Serra e Globo mentem: 2º objeto nunca existiu!

22 10 2010

Antes de começar:
A Globo mente. O Serra mente.
Vejam neste blog a prova de que o 2º objeto é ‘adição’ gráfica. Ou seja: pilantragem.
Méritos na difusão do blog acima devo ao twitter da @Alice_Alvarez – que por sua vez foi informada pelo pessoal do Tomando na Cuia (@tomandonacuia).
Nunca esquecendo: Molina é especialista em ‘voz’. Mas hoje se sujeita a qualquer serviço. Atuou no caso Nardoni, tentando inocentar assassinos. Já foi desmascarado pela PF. É apenas um venal a mais a serviço do Serra.

Isto posto…

Eu bem sei que está todo mundo estressado.
Esta reta final de campanha vai ser um ‘Deus nos acuda’ da gota serena.
Hoje, por exemplo, circula a edição 465 do Jornal Passe Livre – na rodoviária de Brasília com 150 mil exemplares (pró Dilma e Agnelo e sem apoio de ninguém, mas que sobrevive graças a ação de amigos sonhadores tais quais este que vos escreve). E semana que vem será diário – de terça a sábado…
Eu sei que está em curso uma batalha muito interessante. De um lado a Record e o SBT. De outro a Globo e suas afiliadas operacionais e aliadas da imbecilidade (Band, RedeTV, etc).
Uma pena que o Governo Lula não teve culhão para, a exemplo do que fez Getúlio, apoiar a criação de um grande jornald e circulação nacional e que neste momento poderia fazer um contraponto as asneiras da Folha e outros papeis de embrulho.
Na medida em que os tucanos desdenham a diferença de 12 pontos pró-Dilma que os institutos apontam, quero lembrar que prefiro estar 12 na frente do que um atrás…

E sobre o azul e o vermelho?

Acontece que muito além das questões políticas, domingo – dia 24, tem Grenal. Assim, neste domingo sou azul. Espero que o Grêmio ganhe – confirme o melhor momento e tudo mais.
Assim, mesmo sendo gremista, vou fazer minha festa em vermelho no domingo dia 31. Mas neste caso, será a festa de todo um Brasil que luta, sonha, espera e quer fazer de todos os brasileiros parte de suas conquistas.
Nós não podemos aceitar a volta daqueles que querem o Brasil apenas para bancar os sonhos das elites. Eu quero, sonho, defendo e luto por um Brasil que seja meu, seu e de todos os ‘eus’ que se esparramam Brasil afora.
Assim, no domingo (dia 24), estarei na ponta das chuteiras de cada um dos jogadores do Grêmio, na possibilidade de uma cabeça para salvar e nas luvas de milagres de Victor – como um dia foram de Mazaroppi.
Depois, no outro domingo (dia 31), meu coração estará no coração de todos aqueles – e aquelas, para não ferir suscetibilidades – que, com o seu coração, com os seus sonhos, estaremos ajudando o Brasil eleger Dilma.





Alguém precisa abrir os olhos da Dilma…

18 10 2010

Um dos grandes enigmas e ao mesmo tempo desafios é compreender as razões pelas quais a coordenação da campanha de Dilma Rousseff à presidência tem tanta lerdeza para reagir. O grupo de humor do passado com que os petistas costumam tipificar a habilidade e a agilidade do trio composto por Palocci, Dutra e Falcão vai muito além da angústia de quem não consegue canais e nem mecanismos para se fazer ‘escutar’.
Faz tempo que são emitidos sinais de alerta acerca da ação suja do pessoal do Serra na blogosfera. Há equipes contratadas para disseminar material mentiroso contra Dilma. Aqui mesmo de Brasília foram contratados jornalistas com o intuito exclusivo de, contratados por jornais, preparar material pró-Serra. Fossem petistas, diria que estariam sendo preparados dossiês. Como são tucanos, é trabalho…
Hoje à tarde, conversando com amigos do interior da Bahia, recebi a informação de que a mentira do Serra do salário mínimo de R$ 600,00 tem um poder devastador. está virando votos em tudo que é canto. E o que faz a coordenação da campanha? Vão ficar tais quais songa-monga andando de um aldo para outro, esperando o repórter da Globo ou o jornalista da Veja ou a repórter da Folha?
Mais: para quem vive nos grotões e pelo interior, pré-sal e Paulo Preto ou Afrodescendente não quer dizer nada. Pré-sal e Paulo Preto interessa para quem já tem o voto definido. O povo é na sua essência moralista.
Ontem à tarde, domingo, conversando com vizinhos e explicando o imbróglio do aborto do casal Serra, me disseram: ah, duvido… ainda não deu no Jornal Nacional. E o que pode fazer a Dilma ganhar não é o pré-sal e nem o Paulo Preto. O que pode fazer a Dilma ganhar é falar o que o povo quer escutar.
Ontem no debate da RedeTV a Dilma foi professoral, foi explicativa. Foi convincente para quem quer saber de projetos. Mas deixou a desejar no que diz respeito a clareza. Por exemplo: o Serra falou dos cursos do FAT e quem vive em Brasília haverá de lembrar que os cursos do FAT tinham o padrão ‘Walita’ e não qualificavam coisa alguma. Aqui no DF como em várias partes do País serviram apenas para enriquecer pessoas. Faltou ela saber dar nome aos bois. O diacho é que como a coordenação é marcada pela mesmice do ponto de vista, sem espaço para o divergente, Dilma que é mais qualificada do que Serra e tem melhores propostas do que ele, ela se perde.
Além de dar nome aos bois, Dilma precisa dizer sim que a privatização da telefonia foi uma grande picaretagem. Que as empresas não investiram em estrutura física e a ampliação da base de ‘telefones’ foi em decorrência de avanços tecnológicos. Que o brasileiro, o mecânico, paga até 9 vezes mais caro pelo telefone pré-pago no Brasil do que em outros países.
Outra questão: mostrar quais as empresas que o Serra privatizou no Governo Federal e enquanto Governador de São Paulo. Ontem a Dilma insistiu na Cia de Gás – mas não falou da aquisição da Nossa Caixa.
è preciso desmentir Serra no que diz respeito ao Banco do Brasil. Mostrar a ata do Ministério do Planejamento preparando o BB para a privatização. Dizer quanto foi gasto na tentativa de trocar o nome do Banco do Brasil para Banco Brasil ou de Petrobras para Petrobrax.
Dilma não reage quando Serra mente deslavadamente sobre o loteamento de cargos no Governo Federal sob o comando do Lula/PT – como se esta não fosse uma prática constante de TODOS os governos. Ou a Dilma e a sua maravilhosa coordenação não sabem do Roberto Freire, do PPS de Pernambuco e membro do conselho de administração de uma empresa pública paulista? Ou isto não é loteamento?
É sabido que Serra mente. Mas o que os iluminados da coordenação de Dilma não sabem é que estas mentiras – salário mínimo, aborto e etc – estão colando. E que depois não digam que não foram avisados.
Reitero o título do post: alguém precisa abrir os olhos da Dilma! E não acredito que a atual entourage que a cerca tenha interesse em fazê-lo – preferem perder com a arrogância do que vencer abrindo mão de seu poder…





