Comunicação: o estranho mundo do GDF

29 03 2011

Dizer que há um privilegiamento na divulgação das informações do DF – e falo aqui no fato de que algumas pessoas recebem informações, são mantidas a par de certas coisas que talvez nem devessem ter este acesso – é repisar numa tecla enfadonha e que serve para denunciar o estranho compadrio entre quem chega a um cargo sem ter tido a honestidade profissional de se dizer incapacitada para o exercício do mesmo e quem se beneficia deste ‘trânsito’. Não se trata de ‘fonte’, quando quem serve de ‘fonte’ deveria ser apenas emissor. Trata-se mais de um exemplo de incompetência do que de estratégia de comunicação.
É óvio que o GDF sob o comando de Agnelo – a quem eu defendo por continuar entendendo que a despeito de vacilos e titubeios, por equívocos e trapalhadas, ainda é o único nome que pode fazer um mandato de transição entre a lama e o caos dos últimos 12 anos e um novo tempo que é o anseio maior de todos os brasilienses.
Amanhã, por exemplo, tem a reunião de Agnelo com a CUT-DF – que estava marcada para a semana passada e foi transferida de última hora. Esta, por sinal, é uma reclamação geral: as pautas furadas que são passadas, as informações mambembes que são repassadas e uma indefinição acerca do papel que deve executar dentro deste script. Mas nada é feito. Nada é dito.
Falo de comunicação porque é meu mundo. Falo, pois, do que bem sei e busco pela leitura cotidiana compreendê-la (a comunicação) cada vez mais dentro desta dinâmica de um mundo no qual ‘fazer comunicação’ não é mais botar as mãos na cintura e se julgar acima do bem e do mal – ainda mais quando se faz parte de uma equipe de um governo eleito por um partido como o PT que tem vínculos históricos com a luta pela democratização da informação e contra toda sorte de privilegiamento.





Comunicação falha e Agnelo ‘apanha’ de graça

27 03 2011

Ainda que toda unanimidade seja burra, há uma convergência quanto à perda de oportunidades pelo GDF pelo fato de não ter uma Secretaria de Comunicação com a estrutura e o perfil necessários. Há uma flagrante incompatibilidade entre uma repartição que emite releases, ocupada por um porta-voz, e a expectativa e os desafios que devem ser assumidos por um Secretário de Comunicação qualificado.
Resta saber até quando o Governador Agnelo irá continuar teimando com esta solução que ele criou, gerando um monstrengo. Se de um lado contemplou o ego e a demanda salarial pedida, de outro gerou uma situação ridícula. Nada justifica ficar amassando barro, sem sair do lugar, apenas para dar a falsa impressão de estar se movimentando.
O que se sabe é que decorridos quase 100 dias da posse, a imagem do governo Agnelo está muito mais próxima a uma convicção de continuidade dos outros governos do que uma ruptura ética. Dentro deste quadro, é apavorante observar que a Secretaria de Comunicação é de uma incompetência aterradora, sem se contrapor ao noticiário que tenta colar estereótipos no Governo Agnelo. Falta alguém com autoridade para dizer que episódios como os de Alírio Neto e de Chico Leite não dizem respeito ao atual governo, que foram suspeitas em relação a atuações lá no passado.
Estou entre aqueles que não tem nenhuma razão para defender ou achar que Alírio Neto seja um modelo de político, ainda mais pela sua participação efetiva no processo de destruição da qualidade de vida do Guará – tanto no episódio da tramitação do PDOT – que desrespeitou TODAS as deliberações dos moradores do Guará que em audiências públicas definiram gabaritos de prédios e outras ações – quanto na transformação da cidade em um amplo campo para a ilegalidade de construções, com a proliferação de kitinetes e a construção de novos andares nos setores de oficina e do chamado pólo de modas. Cabe lembrar que o administrador da cidade foi e continua sendo indicado por ele, Alírio.
Mas para mim, soa estranho que Durval diga que entregou dinheiro ao Alírio e estranhamente não o filmou. Logo ele que filmou a todos. Ou será que neste caso, como em outro envolvendo um policial, ele, Durval, prudentemente e por medo tratou de não exibir as imagens?
A palavra de Durval, volto a dizer, não tem credibilidade alguma. Já escrevi várias vezes que, para mim, ele continua sendo apenas e tão somente alguém com muitas contas a acertar com a Justiça e ao entregar AS FITAS ele fez algo para tentar salvar um pouco a sua pele – mas que isso em nada o redime dos crimes pelos quais está sendo acusado. A palavra de Durval não tem valor se não estiver amparada por fitas de vídeo.

