Aécio: mais para Collor do que para Tancredo

7 04 2011

Escutei o discurso de Aécio.
Confesso que esperava mais.
Mas devo reconhecer que FHC tinha razão quando ele disse que Aécio é apenas o parente de Tancredo.
O discurso é uma colagem de clichês – como alguém que pega um roteiro e vai preenchendo com aquilo que pode impactar. Como ensinava meu velho pai: em terra de vesgo, quem tem um olho no máximo enxerga meia realidade.
Pensei que depois de dois anos de mandato de governador, tendo uma passagem apagada antes como Federal… pensei sinceramente que Aécio tivesse crescido intelectualmente, tivesse amadurecido politicamente, tivesse aprendido com os mineiros. Mas me lembrei: ele não é mineiro. Ele é uma espécie de carioca que optou por Minas apenas por comodismo e a facilidade de se apresentar sempre com um caixão debaixo do braço.
Definitivamente, Aécio, depois deste dircurso, cheio de lugares-comuns, cheio de futilidades linguísticas.. ele está sim mais para o Collor caçador de marajás e que falava qualquer besteira e a mídia do Rio e São Paulo transformava em grande evento político.
E sem querer fazer qualquer ironia, cabe lembrar que Collor e Aécio são dois cariocas – inclusive recaindo sobre os dois as mesmas dúvidas quanto a condutas e hábitos.
A dúvida que fica depois de tanto vazio em palavras é se a mídia irá tornar o vazio um poço de sabedoria.
Para quem esperava ver surgir, no discurso, a esperança de um futuro líder da oposição, a papagaiada de Aécio deixou a firme convicção do ressurgimento de um fantasma do passado. Resta saber se o povo brasileiro aceitará ser tapeado mais uma vez.





O desafio de combater a impunidade

5 04 2011

Imunidade, sim! Impunidade, jamais!

Alfredo Bessow, jornalista

Observo com uma ponta de preocupação a ação de grupos políticos e até mesmo de segmentos supostamente sociais que de quando em vez encetam cruzadas ‘eugenizantes’ da política – centrando fogo nas reiteradas mazelas apresentadas pelos nossos representantes dos legislativos e executivos em todos os níveis da chamada república. A minha dúvida ‘prática’ não é com o movimento em si – louvável sob todos os aspectos! – mas sim pelo equívoco político de reduzir o tema a soluções intempestivas ou vangloriantes do acaso. Não acredito no espontaneísmo como instrumento ou meio de ação política.
Quero reiterar para que não paire dúvida: é preciso destacar a importância de apoiar e reforçar a ação destes grupos, mas deixando claro o reducionismo de suas cruzadas messiânicas. Na minha modesta opinião, o problema que aflige o ‘fazer política’, dentro de uma sociedade guiada e dominada pelo dinheiro, é bem mais simples na sua compreensão e, contraditoriamente, complexo na transformação prática.
Antes de mais nada, ações pontuais como adote isso ou adote aquilo me lembra de um prefeito de uma cidade do interior que nos anos 70 criou um programa chamado ‘adote uma praça’, até que veio alguém que sugeriu que ele alterasse o projeto para ‘adote uma rua’ – tendo em vista que praça e ruas da cidade careciam de conservação. De repente, não mais do que de repente, um gaiato que havia ‘adotado uma rua’, se sentiu no direito de se portar como dono da rua, quando esta deveria ser de todos.
Um vereador ou deputado não precisa ser adotado, mas sim ter compromisso com todos. E saber que em nenhum momento estará acima da Lei. E como fazer esta vigilância: pelo voto. Não alivio o lado do eleitor como co-responsável pelas mazelas tanto do Legislativos quanto dos Executivos pelo País afora. Quem foi candidato bem sabe como é fazer campanha ideológica, sem prometer nada, sem trocar e sem atolar-se no corporativismo de grupos profissionais, religiosos ou mesmo criminosos.
Sempre entendi que uma verdadeira Lei Eleitoral também deveria punir severamente a extorsão do eleitor. A proibição de brindes, shows e outros eventos já contribuiu para tornar a disputa mais ‘parelha’ – mas, ainda assim, o peso desta fisiologia ideológica praticada pelo eleitor custa caro e acaba comprometendo o próprio mandato.
Eu acredito que estas ações pontuais que, repito, são importantes, na realidade acabam ajudando a encobrir questões que para mim acabam sendo mais ‘causa’ de desvios no exercício do mandato do que a própria ação perversa do eleitor. Me refiro à judicialização do processo eleitoral e, por conta dos meandros e intermináveis recursos, acaba sendo incentivo à impunidade.
Nada é mais caro à sociedade do que a percepção de que a Lei só existe para o pobre, que não tem advogado renomado e que no máximo conta com um defensor público. É só observar a celeridade com que os tribunais julgam causas cotidianas que envolvem desavenças entre pobres e como são demoradas as oitivas, as diligências, as audiências e a quantidade de recursos que são interpostos ao longo do processo, questionando por vezes, questões de total insignificância e que não afetariam o mérito da causa, quando estão envolvidos os interesses de poderosos – muitas vezes apostando na prescrição.
A Lei teoricamente é a mesma. Mas a aplicação dela difere de acordo com o poder financeiro. Veja-se o caso de Nenê Constantino, o milionário dono da Planeta e da Gol – cujos processos como mandante de vários assassinatos ainda se encontra na fase preliminar. São crimes dos quais ele é acusado e que foram perpetrados há 10, 15 anos. Ou o processo trabalhista que envolve a hoje ainda federal Jaqueline Roriz que teria contratado, valendo-se de subterfúgios, trabalhadores para uma de suas fazendas e, na hora da rescisão, cometido arbitrariedades. O processo é de 2007 e simplesmente não anda. Imagine se um chacareiro em situação análoga já não teria tido de acertar contas com a justiça trabalhista…
A certeza da impunidade dos poderosos, volto a dizer, é o verdadeiro combustível, é o insumo básico para que muitos acabem confiando nestes subterfúgios como forma de garantir a manutenção de práticas deploráveis.