Governo Lula financia o ‘câncer’

14 09 2010

Ao se omitir de partir para o enfrentamento da máfia midiática, o governo Lula prestou um imenso desserviço à democracia. Pode-se arghumerntar que o pragmatismo lulista optou por não criar atritos com um setor oligárquico e onde a prática mafiosa e de quadrilha é lei. Mas não precisava envolver-se na lama que cerca este segmento. E é preciso dizer sim: o governo Lula foi conivente com a mídia – a começar pela estrutura da Secom, que sempre se pautou por parâmetros ‘tucanos’ na distribuição de verbas.
Não passa de ardilosa falácia dizer que o governo pulverizou as verbas publicitárias, quando isto é apenas uma verdade forjada em números absolutos. O governo Lula foi conivente ao não ter uma política séria, responsável e consequente para o fortalecimento da comunicação comunitária, independente e verdadeiramen te alternativa.
Ao deixar a Secom nas mãos de pessoas comprometidas com o sistema – oriundos da grande mídia e trazendo consigo toda sorte de preconceitos – o governo Lula que tantos avanços teve em outras áreas, no setor da comunicação social foi um retrocesso. E só não está pior por conta da ação dos blogueiros – que ainda são acusados de receber dinheiro do governo e do PT.
Como se explica que um governo popular e democrático insiste em despejar milhões de reais mensalmente nos cofres de empresas como Abril, Globo, Folha, Estadão e RBS – que não passam de ‘câncer’ a carcomer e destruir o tecido social?
O que justifica colocar egressos da TV Globo a comandar a comunicação do País – Hélio Costa, no Ministério das Comunicações; Franklin Martins, na Secom; Tereza Cruvinel, na EBC. Será que só na TV Globo existe competência? Será que não existem pessoas mais capazes e capacitadas?
Cada um destes foi colocado por um razão estratégica – lembrando sempre que o Ministério das comunicações é uma espécie de capitania hereditária onde a TV Globo manda e desmanda. Não deve ser só por acaso que no governo Lula as chamados rádios alternativas e comunitárias viveram seu período de maior perseguição. Não deve ser por acaso que a Conferência de Comunicação foi a última aser realziada – porque quem esteve na ‘coordenação’ foi alguém indicado por Hélio Costa.
No caso do RS, é ainda mais vergonhosa a cumplicidade do Governo Federal e tenho inclusive solicitado a muitos de meus conhecidos jornalistas em atividade lá que perguntem ao Tarso Genro se ele vaio continuar se ajoelhando para a RBS, se ele vai continuar mantendo a relação promíscua com a RBS – ou se vai fazer como o Roberto Requião e dar uma banana para este povo.
O RS vive um estado de manipulação que chega a ser doentio. Lá a RBS se dfá ao luxo de perseguir democratas, de estar dentro do aparelho do Estado – inclusive com senhas privativas para acesso.
Extraio o post do Cloaca News (http://cloacanews.blogspot.com/) “Depois de admitir, por meio de nota publicada no tabloide venal Zero Hora, que o araponga lotado na Casa Militar do Palácio Piratini era informante do Grupo RBS (afiliado da Globo no RS e em SC), o império mafiomidiático gaúcho está às voltas com mais uma sarna: pelo menos dez senhas de acesso ao Sistema de Consultas Integradas da Secretaria de Segurança foram distribuídas pelo governo Yeda Crusius (PSDB) aos repórteres do conglomerado da Famiglia Sirotsky.”
Lembremo-nos: este grupo mafiomidiático detéem o controle da informação no RS e também em SC, com dezenas de concessões de rádio e TV, além de jornais. Não é por acaso que no RS e em SC estão os menores índices de votação de Dilma Rousseff nas pesquisas.
E repito: o governo Lula foi conivente com este grupo mafiomidiático permitindo que fosse inserida publicidade em seus veículos de manipulação, desinformação e preconceito. Se alguém que não for do RS estiver pensando que exagero, convido que assistam – se tiverem estomago – os comentários de Lasier Martins e as notícias de Ana Amélia Lemos (inclusive candidata da RBS ao Senado) no RS ou então os comentários de Luis Carlos Prates ou mesmo de um boçal como Cacau Menezes em algum dos seus veículos em SC. No caso de SC, cabe lembrar que um dosa ‘Sirostky’ inclusive participou de um estupro coletivo contra uma menor – sendo que todos os veículos da ‘famiglia’ silenciaram.
E volto a dizer: o governo Lula foi conivente ao inserir publicidade em tais ‘meios de comunicação’. Ao faser isto, ao permitir que isso ocorresse, Lula foi conivente e cúmplice – esta é uma verdade amarga, mas que precisa ser dita.
Por fim, que a presidenta Dilma Rousseff tenha coragem de implementar uma ‘Lei Geral para os Meios de Comunicação’ ou, como diz o Paulo Henrique Amorim com muita propriedade, ela não terá paz e nem sossego. E concluo eu dizendo: se não fizer a Lei, se não tomar nenhuma atitude, não cumpre o mandato até o fim.





