Serra não conhece o Brasil. E nem aos brasileiros

26 10 2010

Até agora, salvo engano, foram três debates para o 2º turno. Resta o da Globo, na quinta. A percepção que advém destes três momentos é, segundo definição lapidar captada ao acaso no twitter, que a campanha dos tucanos se resume em: favela falsa, promessa falsa, agressão falsa, passeata falsa, discurso falso, candidato falso.
O grande problema de Serra, e das elites que ele representa, é a extrema incapacidade de não ver o Brasil e nem os brasileiros como algo possível, como algo viável. No processo de reprodução dos conceitos de classe, eles não tiveram nem capacidade e nem interesse em rever seus preconceitos. Estão acostumados a olhar a ‘sociedade’ como algo sobre o qual eles detém o controle.
Até foi assim. Houve um tempo no qual as elites mantinham absoluto controle sobre o povo.
Mas a velocidade com que os brasileiros estão mudando a forma de se enxergarem não mais como párias, mas partes de um processo de conquista de voz – esta velocidade não tem sido engolida pelas elites. A opção por Serra é, e a cada debate isto fica mais claro, a tentativa das elites (e seus instrumentos como TFP, Maçonaria, Opus Dei, meio de comunicação, segmentos das igrejas Católica e pentecostais – praticamente uma versão tupiniquim dos chamados AIE-Aparelhos Ideológicos do Estado conforme definição de Althusser) de retomar o controle do Brasil. As elites, perversas no seu egoísmo, sabem que apenas alguém neurótico como Serra será capaz de atacar de frente os movimentos sociais.
Este é o intuito. Serra não quer apenas privatizar o pré-sal, vender o BB e a Caixa. Desfazer-se do controle de Itaipu. As elites precisam, e Serra fará o papel de cão raivoso (que foi esta a percepção de sua face de ódio e rancor na saudação de encerramento do debate na TV Record), mutilzar os movimentos sociais. Quebrar-lhes a capacidade de luta. Tolher-lhes as condições operacionais de agir, atuar e intervir.
Serra e as elites batem no MST, mas na verdade miram associações, sindicatos, centrais e entidades de luta. Já dobraram e trouxeram para seu lado a CNBB e a própria OAB. Quem não aderir, será destruído.
Volto a dizer: Serra e as elites atacam o MST, mas o objetivo é destruir, mitigar o poder de intervenção dos movimentos sociais.
Mas, Serra revela o quanto desconhece o Brasil e os brasileiros ao tentar ridicularizar as conquistas dos últimos anos. Ao negar a mudança no perfil social do brasileiro, Serra (na condição de boneco das elites) reitera e descarrega sua carga de preconceito e ódio contra o povo.
Ainda que Dilma disponha de confortável dianteira, segundo as pesquisas, é importante que cada um de nós esteja consciente do que estará em jogo no domingo.
De um lado o representante de um segmento ideológico da sociedade que acredita que a razão de existir um país e haver povo nele é estarem sempre ao dispor destas elites. Estes votam no Serra.
De outro lado, a proposta de continuidade de um projeto que vem sendo implementado desde 2003 – com seus defeitos, com suas limitações. Mas um projeto que representa a perspectiva de tornar o Brasil um País de todos. Estes votam Dilma, 13.





Serra e Globo mentem: 2º objeto nunca existiu!

22 10 2010

Antes de começar:
A Globo mente. O Serra mente.
Vejam neste blog a prova de que o 2º objeto é ‘adição’ gráfica. Ou seja: pilantragem.
Méritos na difusão do blog acima devo ao twitter da @Alice_Alvarez – que por sua vez foi informada pelo pessoal do Tomando na Cuia (@tomandonacuia).
Nunca esquecendo: Molina é especialista em ‘voz’. Mas hoje se sujeita a qualquer serviço. Atuou no caso Nardoni, tentando inocentar assassinos. Já foi desmascarado pela PF. É apenas um venal a mais a serviço do Serra.

Isto posto…

Eu bem sei que está todo mundo estressado.
Esta reta final de campanha vai ser um ‘Deus nos acuda’ da gota serena.
Hoje, por exemplo, circula a edição 465 do Jornal Passe Livre – na rodoviária de Brasília com 150 mil exemplares (pró Dilma e Agnelo e sem apoio de ninguém, mas que sobrevive graças a ação de amigos sonhadores tais quais este que vos escreve). E semana que vem será diário – de terça a sábado…
Eu sei que está em curso uma batalha muito interessante. De um lado a Record e o SBT. De outro a Globo e suas afiliadas operacionais e aliadas da imbecilidade (Band, RedeTV, etc).
Uma pena que o Governo Lula não teve culhão para, a exemplo do que fez Getúlio, apoiar a criação de um grande jornald e circulação nacional e que neste momento poderia fazer um contraponto as asneiras da Folha e outros papeis de embrulho.
Na medida em que os tucanos desdenham a diferença de 12 pontos pró-Dilma que os institutos apontam, quero lembrar que prefiro estar 12 na frente do que um atrás…

E sobre o azul e o vermelho?

