Alguém precisa abrir os olhos da Dilma…

18 10 2010

Um dos grandes enigmas e ao mesmo tempo desafios é compreender as razões pelas quais a coordenação da campanha de Dilma Rousseff à presidência tem tanta lerdeza para reagir. O grupo de humor do passado com que os petistas costumam tipificar a habilidade e a agilidade do trio composto por Palocci, Dutra e Falcão vai muito além da angústia de quem não consegue canais e nem mecanismos para se fazer ‘escutar’.
Faz tempo que são emitidos sinais de alerta acerca da ação suja do pessoal do Serra na blogosfera. Há equipes contratadas para disseminar material mentiroso contra Dilma. Aqui mesmo de Brasília foram contratados jornalistas com o intuito exclusivo de, contratados por jornais, preparar material pró-Serra. Fossem petistas, diria que estariam sendo preparados dossiês. Como são tucanos, é trabalho…
Hoje à tarde, conversando com amigos do interior da Bahia, recebi a informação de que a mentira do Serra do salário mínimo de R$ 600,00 tem um poder devastador. está virando votos em tudo que é canto. E o que faz a coordenação da campanha? Vão ficar tais quais songa-monga andando de um aldo para outro, esperando o repórter da Globo ou o jornalista da Veja ou a repórter da Folha?
Mais: para quem vive nos grotões e pelo interior, pré-sal e Paulo Preto ou Afrodescendente não quer dizer nada. Pré-sal e Paulo Preto interessa para quem já tem o voto definido. O povo é na sua essência moralista.
Ontem à tarde, domingo, conversando com vizinhos e explicando o imbróglio do aborto do casal Serra, me disseram: ah, duvido… ainda não deu no Jornal Nacional. E o que pode fazer a Dilma ganhar não é o pré-sal e nem o Paulo Preto. O que pode fazer a Dilma ganhar é falar o que o povo quer escutar.
Ontem no debate da RedeTV a Dilma foi professoral, foi explicativa. Foi convincente para quem quer saber de projetos. Mas deixou a desejar no que diz respeito a clareza. Por exemplo: o Serra falou dos cursos do FAT e quem vive em Brasília haverá de lembrar que os cursos do FAT tinham o padrão ‘Walita’ e não qualificavam coisa alguma. Aqui no DF como em várias partes do País serviram apenas para enriquecer pessoas. Faltou ela saber dar nome aos bois. O diacho é que como a coordenação é marcada pela mesmice do ponto de vista, sem espaço para o divergente, Dilma que é mais qualificada do que Serra e tem melhores propostas do que ele, ela se perde.
Além de dar nome aos bois, Dilma precisa dizer sim que a privatização da telefonia foi uma grande picaretagem. Que as empresas não investiram em estrutura física e a ampliação da base de ‘telefones’ foi em decorrência de avanços tecnológicos. Que o brasileiro, o mecânico, paga até 9 vezes mais caro pelo telefone pré-pago no Brasil do que em outros países.
Outra questão: mostrar quais as empresas que o Serra privatizou no Governo Federal e enquanto Governador de São Paulo. Ontem a Dilma insistiu na Cia de Gás – mas não falou da aquisição da Nossa Caixa.
è preciso desmentir Serra no que diz respeito ao Banco do Brasil. Mostrar a ata do Ministério do Planejamento preparando o BB para a privatização. Dizer quanto foi gasto na tentativa de trocar o nome do Banco do Brasil para Banco Brasil ou de Petrobras para Petrobrax.
Dilma não reage quando Serra mente deslavadamente sobre o loteamento de cargos no Governo Federal sob o comando do Lula/PT – como se esta não fosse uma prática constante de TODOS os governos. Ou a Dilma e a sua maravilhosa coordenação não sabem do Roberto Freire, do PPS de Pernambuco e membro do conselho de administração de uma empresa pública paulista? Ou isto não é loteamento?
É sabido que Serra mente. Mas o que os iluminados da coordenação de Dilma não sabem é que estas mentiras – salário mínimo, aborto e etc – estão colando. E que depois não digam que não foram avisados.
Reitero o título do post: alguém precisa abrir os olhos da Dilma! E não acredito que a atual entourage que a cerca tenha interesse em fazê-lo – preferem perder com a arrogância do que vencer abrindo mão de seu poder…