Exata confirma: Agnelo lidera no DF

8 09 2010

Pesquisa Exata divulgada em pleno 7 de setembro confirmou a virada espetacular de Agnelo Queiroz (PT) na disputa para o GDF. No levantamento realizado entre os dias 1º e 5 de setembro – e que pesquisou três mil eleitores em todo o DF. A pesquisa foi registrada no TRE nº 29968/2010.
Os dados são reveladores do que hoje acontece no DF e que
atemoriza a turma de Roriz, o ficha-suja, levando seus meliantes a atos de covardia, agressão e violência.
A pesquisa indica que Agnelo Queiroz tem 44,6% das intenções de votos; Roriz, o ficha-suja, tem 29,1% – bem mais distante está Toninho do Psol com 3,2%; Eduardo Brandão, do PV, com 0,8%; Rodrigo Dantas
tem 0,6%; Frank Svensson, do PCB, tem 0,2%; Newton Lins também 0,2%. Indecisos somam 16,2% e pretendem votar em branco ou anular seu voto um total de 5%.
Vamos ver agora como a Soma vai fazer para salvar a pele do Roriz, o ficha-suja.





Imprensa: A liberdade amordaçada

31 08 2010

Recebo do jurássico Arthur Monteiro – jornalista do tempo no qual havia sonhos e coragem de defendê-los – extensa e contundente reportagem acerca de um episódio (mais um) que enlameia todo o RS. Tenho dito sempre que possível que a situação do RS hoje é deplorável, vítima da pior das pragas: RBS. Trata-se de um câncer que já se transformnou em metástase e corrompeu grande parte da vida inteligente que havia por lá.
O texto a seguir, longo e preciso, mostra a que ponto chegou a perniciosa ação combinada dos políticos, da mídia e do judiciázrio contra a liberdade de imprensa, contra o direito de informar.
Leiam. É de arrepiar. E também de se envergonhar.
Alfredo Bessow

JORNAL JÁ. COMO CALAR E INTIMAR A IMPRENSA

“Quando o mal é mais audacioso, o bem precisa ser mais corajoso.” (Pierre Chesnelong, 1820-1894, político francês)

Agosto, mês de cachorro louco, marcou o décimo ano da mais longa e infame ação na Justiça brasileira contra a liberdade de expressão.

É movida pela família do ex-governador Germano Rigotto, 60 anos, agora candidato ao Senado pelo PMDB do Rio Grande do Sul e supostamente alheio ao processo aberto em 2001 por sua mãe, dona Julieta, hoje com 89 anos. A família atacou em duas frentes, indignada com uma reportagem de quatro páginas, publicada em maio daquele ano em um pequeno mensário (tiragem de 5 mil exemplares) de Porto Alegre, o JÁ, que jogava luzes sobre a maior fraude da história gaúcha e repercutia o envolvimento de Lindomar Rigotto, filho de Julieta e irmão de Germano.

Uma ação, cível, cobrava indenização da editora por dano moral. A outra, por injúria, calúnia e difamação, punia o editor do JÁ e autor da reportagem, Elmar Bones da Costa, hoje com 66 anos. O jornalista foi absolvido em todas as instâncias, apesar dos recursos da família Rigotto, e o processo pelo Código Penal foi arquivado. Mas, em 2003, Bones acabou sendo condenado na área cível ao pagamento de uma indenização de R$ 17 mil. Em agosto de 2005 a Justiça determinou a penhora dos bens da empresa. O JÁ ofereceu o seu acervo de livros, cerca de 15 mil exemplares, mas o juiz não aceitou. Em agosto de 2009, sempre agosto, quando a pena ascendera a quase R$ 55 mil, a Justiça nomeou um perito para bloquear 20% da receita bruta de um jornal comunitário quase moribundo, sem anúncios e reduzido a uma redação virtual que um dia teve 22 jornalistas e hoje se resume a dois – Bones e Patrícia Marini, sua companheira. Cinco meses depois, o perito foi embora com os bolsos vazios, penalizado diante da flagrante indigência financeira da editora.