Acontece que muito além das questões políticas, domingo – dia 24, tem Grenal. Assim, neste domingo sou azul. Espero que o Grêmio ganhe – confirme o melhor momento e tudo mais.
Assim, mesmo sendo gremista, vou fazer minha festa em vermelho no domingo dia 31. Mas neste caso, será a festa de todo um Brasil que luta, sonha, espera e quer fazer de todos os brasileiros parte de suas conquistas.
Nós não podemos aceitar a volta daqueles que querem o Brasil apenas para bancar os sonhos das elites. Eu quero, sonho, defendo e luto por um Brasil que seja meu, seu e de todos os ‘eus’ que se esparramam Brasil afora.
Assim, no domingo (dia 24), estarei na ponta das chuteiras de cada um dos jogadores do Grêmio, na possibilidade de uma cabeça para salvar e nas luvas de milagres de Victor – como um dia foram de Mazaroppi.
Depois, no outro domingo (dia 31), meu coração estará no coração de todos aqueles – e aquelas, para não ferir suscetibilidades – que, com o seu coração, com os seus sonhos, estaremos ajudando o Brasil eleger Dilma.





2010 – a Copa da mediocridade?

12 06 2010

Hoje me permiti o direito de, entre serviços e correrias e mesmo não podendo aceitar o convite do Embaixador da África do Sul para assistir o jogo de abertura da Copa 2010 na residência oficial, ‘olhar’ aos dois jogos. Não sei se alguém já se deu conta de que jogou fora seu tempo, mas esta foi a sensação que eu vivi.

Credo! Que festival de jogadores medíocres, verdadeiros trogloditas a triturarem a bola. Para não dizer que é tudo igual, diria: pior – mais do que iguais, eles conseguem se superar na ruindade. Quando eu, no papel de torcedor, pensei que já tinha assistido minha dose copal de ruindade no jogo entre África e México, eis que vem a segunda dose de veneno: México e Uruguai.

Que povo ruim de bola. Os franceses, que sempre tiveram bons jogadores, hoje entraram no padrão africano de futebol de muita correria e nenhum talento. Fiquei pensando nos meus tempos de jogador. Alguém como Anelka jamais seria chamado para fazer parte de nossos jogos. No Uruguai, só tem o Pablo Forlan que joga. O resto? Bem… é o resto.

Neste sábado, dia 12, espera-se que ao menos tenha futebol.

Coreia do Sul x Grécia – é destes jogos que a gente chega a ter medo de ‘tirar’ tempo para assistir. Talvez eu aproveite para limpar o canil. Porque, cá entre nós, este deve ser um espetáculo duro de ver.

Argentina x Nigéria – até acho que los hermanos têm um time, individualidades, superior ao do Dunga (porque esta seleção não é a brasileira e muito menos a ‘minha’. É a seleção dos patrocínios). Mas gostaria que a Argentina perdesse o primeiro jogo. Isto poderia ajudá-los a serem humildes e assim enfim conquistar um título – os outros dois não são muito bons de relembrar (78 – aquele jogo contra o Peru; 86 – aquele gol com a mão).

Inglaterra x Estados Unidos – dizem alguns que o futebol surgiu na Inglatera. Grande besteira. Mas, os Ingleses também levam uma grande mágoa: jamais ganharam uma Copa honestamente. Venceram em 66 a Alemanha com um gol onde a bola não entrou. Em 1970, talvez eles tenham tido o melhor time deles. Mas o nosso, naquela época, era muito melhor e vencemos. Lembro até hoje o sufoco que foi, assistindo ao jogo no auditório do Colégio lepage lá em Candelária. Eu queria que a Inglaterra amanhã enfiasse uns 6 a 0 nos ianques…

Bom… separei um lance…- coisa do passado, que o presente tá uma nhaca…

O gol de Maradona com a mão:

Lamentável, mas não achei, não localizei o não gol que foi gol da Inglaterra em 1966.





