheiros da Al Quaeda de Bin Laden, traficantes de armas e de drogas.
Em verdade, aconteceu aquilo que já era sabido por quem acompanhou a cobertura da Telesur – hoje o melhor canal de jornalismo da América Latina. Mas a miopia da mídia brasileira, a boçalidade daqueles que ainda se pensam formadores de opinião e a estupidez daqueles que ainda se pensam como a ‘elite’ de nosso País, impede que ‘eles’ vejam a realidade com os olhos de brasileiros. Preferem olhar de cócoras, esperando para bajular o que vem do norte…
Precisamos parar de pensar que o que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil.
Pelo contrário: tudo que é bom para eles, é péssimo para nós enquanto País e povo.
Os rebeldes perderam a guerra porque Kadaffi tem apoio popular. Esta é a única verdade.
Vejam a matéria veiculado no portal Uol:

01/04/2011 – 08h30

Rebeldes líbios dizem aceitar cessar-fogo, mas com condições

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

Os rebeldes na Líbia afirmaram nesta sexta-feira estarem dispostos a um cessar-fogo, desde que algumas condições seja cumpridas. Entre elas, o recuo das tropas do ditador Muammar Gaddafi de cidades no oeste e a liberdade para o povo se pronunciar.

Mustafa Abdel Jalil, chefe do Conselho Nacional de Transição, no reduto rebelde de Benghazi, pediu a remoção das tropas de “mercenários” das ruas, antes de decretar o fim das batalhas.

“Nós não temos objeção a um cessar-fogo, mas na condição que os líbios nas cidades do oeste tenham total liberdade de expressão de seus pontos de vista”, disse Jalil, em entrevista coletiva ao lado do enviado especial da ONU (Organização das Nações Unidas) ao país, Abdelilah al-Khatib.

Ele alertou também que os rebeldes não vão abrir mão de uma questão crucial, que é a saída de Gaddafi e sua família do país.

Jalil disse ainda que os rebeldes precisarão de armas, caso as forças de Gaddafi não parem de atacar os civis, repetindo os pedidos de ajuda para enfrentar as forças melhor equipadas do ditador.

O presidente americano, Barack Obama, não descarta armar os rebeldes. Contudo, a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), que assumiu o comando da operação, rejeita a ideia –assim como a Rússia. Muitos questionam se é seguro dar armas a grupos desconhecidos e as consequencias disso após a guerra.

CONFRONTOS

Os combates entre as tropas de Gaddafi e os milicianos revolucionários continuam nas imediações de Brega, 225 quilômetros a oeste de Benghazi, segundo o porta-voz militar dos rebeldes, coronel Ahmad Omar Bany.

“Os confrontos continuam ao redor de Brega. As tropas de Gaddafi se encontram no oeste da cidade, a cerca de 30 quilômetros”, acrescentou Bany.

Segundo a agência de notícias France Presse, pela primeira vez os jornalistas não foram autorizados a acompanhar o confronto. Os insurgentes impediam a passagem da imprensa e dos civis pela entrada oeste de Ajdabiya, que leva à frente de batalha.

Os rebeldes mudaram de estratégia para enfrentar os leais ao dirigente líbio nos últimos dois dias, já que situaram membros do Exército na primeira linha de batalha. Na segunda linha estão as milícias de voluntários.

Nesta quinta-feira, as tropas de Gaddafi bombardearam as posições rebeldes com mísseis Grad e foguetes Katyusha.

Enquanto isso, a maior parte dos habitantes da vizinha Ajdabiya, a 65 quilômetros ao leste de Brega, fugiram da cidade por temor a novos ataques.

Se Brega cair nas mãos das forças governamentais, seu alvo seguinte seria Ajdabiya, uma cidade estratégica já que dela sai uma estrada que liga diretamente com Tobruk, ao leste de Benghazi, sem passar por esta última cidade. Sua conquista é chave para isolar a capital rebelde.