Até que, na semana passada, no maldito agosto de 2010, a família de Germano Rigotto saboreou mais um giro no inacreditável garrote judicial que asfixia o jornal e seu editor desde o início do Século 21: o juiz Roberto Carvalho Fraga, da 15ª Vara Cível de Porto Alegre, autorizou o bloqueio online das contas bancárias pessoais de Elmar Bones e seu sócio minoritário, o também jornalista Kenny Braga. Assim, depois do cerco judicial que está matando a editora, a família Rigotto assume o risco deliberado de submeter dois dos jornalistas mais conhecidos do Rio Grande ao vexame da inanição, privados dos recursos essenciais à subsistência de qualquer ser humano.

O personagem de Scorsese

Afinal, qual o odioso crime praticado pelo JÁ e por Elmar Bones que possa justificar tanta ira, tanta vindita, ao longo de tanto tempo, pelo bilioso clã Rigotto? O pecado do jornal e seu editor só pode ter sido o jornalismo de primeira qualidade, ousado e corajoso, que lhe conferiu em 2001 os prêmios Esso Regional e ARI (Associação Riograndense de Imprensa), os principais da categoria no sul do país, pela reportagem “Caso Rigotto – Um golpe de US$ 65 milhões e duas mortes não esclarecidas”.

A primeira morte era a de uma garota de programa, Andréa Viviane Catarina, 24 anos, que despencou nua do 14º andar de um prédio na Rua Duque de Caxias, no centro da capital gaúcha, no fim da tarde de 29 de setembro de 1998. O dono do apartamento, Lindomar Rigotto, estava lá na hora da queda. Ele contou à polícia que a garota tinha bebido uísque e ingerido cocaína. Nenhum vestígio de álcool ou droga foi confirmado nos exames de sangue coletados pela criminalística. O laudo da necropsia diz que a vítima mostrava três lesões – duas nas costas, uma no rosto – que não tinham relação com a queda. Ela estava ferida antes de cair, o que indicava que houve luta no apartamento. Um teste do Instituto de Criminalística indicou que o corpo de Andréa recebeu um impulso no início da queda.

No relatório que fez após ouvir Rigotto, o delegado Cláudio Barbedo, um dos mais experientes da polícia gaúcha, achou relevante anotar: “[Lindomar] depôs sorrindo, senhor de si, falando como se estivesse proferindo uma conferência”. Os repórteres que o viram chegar para depor, no dia 12 de novembro, disseram que ele parecia “um personagem de Martin Scorsese”, famoso pelos filmes sobre a Máfia: Lindomar usava óculos escuros, terno azul marinho, calça com bainha italiana, camisa azul, gravata colorida e gel nos cabelos compridos. O figurino não impressionou o delegado, que incluiu na denúncia o depoimento de uma testemunha informando que Lindomar era conhecido como “usuário e traficante de cocaína” na noite que ele frequentava – por prazer e ofício – como dono do Ibiza Club, uma rede de quatro casas noturnas que agitavam as madrugadas no litoral do Rio Grande e Santa Catarina. Em dezembro, o delegado Barbedo concluiu o inquérito, denunciando Lindomar Rigotto por homicídio culposo e omissão de socorro.

Lindomar só não sentou no banco dos réus porque teve também uma morte violenta, 142 dias após a de Andréa. Na manhã de 17 de fevereiro, ele fechava o balanço da última noite do Carnaval de 1999, que levou sete mil foliões ao salão do Ibiza da praia de Atlântida, a casa mais badalada do litoral gaúcho. Cinco homens armados irromperam no local e roubaram a féria da noitada. Lindomar saiu em perseguição ao carro dos assaltantes. Emparelhou com eles na praia vizinha, Xangrilá, a três quilômetros do Ibiza. Um assaltante botou a arma para fora e disparou uma única vez. Lindomar morreu a caminho do hospital, com um tiro acima do olho direito. Tinha 47 anos.

O choque de Dilma

A trepidante carreira de Lindomar Rigotto sofrera um forte solavanco dez anos antes, com seu envolvimento na maior fraude da história gaúcha: a licitação manipulada de 11 subestações da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), uma tungada em valores corrigidos de aproximadamente R$ 840 milhões – 21 vezes maiores do que o escândalo do Detran que submeteu a governadora Yeda Crusius a um pedido de impeachment, quase três vezes mais do que os desvios atribuídos ao clã Maluf em São Paulo, quinze vezes maior do que o total contabilizado pelo Supremo Tribunal Federal para denunciar a “quadrilha dos 40” do mensalão do governo Lula.

Afundada em dívidas, a estatal gaúcha de energia tinha dificuldades para captar os US$ 141 milhões necessários para as subestações que gerariam 500 mil quilowatts para 51 pequenas e médias cidades do Rio Grande. Preocupado com a situação pré-falimentar da empresa, o então governador Pedro Simon (PMDB) tinha exigido austeridade total.

Até que, em março de 1987, inventou-se o cargo de “assistente da diretoria financeira” para acomodar Lindomar, irmão do líder do Governo Simon na Assembléia, o deputado caxiense Germano Rigotto. “Era um pleito político da base do PMDB em Caxias do Sul”, confessaria depois o secretário de Minas e Energia, Alcides Saldanha. Mais explícito, um assessor de Saldanha reforçou a paternidade ao JÁ: “Houve resistência ao seu nome [Lindomar], mas o irmão [Germano] exigiu”.

