Cuidado CUT – Os urubus estão voando

29 03 2011

Recebo de jornalista com muito trânsito na imprensa sindical uma notícia que deve ser motivo de alerta, de reflexão e de providências.

Cuidado CUT – Os urubus estão voando

Corre a boca pequena que o Ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, envolvido em uma enxurrada de denúncias ainda não explicadas, pretende trazer para o MTE o senhor Antonio Porcino Sobrinho. E quem é a ilustre figura? Ex-prefeito de Itaporanga, na Paraíba e, ao mesmo tempo, presidente da FENEPOSPETRO – Federação Nacional dos Empregados em Postos de Serviços de Combustíveis e Derivados de Petróleo (Fenepospetro), criada em 1992 pelo próprio e filiada à Força Sindical (Central sindical vinculada ao PDT, partido presidido pelo Ministro).
Em Itaporanga, o ex-prefeito teve as contas rejeitadas pelo Tribunal de Contas do Estado da Paraíba e também pelo Ministério Público, referente ao exercício de 2007 que lhe imputou um débito no valor de R$ 1.496.961,38. Contrariando todos os relatórios e pareceres dos dois órgãos, a Câmara Municipal aprovou as contas do prefeito. Mas o processo segue adiante.
Na FENEPOSPETRO, o maior passatempo do dirigente sindical da Força é tomar a base de sindicatos cutistas de frentistas em todo o Brasil. Para isso, contou com o apoio do ex-secretário de Relações do Trabalho e Emprego, Antônio Medeiros que até criou a Portaria 186 com esse objetivo. Em Brasília, por conta de sua participação na CPI dos Combustíveis que apurou a formação de cartel no setor, o presidente do Sindicato dos Frentistas (Raimundo Miquilino), filiado à CUT, foi implacavelmente perseguido e teve a sua base tomada com a criação de outro sindicato na mesma base, dentro do gabinete do senhor Medeiros. Uma resposta da Rede Gasol por conta das denúncias contra o grupo que atua em Brasília e segundo apurado pela CPI lidera a combinação de preços.
O negócio foi familiar: a esposa de Medeiros é irmã de um dos donos da Rede Gasol. Se esse senhor for realmente para o Ministério do Trabalho, é bom que os sindicatos cutistas coloquem a barba de molho.





No DF, voto corporativo fragiliza a representação política da sociedade

25 03 2011

É notório que a cada nova eleição estamos acompanhando uma queda na qualidade da nossa (DF) representação política. Percebe-se uma espécie de nivelamento por baixo e ao contrário do que se poderia imaginar, o exercício do voto, pelo eleitor, não tem sido suficiente para arrancar a Câmara Legislativa da lama, do marasmo, do caos, do fisiologismo e de sua identificação como uma das mazelas e razões de muitos dos escândalos que nos são jogados a cada dia no rosto.
Tenho para mim que algumas razões podem nos dar uma certa luz para esta situação. Vou colocando-as, não na ordem de importância, mas segundo a formulação mental que vigora no momento da escrita.

1 – Prestação de contas

Tenho para mim que se trata da maior palhaçada. Faço e acompanho eleições para distrital desde 1990 e acho ridículo ler que deputado X ou Y gastou R$ 120 mil. Para aceitar tal disparate, a pessoa deve desconhecer os custos gráficos, o custo de combustível, o quanto se roda pelo DF em campanha, o custo de manutenção de cada comitê, as ajudas para cobrir custos de cafés, almoços e jantas.
Enquanto a prestação de contas for uma obra de ficção, será difícil acreditar em alguém que já começa mentindo – porque mesmo quem “dá” alguma coisa, depois contabiliza este valor e fará a cobrança devida pedindo no mínimo favores 100 vezes maiores.