Dois pesos, duas medidas

Quando Arruda denunciou o povo do Demo e do PSDB, sem no entanto conseguir provar nada, houve uma enxurrada de questionamentos – inclusive pela impossibilidade de comprovação das denúncias. E elas foram saindo rapidamente do noticiário. No entanto, agora com o Chico Leite, a palavra de Arruda – um mentiroso contumaz e assumido – passou a ter valor. Não se trata de uma defesa do Chico Leite, mas apenas a constatação de que existem avaliações circunstanciais que são utilizadas e disseminadas por conveniência. Quando ele, Arruda, diz que bancou o Demo e o PSDB – mas não tem como provar, ou ao menos não lhe convém provar ou mostrar os comprovantes – daí as revelações são descaracterizadas e rapidamente esquecidas pelas mídia.
No entanto, quando este mesmo Arruda diz que foi procurado por Chico Leite, a palavra de Arruda volta a ter valor e peso. Logo algo vindo de Arruda, um mentiroso de carteirinha.

E as juras da Celina?

Não resistiu muito tempo o arrazoado da distrital Celina Leão dizendo que seu marido nada tinha a ver com a farra de cartas-convite na administração de Samambaia. A revelação de fac-simile com as assinaturas serviu para mostrar que se houver interesse por parte do Ministério Público, muita coisa poderá ser descoberta. Esta é a avaliação que especialistas fazem, corroboradas pelos dados já coletados e analisados pelo pessoal do Tribunal de Contas do DF. Descobrir o vínculo certamente é uma tarefa que ficará mais fácil se forem observadas as movimentações financeiras, a prestação de contas da campanha e outras ações que podem corroborar as suspeitas ou, o que acabaria sendo bom para a política do DF, a plena e total certeza de que ela não tem nada a ver com o que aconteceu na Administração de Samambaia.

Agnelo e uma nova agenda

Para sair do corner, para deixar de pagar por erros de outros, Agnelo precisa trabalhar com a parte saudável do seu governo. Já escrevi antes e repito: não precisa ter a maioria de 22 votos na CLDF. Basta costurar uma maioria de 16 votos confiáveis e deixe o resto ser oposição. É mais barato. É mais fácil.
Outra medida urgente é a de redefinir a estrutura de sua pasta de comunicação. Hoje o GDF não tem ‘comunicação’. Tem alguém ocupando uma função, sem no entanto ter a capacidade e a compreensão política que o cargo exige. Insistir com uma enjambração é continuar apanhando sem precisar, por coisas que não fez. Achar que comunicação continua se restringindo a uma TV e a um jornal aqui no DF é assumir a miopia e a incompetência. Há uma gama de novos agentes que estão sendo deixados de lado – revelando a arrogância de quem se pensa acima do bem e do mal.
Agnelo precisa formular uma política de comunicação, para falar com a sociedade e deste modo mudar esta imagem de continuísmo e de marasmo que hoje começa a se consolidar. Ainda é tempo, claro que sim – mas para não desperdiçar todas as oportunidades, Agnelo precisa começar a entender que ele é o Governador do DF…





