Audiência com Lula: panelinhas tentam tomar conta da blogosfera

23 11 2010

A blogosfera brasileira tem na sua diversidade uma de suas principais características. Há milhões de blogueiros – e não creio que a importância deles seja pelo chamado número de acessos, porque isto depende de muitos outros fatores. (Esta, por sinal, é uma luta dos editores de revistas e jornais que lutam contra o modo tucano que domina a Secom, onde o custo por mil é mais importante do que a qualidade do conteúdo) No Encontro dos Blogueiros Progressistas, em SP, eu coloquei a minha preocupação com a clara tentativa de criar um sistema de castas – onde o estrelismo e o egocentrismo contam mais que fatores como solidariedade.
Infelizmente, os meus piores presságios – e lembro que na oportunidade o Nassif disse, por estar na mesa, que era uma visão equivocada minha. Agora, percebo que não. Conformou-se e confirmou-se a percepção de que o mesmo necrosado e pelos brasileiros derrotado paulistanismo – que tanto mal faz para o jornalismo brasileiro (Veja, Globo, Estadão, Folha), para a política nacional (PSDB, PPS e segmentos deslumbrados do PT), para a nossa brasilidade (vide as manifestações de ódio, preconceito e racismo) e poderia elencar outros setores nacionais que penam por conta deste paulistanismo – tenta transformar a blogosfera num território dominado por uma panelinha de paulistas. Neste desenho, os demais blogueiros tem, como está posto na mensagem recebida, o direito de transmitir…
Quem definiu a nominata dos ‘convidados’?
No jogo de empurra, disseram que foi o Planalto.
E o Planalto não escolheu nenhuma blogueira mulher?
E o Planalto só chamou blogueiros paulistas (ainda que morem em outros estados), ou que também trabalhem em ‘veículos’ paulistas?
O assunto vem sendo tratado com tal sigilo que, quando inadvertidamente alguém me falou deste assunto ontem, pediu pelo amor de Deus manter segredo – para não ter problema com a repercussão.
Posso dizer que pelos nomes revelados, ali está a mesma panelinha que tem como pressuposto a arrogância de querer mandar e comandar a blogosfera. É a carcomida visão paulistana de que o mundo gira em torno do umbigo deles e que o resto… bom, o resto é só o resto…





Desafios da blogosfera: nós e nossos umbigos

9 10 2010

Nem sempre tenho tempo para ficar ‘passeando’ pelos blogues – afinal de contas, são tantos e por vezes é impossível acompanhar as postagens. Diria até que, muitas vezes, fica até difícil de ir postando novas mensagens – até porque sou meio jurássico, na medida em que apenas posto mensagens de minha máquina.
Mas, tem algo que me preocupa – e isso desde bem antes do chamado e histórico Encontro dos Blogueiros Progressistas que aconteceu em São Paulo. Percebo que numa escala crescente os blogueiros trouxeram para ‘cá’ uma prática que muitas vezes condenamos quando utilizada pela mídia convencional.
A Folha publica, o JN repercute, a Veja trata do tema, o Estadão e assim por diante. Como se fosse uma academia do mútuo elogio. Se formos observar, veremos que esta prática acontece entre os blogueiros – onde um grupo de estrelas faz o mesmo jogo, tratando os demais de modo periférico.
Pode parecer antipatia, mas esta é a percepção que se tem: o umbigo e o ego dos blogueiros é realimentado, ensejando uma disseminação dos mesmos entre os mesmos e, num certo sentido, usando os periféricos como ‘cadeia de transmissão’.
Trata-se de algo delicado, na medida em que, no meu modo de pensar, estamos falando no mais das vezes para nós mesmos. Percebo inclusive a repetição dos nomes de autores de comentários em vários blogues.
O que fazer para romper esta repetição que acaba sendo um fator limitante na expansão de nossas idéias? Eu creio que um dos mecanismos está na utilização de ferramentas auxiliares, mas neste sentido deveríamos buscar uma parceria com jornais de entidades sindicais, associativas.
Aqui no DF, por exemplo, entidades como o Sinpro e o Sindicato dos Bancários possuem jornais e informativos com tiragens bem elevadas – mas ainda percebe-se uma tibieza na construção destas parcerias. Mas este é o melhor caminho. Outra alternativa estaria numa parceria com rádios comunitárias e mesmo canais comunitários – ainda que restritos ao espectro das chamadas ‘tvs por assinatura’. Até porque muitos dos blogues ‘matriz’ do outro lado estão dependurados em portais de jornais, revistas, TVs e por aí afora – o que por si só já enseja milhares de acessos.
Enquanto não conseguirmos romper o limitado de nossos umbigos, o poder de intervenção da blogosfera no ‘cotidiano’ continuará sendo muito limitado – até porque há um ‘outro lado’ que tem jogado com mais virulência, truculência e baixaria.
Como vencer este fator que é hoje um limite real?
Como fazer para não trocarmos apenas o nome da prática que condenamos nos outros e continuarmos com uma postura verticalizada de repetição e de reforço?
Como fazer para resgatar na blogosfera algo que está ausente no cotidiano real que é a solidariedade? Percebo, também, que os blogues ‘de lá’ são muito mais sujos em seu conteúdo, muito mais agressivos – mas os percebo mais solidários entre si (como não transito por aquelas bandas não sei qual o clubismo que adotaram, mas a verdade é que eles se divulgam e se protegem com mais vigor).
Este foi, inclusive, o teor da minha intervenção no Encontro dos Blogueiros – porque percebi o quanto o ego esteve acima da solidariedade. O que nós precisamos é fortalecer os meios de ‘levar’ os blogues para além dos limites e das almas já conquistadas. Mas isto não se dará, na minha modesta opinião, mantendo-se o atual padrão vertical e centralizado, mas pela construção de parcerias paralelas – com o fortalecimento de um contraponto dos blogues regionais.
Aqui não se trata de estipular verdades, mas apenas um desejo intenso e imenso de questionar algumas práticas, avaliar algumas posturas e, acima de tudo, descobrir (compartilhando experiências e angústias) meios, mecanismos e caminhos para transcender o limitado de nossos próprios umbigos.