2 – O malefício do voto corporativo

Digo, sem medo dos patrulhamentos e das cobranças: a predominância de distritais eleitos a partir de guetos corporativos é uma das razões da queda da qualidade da representação política. Claro está que alguém eleito pela Polícia Civil, por exemplo, estará comprometido a lutar pela preservação dos privilégios e regalias da corporação. Ao contrário do que se poderia pensar, seu compromisso jamais será com a melhoria da qualidade dos serviços na área de segurança pública, mas sim se limitará a defender os interesses ‘próprios’. O mesmo vale para a PM – e isto pode ser visto na quantidade de policiais civis, militares e bombeiros que estão fora de suas atividades ‘fim’.
A Câmara Legislativa deixou de ter o compromisso com o conjunto da sociedade e foi sendo repartida e fragmentada pelas corporações. Ninguém tem coragem de votar contra estas verdadeiras máquinas de chantagear e que só estão preocupadas em preservar os seus interesses, em aumentar as suas regalias.
Este mesmo entendimento tenho em relação ao chamado voto dos religiosos – quer católicos ou pentecostais. Porque a gente observa que existe uma tentativa de fazer do mandato uma ferramenta de barganha, para ampliar espaços.
Tenho para mim que o voto corporativo é a razão principal para a piora da qualidade de nossa representação política refletida na composição da Câmara Legislativa.

3 – Deputado foi eleito para ser deputado

Sou contra esta vergonha que é alguém ser eleito deputado distrital (o mesmo vale para vereador, onde houver; deputados estadual ou federal e também Senador) e ‘sair’ para um cargo no Executivo. Claro que isto jamais vai acontecer, mas eu defendo que a pessoa para aceitar a este convite para ser secretário ou administrador (no caso aqui do DF e de forma similar nos municípios, estados e também em nível federal), ele deveria renunciar ao mandato. Seria uma condição básica e de valorização do voto, de respeito ao eleitor.

4 – Quem é mais corrupto: eleitor ou político?

Esta dúvida me acompanha faz muito tempo… Há muitos anos vivencio a rotina de campanhas – aqui no DF desde 1990. A primeira delas deve ter sido em 1974 – quando Paulo Brossard, então no MDB, venceu Nestor Jost, da Arena, na disputa para o Senado. Apenas para ilustrar: Jost é da minha cidade, Candelária, ainda assim estive com o pessoal que ficou ao lado de Brossard – que ganhou inclusive no quintal do queridinho da ditadura. Pois bem… Tenho que confessar: a obrigatoriedade do voto é a ferramenta que o eleitor tem – e sabe usar muito bem – para barganhar o seu voto, para trocá-lo por algo concreto ou pelo compromisso futuro de lote, emprego ou intervenção política na defesa de algum interesse seu.
Não estou entre aqueles que pensam e defendem o eleitor como alguém ‘santo’.
Quem duvidar, fale com algum candidato e ouvirá relatos aterradores. O eleitor, obrigado a votar, tenta levar algum tipo de vantagem.
Qual o percentual do eleitor corrupto e que tenta levar vantagem? Eu creio que cada local tenha sua peculiaridade, mas aqui no DF, na minha opinião, deva ser da ordem de 70%. As pessoas até se justificam com argumentos pífios como: eu peço porque sei que depois ele vai roubar. Mas.. calma aí… a pessoa assume que vota num ladrão e que apenas está tentando levar alguma vantagem?
É preciso punir da mesma forma tanto o eleitor corrupto quanto o político safado. Político e política safados, para que fique bem claro que não estou me referindo a A ou B.

Apontamentos preliminares

Certamente este texto será adensado e terá adendos, complementos e remendos, na medida em que pretendo me debruçar mais vezes sobre a encruzilhada política na qual nos encontramos aqui no DF.





Pegaram a filha de Roriz com a mão na massa!