Com a chegada de Lindomar, as negociações com os dois consórcios das obras, que se arrastavam há meses, foram agilizadas em apenas oito dias. Logo após a assinatura dos contratos, os pagamentos foram antecipados, contrariando as normas estritas baixadas por Simon para evitar curtos-circuitos contábeis na CEEE. Três meses depois, a empresa foi obrigada a um empréstimo de US$ 50 milhões do Banco do Brasil, captado pela agência de Nassau, no paraíso fiscal das Bahamas. Uma apuração da área técnica da CEEE detectou graves problemas: documentos adulterados, folhas numeradas a lápis, licitação sem laudo comprovando a necessidade da obra. A sindicância da estatal propôs a revisão dos contratos, mas nada foi feito. A recomendação chegou ao governo seguinte, o de Alceu Collares (PDT), e à sucessora de Saldanha na pasta das Minas e Energia, uma economista chamada Dilma Rousseff. “Eu nunca tinha visto nada igual”, diria ela, chocada com o que leu.

Dilma só não botou o dedo na tomada porque o PDT de Collares precisava dos votos do PMDB de Rigotto para ter maioria na Assembléia. Para evitar o risco de queimaduras, Dilma, às vésperas de deixar a secretaria, em dezembro de 1994, teve o cuidado de mandar aquela papelada de alta voltagem para a Contadoria e Auditoria Geral do Estado (CAGE), que começou a rastrear a CEEE com auditores do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e do Ministério Público. Dependendo do câmbio, o tamanho da fraude constatada era sempre eletrizante: US$ 65 milhões, segundo o CAGE, ou R$ 78,9 milhões, de acordo com o Ministério Público.

A denúncia energizou a criação de uma CPI na Assembléia, proposta pelo deputado Vieira da Cunha, líder da bancada do PDT em 2008 na Câmara Federal. Vinte e cinco auditores quebraram sigilos bancários e fiscais. Lindomar Rigotto foi apontado em 13 depoimentos como figura central do esquema, acusação reforçada pelo chefe dele na CEEE, o diretor-financeiro Silvino Marcon. A CPI constatou que os vencedores da licitação, gerenciados por Rigotto, apresentavam propostas “em combinação e, talvez, até ao mesmo tempo e pelas mesmas pessoas”. O relatório final lembrava: “É forçoso concluir pela existência de conluio entre as empresas interessadas que, se organizando através de consórcios, acertaram a divisão das obras entre si, fraudando dessa forma a licitação”. O JÁ foi mais didático: “Apurados os vencedores, constatou-se que o consórcio Sulino venceu todas as subestações do grupo B2 e nenhuma do B1. Em compensação, o Conesul venceu todas as obras do B1 e nenhuma do B1. A diferença entre as propostas dos dois consórcios é de apenas 1,4%”.

O aval de Dulce

A quebra do sigilo bancário de Lindomar revelou um crédito em sua conta de R$ 1,17 milhão, de fonte não esclarecida. O relatório final da CPI caiu na mão de um parlamentar do PT, o também caxiense Pepe Vargas, primo de Lindomar e Germano Vargas Rigotto. Apesar do parentesco, o primo Pepe, hoje deputado federal, foi inclemente na sua acusação final: “De tudo o que se apurou, tem-se como comprovada a prática de corrupção passiva e enriquecimento ilícito de Lindomar Vargas Rigotto”. Além dele, a CPI indiciou outras 12 pessoas e 11 empresas, botando no mesmo balaio nomes vistosos como Camargo Corrêa, Alstom, Brown Boveri, Coemsa, Sultepa e Lorenzetti. No final de 1996, a Assembléia remeteu as 260 caixas de papelão da CPI ao Ministério Público, de onde nasceu o processo n° 011960058232 da 2ª Vara Cível da Fazenda Pública em Porto Alegre. Os autos somam 30 volumes e 80 anexos e mofam ainda na primeira instância do Judiciário, protegidos por um inacreditável “segredo de justiça”. Em fevereiro próximo, o Rio Grande do Sul poderá comemorar os 15 anos de completo sigilo sobre a maior fraude de sua história.

Esta incrível saga de resistência e agonia do JÁ e de Bones provocada pela família Rigotto foi contada, em primeira mão, neste Observatório, em 24 de novembro de 2009 (“O jornal que ousou contar a verdade”). No dia seguinte, uma quarta-feira, Rigotto telefonou de Porto Alegre para reclamar ao autor que assina aquele e este texto.

– Isso ficou muito ruim pra mim, Luiz Cláudio, pois o Observatório é um formador de opinião, muito lido e respeitado. Ficou parecendo que eu estou querendo fechar um jornal. Eu não tenho nada a ver com isso. O processo é coisa da minha mãe. Foi a minha irmã, Dulce, que me disse que a reportagem era muito pesada, irresponsável. Eu nem conheço este jornal, este jornalista…

– Rigotto, a dona Julieta não é candidata a nada. O candidato és tu. A reportagem do JÁ tem implicações políticas que batem em ti, não na tua mãe. E acho muito estranho que, passados oito anos, tu ainda não tiveste a curiosidade de ler a reportagem que tanta aflição provoca na dona Julieta. Se tu estás te baseando na avaliação da Dulce, devo te alertar que ela não entende xongas de jornalismo, Rigotto! Esta matéria do Bones é precisa, calcada em fatos, relatórios, documentos e conclusões da CPI e do Ministério Público que incriminam o teu irmão. Não tem opinião, só informação. O teu processo…

– Não é meu, não é meu… É da minha mãe…

– Isso é o que diz também o Sarney, Rigotto, quando perguntam a ele sobre a censura que cala O Estado de S.Paulo. “Isso é coisa do meu filho, o Fernando”…

– Eu fico muito ofendido com esta comparação! Eu não sou o Sarney, não sou!…

– Lamento, mas estás usando a mesma desculpa do Sarney, Rigotto.