Agnelo recebe direção da CUT-DF nesta quarta, 23

22 03 2011

Não habituado a conviver com o jogo de pressão e com a necessidade de compartilhar informações, afinal de contas toda vivência política de Agnelo se deu dentro do PCdoB que funciona como uma espécie de seita onde um decide e os outros obedecem em resignada hierarquia, o governador do DF está se dando conta de que precisa ‘entrar’ no PT. A avaliação de muitos petistas que hoje Agnelo apenas está filiado ao partido – sem no entanto ter captado as diferenças entre estar (filiado) e ser (do partido).
A percepção destes petistas é que as opções do governador também priorizam alguns petistas que não possuem uma vida dentor do partido, ainda que estejam filiados há muitos anos. Para estes, tais figuras sempre colocam em sua atuação política em primeiro lugar a tendência a qual são ligados, deixando o partido em segundo plano.
Para mostrar ao governador que ele precisa entrar e viver o processo político e dialético peculiares do PT é que um grupo de dirigentes está trabalhando arduamente para mostrar que ao se cercar de um grupo mais adepto da negociação e da mercantilização da política ele, Agnelo, pode estar caminhando para o suicídio político com a eclosão até mesmo de escândalos.
Foi preciso que o presidente do PT-DF, deputado Roberto Policarpo, chutasse o pau da barraca para que Agnelo retomasse com a realidade política. Sabe-se lá instado pelos conselhos de quem, mesmo há quase 100 dias no poder, somente nesta quarta-feira, 23, ele irá receber a direção da CUT-DF em audiência em Águas Claras – contando com a presença também de dirigentes da CUT Nacional que estão em Brasília até sexta em reunião de sua diretoria.
Estranhamente, Agnelo parece ter esquecido o papel que a CUT e os sindicatos a ela filiados desempenharam na sua campanha. Talvez por estar seduzido por novos aliados, mas a verdade é que Agnelo esqueceu totalmente o que assumiu com as categorias de servidores.
Será uma reunião tensa esta marcada para quarta-feira na residência oficial de Águas Claras.
Mas talvez seja o primeiro passo para Agnelo Queiroz definitivamente entrar no PT…





Comunicação é o ‘calcanhar’ do governo Agnelo (PT-DF)

20 03 2011

Ao assumir, Agnelo se deparou com um quadro de terra arrasada: serviços públicos sem funcionar; cascas de banana deixadas aqui e acolá por Rogério Rosso – com a assessoria do grupo de Roriz e até alguns raivosos ligados ao Arruda; lixo acumulado por todos os cantos; mato vergonhoso. Não teve, no entanto, habilidade para dimensionar junto à sociedade que isto não teria solução em um passe de mágica.
Além deste quadro, ele também contribuiu para um certo desencanto junto ao eleitor ao nomear e indicar como auxiliares diretos pessoas que tinham sido servis e serviçais dos governos Roriz e Arruda.
Esta situação gerou uma situação de perplexidade. Em alguns, até mesmo de desencanto.
Em um primeiro momento, parece que Agnelo não tinha assumido a dimensão política do cargo de Governador. Quis, por exemplo, ser secretário de Saúde, como se esta área seria consertada com algumas visitas.
A bem da verdade, o descaso dos últimos 12 anos em áreas como Saúde, Segurança, Educação, Transporte Coletivo e Habitação demanda o trabalho POLÍTICO de um governador 24 horas por dia. Agnelo, ao se cercar de pessoas com interesses políticos e em permanente disputa de espaço e poder dentro do Governo, acabou alimentando o fisiologismo. Falta ao GDF um gerente, alguém que tenha o perfil para fazer tecnicamente o governo andar e o governador poder fazer POLÍTICA – algo que hoje não lhe sobra tempo. Delegar a tarefa de fazer POLÍTICA é criar cobras dentro da própria casa.
Querer ser ao mesmo tempo gerente e político é perda de tempo.
Sem querer comparar, mas apenas para que se tenha um parâmetro real do que estou dizendo: Lula teve êxito porque não precisou se preocupar com o andamento da máquina, que ficou nas mãos de Dilma. Lula teve todo tempo do mundo para fazer política. É esta figura que falta no GDF de hoje.
É hora de sair da fase das visitas e partir para questões operacionais – algo que, cá entre nós, será quase que impossível com a atual equipe – e nem vou nominar aqui nomes que ocupam cargos e sua ação é pífia. E sua competência já ficou provada inexiste.
Agnelo e o PT precisam criar uma agenda positiva que faça com que a sociedade tenha a percepção de que o governo está funcionando. Como são muitas caras que continuaram, é preciso mudar o modo de chegar na sociedade. Uma medida positiva seria desativar aqueles postos da PM que o Arruda, de modo tresloucado e incompreensível, instalou no DF. Ali poderiam funcionar postos de atendimento ao cidadão – uma espécie de ‘na hora’. Algo precisa ser feito com aqueles cubículos hoje inúteis.
O governo não está mal, mas infelizmente não tem tido competência para dizer à sociedade o que está fazendo e como o quadro está sendo alterado aos poucos. Fez bem ao alterar a estrutura viciada que havia, deixando a publicidade nas mãos de uma pessoa de sua confiança. Errou, no entanto, ao confundir porta-voz com o responsável pela implementação das políticas de comunicação do seu governo. São coisas parecidas, assim como o vidro e o cristal são similares e tem na areia a sua origem e no calor a sua busca do ponto de fusão. Mas o porta-voz, vidro, pode ser qualquer um ou uma, enquanto que a pessoa a quem cabe o papel de criar uma política de comunicação do governo deve ser alguém lapidado, capaz, competente e que não se limite a emitir releases.
Vidro é vidro. Cristal é cristal.
Porta-voz é porta-voz. Secretário de comunicação é outra coisa – bem distinta.
Enquanto Agnelo e o PT não entenderem isso, continuará esta sensação de marasmo e de imobilismo – algo que seguramente agrada algumas pessoas (mesmo petistas) e principalmente os partidos hoje aliados e que, com tempo de fazer política, começam desde já a tricotar com vistas a 2014.