Zé Alencar – nem santo e nem demônio. Apenas humano

29 03 2011

Eu, a exemplo de milhares de brasileiros, acompanhei a luta estóica de Zé Alencar contra este famigerado câncer que é uma espécie de espada de Dâmocles a brandir e brilhar ameaçadora sobre a cabeça de cada um de nós. Sempre o coloquei em minhas orações, como coloco a todos os que não conheço – mesmo os que são meus inimigos apenas porque discordam dos meus pontos de vista.
Se para alguns o ser humano é o conjunto de suas próprias contradições, Zé Alencar é exemplo dos muitos ‘eus’ que vive em cada um de nós. Para mim, duas lembranças ficarão para sempre emoldurando a imagem do mineiro bonachão e bom de prosa, arraigado em sua fé.
De um lado, o empresário que teve coragem, convencido (segundo o Roberto Jefferson, do PTB, a custa de muito dinheiro) a ser vice de Lula – rompendo assim um estigma cuidadosamente criado pela mídia, colocando sob a imagem de Lula (e do PT) toda sorte de defeitos (alguns reais). Foi a vinda de Zé para ser vice de Lula que possibilitou quebrar uma barreira eleitoral e tornar-se palatável para a classe média.
Este Zé Alencar entra para a história como aquela figura que ajudou a mudar a história política nacional. E além do mais é um exemplo de dignidade, ao não aceitar que o tratamento médico fosse pago pelo governo, sempre bancando-o com a opulência do seu cheque. Quantos teriam a mesma dignidade?
Mas há um outro Zé, menos louvável e que nem por isso deve ser esquecido neste momento de sua morte. Foi o Zé que não aceitou fornecer material para o DNA que poderia determinar a obrigatoriedade dele em reconhecer a paternidade de uma filha supostamente sua gerada de uma relação com uma mulher que trabalhou com enfermeira em um clube em Caratinga. Para defender-se, Zé disse que se tratou de um affair regiamente remunerado – enfatizando em entrevistas que teve vários casos na zona e que não teria como se lembrar de todos.
Foi ridículo e patético escutar e ler esta grande figura reduzir-se a pouco mais do que nada com esta negativa. Para mim, ele é igual a Pelé ao não reconhecer uma filha tida de um relacionamento com uma pessoa humilde – antes da fama, antes do poder, antes de ficar rico.
São as múltiplas facetas, mas acima de tudo a revelação do quanto somos, em verdade, contraditórios e múltiplos. Algo que é superior ao mito e ao idealizado como símbolo e referência.
Descanse em paz, Zé.





A política como um negócio meramente familiar

27 03 2011

Não sei se é pelo fato de eu estar entre aqueles milhões de brasileiros que precisam trabalhar – e muito! – para garantir o meu sustento e o de minha família; não sei se é pelo fato de eu, a exemplo de milhões de brasileiros, não compreender a mágica do enriquecimento de algumas pessoas; não sei se tem algo a ver com minha dificuldade com a matemática desde os tempos que tive aula com a profª Domitila Rodrigues, lá no Ginásio Agrícola Gastão Bragatti Lepage; não sei se ficou faltando algo do período de confirmação com o Pastor Elmer Nicodemus Flor ou de minhas conversas com o também Pasor Aragão… mas a verdade é que não compreendo a cínica mágica de pessoas que sobrevivem, enriquecem, engordam patrimônio e ainda têm lucros sem jamais terem trabalhado.
Uma reportagem hoje, domingo dia 27, veiculada no Correio Braziliense pode ajudar um pouco a revelar esta mágica. Mas ela se refere apenas ao universo de uma família e sua ramificação no DF. Vou colhendo tantos exemplos de pessoas que nunca trabalharam e continuam bancando campanhas milionárias. Possoaqui citar uns 30 nomes, como os de Pedro Simon, Esperidião Amin, Álvaro Dias, José Serra, César Maia e seu filho Rodrigo, Aécio Neves, Marconi Perillo, ACM Neto, José Sarney e seus filhos Roseana e Zéquinha.
É importante que a gente se dê conta e se revolte contra uma perversa realidade: a nossa elite dirigente só briga quando está fora do poder por não ter acesso a benesses. Vejam o caso do velho e nada saudoso ACM com a OAS, corretamente de Obras para os Amigos do Sogro.
Por esta razão, sou totalmente contra toda a reeleição.
Na minha forma de entender o mundo, a pessoa deveria disputar um mando e ao fim do seu exercício deveria ficar igual período em alguma atividade produtiva – comprovando a manutenção do padrão de renda. Só depois ele poderia voltar a se candidatar outra vez. Já disse isso e vou repetir: vereador, deputado estadual ou distrital, deputado federal ou senador que saísse do seu cargo durante o mandato teria de renunciar.
A reportagem do Correio Braziliense deveria servir para uma demorada reflexão sobre estas pessoas que fazem da política a profissão e mesmo com o baixo salário, enriquecem, adquirem patrimônio e vivem impunes.

