Aécio: mais para Collor do que para Tancredo

7 04 2011

Escutei o discurso de Aécio.
Confesso que esperava mais.
Mas devo reconhecer que FHC tinha razão quando ele disse que Aécio é apenas o parente de Tancredo.
O discurso é uma colagem de clichês – como alguém que pega um roteiro e vai preenchendo com aquilo que pode impactar. Como ensinava meu velho pai: em terra de vesgo, quem tem um olho no máximo enxerga meia realidade.
Pensei que depois de dois anos de mandato de governador, tendo uma passagem apagada antes como Federal… pensei sinceramente que Aécio tivesse crescido intelectualmente, tivesse amadurecido politicamente, tivesse aprendido com os mineiros. Mas me lembrei: ele não é mineiro. Ele é uma espécie de carioca que optou por Minas apenas por comodismo e a facilidade de se apresentar sempre com um caixão debaixo do braço.
Definitivamente, Aécio, depois deste dircurso, cheio de lugares-comuns, cheio de futilidades linguísticas.. ele está sim mais para o Collor caçador de marajás e que falava qualquer besteira e a mídia do Rio e São Paulo transformava em grande evento político.
E sem querer fazer qualquer ironia, cabe lembrar que Collor e Aécio são dois cariocas – inclusive recaindo sobre os dois as mesmas dúvidas quanto a condutas e hábitos.
A dúvida que fica depois de tanto vazio em palavras é se a mídia irá tornar o vazio um poço de sabedoria.
Para quem esperava ver surgir, no discurso, a esperança de um futuro líder da oposição, a papagaiada de Aécio deixou a firme convicção do ressurgimento de um fantasma do passado. Resta saber se o povo brasileiro aceitará ser tapeado mais uma vez.