– Luiz Cláudio, como resolver isso tudo com o Bones? A gente pode parcelar a dívida e aí…

– Rigotto, tu não estás entendendo nada. O Bones não quer parcelar, não quer pagar um único centavo. Isso seria uma confissão de culpa, e ele não fez nada errado. Pelo contrário. Produziu uma reportagem impecável, que ganhou os maiores prêmios. Eu assinaria essa matéria, com o maior orgulho. Sai dessa, Rigotto!

Coincidência ou não, um dia depois do telefonema, na quinta-feira, 26, Rigotto convocou uma inesperada coletiva de imprensa em Porto Alegre para anunciar sua retirada como possível candidato ao Palácio Piratini, deixando o espaço livre para o prefeito José Fogaça.

O modelo de Roosevelt

Naquela mesma quarta-feira, 25 de novembro, a emenda ficou pior que o soneto. O advogado dos Rigotto, Elói José Thomas Filho, botou no papel aquela mesma proposta indecente que ouvi do próprio Germano Rigotto, confirmando por escrito ao editor a idéia de parcelar a indenização devida de R$ 55 mil em 100 (cem) módicas prestações. Diante da altiva recusa de Bones, o advogado pareceu incorporar a doutrina do big stick de Theodore Ted Roosevelt (1901-1909), popularmente conhecida como “lei do tacape” e inspirada pela frase favorita do belicoso presidente estadunidense: “Fale com suavidade e tenha na mão um grande porrete”. O suave advogado Thomas Filho escreveu então para Bones: “… em nova demonstração de boa-fé, formalizamos nossa intenção em compor amigavelmente o litígio acima, bem como a possibilidade [sic] de nos abstermos de ajuizar novas demandas judiciais…”.

Certamente para tranquilizar o filho candidato, o advogado reafirmava na carta a Bones que a ação contra o jornal era movida “unicamente” por dona Julieta, que buscava na justiça o ressarcimento pelo “abalo moral” provocado pela reportagem do JÁ, que misturava “irresponsavelmente três fatos diversos que envolveram a figura do falecido”. Ou seja, dona Julieta Rigotto, que entende de jornalismo tanto quanto os filhos Dulce e Germano, não consegue perceber a obviedade linear de uma pauta irresistível para qualquer repórter inteligente: o objetivo relato jornalístico sobre um homem público – Lindomar – morto num assalto pouco antes de ser julgado pelo homicídio culposo de uma prostituta e pouco depois de ser denunciado no relatório de uma CPI, redigido pelo primo deputado, pela prática comprovada de “corrupção passiva e enriquecimento ilícito” na maior fraude já cometida contra os cofres públicos do Rio Grande do Sul. Mas, na lógica simplória da mãe dos Rigotto, uma coisa não tem nada a ver com a outra…

Para garantir o tom “amigável” entre as partes, o advogado de dona Julieta propôs a Bones os termos de uma retratação pública, suave como um porrete, enfatizando três pontos:

1. “Dona Julieta nunca teve a intenção de fechar o jornal”;

2. “a ação não é promovida pela família Rigotto, mas apenas por dona Julieta”;

3. “retirar o jornal de circulação, para estancar a propagação do dano”.

Tudo isso, incluindo o ameno confisco de um jornal das bancas em pleno regime democrático, segundo o tortuoso raciocínio do advogado, serviria para “tutelar a honra e a imagem de seu falecido filho”. Neste longo, patético episódio, que intercala demonstrações de coragem e altivez com cenas de pura violência, fina hipocrisia ou corrupção explícita, ficou pelo caminho o contraste de atitudes que elevam ou rebaixam. Diante da primeira ação criminal de dona Julieta na Justiça, o promotor Ubaldo Alexandre Licks Flores ensinou, em novembro de 2002:

“[não houve] qualquer intenção de ofensa à honra do falecido Lindomar Rigotto. Por outro lado, é indiscutível que os três temas [a CEEE e as duas mortes] estavam e ainda estão impregnados de interesse público”.

O orgulho de Enedina

Apesar da lucidez do promotor, o caso tonitruante da CEEE não ecoa nos ouvidos surdos da imprensa gaúcha, conhecida no país pela acuidade de profissionais talentosos, criativos, corajosos. Nenhum grande jornal do sul – Zero Hora, Correio do Povo, Jornal do Comércio, O Sul –, nenhum colunista de peso, nenhum editorialista, nenhum blog de prestígio perdeu tempo ou tinta com esse tema, que nem de longe parece um assunto velho, batido ou nostálgico. O que lhe dá notória atualidade não é o ancestral confronto entre a liberdade de expressão e a prepotência envergonhada dos eventuais poderosos de plantão, mas a reaparição de seus principais personagens no turbilhão da corrida eleitoral de 2010.

Germano Rigotto, o líder governista que emplacou o filho de dona Julieta na máquina estatal, é hoje o candidato do maior partido gaúcho ao Senado Federal. A ex-secretária Dilma Rousseff, que ficou estarrecida com o que leu sobre as fraudes de Lindomar Rigotto na CEEE, é apontada pelas pesquisas como a futura presidente do Brasil, numa vitória classificada pelo renomado jornal inglês Financial Times como “retumbante”. Tarso Genro, o ex-comandante supremo da Polícia Federal, que executou as maiores operações contra corruptos da máquina pública, lidera a corrida ao governo gaúcho e, certamente, tem os instrumentos para saber hoje o que Dilma sabe desde 1990. O primo Pepe Vargas, que mostrou isenção e coragem no relatório da CPI sobre a maior fraude da história do Rio Grande, é candidato à reeleição, assim como o deputado federal que inventou a CPI, Vieira da Cunha.