Organograma da Câmara Legislativa revela uma teia de apadrinhados políticos
Lilian Tahan

Ricardo Taffner

Publicação: 27/03/2011 08:16 Atualização:

Antônio Abrão Hizim é advogado, faz bico como vendedor de couro, mas o que tem lhe ocupado a maior parte do tempo desde janeiro é a rotina na Câmara Legislativa. Irmão da distrital Celina Leão (PMN), ele cuida de assuntos administrativos no gabinete da parlamentar, que mal inaugurou o mandato e já entrou na mira do Ministério Público e da Polícia Civil por suposto envolvimento em desvio de dinheiro em Samambaia e suspeita de conivência com a manutenção de servidores fantasmas na época em que era chefe de gabinete de Jaqueline Roriz (PMN).

Como outro funcionário qualquer, Abrão Hizim dá expediente na Câmara Legislativa. Sempre com uma pastinha debaixo do braço, circula com desenvoltura pelos gabinetes dos colegas de Celina. Foi Abrãozinho, como é tratado carinhosamente pela irmã, quem esteve à frente, por exemplo, da negociação de cargos e salários dos funcionários que compõem a equipe da deputada. Apesar da função que exerce, esse não é um caso clássico de nepotismo. Simplesmente porque Abrão não está formalmente contratado pela Câmara. Faz um “trabalho informal” e recebe “uma ajudinha financeira” da irmã. Abrão é casado com Camila Calazâncio, uma das enteadas de Manoel Neto, que era empregada do gabinete de Jaqueline Roriz entre 2007 e 2010. “Sou representante de couro aqui em Brasília, mas como meu trabalho é muito por telefone, acaba me sobrando tempo”, disse Abrão ao Correio. A deputada contou que recompensa a dedicação do irmão. “Abrãozinho me ajuda muito desde a campanha. Sempre que posso, pago umas contas para ele”, disse Celina.

Irmãos

A situação de Abrão é apenas uma das esquisitices do organograma montado pelos distritais com os cargos comissionados. Outra excentricidade: trabalham no gabinete de Celina três irmãos. Dois deles, Sandro de Moraes Vieira e Sílvio de Moraes Vieira, estão lotados lá oficialmente. O terceiro, Alcidino Júnior, tem rotina parecida com a de Abrão. Cumpre tarefas na Câmara em nome de Celina, mas não está oficialmente no gabinete. Na última terça-feira, Maria Balbina de Moraes Vieira foi nomeada com CL 14 de R$ 8,6 mil para a secretaria executiva da Comissão de Ética e Direitos Humanos da Câmara. Maria é mãe de Sandro, Sílvio e Alcidino e foi indicada para o cargo por Celina Leão, que é a presidente da Comissão. Antes, a família Balbino, como é conhecida na Câmara, era vinculada ao gabinete de Eurides Brito, cassada no ano passado por ter embolsado o dinheiro de Durval Barbosa.

Juninho, o Alcidino, não pode ter vínculo formal na Câmara, pois estaria em estágio probatório de três anos como técnico penitenciário. Conseguiu licença do emprego na Secretaria de Justiça sob o argumento de exercer atividades para o sindicato que representa a categoria. Porém é visto no dia a dia da Câmara, tendo acesso, inclusive, ao plenário, que é restrito a servidores da Casa ou do GDF com atuação na área parlamentar.