Coragem sob encomenda e com hora marcada

Também me causa espanto a extrema coragem dos idealistas de plantão que atacam membros do Legislativo e do Executivo, mas são cegos e coniventes com os desmandos do Judiciário. Acredito que estes rompantes de coragem decorrem de um simples fato: legisladores e membros do poder executivo não detêm em suas mãos o poder de prender.
Ou seja: a coragem que sobra é apenas uma fantasia da qual se valem em momentos, desde que garantidas as suas próprias salvaguardas.
Se o propósito for mesmo o de melhorar a democracia brasileira é preciso sim também dissecar as mazelas que afligem o Judiciário – mormente nas instâncias superiores. Uma boa medida seria a de que todos os chamados democratas e éticos cidadãos deste País fizessem um abaixo assinado para completar, para melhorar a proposta encaminhada pelo senador Pedro Simon.
Simon, para quem não sabe, apresentou projeto de lei que proíbe a concessão de aposentadoria para parlamentares que tenham sido cassados (não sei se ele fala também em caso de renúncia). Caberia aqui acrescentar também que magistrados, membros do MP e outros entes da Justiça que tenham sido demitidos por justa causa percam o direito de se aposentarem com a integralidade dos vencimentos.
Este é o mínimo que se espera. Porque assim já acontece com os servidores do Legislativo e do Executivo que são demitidos, perdendo todos os direitos. Digam-me o que justifica que apenas para os membros do Judiciário exista tal benevolência?