Durval e o ventilador

17 03 2011

Desde antes do carnaval, o multi-processado Durval Barbosa, talvez acossado pelo abandono, quiçá sentindo-se cercado, com problemas familiares decorrentes de briga com a ex e em vias de ir perdendo patrimônio e sem o glamour que alguns tentaram, por conveniência, criar em torno de sua figura como se pelo fato de ter revelado suas atividades criminosas e parte de seus cúmplices e comparsas, isso o tornasse figura de biografia imaculada… a verdade é que por alguma razão ele sentiu necessidade de dar sinal de vida e voltou a trazer vídeos que são saudados com estardalhaço por viúvas de Roriz e Arruda, que junto com agrupamentos diversos, ainda saúdam Durval como a esperança…
Trata-se de material requentado, partes complementares de material anteriormente editado e divulgado – dentro de um processo de blefe e de chantagem, contando com o beneplácito da chamada ‘delação premiada’. Neste sentido, é importante observar o que disse Roberto Gurgel, no Correioweb: “Questionado sobre o risco de Durval perder a delação premiada, o procurador-geral foi incisivo ao dizer que as gravações não podem ser entregues a “conta-gotas”, como ocorreu no caso do vídeo divulgado no último dia 4 em que a deputada federal Jaqueline Roriz (PMN-DF) e o marido, Manoel Neto, recebem R$ 50 mil. “Na verdade, ele tem a obrigação de entregar o todo o material que ele tenha de uma só vez. A partir do momento em que ele estabelece uma entrega, digamos em conta-gotas, ele está sim rompendo os termos do acordo”, alerta Gurgel. “O Ministério Público não será instrumento de um tipo de conduta que não parece conveniente à Justiça, mas sim a outros interesses e a interesses certamente escusos”, completou.
É hora sim de dar um basta na palhaçada e na patifaria.
Que revele o nome das pessoas, dos magistrados, dos integrantes do Ministério Público, dos jornalistas e deixe de usar uma vasta rede de fofocas para tentar vender o material como tem sido insuando por alguns. É certo que o fim dos aportes financeiros cotidianos irá gerar uma redução de sua capacidade de cobrir custos com advogados e outras necesidades jurídicas para se livrar da condenação futura.
Brasília não merece ficar refém dos estertores de uma quadrilha que tomou de assalto o poder em janeiro de 1999 – inclusive com tentáculos dentro do governo que foi eleito com o compromisso de oportunizar ao DF e aos seus moradores ‘um novo caminho’.
Não me move nenhum sentimento de culpa ou de medo, apenas de nojo em face desta novela onde patifaria tenta se passar por heroísmo…