4 03 2011

Uma verdadeira bomba explodiu nesta sexta-feira de pré-carnaval aqui em Brasília: o Ministério Público divulgou um vídeo onde Jaqueline, filha de Roriz e tida como a aposta do clã para continuar sugando as tetas do Estado, está, junto com o marido, pegando dindin com Durval Barbosa. Dindin e também pedindo estrutura para a campanha.
A despeito do teor explosivo do vídeo – que a exemplo do carnaval de 2010 coloca outro político da turma do atraZo na bica de ser preso ou no mínimo cassado – fica a pergunta: por quais razões só agora o MP está liberando este material? O que mais está guardado lá na ‘pinacoteca’? Durval entregou tudo de uma vez ou está entregando na base do conta-gotas? Se está afzendo a entrega por etapas, isto quer dizer que houve uma ruptura dele com Roriz?
Antes que me digam que não é pinacoteca, vou explicar: é cada quadro surrealista que vem surgindo… É neste sentido que digo ‘pinacoteca’. Coloco isto porque tempos atrás escrevi que queriam ‘caçar’ o Tiririca e vieram dizer que estava errado. Eu queria dizer caçar mesmo, de abater, de tirar do cenário…
Voltando ao post… Como fica agora a situação política dela? Já era uma deputada que frequentava um escalão abaixo do baixo-clero – e depois da revelação destas imagens fica a pergunta: Por que só agora?
A bomba serviu para alimentar a turma do boato, aqueles que juram saber toda verdade, cochichando e dizendo que a ‘pinacoteca’ de Durval é razão para tirar o sono de muitos azuis, verdes e vermelhos de todos os matizes. Pergunta-se: a quem interessa este jogo de soltar aos poucos o conteúdo do material, como vem fazendo o MP? Esta gravação tem continuidade? O que mais está guardado?
Enfim… lá está outra vez o nome do DF envolvido com podridão!





2º turno: Aos que vierem depois de nós…

31 10 2010

Eu sei: todos os institutos de pesquisa apontam para a vitória de Dilma e de Agnelo. Vi, revi todos eles muitas vezes. Tal como aquele que recebe uma notícia na qual custa acreditar. lho. Meu coração bate descompassado. Acelerado.
Daqui um pouco, teremos os resultados de boca de urna.
Aqui no DF pipocam as denúncias dos malfeitos da turma do Roriz, do Estevão. A bandidagem está agindo. Para eles, a vontade do povo é apenas um detalhe. Há denúncia de compra de voto. Há denúncias de mesários votando em lugar dos ausentes.
Conversei com o povo lá do Goiás. Acham que dá Dilma e Perillo. Eu me pergunto: como pode alguém votar em Dilma e Perillo? Mas esta também é uma realidade aqui no DF, onde a votação em Agnelo será bem maior do que em Dilma. Dizem que a coordenação da campanha da Dilma não quis trabalhar em conjunto. É a velha disputa de vaidades. De veleidades. Quando haverá enfim a travessia da aprendizagem?
Comprei Giraffas – logo eu que gosto de cozinhar aos domingos.
Estou fazendo o Jornal Passe Livre – edição especial deste domingo. O povo da gráfica perguntando a que horas o material estará pronto.
Peguei um poema de Brecht, na tradução do Manuel Bandeira:

Aos que vierem depois de nós

Realmente, vivemos muito sombrios!
A inocência é loucura. Uma fronte sem rugas
denota insensibilidade. Aquele que ri
ainda não recebeu a terrível notícia
que está para chegar.

Que tempos são estes, em que
é quase um delito
falar de coisas inocentes.
Pois implica silenciar tantos horrores!
Esse que cruza tranqüilamente a rua
não poderá jamais ser encontrado
pelos amigos que precisam de ajuda?

É certo: ganho o meu pão ainda,
Mas acreditai-me: é pura casualidade.
Nada do que faço justifica
que eu possa comer até fartar-me.
Por enquanto as coisas me correm bem
(se a sorte me abandonar estou perdido).
E dizem-me: “Bebe, come! Alegra-te, pois tens o quê!”

Mas como posso comer e beber,
se ao faminto arrebato o que como,
se o copo de água falta ao sedento?
E todavia continuo comendo e bebendo.

Também gostaria de ser um sábio.
Os livros antigos nos falam da sabedoria:
é quedar-se afastado das lutas do mundo
e, sem temores,
deixar correr o breve tempo. Mas
evitar a violência,
retribuir o mal com o bem,
não satisfazer os desejos, antes esquecê-los
é o que chamam sabedoria.
E eu não posso fazê-lo. Realmente,
vivemos tempos sombrios.

Para as cidades vim em tempos de desordem,
quando reinava a fome.
Misturei-me aos homens em tempos turbulentos
e indignei-me com eles.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.
Comi o meu pão em meio às batalhas.
Deitei-me para dormir entre os assassinos.
Do amor me ocupei descuidadamente
e não tive paciência com a Natureza.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.

No meu tempo as ruas conduziam aos atoleiros.
A palavra traiu-me ante o verdugo.
Era muito pouco o que eu podia. Mas os governantes
Se sentiam, sem mim, mais seguros, — espero.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.