Um assunto já tratado

Ainda que já tenha abordado este assunto em outros post, quero aqui enfatizar o seguinte: a Reforma Eleitoral em gestação no Congresso Nacional pelos congressistas deveria, mas não fará, deixar bem clara a proibição de que vereadores, deputados e senadores eleitos ocupem cargos no Executivo. Eleitos, que cumpram o mandato, ou renunciem a ele para atender aos chamados de Executivos.
Como também considero que vereadores, deputados e senadores candidatos às eleições subsequentes ao mesmo cargo no qual já se encontram devam renunciar ao mandato para que em seu lugar entrem suplentes. Seria uma fórmula de tornar a disputa mais parelha entre os que já são e os que querem ser eleitos.
No caso dos senadores, ao contrário da maioria, considero que a suplência está correta, reduzindo-a a uma só. Mas que os senadores que se afastarem para ocupar cargos no Executivo ou que queiram se aventurar em disputas enquanto são protegidos pelo mandato de oito anos, que renunciem ao mandato de Senador.
Para concluir o tópico, um adendo que aqui publico e que pretendo sugerir a algum parlamentar da Comissão: que a posse dos vereadores, deputados estaduais/distritais e federais e dos senadores coincida com a data da posse de prefeitos (quando houver), dos governadores e do Presidente da República – para evitar que a sociedade pague por suplentes que vão assumir mandatos por 15 ou 30 dias. Mas que não corra a falta de vergonha que acontece aqui em Brasília, onde os deputados distritais tomam posse no dia 1º de janeiro, junto com o governador, e logo entram em recesso de 30 dias e, se o governador precisar votar questões com urgência, terá de convocá-los extraordinariamente. Que a lei seja clara neste sentido: no ano em que tomam posse, vereadores, deputados estaduais/distritais e federais e senadores NÃO terão direito ao recesso do mês de janeiro.

Imunidade, sim! Impunidade, jamais!

Poderia resumir este meu entendimento das mazelas atuais que assolam a política nacional – decorrência, digo mais uma vez, da judicialização do ‘fazer’ político – como oriundas da imunidades, dos chamados foros especiais e privilegiados e outras figuras jurídicas que servem para encobrir a mesma prática perversa.
Sou defensor ferrenho da tese segundo a qual, todo e qualquer homem público só deve ter direito à imunidade para os chamados delitos de opinião no exercício do mandato. Todos os demais crimes dos quais venham a ser acusados que sejam tratados pela Justiça Comum.
Reduzir à imunidade aos delitos de opinião é, no meu modesto juízo, muito mais salutar para a melhoria da qualidade da nossa representação política do que adotar este ou aquele político.
Continuo acreditando que podemos melhorar a democracia. Mas isto, repito, não será através de ações messiânicas ou promessas de pureza – que é a promessa e o compromisso que marca o início de todo e qualquer processo ditatorial, conforme tão bem nos mostra e ensina a história.





Líbia – imprensa brasileira toma partido e não sabemos o que acontece

4 04 2011

Quem for se basear apenas pelo noticiário disponível nos sites e portais nacionais ou lligados de alguma forma ao modo norte-americano de ver o mundo, continuará certo de que os ‘rebeldes’ líbios estão vencendo a guerra contra Kadaffi.
Sinceramente, não sei em que pé está aquele salseiro lá.
Sei apenas que, também neste embate, quem está perdendo mesmo é a informação.
Não há compromisso em informar o que acontece.
Percebe-se que há muito mais torcida e vontade, do que notícias sérias acerca deste embate.
Tudo é superficial. Não há um aprofundamento nas questões básicas – como, por exemplo, na dissecação dos interesses envolvidos.
Quem fornece armas para os chamados rebeldes? Quem está por trás da ação de mercenários no País?
Fica complicado entender a mídia nacional, que parece funcionar como porta-voz do departamento de Estado norte-americano. Aqui, predomina apenas a visão de um lado.
Ninguém se ateve a questionar, por exemplo, o tipo de armamento dos rebeldes. Qual a origem deste armamento? Não sou especialista em armas, gostaria de saber o que usam, quem fornece alimentação e carros de combate?
Em face de tantas verdades, ouso transcrever um texto tentando mostrar que, de repente, pode haver um outro lado em toda esta história. Um outro lado que a nossa briosa mídia não aceita nem ao menos sugerir a sua existência.

Movimentos Sociais manifestam-se contra guerra na Líbia e pela Paz no Oriente Médio. Fazem manifestação no Senado, Câmara e Itamaraty.