É a lógica perversa do interesse eleitoral que explica o desinteresse até dos principais adversários de Rigotto na disputa pelo Senado. O candidato do PMDB está emparedado entre a líder na pesquisa da Datafolha, a jornalista Ana Amélia Lemos (PP) – que subiu de 33% em julho para 44% na semana passada – e o candidato à reeleição pelo PT, senador Paulo Paim – que cresceu de 35% no início do mês para 38% agora. Rigotto caiu de 43% para 42% no espaço de três semanas. Na Região Metropolitana de Porto Alegre, Ana Amélia bate Rigotto por 47% a 39%. Seus oponentes desprezam o potencial explosivo do “Caso CEEE” porque todos sonham em ganhar o segundo voto dos outros candidatos, o que justifica a calculada misericórdia e o piedoso silêncio que modera a estratégia de adversários historicamente tão diferentes e hostis como são, no Rio Grande do Sul, o PT, o PMDB e o PP.

O que é recato na política se transforma em omissão nas entidades que, ao longo do tempo, marcaram suas vidas na luta pela democracia e pela liberdade de expressão e no repúdio veemente à ditadura e à censura. Siglas notáveis como OAB, ABI, SIP, Fenaj e Abraji brilham pelo silêncio, pela omissão, pelo desinteresse ou pelo trato burocrático do caso JÁ vs. Rigotto, que resume uma questão crucial na vida de todas elas e de todos nós: a livre opinião e o combate à prepotência dos grandes sobre os pequenos, apanágio de toda democracia que se respeita.

A OAB e seus advogados, no Rio Grande ou no Brasil, que impulsionaram a queda de um presidente envolvido em denúncias de corrupção, não se sensibilizam pela sorte de um pequeno jornal e seu bravo editor, punidos por seu desassombrado jornalismo e mortalmente asfixiados pelo cerco econômico surpreendentemente avalizado pela Justiça, que deveria proteger os fracos contra os fortes – e não o contrário.

A inerte Associação Brasileira de Imprensa jamais se pronunciou sobre as agruras de Bones e seu jornal. Só em setembro de 2009, um mês após a denúncia sobre o bloqueio judicial das receitas do JÁ, é que a Fenaj e o Sindicato dos Jornalistas do RS trataram de fazer alguma coisa: uma nota gelada, descartável, manifestando solidariedade à vítima e lamentando a decisão “equivocada” da Justiça. A Associação Riograndense de Imprensa, que em 2001 conferiu à reportagem contestada do JÁ o seu maior prêmio jornalístico, só quebrou o seu constrangedor silêncio ao ser cobrada publicamente por este Observatório, em novembro passado. Todos os membros da brava Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo têm a obrigação de conhecer a biografia de Elmar Bones, que nos anos de chumbo pilotou o CooJornal, um mensário da extinta Cooperativa dos Jornalistas de Porto Alegre (1976-1983) que virou referência da imprensa nanica que resistia à ditadura.

Bones chegou a ser preso, em 1980, pela publicação de um relatório secreto em que o Exército fazia uma autocrítica sobre as bobagens cometidas na repressão à guerrilha do Araguaia. Algo mais perigoso, na época, do que falar na roubalheira operada pelo filho de dona Julieta na CEEE… No site da Abraji, a entidade emite sua opinião em quatro notas, nos últimos dois anos. Critica o sigilo eterno de documentos públicos, defende o seguro de vida para repórteres em zona de risco, repudia um tapa na cara que uma repórter de TV do Centro-Oeste levou de um vereador e, enfim, faz uma vigorosa, firme, veemente manifestação a favor da liberdade de expressão… no México. Ao pobre JÁ e seu editor, lá no sul do Brasil, nenhuma linha, nada.

A poderosa Sociedade Interamericana de Imprensa, que reúne os maiores veículos das três Américas, patrocina uma influente Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação, hoje sob a presidência de um jornal do Texas, o San Antonio Express News. Entre os 26 vice-presidentes regionais, existem dois brasileiros: Sidnei Basile, do Grupo Abril, e Maria Judith de Brito, da Folha de S.Paulo. Envolvidos com os graves problemas da Paulicéia, eles provavelmente não podem atentar para o drama vivido por um pequeno jornal de Porto Alegre. Mas, existem outros 17 membros na Comissão de Liberdade da SIP, e dois deles bem próximos do drama de Bones: os gaúchos Mário Gusmão e Gustavo Ick, do jornal NH, de Novo Hamburgo, cidade a 40 km da capital gaúcha. Nem essa proximidade livra as aflições do JÁ e seu editor do completo desdém da SIP.

Este monumental cone de silêncio e omissão, que atravessa fronteiras e biografias, continua desafiando a sensibilidade e a competência de jornais e jornalistas, que deveriam se perguntar o que existe por trás do amaldiçoado caso da CEEE, que afugenta em vez de atrair a imprensa. A maior fraude da história do Rio Grande, mais do que uma bomba, é uma pauta em aberto, origem talvez da irritação dos Rigotto contra o editor e o jornal que ousaram jogar luz nessa história mal contada. Os volumes empoeirados deste megaescândalo continuam intocados nas estantes da Justiça em Porto Alegre, protegido por um sigilo inexplicável que só pode ser útil a quem mente e a quem rouba, não a quem luta pela verdade e a quem é ético na política, como fazem os bons repórteres e como devem ser os bons políticos.