A insanidade da Folha

3 10 2010

Tenho para mim que as eleições deste ano entram para a história como o divisor de águas acerca do papel que os meios de comunicação assumem em toda e qualquer campanha. Não que em 2010 tenha sido diferente do que foi nos anteriores. A postura golpista dos meios de comunicação está presente desde antes do suicídio de Vargas.
A diferença é que este ano trouxe um novo protagonista para o ringue: uma blogosfera onde jornalistas mais bem preparados do que os que estavam escrevendo nos jornais fez, pela primeira vez, um contraponto à manipulação.
Não houve nenhuma mentira montada contra Dilma e veiculada pela mídia tradicional, por exemplo, que tenha resistido mais de seis horas de desconstrução pela blogosfera – sendo que a mídia tradicional, muitas vezes, demorou dias para assumir o erro (em alguns casos, a despeito de todas as provas e evidências, manteve-se apegada a sua versão e contribuindo, por teimosia, para o seu próprio descrédito).
O protagonismo propositivo da blogosfera estabeleceu o antes inexistente contraditório – algo assim primário, elementar, mas que pela primeira vez fez valer a diferença. E não se diga, como Serra e alguns sabujos, que o ‘nosso’ papel tenha sido o de fazer o jogo sujo. Pelo contrário: coube a este segmento fazer a limpeza da sujeira colocada na mídia e na rede.
Ao exteriotipar os adversários como ‘sujos’, Serra, a mídia e a elite por seus porta-vozes, acabou atraindo a atenção de muitos para as baixarias veiculadas contra Dilma, a montagem grotesca de fotos, as inverdades e as insanidades – que iam repercutindo em antas como Merval, Eliane, Reinaldo, Diogo. Na medida em que iam sendo desmascarados e condenados, eles próprios tornaram-se vítimas das próprias leviandades.
Assim, um fugiu e os outros foram ficando cada qual do seu verdadeiro tamanho intelectual, profissional e de subserviência profissional. Ou alguém ainda tem estômago para escutar Miriam Leitão? Ou alguém vai me dizer que não ficou arranhada a credibilidade do JN pela agressividade com que o Bonner, esta coisinha rica e fofa, atacou Dilma ao ser entrevistada? Ou não virou hit o pedido de desculpas ao ter que cortar Serra? Ou alguém haverá de esquecer que em face da repercussão negativa da entrevista até a Globo teve que soltar nota dizendo-se neutra?
Não faltam exemplos. Depois das eleições – mesmo que ocorra o improvável 2º turno – jornais como O Globo, Zero Hora (que é um verdadeiro câncer a corroer o RS e só quero ver se o Tarso Genro vai ter coragem de governar sem se ajoelhar para o povo da RBS), Folha de São Paulo e o Estadão terão de se reinventar ou serão cada vez mais jornais identificados apenas com um segmento derrotado da sociedade). O mesmo vale para revistas como a Veja – a despeito de algumas derrapadas, percebe-se que a famiglia Marinho parece que tirou as mãos do Kammel da linha editorial da Época. A TV terá de conviver cada vez mais com outra realidade: ela é a imagem da decadência.
Goste-se ou não de Edir Macedo enquanto empresário – permito-me como Luterano não questionar a suposta teologia da igreja por ele criada – mas a verdade é que ele partiu ativamente para o confronto. Não teve medo. Não aceitou a chantagem global. Correu o risco e está enfrentando a Globo e seus tentáculos com a mesma estratégia de sempre: sem recuar.
Mas… nada superou uma declaração de impotência que a Folha de São Paulo estampou na capa do portal Folha Online:

É o reconhecimento da impotência: Conheça os cargos em disputa; aprenda a votar branco ou nulo.