Por KHARINNA CANAVARRO:

INTER.PRESS – AGNOT – Brasília – DF – Br. 313\11; 18.h: – Com uma vasta programação que incluiu a entrega de um documento com a posição dos movimentos sociais brasileiros sobre a revolta no Oriente Médio, a guerra na Líbia e pedindo a Paz no Oriente Médio, a CMS, Coordenação dos Movimentos Sociais, no Distrito Federal, a pedido de uma das entidades que a integra, o MDD, Movimento Democracia Direta, deliberou e com o apoio e a mobilização dos principais dirigentes das demais organizações populares que compõem sua direção, como representantes da CUT, CTB, CGTB, UNE, UBES, MST, CEBRAPAZ, CDR Cubana, dentre outras entidades posicionaram-se contra a guerra na Líbia, a intervenção dos EUA e da União Européia e pediram a imediata revogação da Resolução do conselho de Segurança da ONU de trata o assunto.
O documento foi entregue nesta quita feira, 31, na Comissão de Relações Exteriores do Senado Federal, na Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados e no Gabinete do Ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota.
O documento afirma que: “É com grande indignação que a Coordenação dos Movimentos Sociais, reunida no dia 28 de março, acompanha as conseqüências da resolução do Conselho de Segurança da ONU que, mesmo sem ser unânime, deflagrou uma agressão militar contra a Líbia. Sob cínicas declarações “humanitárias”, os governos das grandes potências (EUA, França, Reino Unido, Itália, Espanha) – agora com a chancela da OTAN – bombardeiam esse país norte – africano de apenas seis milhões de habitantes”.
O documento afirma ainda mais adiante que : “A agressão imperialista intervém numa guerra civil, causa centenas de mortes entre a população e é, na verdade, uma nova guerra de rapina por petróleo e uma estratégia de contenção contra a luta que varreu os regimes ditatoriais sustentados pelos EUA e a OTAN nos vizinhos Egito e Tunísia. Os Movimentos Sociais do Brasil exigem o fim imediato dos bombardeios à Líbia, reafirma que a intervenção militar externa é inaceitável e atentatória à soberania nacional dos povos. É a descarada manutenção, pela força, dos interesses das potências imperialistas e suas multinacionais na região.
Mais adiante e finalizando, o documento diz: “Neste momento de profunda aflição, prestamos toda nossa solidariedade ao povo líbio, pois apenas a ele cabe a decisão sobre seu próprio destino.Dirigimo-nos ao Ministério das Relações Exteriores do Brasil e as representações do Senado e da Câmara Federal, para que expresse junto aos organismos internacionais e, em particular à Organização das Nações Unidas, a exigência dos Movimentos Sociais pelo imediato fim da intervenção militar da OTAN na Líbia, pela cessação imediata dos bombardeios, e pelo restabelecimento da paz naquela região”.
Após a entrega do documento e em todos os locais onde foi deixado os manifestantes fizeram questão de afirmar que podem ir ás ruas na próxima semana em manifestações de rua nas principais capitais do país.
Ao finalizar a reunião no Itamaraty o grupo de manifestantes dirigiu-se a casa do Embaixador da Líbia no Brasil, Salem Al Zubeid onde fizeram questão de manifestar pessoalmente seu apoio ás manifestações que acontecem em todo o mundo contra a guerra na Líbia e por uma solução pacífica sem intervenção das potencias imperialistas.
O Coordenador da CMS no DF e representante da CUT, Ismael Silva fez questão de manifestar sua indignação contra os bombardeios praticados pelos EUA e França que mataram centenas de civis em Trípoli nestes últimos dias.
Acilino Ribeiro, Coordenador Nacional do MDD e um dos principais dirigentes da CMS no DF, disse que os crimes praticados pelos EUA e a União Européia, através da OTAN, a qual chamou de Organização Terrorista do Atlântico Norte , serão julgados e condenados pela história, e que “ terroristas como Obama, Sarkozy, Cameron, Hillary Clinton e Robert Gates devem pegar prisão perpetua pelos hediondo crimes praticados, como o assassinato de crianças, jovens, idosos e mulheres, dentre milhares de civis os quais são os responsáveis”, concluio.
Paulo Vinicius, representante da CTB, Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, reafirmou a unidade dos movimentos sociais pela necessidade de combater o imperialismo e levá-lo a derrota política em todo o mundo.
O representante do Comitê de Defesa da Revolução Cubana, Marcelo Melquiedes, reafirmou a posição dos movimentos sociais brasileiros em lutarem até as últimas conseqüências para conseguirem a Paz na região, buscando se necessário a articulação internacional para o fortalecimento da luta.
Iberê Lopez, Presidente do CEBRAPAZ, Centro Brasileiro pela Paz, afirmou que levará o assunto ao Conselho Mundial da Paz para intensificar suas ações, lembrando que a Presidente do órgão, Socorro Gome, já manifestou posição idêntica ao dos movimentos sociais brasileiros e que continuará lutando pela paz na líbia e demais países do Oriente Médio.
O embaixador da Líbia no Brasil, Salem Zubeib, agradeceu aos manifestantes afirmando que além do governo brasileiro a sociedade manifesta seu apoio a paz na Líbia e em toda a região como tradicionalmente tem sido de forma histórica. Afirmou que tais manifestações eleva a moral dos líbios que lutam contra o imperialismo e o sionismo, responsáveis pelo que hoje acontece em seu país.

