1º de abril de 1964 – Pelo direito de saber!

1 04 2011

Transcrevo aqui no blog o texto de capa do Jornal Passe Livre que, excepcionalmente esta seman, estará sendo distribuído nesta sexta-feira aqui na rodoviária de Brasília. Ainda durante a parte da manhã, a edição estará disponível online. Lembrando sempre que o Passe Livre foi lançado em 1998, é semanal, num formato único e especial e tem tiragem semanal de 60 mil exemplares. A edição desta semana é a de número 494

1º de abril de 1964 – Pelo direito de saber

A história é um lamaçal onde geralmente os vitoriosos tentam adequar o que foi ao que desejam que no futuro se tenha como verdade. Aqui no Brasil, são os derrotados que querem perpetuar uma versão de heroísmo que em nada condiz com a longa noite de terror, morte, tortura e repressão que os brasileiros viveram a partir de 1º de abril de 1964. Sim, estimados: não foi em 31 de março, mas sim num prosaico 1º de abril que se implantou uma das mais sangrentas e perversas ditaduras de todos os tempos – como se houvesse ‘ditadura’ mais ou menos cruel.
Mas ao contrário de tantos outros povos e países, aqui os remanescentes e bajuladores da repressão continuaram vivos e ativos e tratam de impedir que se faça o necessário resgate da memória destes tempos. Não se trata de revanchismo, mas sim do direito de mostrar às gerações futuras o que realmente aconteceu.
Não podemos continuar reféns de manipulações e omissões. O golpe, que sempre foi apoiado pela chamada grande imprensa (a mesma que passou oito anos atacando Lula e o Governo do PT), ainda hoje tem muitas viúvas. Cabe lembrar que a própria Folha de São Paulo emprestava seus veículos, devidamente pintados, para que o Dops pudesse fazer o serviço sujo sem gerar a curiosidade das pessoas.
Este é um dos epísódios maca-bros, mas que serve para revelar a identidade entre os golpistas de 1º de abril de 64 e aqueles que continuam, sob qualquer pretexto, insinuando e defendendo a urgência de um golpe para restaurar os seus benefícios e privilégios. Porque, a bem da verdade, eles odeiam a liberdade e a democracia.





Argentina: filhos adotivos e conivência

30 05 2010

Está nos portais: a Justiça Argentina – ah, como faz falta uma Justiça um pouco digna em nosso País! – determinou a coleta de material genético da dona do Jornal O Clarin. Por trás de uma notícia prosaica pode estar a ponta de um imenso iceberg que, uma vez confirmadas as suspeitas, pode jogar uma nova luz sobre as promíscuas relações dos donos dos meios de comunicação com os regimes ditatoriais.
Mas isto não se deu apenas ‘lá’. Aqui no Brasil, hoje é sabido que a Folha de São Paulo emprestava veículos para os órgãos de repressão.
Mas, vamos transcrever as matérias – a primeira da Folha Online, a segunda é da agência EFE e a terceira da BBC-Brasil.

29/05/2010-16h25

Justiça argentina ordena operação policial na casa de diretora do “Clarín”

GUSTAVO HENNEMANN
DE BUENOS AIRES

A Justiça argentina determinou ontem que a polícia entrasse na casa da diretora do grupo de mídia “Clarín”, Ernestina Herrera de Noble, com o objetivo de obter material genético necessário para exames de DNA de seus filhos adotivos, Marcela e Felipe.

Os dois são protagonistas de uma ação judicial iniciada em 2001, na qual entidades de direitos humanos sustentam que ambos foram raptados pelo regime militar instaurado em 1976 e, depois, entregues ilegalmente a Ernestina.

Durante uma audiência, na manhã de ontem, Marcela e Felipe haviam se recusado a fornecer amostras de sangue para comparar com o BNDG (Banco Nacional de Dados Genéticos), que reúne o DNA de todas as famílias que procuram crianças raptadas durante a ditadura.

Pouco depois, a polícia foi até a casa de Ernestina, onde os dois estavam, e levou as roupas que vestiam naquele momento. Para um canal de TV que pertence ao grupo Clarín, os dois disseram que estão sendo expostos pela juíza e que tiveram a ‘paz roubada’.

Marcela e Felipe já haviam fornecido amostras de sangue em dezembro, mas só permitiram que o DNA fosse comparado com o de duas famílias que procuram filhos desaparecidos e não com o BNDG.

O conflito judicial em torno dos filhos adotivos de Ernestina são parte da guerra declarada travada entre o grupo Clarín e o governo da presidente Cristina Kirchner, que apoia as entidades de direitos humanos que investigam o desaparecimentos de bebês durante o regime militar.

SERÁ… que não há nada semelhante entre n´´os?

09/04/2010

17h27

Filhos de diretora do “Clarín” farão comparação com DNA de desaparecidos

da Efe, em Buenos Aires

Os dois filhos adotivos da diretora do jornal argentino “El Clarín”, Ernestina Herrera de Noble, deverão comparar seu DNA com uma base de dados genéticos de pessoas desaparecidas durante a ditadura militar, apontou hoje o máximo tribunal penal de apelações da Argentina.

A decisão da Câmara Nacional de Cassação Penal satisfaz as reivindicações de organismos humanitários que pediam que os DNAs de Marcela e Felipe Noble Herrera fossem comparados com os do Banco Nacional de Dados Genéticos de desaparecidos.

No entanto, se limita a rejeitar uma apelação dos filhos adotivos de Ernestina, “pela existência de um crime formal”, sem pronunciar-se sobre a questão de fundo da longa batalha judicial que cerca o assunto, informou o Centro de Informação Judicial.