Jaqueline Roriz foi eleita para a Câmara dos Deputados, mas deixou herança no Legislativo local. Acomodou uma de suas afilhadas no gabinete da irmã Liliane Roriz. Angélica Veras dos Anjos era assessora de plenário de Jaqueline. É requisitada do Serviço de Limpeza Urbana (SLU) para atuar no Poder Legislativo. Entre os colegas, é vista com desconfiança. Há quem acredite que ela ainda mantém vínculos políticos com Manoel Neto, marido de Jaqueline e desafeto de Liliane, de quem é cunhado. Outra ex-funcionária de Jaqueline também foi mantida na Casa. Fabíola Pereira dos Santos ficou alojada no gabinete de Celina Leão por 11 dias e depois foi transferida para o bloco Avanço Democrático, do qual a deputada faz parte.

Engano

Jorcelino Teixeira dos Santos foi nomeado em 3 de fevereiro para o CL 3 no gabinete do distrital Raad Massouh (DEM). Ficou pouco tempo, apenas cinco dias, com um fim de semana no meio, mas o suficiente para causar estranheza. Em dezembro do ano passado, descobriu-se que Jorcelino era caseiro de Manoel Neto, mas recebia salário de R$ 2,8 mil. Ele é casado com Sandra Ribeiro Soares, que era lotada no gabinete de Jaqueline com salário de R$ 12 mil, mas trabalharia como empregada doméstica da então distrital. Raad Massouh disse que a nomeação de Jorcelino foi um erro. “Trata-se de um equívoco da minha chefe de gabinete, Ana Maria, reconhecido por ela própria. Nunca vi essa pessoa, nem sabia da existência dela. Não mandei nomear nem exonerar. Penso que alguém tenha tentado plantar esse funcionário em meu gabinete. Mas não colou, pois o erro foi corrigido de um dia para o outro.”

A teia de apadrinhados é comprida e complexa. Leny Eiró Dias de Oliveira pertencia ao gabinete de Jaqueline Roriz e foi nomeada para trabalhar com Celina Leão. O marido de Leny, José Flávio de Oliveira, é o chefe de gabinete de Liliane Roriz. Pessoa da confiança de Joaquim Roriz, ele trabalhou como secretário de Assuntos Parlamentares do ex-governador, de quem foi tesoureiro na campanha.

Giselle Ferreira de Oliveira trabalhou com Jaqueline Roriz e hoje está com Washington Mesquita. Ela é filha de Vera Lúcia Ferreira, que é apontada por ex-colegas de ter agido como laranja no gabinete de Jaqueline. O caso está sob investigação. Poliana Oliveira Melo atua como secretária parlamentar no Bloco Avanço Democrático na cota de Olair Francisco. Na legislatura passada, Poliana foi uma das principais servidoras do gabinete de Jaqueline, tendo, inclusive, chefiado o gabinete da então distrital. A permanência dela na Casa, no entanto, não pode ser atribuída a Jaqueline. Poliana se desentendeu com Manoel Neto.

Olair ainda ficou com o espólio de Júnior Brunelli, que assim como Eurides Brito, saiu do cenário político por ter se envolvido no escândalo da Caixa de Pandora. Getúlio Soares Novaes Frota foi chefe de gabinete de Brunelli e agora trabalha com Olair. Esses são alguns dos casos em meio a muitos semelhantes. Sinal de que os deputados até passam, mas os laços continuam.