Fontes : – INTERPRENSA – AGNOT – INTERPRESS – MIDIA LATINA. 31.03.11- KM.





Líbia: rebeldes entregam os pontos e, derrotados, querem negociar

1 04 2011

Alguns se mostrarão surpresos. Outros dirão que é 1º de abril. Até poderia ser, por conta de onde está veiculada a notícia caso eu buscasse a informação apenas na mídia mentirosa do Brasil. Mas a verdade é que Kadaffi não apenas está vencendo a guerra, como irá derrotar os chamados rebeldes – grupos de apátridas onde se misturam mercenários contratados pelos EUA, guerrilheiros da Al Quaeda de Bin Laden, traficantes de armas e de drogas.
Em verdade, aconteceu aquilo que já era sabido por quem acompanhou a cobertura da Telesur – hoje o melhor canal de jornalismo da América Latina. Mas a miopia da mídia brasileira, a boçalidade daqueles que ainda se pensam formadores de opinião e a estupidez daqueles que ainda se pensam como a ‘elite’ de nosso País, impede que ‘eles’ vejam a realidade com os olhos de brasileiros. Preferem olhar de cócoras, esperando para bajular o que vem do norte…
Precisamos parar de pensar que o que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil.
Pelo contrário: tudo que é bom para eles, é péssimo para nós enquanto País e povo.
Os rebeldes perderam a guerra porque Kadaffi tem apoio popular. Esta é a única verdade.
Vejam a matéria veiculado no portal Uol:

01/04/2011 – 08h30

Rebeldes líbios dizem aceitar cessar-fogo, mas com condições

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

Os rebeldes na Líbia afirmaram nesta sexta-feira estarem dispostos a um cessar-fogo, desde que algumas condições seja cumpridas. Entre elas, o recuo das tropas do ditador Muammar Gaddafi de cidades no oeste e a liberdade para o povo se pronunciar.

Mustafa Abdel Jalil, chefe do Conselho Nacional de Transição, no reduto rebelde de Benghazi, pediu a remoção das tropas de “mercenários” das ruas, antes de decretar o fim das batalhas.

“Nós não temos objeção a um cessar-fogo, mas na condição que os líbios nas cidades do oeste tenham total liberdade de expressão de seus pontos de vista”, disse Jalil, em entrevista coletiva ao lado do enviado especial da ONU (Organização das Nações Unidas) ao país, Abdelilah al-Khatib.

Ele alertou também que os rebeldes não vão abrir mão de uma questão crucial, que é a saída de Gaddafi e sua família do país.

Jalil disse ainda que os rebeldes precisarão de armas, caso as forças de Gaddafi não parem de atacar os civis, repetindo os pedidos de ajuda para enfrentar as forças melhor equipadas do ditador.

O presidente americano, Barack Obama, não descarta armar os rebeldes. Contudo, a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), que assumiu o comando da operação, rejeita a ideia –assim como a Rússia. Muitos questionam se é seguro dar armas a grupos desconhecidos e as consequencias disso após a guerra.

CONFRONTOS

Os combates entre as tropas de Gaddafi e os milicianos revolucionários continuam nas imediações de Brega, 225 quilômetros a oeste de Benghazi, segundo o porta-voz militar dos rebeldes, coronel Ahmad Omar Bany.

“Os confrontos continuam ao redor de Brega. As tropas de Gaddafi se encontram no oeste da cidade, a cerca de 30 quilômetros”, acrescentou Bany.

Segundo a agência de notícias France Presse, pela primeira vez os jornalistas não foram autorizados a acompanhar o confronto. Os insurgentes impediam a passagem da imprensa e dos civis pela entrada oeste de Ajdabiya, que leva à frente de batalha.