A sentença apontou que a apelação foi rejeitada por ser “inválida”, já que “não incluía as assinaturas dos afetados pela decisão, Marcela e Felipe Noble, mas só as de seus advogados”.

Afirmou, ainda, que o tribunal ditou sua decisão “sem considerar” se os estudos genéticos de Marcela e Felipe Noble deveriam ser comparados somente com os das duas famílias que apresentaram queixas ou com todo o banco de dados genéticos das vítimas da ditadura.

Felipe e Marcela Noble, ambos de 33 anos, foram adotados em 1976 por Ernestina, viúva de Roberto Noble, fundador do “Clarín”.

Uma das famílias suspeita que Marcela pode ser, na realidade, filha de Bárbara Miranda e de Roberto Lanuscou, militantes da guerrilha dos Montoneiros, dados por mortos em um tiroteio com militares em setembro de 1976.

A outra parte pede que se esclareça se Felipe seria filho de María del Carmen Gualdero, sequestrada em junho de 1976, quando estava quase dando à luz, e que desapareceu depois de ter sido levada a um prisão clandestina em Buenos Aires.

MAS HÁ MATÉRIAS/REPORTAGENS ANTERIORES QUE AJUDAM A COMPREENDER MELHOR O QUE SE PASSA PELAS TERRAS DE MARADONA E GARDEL:

29/12/2009 –  19h12

Herdeiros do “Clarín” fazem exame de DNA para determinar pais biológicos

MARCIA CARMO
da BBC Brasil, em Buenos Aires

Os dois filhos adotivos da diretora e dona do jornal Clarín, Ernestina Herrera de Noble, realizaram nesta terça-feira exames de sangue para definir se são filhos ou não de desaparecidos políticos durante a ditadura militar argentina (1976-1983).

“Hoje é um dia muito importante porque o exame pode ser feito onde a Justiça determinou, no Corpo Médico Forense, que é ligado ao sistema Judicial do país”, disse o advogado Jorge Anzorreguy, que defende Marcela e Felipe, ambos com 33 anos.

Segundo seu representante, Marcela e Felipe se apresentaram “espontaneamente” à Justiça em 2003, depois de terem sido informados de que poderiam ser filhos de desaparecidos políticos.

Em 2004, um juiz de primeira instância determinou que o exame de DNA fosse realizado no Corpo Médico Forense, mas desde então surgiu uma disputa judicial sobre o local da extração de sangue.

*Disputa *

O grupo argentino de defesa dos direitos humanos Avós da Praça de Maio deseja que os exames de DNA sejam comparados com os de 22 famílias que buscam netos que poderiam ser Marcela e Felipe.

Já os irmãos requisitaram que a comparação seja feita apenas com duas famílias.
O advogado das Avós da Praça de Maio, Mariano Gaitán, afirmou à BBC Brasil que a medida seria “ilegal” porque “desrespeita” uma lei aprovada em novembro passado.

O advogado afirma que a nova lei determina que os exames devem ser feitos no Banco Nacional de DNA e comparados com “todas as 200 famílias” que buscam seus parentes “sequestrados”, e não “com famílias específicas”. Gaitán diz que estuda pedir à Justiça a anulação do exame.

A expectativa é de que o resultado saia em entre 15 e 45 dias.

Histórico

A entidade Avós da Praça de Maio localizou até hoje cem jovens que recuperaram suas identidades após exames de DNA e passaram a saber que são filhos de desaparecidos políticos.

Em muitos casos, eles nasceram no cativeiro da mãe e foram entregues, ainda bebês, com nomes trocados, pelos militares a outras famílias.

As Avós estimam que pelo menos outros 400 jovens, agora com mais de 30 anos, ainda estejam na mesma situação.

Em novembro, o Congresso Nacional aprovou projeto de lei do governo da presidente Cristina Kirchner que autoriza a Justiça a determinar a recuperação compulsiva de amostras biológicas para determinar a identidade de supostos filhos de desaparecidos políticos.

A medida gerou polêmicas no país e levou a oposição a afirmar que o alvo eram os filhos adotivos de De Noble, em um momento de fortes diferenças do governo com a imprensa local, especialmente com o grupo Clarín.





Os arquivos da ditadura. Na Argentina

11 01 2010

A exemplo do que fez contra o monopólio na comunicação e também no episódio da empáfia do Banco Central, outra vez a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, dá um show em Lula.

Governo argentino determina abertura dos arquivos da ditadura

Da Agência Brasil

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, ordenou a abertura dos arquivos da ditadura militar no país com a retirada da classificação de “segurança” de toda a documentação e informação relacionada às Forças Armadas no período entre 1976 e 1983. As informações são da agência Telam.

O decreto, publicado hoje (6) no Boletim Oficial, determina a abertura das informações e dos documentos ligados à atuação das Forças Armadas, com exceção das que tratam do conflito do Atlântico Sul (Guerra das Malvinas), de “qualquer outro conflito de interesse interestatal” e informações de estratégia militar.

A medida está relacionada com a abertura de processos por violações de direitos humanos durante o período militar, que, segundo o decreto, vão demandar uma grande quantidade de informação e documentação relacionada à atuação das Forças Armadas. A ditadura argentina deixou mais de 30 mil desaparecidos políticos.

Com o decreto, o governo argentino pretende evitar as diferenças de interpretação na análise de pedidos judiciais de acesso aos arquivos da ditadura. De acordo com o texto, a manutenção do critério de “informação de segurança” para os documentos relacionados às Forças Armadas “contraria a política de Memória, Verdade e Justiça que o Estado argentino vem adotando desde 2003”.

Além da presidente Kirchner, o decreto foi assinado pelos ministros argentinos da Justiça e da Defesa.