Comunicação falha e Agnelo ‘apanha’ de graça

27 03 2011

Ainda que toda unanimidade seja burra, há uma convergência quanto à perda de oportunidades pelo GDF pelo fato de não ter uma Secretaria de Comunicação com a estrutura e o perfil necessários. Há uma flagrante incompatibilidade entre uma repartição que emite releases, ocupada por um porta-voz, e a expectativa e os desafios que devem ser assumidos por um Secretário de Comunicação qualificado.
Resta saber até quando o Governador Agnelo irá continuar teimando com esta solução que ele criou, gerando um monstrengo. Se de um lado contemplou o ego e a demanda salarial pedida, de outro gerou uma situação ridícula. Nada justifica ficar amassando barro, sem sair do lugar, apenas para dar a falsa impressão de estar se movimentando.
O que se sabe é que decorridos quase 100 dias da posse, a imagem do governo Agnelo está muito mais próxima a uma convicção de continuidade dos outros governos do que uma ruptura ética. Dentro deste quadro, é apavorante observar que a Secretaria de Comunicação é de uma incompetência aterradora, sem se contrapor ao noticiário que tenta colar estereótipos no Governo Agnelo. Falta alguém com autoridade para dizer que episódios como os de Alírio Neto e de Chico Leite não dizem respeito ao atual governo, que foram suspeitas em relação a atuações lá no passado.
Estou entre aqueles que não tem nenhuma razão para defender ou achar que Alírio Neto seja um modelo de político, ainda mais pela sua participação efetiva no processo de destruição da qualidade de vida do Guará – tanto no episódio da tramitação do PDOT – que desrespeitou TODAS as deliberações dos moradores do Guará que em audiências públicas definiram gabaritos de prédios e outras ações – quanto na transformação da cidade em um amplo campo para a ilegalidade de construções, com a proliferação de kitinetes e a construção de novos andares nos setores de oficina e do chamado pólo de modas. Cabe lembrar que o administrador da cidade foi e continua sendo indicado por ele, Alírio.
Mas para mim, soa estranho que Durval diga que entregou dinheiro ao Alírio e estranhamente não o filmou. Logo ele que filmou a todos. Ou será que neste caso, como em outro envolvendo um policial, ele, Durval, prudentemente e por medo tratou de não exibir as imagens?
A palavra de Durval, volto a dizer, não tem credibilidade alguma. Já escrevi várias vezes que, para mim, ele continua sendo apenas e tão somente alguém com muitas contas a acertar com a Justiça e ao entregar AS FITAS ele fez algo para tentar salvar um pouco a sua pele – mas que isso em nada o redime dos crimes pelos quais está sendo acusado. A palavra de Durval não tem valor se não estiver amparada por fitas de vídeo.

Dois pesos, duas medidas

Quando Arruda denunciou o povo do Demo e do PSDB, sem no entanto conseguir provar nada, houve uma enxurrada de questionamentos – inclusive pela impossibilidade de comprovação das denúncias. E elas foram saindo rapidamente do noticiário. No entanto, agora com o Chico Leite, a palavra de Arruda – um mentiroso contumaz e assumido – passou a ter valor. Não se trata de uma defesa do Chico Leite, mas apenas a constatação de que existem avaliações circunstanciais que são utilizadas e disseminadas por conveniência. Quando ele, Arruda, diz que bancou o Demo e o PSDB – mas não tem como provar, ou ao menos não lhe convém provar ou mostrar os comprovantes – daí as revelações são descaracterizadas e rapidamente esquecidas pelas mídia.
No entanto, quando este mesmo Arruda diz que foi procurado por Chico Leite, a palavra de Arruda volta a ter valor e peso. Logo algo vindo de Arruda, um mentiroso de carteirinha.

E as juras da Celina?

Não resistiu muito tempo o arrazoado da distrital Celina Leão dizendo que seu marido nada tinha a ver com a farra de cartas-convite na administração de Samambaia. A revelação de fac-simile com as assinaturas serviu para mostrar que se houver interesse por parte do Ministério Público, muita coisa poderá ser descoberta. Esta é a avaliação que especialistas fazem, corroboradas pelos dados já coletados e analisados pelo pessoal do Tribunal de Contas do DF. Descobrir o vínculo certamente é uma tarefa que ficará mais fácil se forem observadas as movimentações financeiras, a prestação de contas da campanha e outras ações que podem corroborar as suspeitas ou, o que acabaria sendo bom para a política do DF, a plena e total certeza de que ela não tem nada a ver com o que aconteceu na Administração de Samambaia.