Os rebeldes mudaram de estratégia para enfrentar os leais ao dirigente líbio nos últimos dois dias, já que situaram membros do Exército na primeira linha de batalha. Na segunda linha estão as milícias de voluntários.

Nesta quinta-feira, as tropas de Gaddafi bombardearam as posições rebeldes com mísseis Grad e foguetes Katyusha.

Enquanto isso, a maior parte dos habitantes da vizinha Ajdabiya, a 65 quilômetros ao leste de Brega, fugiram da cidade por temor a novos ataques.

Se Brega cair nas mãos das forças governamentais, seu alvo seguinte seria Ajdabiya, uma cidade estratégica já que dela sai uma estrada que liga diretamente com Tobruk, ao leste de Benghazi, sem passar por esta última cidade. Sua conquista é chave para isolar a capital rebelde.





Obama e a sabujice da mídia

22 03 2011

O artigo abaixo está na edição 402 do Correio do Metrô.

Obama e a sabujice da mídia

Alfredo Bessow

A recente visita do Barack Obama e sua “entourage”, parafernália que foi da água de beber ao prosaico papel higiênico – em 10 aviões que trouxeram, entre outras coisas, armas, três limusines, helicópteros e toda sorte de parentes, serviu para mostrar uma vez mais, o baixo nível da mídia nacional.
Não houve cobertura jornalística do evento, mas sim uma babação enojante, uma bajulação subserviente e uma devoção típica de dementes e fãs histéricos. Em lugar de buscar informação, os nossos bravos ‘repórteres’ se esmeraram em prestar atenção no vestido da Dilma para saber se estava de acordo com a ocasião, falaram dos cabelos brancos do Obama.
Ele deve ainda agora estar sonhando em ter lá nos EUA uma mídia assim capacha e bajuladora – porque lá, o mínimo que os meios de comunicação disseram foi que Obama e sua família fizeram um exótico tour turístico por um país aliado. Isto ficou patente quando a própria 1ª dama de lá disse que tinha trazido as filhas porque ela costuma levá-las junto para países que, em outras circunstâncias, jamais visitariam.
A nossa mídia revelou todo seu fascínio, portando-se como tietes que esperam no quintal a visita do coronel. Tem horas que sinto vergonha, noutras a minha sensação é de absoluto nojo pela forma como os meios de comunicação brasileiros são subservientes. Eles moram no Brasil, mas vivem 24 horas por dia sonhando e se portando como sub-ianques. Usam toda parafernália descartável, são beócios que se comprazem em babar diante de qualquer coisa vindo de lá.
Hoje, o Brasil é o retrato acabado do colonialismo. E isto é uma nefasta conquista da mídia, que bestializou o brasileiro, que entupiu o nosso povo com o lixo cultural onde gagás da vida é que viraram símbolo e parâmetros de referência em termos de comportamento. Vale a promiscuidade, a banalização da sexualidade, o desrespeito ao perfil cultural do brasileiro.
Eu fico pensando o quanto nós estamos longe do que é uma efetiva referência de poder. A mídia, porque Obama foi um evento apenas midiático, se portou como esperava o império: de cócoras, disposta a bajular e a rir de tudo. Nenhum questionamento pela armação do golpe de 1º de abril de 64; nenhuma palavra sobre o treinamento de militares brasileiros em técnicas de tortura; nenhum pio sobre o dinheiro de ladrões brasileiros investidos em bancos e fundos nos EUA…
A nossa valorosa mídia, de tão enojantemente puxa-saco e babona, não teve nem mesmo coragem de dizer que houve manifestações contrárias e que redundaram em prisões de militantes de alguns partidos.
Nestas horas, sinto inveja da altivez de outros povos. O Obama que saiu bajulado daqui, foi vaiado e duramente cobrado no Chile pelo apoio que os EUA deram ao golpe que matou Allende e instalou em nosso vizinho andino a mais sangrenta ditadura do hemisfério no séc. XX – comandada por um animal de farda chamado Pinochet.
Confesso: fiquei com inveja dos chilenos e uma imensa vergonha do papel de ‘geni’ que a mídia assumiu e que os colegas jornalistas acabaram, também para manter o emprego, aceitando.





