Educação também é cidadania!

18 02 2011

Confesso que ando apavorado com as cenas explícitas de barbarismo e de preconceito que tenho vivenciado no dia-a-dia. É algo perverso, doentio e que revela um aspecto cruel e que tem sido deixado de lado: percebo cada vez mais que as pessoas estão com vergonha de serem educadas, de demonstrarem vestígios mínimos de civilidade e de condições para a convivência social.
Cheguei a pensar que se tratasse de uma contatação pessoal e, neste caso, talvez motivada por minha dificuldade em aceitar o novo, em não endeusar qualquer modismo ou, como diz um velho amigo meu, não aceitar passivamente que a promiscuidade e a vulgaridade são os valores reinantes nesta sociedade do Séc. XXI.
De quando em vez sou usuário de ônibus e de metrô aqui no DF – em verdade, duas mentiras muito grandes. Primeiro que os ônibus que circulam na capital federal são verdadeiras gaiolas velhas, sujas, fedorentas, barulhentas e que deveriam envergonhar as autoridades – mas estas devem estar felçizes porque a manutenção deste monopólio hediondo deve ser muito conveniente financeiramente. A segunda mentira é chamar este troço que circula aqui no DF de metrô.
Mas… em todo caso… sou usuário de ônibus e de metrô…
Confesso: é apavorante observar a falta de educação, a falta de respeito de pessoas para com pessoas e entre estas, dos mais jovens em relação aos mais velhos. Vejam bem: nem esotu falando naquela coisa velha, arcaica, ultrapassada e cafona de levantar-se e dar lugar a uma mulher. Creio que este tipo de cavalheirismo talvez gerasse até situação de constrangimento para as duas partes…
A minha revolta é com a falta desta educação que faz parte da cidadania e do respeito, de conceder um lugar para um idoso, para um deficiente, para alguém grávida ou com crinaça no colo…
Definitivamente eu não sei se ainda tem espaço para este tipo de educação…
Hoje à tarde, mais ou menos 14h25, ‘peguei’ o trem que vai para Ceilândia (e só então me dei conta de que os carros são da Alstom, aquela que deu mundos e fuindos de dinheiro para o Psdb e o Demo e que foi o Arrudo, no começo dos anos 90, quem fechou estes contratos – quando ele era secretário de Obras de Roriz…). Como embarquei na primeira estação, sem muito esforço sentei-me ao lado de uma senhorita. Duas estações depois, o troço encheu e entrou uma senhora, tez marcada pelos sóis de muitos agostos e janeiros. Fiz menção de levantar para que ela tivesse um lugar e eqnautno ela cmainhava em minha direção, um destes alunos mal-educados de uma destas escolas da moda do Plano Piloto tentou passar na frente dela para sentar-se. Tive que antepor meu corpo para que ela pudesse chegar ao local e escutar uma série de imprecações de alguém que, pela altura, deverria ter uns 19/20 anos do alto de 1,80, pela capacidade mentqal, um imbecil e mentecapto.
Voltou para seu canto, mas em lugar de sentir-se ridículo, continuo achando graça na conversa de vocabulário reduzido qaue conseguia travar com seus amigos de aula – mais grunhidos, síncopes guturais a substituir letras de quem tem um vocabulário cada vez mais reduzido.
Em momentos assim, resgato aquela dúvida que não quem colocou acerca não do tipo de planeta que estamos deixando para nossos filhos, mas que tipo de filhos/homens e filhas/mulheres que vamos legar para o planeta/mundo de amanhã.
De quem é a culpa? Só falta dizer que é do Lula e da Dilma…
Será que só eu que sou um imbecil e tolo a reparar nestas coisas?
Será que as famílias estão tão modernas que deixaram de transmitir valores de cidadania?
Sinceramente… não sei…





Os desafios da cidadania

12 02 2010

Sob o ponto de vista da realidade, todos nós vivemos ou comprometidos com o futuro ou então vítimas do passado. O presente, fugidio e insidioso, mostra-se cada vez mais efêmero. O que antes era improvável, tornou-se real e como tal precisa ser entendido não mais como possibilidade, mas como fato.

Nós, brasilienses que aqui vivemos e trabalhamos, ainda nos calamos muitas vezes diante da famigerada e insidiosa campanha daqueles que tentam nos colocar a todos no mesmo campo da corrupção e da impunidade. Mas Brasília está bem além destas mazelas. Nós, povo de Brasília, não merecemos ser vítimas deste espetáculo de horrores onde atores decrépitos se esmeram na arte de, amparados na hipocrisia e no farisaísmo, representarem papéis numa ópera bufa.

Ainda atordoados pela felicidade de saber que Arruda ao menos vai passar uma noite preso e que portanto passará a ostentar também o galardão de ex-presidiário, já advém o medo de que a Justiça poderá liberá-lo quando o sol do novo dia chegar. É preciso que nós, que gostamos de Brasília e aqui identificamos e definimos como sendo a cidade onde haveremos de viver, tenhamos em mente a imensa possibilidade de aprendizado com este episódio todo.

O aniversário da nossa cidade já está maculado, mas talvez a humilhação seja uma forma de expiação e assim podemos e devemos comemorar a prisão de Arruda – e que ainda venha a de PO, de Roriz e outros envolvidos – como uma razão de comemorar o cinquentenário de Brasília como um marco na cidadania, dividindo o modo de fazer política entre o antes e o depois.