Marchinha de carnaval

15 02 2010

Vale a pena conferir esta marchinha:





Sou politicamente incorreto

31 12 2009

Nós, enquanto sociedade, estamos enveredando por um caminho cada vez mais sedutor e perigoso. Em lugar de pautarmos nossa vida, nossas relações e nossa forma de ver o mundo segundo alguns parâmetros e referências, optamos por algo bem mais simples e prático: a cada situação avaliamos apenas as conveniências. Ou seja: deixamos de agir segundo um conjunto de pressupostos éticos, de leis e códigos e passamos a reagir não mais segundo o que somos, mas seguindo normas dominantes naquele meio em que estamos naquele momento.

É assustador perceber como a cultura da condescendência pode ser maléfica e destrutiva. O meio está definindo que aqueles que pensam, que estudam, que lêem e que, portanto, são capazes de formular pressupostos e têm coragem de viver referenciados por eles, estes devem ser isolados, eliminados ou ridicularizados. São os chamados radicais – onde maniqueisticamente a palavra ‘radical’ é associada a posturas fundamentalistas e não pontos de vista fundamentados no conhecimento.

Há uma tirania a impor suas verdades, que é esta bizarrice que atende pelo nome de “politicamente correto”. Trata-se de embuste comportamental que traz, como base de aplicação, a ditadura de uma minoria com acesso aos meios de comunicação, que se definem como “formadores de opinião” e que, por isso mesmo, são imolados (mas mantidos vivos) e tratados como donos da verdade. Cria-se uma norma de conduta, encontra-se um segmento disposto a assumir a “idéia” como sendo sua e deste momento em diante torna-se errado o seu questionamento ou a sua avaliaçãos egundo limites éticos. Desta forma, os grupos se estabelecem como pequenas gestapos a perseguir quem não aceita curvar-se aos códigos definidos pelo segmento que se abriga sob o manto do “politicamente correto”.

É uma avalanche tão poderosa que as pessoas optam por aceitar tudo, ainda que não concordem com nada. Temem o isolamento e o opróbrio. Quem resolve enfrentar esta verdadeira correia de transmissão da idiotia que vai se coletivizando, este corre o risco de viver exilado entre os seus, como se estivesse carregando dependurada no pescoço uma ostra* a remetê-lo ao vazio. Sentir-se solitário entre os iguais, sem ter com quem falar, conversar ou interagir.

Dia destes, conversando com o também jornalista Beto Almeida de Brasília, convergimos a conversa sobre o medo que a esquerda e os que se pensam de esquerda têm em se assumir “nacionalistas”. É algo absurdo este receio em divergir, em assumir e em mostrar a importância de um pensamento de esquerda comprometido com um projeto nacional, de fortalecimento das estruturas nacionais e não de usurpação. Como também é também inconcebível, para mim, que um partido de esquerda não tenha como prática o centralismo democrático, pressuposto leninista e que é esquecido pelos ideólogos – e tenho para mim que são ideólogos que jamais leram Trotsky, Lênin, Gramsci e já nem falo em Marx e Engels, que daí seria querer demais.

A esquerda nacional está cada vez mais parecida com a direita – deixando de agir e passando a reagir. E deixa de agir por não ter formulação política e por não ter investido na qualificação de sua militância, preferindo mantê-la em sua maioria como ‘tarefeira’ e não partícipe. E passa a reagir como forma de manter a ocupação dos espaços sociais, deixando de agir no sentido de mudá-los pelo “medo” de perder algo que pensa ter conquistado, quando na realidade deveria se pensar parte ou agente de um processo.

Sou assumidamente alguém que defende o “politicamente incorreto” como caminho para vencer um padrão onde as relações estão fadigadas por não apresentarem perspectiva de mudanças – e não pensem que se possa pensar em alguns arroubos e rompantes como demosntração de que existe algo diferente no horizonte do nosso cotidiano.

Precisamos voltar a ter coragem de não sermos aceitos, de sermos criticados e de sermos até mesmo ridicularizados por insistirmos em ter ponto de vista próprio, em acreditar em valores e referências.

Claro que sei que é muito mais fácil, simples, de prazer inebriante e de palmas da patuléia e da claque sempre disponível a louvar quem fala o que “eles” querem e precisam ouvir. Mas quem foi que disse que eu esotu interessado com o que é mais fácil?

Alfredo Bessow, jornalista e escritor

* Segundo o Dicionário Eletrônico Houaiss 3.0,  ostracismo: “na antiga Grécia, desterro político, que não importava ignomínia, desonra nem confiscação de bens, a que se condenava, por período de dez anos, o cidadão ateniense que, por sua grande influência nos negócios públicos e por seu distinto merecimento ou serviços, se receava que quisesse atentar contra a liberdade pública”.