Tem gente arrudeando no novo caminho…

16 03 2011

Com o chefe chamuscado e tendo se tornado sinônimo de ‘deslumbrado político’ e flagrado em cenas nada recomendáveis quando foi aberta a Caixa de Pandora aqui no DF, algumas das figuras que tinham muita notoriedade no mundo e submundo arrudeano estão tentando colocar as manguinhas de fora. O êxito é relativo, mas a sorte tem sido benfazeja para com certos detentores de biografias nada recomendáveis. Teve aqueles que, mais destemidos, viraram até secretários na atual gestão – outros ainda vicejam nas sombras, mais preocupados em se livrar de pensas e condenações.
Mas tem causado particular espanto a movimentação de duas pessoas próximas ao hgomem do Mensalão do Demo e que pretendem assumir a presidência do Sinduscon. Para quem não é enfronhado ou não convive com o cotidiano da máquina pública, o Sinduscon é, sob a fachada de um sindicato empresarial, na veradde uma máquina a normatizar a corrupção – vez que é em suas reuniões que são definidos os acertos que antecedem as concorrências das grandes obras. Não por acaso é uma seceretaria disputada a unha, dente e rasteiras quando da composição de qualquer governo estadual. No DF, não foi diferente. Agnelo e o PT bem que tentaram tirar das mãos do Pmdb de Felippelli – que foi inclusive secretáriode Obras de Roriz e depois esteve com Arruda. Não conseguiu tirar das mãos do Pmdb e muito menos teve força de impedir que um ex-aliado de Arruda assumisse a pasta de Obras. Ou seja: onde se fazem obras, continuou valendo o velho caminho. Agora, sabe-se da movimentação de Márcio Machado e Dalmo Perez trabalhando para assumir o Sinduscon-DF. E qual a principal credencial que apresentam: serem próximos, terem acesso e serem aliados do secretáriod e Obras do GFG.
Mas… calma aí: quem são estes dois candidatos? Márcio Machado foi presidente do Psdb-DF e secretário de Obras de Arruda e denunciado na Operação Caixa de Pandora. Quanto ao segundo, é pai da esposa do homem do mensalão.
Assim fica mais fácil fechar a equação ou alguém ainda precisa desenhar para que se perceba que o mesmo grupo que comandou a máquina de corrupção nas obras durante os últimso anos no DF está se articulando 24h por dia para manter intacto o esquema no Governo Agnelo.
Depois, que ninguém venha dizer que não foi avisado…





MPF alimenta central de boatos no DF?

13 03 2011

Como não estou entre aqueles jornalistas, blogueiros e nem ‘viúva’ de quem quer que seja que tem fontes, amigos, compadres e informantes dentro do MPF – Ministério Público Federal, só me resta esperar que aconteça durante a semana a derrama de vídeos que as verdadeiras viúvas de Roriz e Arruda vêm anunciando. Diga-se de passagem que é bastante questionável esta postura do MPF de ficar vazando informações e depoimentos, supostamente prestados sob segredo de justiça e muitas vezes amparado por instrumentos como a delação premiada e outras variantes. Terá o glorioso MPF o papel de alimentar uma espiral de fofocas – inclusive em revistas que se esmeram na arte de requentar informações?
Antecipadas e anunciadas com estardalhaço, as revistas apenas serviram para repisar velhos e surrados episódios. Não houve nenhum questionamento, por exemplo, acerca das razões que levaram Durval Barbosa a entregar a filha de Roriz. Fossem publicações sérias – Veja, Isto É e O Globo – e poderiam ter prestado um belo serviço à ética dizendo a quem interessa a renúncia de Jaqueline e o que ela traz de simbolismos.
Mas seria demais esperar algo de quem se vale de conversas de corredor, mesclando sensacionalismo e irresponsabilidade!
Desde o fim do carnaval tenho insistido com alguns interlocutores, mormente no twitter, se algum deles viu as tais ‘outras fitas’, tal a riqueza de detalhes que afzem questão de enunciar – dentro de um círculo de realimentação do boato e da fofoca. Percebe-se que há mais desejo do que amparo em fatos e na realidade.
Agora, a derrama de filmes está sendo anunciada para esta semana. Sabem até quantos são, o que demonstra a proximidade de muitos deles com Durval Barbosa. Sabem quais os personagens de cada um deles, o que supõe que tiveram acesso. Mas, questionados sobre conivência e cumplicidade – todos tratram de desconversar e cair fora. De fininho. Teve um que até tuitou durante o carnaval que as edições das fitas estavam em ritmo galopante.
Votei em Agnelo – e assumo meu voto. Mas não sou conivente com nenhuma forma de patifaria. No entanto, não acredito que seja um reforço para a democracia a sistemática disseminação de boatos. Percebe-se que tudo é jogado para a frente como forma, na tentativa de tirar o foco da única realidade jurídica e política inconteste: flagraram a filha de Roriz com a mão na massa.
O resto é boato – mesmo que seja, esta prática, alimentada pelo vazamernto do MPF.