As forças eram escassas. E a meta
achava-se muito distante.
Pude divisá-la claramente,
ainda quando parecia, para mim, inatingível.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.

Vós, que surgireis da maré
em que perecemos,
lembrai-vos também,
quando falardes das nossas fraquezas,
lembrai-vos dos tempos sombrios
de que pudestes escapar.

Íamos, com efeito,
mudando mais freqüentemente de país
do que de sapatos,
através das lutas de classes,
desesperados,
quando havia só injustiça e nenhuma indignação.

E, contudo, sabemos
que também o ódio contra a baixeza
endurece a voz. Ah, os que quisemos
preparar terreno para a bondade
não pudemos ser bons.
Vós, porém, quando chegar o momento
em que o homem seja bom para o homem,
lembrai-vos de nós
com indulgência.
===
Acompanho as conversas pelo twitter.
Nada acalma o coração. Voto às 16h – velho ritual que repito a cada nova eleição. Por voltas desta vida, nesta hora já tenho a informação da chamada boca de urna. Conversei com um vizinho rorizista. Ele diz: não pensem vocês que está ganha, nós sabemos como virar o jogo de última hora.
É um misto de ameaça e confissão: este povo adora uma mutreta.
Vamos lá. O Brasil merece Dilma. O DF precisa de Agnelo.





Os aliados de Serra no DF

11 10 2010

Muitos atacam, questionam e criticam os apoios que a Dilma foi colhendo ao longo da caminhada. Apontam Collor, Sarney… Eu também não me sinto ‘bem’ com estas figuras por perto – mas o Collor pelo que me consta foi eleito pelo povo de Alagoas Senador e agora foi reprovado nas urnas. Sarney (a família) o mesmo em termos de Maranhão. É do jogo democrático…
Mas olhemos quem está ao redor de Serra:
Quércia
TFP
Opus Dei
Maluf
César Maia
Bornhausen
Yeda Cruzius
Arthur Virgílio
Diogo Mainardi
Marcelo Madureira
Regina Duarte
Daniel Dantas
Gilmar Mendes

A lista é imensa. Só figurinha carimbada.
Mas… e aqui no DF? Aqui no DF, a fina flor da pilantragem está com Serra. Vejamos: Roriz, Weslian, Arruda, Paulo Octávio, Luiz Estevão.
É importante observar este pequeno detalhe: todos os que apóiam o Serra estão envolvidos em falcatruas, roubos e malversações de recursos públicos. Isto não quer dizer nada?





2º turno no DF e Presidência: resultados da pesquisa no sábado

7 10 2010

As equipes de pesquisa da Exata estão em campo coletando dados para a 1º pesquisa para o 2º turno – projeções, perspectivas e intenções de voto – para Governador e Presidente(a). A coleta está acontecendo no DF, Goiás e Mato Grosso e os dados deverão ser divulgados sábado pela manhã.
Segundo Marcus Caldas, diretor da Exata, a base da pesquisa será ampliada com vistas a dar uma visão mais clara e confiável acerca das intenções de voto. Cabe lembrar, também, que esta pesquisa não trará o impacto da retomada do horário eleitoral – exceção feita à veiculação do meio dia, levando-se em conta que haverá ainda coleta de dados na parte da tarde desta sexta-feira.
Depois de enfrentarem o calor e a seca nas pesquisas realizadas para o 1º turno, agora os pesquisadores sofrem com as chuvas.





O DF não é curral!

24 09 2010

Em seus devaneios – por conta também do processo de senilidade – o ex-governador Roriz e que vai para a história recente da política do DF como um ‘renunciador’ contumaz (mesma postura, por sinal, que faz parte do perfil psicológico de Arruda), costuma dizer que onde hoje é o DF, boa parte era fazenda de sua família e da família de Weslian.

E nestes devaneios, o ficha-suja sempre tratou o DF como se ainda fosse fazenda sua. E boa parte do povo, como gado – criando currais eleitorais. E foi tratando gente como gado que Roriz foi jogando as pessoas em lotes, como quem coloca gado no pasto.

Mas, o povo do DF não é uma bezerra de ouro.