Veja e o exercício da desinformação

18 03 2011

A cada momento, um pouco mais do lamaçal no qual se transformou a Veja – que a exemplo de outros veículos optou por se transformar em instrumento de comunicação a serviço da direita retrógrada que viceja entre o esgoto e o lixo no Brasil.
A entrevista teria sido feita em setembro de 2010. Esta informação circula pela internet e em nenhum momento foi desmentida pela famiglia que controla a publicação. Ou seja: a patifaria é bem maior do que se pensa. A justificativa para a veiculação AGORA está no fato de que a referida entrevista teria sido concedida ao repórter Diego Escosteguy – alguém adequado para navegar e chafurdar em tais meandros.
Por conveniência política, foi engavetada. Imaginemos o estrago desta entrevista se ela tivesse sido veiculada em setembro de 2010… Quantos do que hoje ostentam mandato, teriam conseguido?
Ou seja… se faltava alguma ‘coisa’ na escala de decadência da Veja, esta foi a chamada pá de cal.
Agora, com a ida do Diego para a Época, a Veja sentiu que poderia ver a matéria publicada numa concorrente e para nãos er furada, colocou na edição online.
Ou seja: é pura lama e podridão.
Veja e Arruda, tudo assim… bem juntinho…





Arruda e o enterro do Demo

18 03 2011

Arruda, o vice dos sonhos de Serra, resolveu voltar à ativa.
Ninguém sabe se a entrevista é recente. Alguns acreditam que é coisa antiga.
Se for recente, indica que Arruda desta vez não vai deixar Durval comandar o espetáculo sozinho.
Se for coisa antiga, de antes das eleições como acreditam alguns, então a Veja terá cometido um crime – mais um! – na sua vasta folha corrida de compromissos com a desinformação. Lembram da tórrida história do grampo sem áudio? Por ironia, nas denúncias de Arruda e no episódio do grampo, uma figuira perversa e patética permeia as duas: o senador careca Demóstenes de Goiás.
E fez de tal forma que enterrou numa só lapada o Demo e deixou bem claro que pode puxar o Psdb para a cova também. Aproveitou para chamuscar o PT do Goiás, mormente pela parceria no Entorno, e lembrar de sua estreita amizade com Cristovam – algo que todos aqui no DF já sabem muito bem! Sobre o Cristovam, a revelação do Arruda fez voltar na pauta das conversas aquela história de que o ex-governador do DF só entrou na campanha para bater no Lula. Algo que a Marina fez em 2010, desta feita batendo na Dilma… E foi dando nome aos bois… melhor, aos nobres e honestos Demos, puxou para o lamaçal os tucanos e daí resolveu ainda poupar nomes, jogando tudo nas costas do Guerra – tudo figuras ilibadas. Ícones do moralismo. Impolutos, singulares – bandidos que cada vez mais se sabe apenas ganaciosos e vulgares.
Estranhamente, ao menos por agora, resolveu poupar Aécio – mas poderia, por exemplo, dizer que trouxe e ainda está com contrato em vigor a Agência Nacional, empresa de BH que aportou por terras candangas em contas de muito dinheiro do GDF a pedido do governador mineiro. Reciprocidades.
O enterro do Demo chegou a ser patético: Arruda – ou terá sido Serra? – deixou que o partido elegesse um novo presidente e o alvejou na lata – Agripino Maia. Seria interessante dar uma olhada na prestação de contas da Micarla e ver se tem o dinheiro doado pelo Arruda. E de todos os demais mencionados.
Vingativo, também detonou Kassab, esta figura estranha, um ser meio anódino. Surgiu do nada e para o nada voltará. Muitos são os que dizem que a vingança do Arruda um dia chegaria – e pelo visto chegou ceifando diguras e dizimando ainda mais onde já havia apenas escombros, perfis fantasmas e ranços.
Vale a pena ler a entrevista que o Arruda deu para a Veja – antes ele tinha dado muito, mas bota muito dinheiro nisso para a revista. A entrevista vale pelas revelações, pelas confirmações -mas também porque elas oferecem um contraponto às gravações do Durval e possibilitam uma leitura mais demorada do perfil corrupto e perverso de Demos, Tucanos e a papagaiada do PPS.