A Globo e o aborto do Serra

17 10 2010

É no mínimo sui generis a situação vivida pela famiglia Marinho e os veículos de comunicação da Globo. Assumidamente defensores de Serra e que adoram veicular uma linha editorial que criminaliza os movimentos sociais, que ridiculariza aqueles que defendem um projeto nacional, adversários ferrenhos da política externa brasileira implementada a partir de janeiro de 2003.
Em verdade, há uma postura radical da famiglia Marinho em ser contra tudo aquilo que o Governo Lula/PT defende enquanto política de governo.
E aqui é preciso mais uma vez fazer três registros e um resgate:
1. a famiglia Marinho é contra o Governo, apesar de ter se fartado de ganhar dinheiro deste governo;
2. a famiglia Marinho teve inúmeros benefícios em linhas de financiamento (de igual modo que O Estadão);
3. o governo não teve nenhuma preocupação ou cuidado em fazer valer o seu poder na questão das concessões de rádios e TVs de grupos ligados a TV Globo;
4. o resgate necessário: os petistas babam de desejo, algo que seguramente uma terapia poderia ajudar a resolver, de aparecer na TV Globo. Diria até que têm sonhos eróticos sendo entrevistados pela ex-vênus platinada, hoje reles e sabuja enlameada. Mas é patético observar o desejo de ser entrevistado0 pela Globo. Ridículo seria mais correto dizer.
Diante de um quadro assim tão favorável, a Globo quer Serra por uma questão de afinidade ideológica. De apego ao neoliberalismo – quem sabe na esperança de ‘ganhar’ alguma empresa a ser privatizada.
Mas a Globo também é – ou ainda é – uma empresa jornalística.
E agora está diante de um dilema: como tratar a questão do aborto que, segundo duas testemunhas, teria sido confessado por Mônica Serra em aulas? Continuar omitindo o assunto, como tem feito até agora – ainda que no horário eleitoral gratuito o assunto já tenha sido veiculado? Fingir que nada existe, mesmo o assunto sendo veiculado em jornais, rádios e TVs ‘rivais’? Deixar a água passar por debaixo da ponte, olhando descuidadamente para o outro lado e assim nem reparar que até mesmo ‘seus’ blogueiros tratam do assunto?
O dilema (e/ou quem sabe medo) do jornalismo Global – que me parece ser administrado pelo departamento comercial da empresa – está numa sutileza: se ela der publicidade e veicular o desmentido do carcamano Serra e sua esposa acerca do aborto, estará levantando a bola para o principal assunto político deste 2º turno que para ela ainda não é jornalismo (similar ao imbróglio Paulo Preto, igualmente ignorado pela famiglia Marinho). Se não veicular, estará desrespeitando seu ‘público’, mas para a famiglia isso parece ser coisa de menos importância.
É por estas e outras que apenas alguns petistas ainda continuam tendo sonhos com a Globo, cada vez mais venal, cada vez mais enrascada nas suas próprias contradições.

Em tempo:

Que fique bem claro: não faço nenhum juízo de valor ou julgamento da opção que Serra e Mônica fizeram acerca do aborto. Alegar situação de ‘vulnerabilidade’ é tão óbvio que chega a ser risível: toda mulher e/ou casal é levado ao aborto por uma situação de vulnerabilidade. O que resta aguardar é se o Serra terá uma atitude de homem e vai ser solidário com a esposa Mônica ou vai deixar sobre os ombros dela a responsabilidade individual de uma prática que, no caso do casal, sempre é tomada pelos dois.