Comunicação: o estranho mundo do GDF

29 03 2011

Dizer que há um privilegiamento na divulgação das informações do DF – e falo aqui no fato de que algumas pessoas recebem informações, são mantidas a par de certas coisas que talvez nem devessem ter este acesso – é repisar numa tecla enfadonha e que serve para denunciar o estranho compadrio entre quem chega a um cargo sem ter tido a honestidade profissional de se dizer incapacitada para o exercício do mesmo e quem se beneficia deste ‘trânsito’. Não se trata de ‘fonte’, quando quem serve de ‘fonte’ deveria ser apenas emissor. Trata-se mais de um exemplo de incompetência do que de estratégia de comunicação.
É óvio que o GDF sob o comando de Agnelo – a quem eu defendo por continuar entendendo que a despeito de vacilos e titubeios, por equívocos e trapalhadas, ainda é o único nome que pode fazer um mandato de transição entre a lama e o caos dos últimos 12 anos e um novo tempo que é o anseio maior de todos os brasilienses.
Amanhã, por exemplo, tem a reunião de Agnelo com a CUT-DF – que estava marcada para a semana passada e foi transferida de última hora. Esta, por sinal, é uma reclamação geral: as pautas furadas que são passadas, as informações mambembes que são repassadas e uma indefinição acerca do papel que deve executar dentro deste script. Mas nada é feito. Nada é dito.
Falo de comunicação porque é meu mundo. Falo, pois, do que bem sei e busco pela leitura cotidiana compreendê-la (a comunicação) cada vez mais dentro desta dinâmica de um mundo no qual ‘fazer comunicação’ não é mais botar as mãos na cintura e se julgar acima do bem e do mal – ainda mais quando se faz parte de uma equipe de um governo eleito por um partido como o PT que tem vínculos históricos com a luta pela democratização da informação e contra toda sorte de privilegiamento.





1º de Maio – Dia do Trabalhador

4 05 2010
É impressionante a manipulação que a mídia gosta de fazer da realidade. Não bastasse a necessidade cotidiana de desvirtuar notícias, boa parte da mídia brasileira tenta, de todas as formas e com a conivência de muitas pseudo-lideranças sindicais, despolitizar algumas datas – enquanto que ao mesmo tempo trata de DEMOnizar os movimentos sociais.
Foi assustador escutar durante todo o 1º de Maio os repórteres das principais emissoras de TV do Brasil – e até da TV Brasil, que na minha opinião hoje funciona como uma espécie de sub-TV a serviço da direita – insistindo na tese de que se tratava do ‘Dia do Trabalho’. É preciso resgatar a data como marco dos trabalhadores em sua luta contra o trabalho escravo, contra as condições de vida degradantes que ainda hoje são comuns.
Do ponto de vista histórico, a data nos leva ao distante 1º de Maio de 1886, quando em Chicago, então meca da industrialização, milhares de trabalhadores foram às ruas reivindicar melhores condições de trabalho, entre elas, a redução da jornada de trabalho de treze para oito horas diárias. Neste mesmo dia ocorreu nas terras do Tio Sam uma grande greve geral dos trabalhadores.

Dois dias após os acontecimentos, um conflito envolvendo policiais e trabalhadores provocou a morte de alguns manifestantes. Este fato gerou revolta nos trabalhadores, provocando outros enfrentamentos com policiais. No dia 4 de maio, num conflito de rua, manifestantes atiraram uma bomba nos policiais, provocando a morte de sete deles. Foi o estopim para que os policiais começassem a atirar no grupo de manifestantes. O resultado foi a morte de doze trabalhadores que faziam protestos e dezenas de pessoas feridas.

Foram dias marcantes na história da luta dos trabalhadores por melhores condições de trabalho. Para homenagear aqueles que morreram nos conflitos, a Segunda Internacional Socialista, ocorrida na capital francesa em 20 de junho de 1889, criou o Dia Mundial do Trabalhador, que seria comemorado em 1º de maio de cada ano.

Aqui no Brasil existem relatos de que a data é comemorada desde o ano de 1895. Porém, foi somente em setembro de 1925 que esta data tornou-se oficial, após a criação de um decreto do então presidente Artur Bernardes. (As pesquisas sobre a data foram feitas na Internet em vários sites e referências diversas).
 





PO é uma gracinha só…

16 02 2010

O vice-governador do DF é uma das figuras típicas de Brasília: soube, como poucos, usar de amizades e relações de consanguinidade, para do anda construir um pequeno império – todo ele de areia, sem base e nem sustentação. Fez carreira sempre valendo-se do submundo dos favores e das trocas, gastando fortunas para se eleger e ir alargando a sua área de influência – conta-se que, a despeito de ser católico fervoroso e devoto de uma série sem fim de santos, é também sócio de uma igreja denominada Sara Nossa Terra (em companhia de Leonardo Prudente e do Bispo Rodovalho, o primeiro aquele distrital que coloca dinheiro na meia o segundo um federal que sua da fé para se eleger e enriquecer).

Figura típica da cena de Brasília, PO faz parte de uma geração de ‘brasilienses’ que descobriram como ficar rico sem ter dinheiro. É da turma de Collor e Luiz Estevão, sendo inclsuive um dos avalistas de uma das mais grotescas farsas chamada “Operação Uruguai”.

Soube-se agora, por conta da Folha de São Paulo, que as empresas de comunicação de PO – rádios e TV (estranhamente ainda não chegaram aos jornais que ele controla) receberam a bagatela de R$ 10,4 milhões (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc1602201002.htm).

Tudo muito natural, quando a gente observa que outro político radialista – também encrencado com a Justiça como o Vigão – é dono da Rádio Atividade e também recebeu muitos milhões na forma de patrocínio. A Folha poderia ter aprofundado a análise, pegando, por exemplo, os repasses da Câmara Legislativa do DF para as emissoras de PO – e o bolo seria imensamente maior.

PO, por sinal, é destas excentricidades que só revelam o quanto a esperteza conta mais para o enriquecimento pessoal do que o trabalho. Durante muitos anos, seus empreendimentos imobiliários foram prefenrencialmente financiados pelo Funcef – que hoje, inclusive, cobra milhões de ressarcimento por pagamentos inadequados e acima dos valores pactuados em contrato. Se houver uma dissecação cuidadosa neste emaranhado, a fortuna de PO terá o mesmo destino dos prédios de Sérgio Naya (que foi seu sócio): viram apenas pó e uma estranha sensação de alívio por enfim estar sendo restaurada e restituída a verdade.