O bom jornalismo não é aquele que produz boas respostas, mas aquele que faz as boas perguntas – e as perguntas são ainda melhores quando incomodam, quando importunam, quando constrangem, quando afligem os consolados e quando consolam os aflitos.

A emoção é a última fronteira de quem perde os limites da razão. Elmar Bones tinha ganhado todas as instâncias do processo criminal, quando um juiz do Tribunal de Justiça, na falta de melhores argumentos, preferiu se assentar nos autos impalpáveis do sentimento para decidir em favor da mãe de Germano Rigotto:

“Não há como afastar a responsabilidade da ré pelas matérias veiculadas, que atingiram negativamente a memória do falecido, o que certamente causou tristeza, angústia e sofrimento à mãe do mesmo (…)”.

Dona Julieta Rigotto, viva e forte aos 89 anos, ainda sofre com a honra e a imagem maculadas de seu falecido filho, Lindomar.

Dona Enedina Bones da Costa tinha 79 anos quando morreu, em 2001, poupada assim da tristeza, angústia e sofrimento que sentiria ao ver o drama vivido agora por seu filho, Elmar. Mas ela teria, com certeza, um enorme, um insuperável orgulho pelo filho honrado e corajoso que trouxe ao mundo e ao jornalismo.

Por Luiz Cláudio Cunha em 31/8/2010, no Observatório da Imprensa





Cloaca: emoção e reconhecimento

25 08 2010

O 'Sr. Cloaca' e Paulo Henrique Amorim - justa homenagem a quem não deu tréguas à imbecilidade da mídia


Um dos pontos altos do 1º Encontro Nacional dos Blogueiros Progressistas foi a entrega do Prêmio Barão de Itararé 2010 ao mais ‘representativo’ blogueiro do País. Por aclamação, a láurea coube ao ‘Sr. Cloaca’, que conseguiu com seu estilo irreverente, ácido e bem humorado ser uma pedra permanente no sapato de toda diretona.
Ficou emocionado, foi parar na Santa Casa de São Paulo, também por conta da nicotina, e teve como principal cabo eleitoral, José Serra e seu ataque aos ‘blogues sujos’.
Na foto, o ‘Sr. Cloaca’ e o jornalista Paulo Henrique Amorim – os linkes dos dois blogues estão ao lado, nesta página..





Aflições tucanas

28 06 2010

Duas manchetes muito representativas, véspera de Brasil e Chile.
Quem já se separou ou terminou uma relação afetiva ou de interesses, sabe bem que os conjuges ou sócios (quando não cúmplices, que é o caso aqui no caso), naquele período que antecede o inevitável rompimento e o naufrágio da relação, costumam imputar ao outro as razões do fim.
É o que se pode entender da entrevista do presidente do PSDB, Sérgio Guerra, dizendo que a reação do Demo à sugestão do nome de Álvaro Dias pode comprometer a viabilidade eleitoral do Serra.
Uma verdadeira pérola…
Mais tormentos
Mas, a tucanaiada que já deve andar desesperada, agora por certo partirá para o chamado ‘cariri baiano’, um método de suicídio muito praticado pela turma que junta num barco só os ícones da ética nacional: Quércia, Maluf, Serra, Maia, Banestadohausen, Dias, Yeda, Roriz, Jefferson, Jarbas, Agripino, Mão Santa, o senador dos fantasmas e outros.
Vejamos esta matéria veiculada pela Folha Online:

Fitch antecipa que pode melhorar “nota” de risco do Brasil
DE SÃO PAULO

A agência de classificação de risco Fitch advertiu nesta segunda-feira que mudou a perspectiva de revisão do “rating” (nota de risco de crédito) soberano do Brasil, de “estável” para “positivo”.

Essa mudança significa que, em sua próxima revisão da “nota” brasileira, há maiores chances de que esse valor seja elevado (“upgrade”) contra as probabilidades de um rebaixamento (“downgrade”). O “rating” atual do Brasil é “BBB-“, já dentro da classificação “grau de investimento”, reservada para países ou empresas com menor risco de calote ou de suspensão dos pagamentos.

Na escala de “ratings” da Fitch, a próxima nota acima de “BBB-” é “BBB” e posteriormente, “BBB+”. O Brasil foi “promovido” de “grau especulativo” para “grau de investimento” em 29 de maio de 2008. Em geral, dois anos é o período em que as agências de “rating” fazem ajustes em suas classificação.

Hoje, o país está no mesmo grupo de países como a Bulgária, a Croácia ou a Índia, na escala de “ratings” da Fitch. Indo para “BBB”, o Brasil ganha a companhia de Lituânia, México e Rússia.

No comunicado publicado hoje, a agência afirma que essa revisão de perspectiva reflete a “resiliência” (resistência) melhor do que o previsto e o desempenho econômico do país frente à recessão global. A agência também elogia as políticas econômicas “relativamente prudentes”, com efeitos positivos sobre o nível de renda e de solvência das contas públicas.

E a proximidade do calendário eleitoral no Brasil não é considerado como um fator de risco para a agência. “A Fitch não espera uma mudança significativa na direção principal das políticas [econômicas] após as eleições presidenciais de outubro”, afirma a equipe de analistas.

Ou seja:
Vai ser um suicídio coletivo, tendo como técnica o chamado ‘cariri baiano’…