Cadáver fresco na praça: O PSD já nasce morto e inútil

23 03 2011

Idealizado como trampolin e esperteza, reles chicana de espertalhões para que o insosso Kassab possa migrar para o PSB sem correr o risco de perder o cargo de prefeito de São Paulo, o PSD já é um entulho político insepulto no seu nascedouro. Não se trata de um partido, mas um depósito mal-cheiroso e fedorento onde estarão empilhados cadáveres de entes públicos que só prosperaram pela extrema conivência do eleitor brasileiro com a fisiologia, com o oportunismo.
O que dizer então do PSB que flerta com figuras deste nível? Observando as reações de Erundina, cada vez mais me dou conta que falta aos políticos profissionais esta dignidade e indignação que ela tem manifestado. O PSB não pode, por pragmatismo, conviver com a presença de figuras assim tão deploráveis.
O que esperar de uma sigla que abriga sob o manto da impunidade figurar como Afif, Índio da Costa e outras viúvas que pulam de galho em galho em busca de sobrevivência política – sem nenhum compromisso ideológico?
Qual a linha doutrinária a ser posta em prática, não aquela escrita em suposto estatuto que pdoe ser copiado e adaptado facilmente a partir de modelos disponíevsi na internet. Como este novo partido entende o papel do Estado? Apenas como fonte de enriqueciomento dos políticos ou como essencial dentro de uma ação para atacar as origens de nossas desigualdades regionais? Qual o entendimento deles em relação ao Judiciário – hoje, seguramente o mais corrupto dos três poderes sobre os quais está ‘construída’ a nossa democracia?
Tenho lido com certo pavor os noticiários dando conta de que a sigla está sendo construída com o apoio de setores do Planalto para que atue na ‘base’ de sustentação do Governo Dilma. De quems erá esta genial idéia de fomentar o fisiologismo assim de modo tão escancarado? Qual será o gênio que terá tido a brilhante idéia de reunir todos os que apenas surrupiam em uma mesma sigla? Creio tratar-se de uma jogada digna de Golbery, quando atuou para que a sigla do PTB não voltasse para as mãos de Brizola e a entregou nas mãos de uma aliada fisiológica, moldável, adaptável, submissa, dócil e curvadamente agradecida (algo que em verdade continua sendo o veraddeiro perfil do PTB nos dias de hoje).
Pergunto, nesta manhã de quarta: alguém acredita na viabilidade política e eleitoral desta coisa chamada PSD?





Arruda e o enterro do Demo

18 03 2011

Arruda, o vice dos sonhos de Serra, resolveu voltar à ativa.
Ninguém sabe se a entrevista é recente. Alguns acreditam que é coisa antiga.
Se for recente, indica que Arruda desta vez não vai deixar Durval comandar o espetáculo sozinho.
Se for coisa antiga, de antes das eleições como acreditam alguns, então a Veja terá cometido um crime – mais um! – na sua vasta folha corrida de compromissos com a desinformação. Lembram da tórrida história do grampo sem áudio? Por ironia, nas denúncias de Arruda e no episódio do grampo, uma figuira perversa e patética permeia as duas: o senador careca Demóstenes de Goiás.
E fez de tal forma que enterrou numa só lapada o Demo e deixou bem claro que pode puxar o Psdb para a cova também. Aproveitou para chamuscar o PT do Goiás, mormente pela parceria no Entorno, e lembrar de sua estreita amizade com Cristovam – algo que todos aqui no DF já sabem muito bem! Sobre o Cristovam, a revelação do Arruda fez voltar na pauta das conversas aquela história de que o ex-governador do DF só entrou na campanha para bater no Lula. Algo que a Marina fez em 2010, desta feita batendo na Dilma… E foi dando nome aos bois… melhor, aos nobres e honestos Demos, puxou para o lamaçal os tucanos e daí resolveu ainda poupar nomes, jogando tudo nas costas do Guerra – tudo figuras ilibadas. Ícones do moralismo. Impolutos, singulares – bandidos que cada vez mais se sabe apenas ganaciosos e vulgares.
Estranhamente, ao menos por agora, resolveu poupar Aécio – mas poderia, por exemplo, dizer que trouxe e ainda está com contrato em vigor a Agência Nacional, empresa de BH que aportou por terras candangas em contas de muito dinheiro do GDF a pedido do governador mineiro. Reciprocidades.
O enterro do Demo chegou a ser patético: Arruda – ou terá sido Serra? – deixou que o partido elegesse um novo presidente e o alvejou na lata – Agripino Maia. Seria interessante dar uma olhada na prestação de contas da Micarla e ver se tem o dinheiro doado pelo Arruda. E de todos os demais mencionados.
Vingativo, também detonou Kassab, esta figura estranha, um ser meio anódino. Surgiu do nada e para o nada voltará. Muitos são os que dizem que a vingança do Arruda um dia chegaria – e pelo visto chegou ceifando diguras e dizimando ainda mais onde já havia apenas escombros, perfis fantasmas e ranços.
Vale a pena ler a entrevista que o Arruda deu para a Veja – antes ele tinha dado muito, mas bota muito dinheiro nisso para a revista. A entrevista vale pelas revelações, pelas confirmações -mas também porque elas oferecem um contraponto às gravações do Durval e possibilitam uma leitura mais demorada do perfil corrupto e perverso de Demos, Tucanos e a papagaiada do PPS.