Agnelo e uma nova agenda

Para sair do corner, para deixar de pagar por erros de outros, Agnelo precisa trabalhar com a parte saudável do seu governo. Já escrevi antes e repito: não precisa ter a maioria de 22 votos na CLDF. Basta costurar uma maioria de 16 votos confiáveis e deixe o resto ser oposição. É mais barato. É mais fácil.
Outra medida urgente é a de redefinir a estrutura de sua pasta de comunicação. Hoje o GDF não tem ‘comunicação’. Tem alguém ocupando uma função, sem no entanto ter a capacidade e a compreensão política que o cargo exige. Insistir com uma enjambração é continuar apanhando sem precisar, por coisas que não fez. Achar que comunicação continua se restringindo a uma TV e a um jornal aqui no DF é assumir a miopia e a incompetência. Há uma gama de novos agentes que estão sendo deixados de lado – revelando a arrogância de quem se pensa acima do bem e do mal.
Agnelo precisa formular uma política de comunicação, para falar com a sociedade e deste modo mudar esta imagem de continuísmo e de marasmo que hoje começa a se consolidar. Ainda é tempo, claro que sim – mas para não desperdiçar todas as oportunidades, Agnelo precisa começar a entender que ele é o Governador do DF…





Durval Barbosa garante: Alírio recebia mensalão de Arruda

26 03 2011

O Governo Agnelo começa a sofrer as consequências por ter saido montado sem respeitar os princípios defendidos durante a campanha. Entregar secretarias para quem tinha participado dos governos corruptos de Roriz e Arruda (Rosso) foi uma jogada de extremo risco e falta de percepção política da realidade local.
Continuo sendo um defensor do Governo Agnelo e creio que estas denúncias, uma vez reiteradas e comprovadas, devem servir de senha para o governador se livrar de uma série de figuras nefastas, perversas e comprometedoras. Depois de quase 100 dias, Agnelo tem a chance de realmente mostrar para Brasília e seus habitantes que tem compromisso com um novo caminho, sem estar na companhia de pessoas que vivem de velhas práticas.
E se fizer esta limpa, poderá inclusive compor uma base menos fisiológica na Câmara Legislativa. O governo não precisa contar com 22 dos 24 votos. O melhor é ter a maioria. Fica mais barato, inclusive financeiramente. Não sei de onde esta vontade de ter 22 votos. Não entendo de onde esta necessidade.
É preciso fazer uma limpa imediata nas administrações regionais. Não tem cabimento deixar administrações importantes nas mãos de pessoas que tem o único compromisso de esculhambar e acabar com as cidades.

Alírio e Durval – figuras do mensalão do demo

Transcrevo a seguir o material veiculado no portal do Terra Notícias, que por sua vez escreveu o texto a partir de notícias da edição de hoje, sábado, do jornal Folha de São Paulo.

A matéria do Terra é a seguinte:

DF: secretário de Agnelo é acusado de receber mensalão do DEM

26 de março de 2011 • 08h43 – Notícia

Reduzir Normal Aumentar Imprimir O secretário de Justiça do governo do Distrito Federal na gestão do petista Agnelo Queiroz, Alírio Neto (PPS), é acusado ter recebido propina do escândalo de corrupção conhecido como “mensalão do DEM”. Durval Barbosa, delator do esquema, disse em depoimento à Promotoria do DF que encaminhou repasses de R$ 80 mil mensais a Alírio quando o secretário ocupava a mesma pasta na gestão do ex-governador José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM). As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

Alírio presidiu na Câmara Distrital a CPI criada para investigar a corrupção no DF. De acordo com Barbosa, Alírio era um dos beneficiários de parte dos R$ 220 mil desviados mensalmente do Detran. O dinheiro, segundo ele, era arrecadado junto a empresas de informática contratadas pelo Detran e pela Secretaria de Justiça e Cidadania. O secretário nega as acusações e diz que elas têm motivação política. O policial aposentado Marcelo Toledo, que aparece em um dos vídeos gravados por Barbosa entregando dinheiro, seria o responsável por repassar a propina ao secretário.

Entenda o caso

O mensalão do governo do DF, cujos vídeos foram divulgados no final de 2009, é resultado das investigações da operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal. O esquema de desvio de recursos públicos envolvia empresas de tecnologia para o pagamento de propina a deputados da base aliada.

O então governador José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM) aparece em um dos vídeos recebendo maços de dinheiro. As imagens foram gravadas pelo ex-secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa, que, na condição de réu em 37 processos, denunciou o esquema por conta da delação premiada. Em pronunciamento oficial, Arruda afirmou que os recursos recebidos durante a campanha foram “regularmente registrados e contabilizados”.

As investigações da Operação Caixa de Pandora apontam indícios de que Arruda, assessores, deputados e empresários podem ter cometido os crimes de formação de quadrilha, peculato, corrupção passiva e ativa, fraude em licitação, crime eleitoral e crime tributário.

Já a reporragem veiculada pela Folha de São Paulo é a seguinte:

Secretário do DF é acusado de receber propinas
Delator do mensalão do DEM diz que R$ 90 mil eram repassados a político

Secretário da Justiça já ocupava pasta na gestão Arruda; Alírio nega as acusações e diz que elas têm motivação política

FERNANDA ODILLA
DE BRASÍLIA

O atual secretário de Justiça do governo do petista Agnelo Queiroz, no Distrito Federal, é acusado de receber propina do mensalão do DEM, de acordo com depoimentos até agora inéditos do delator do esquema de corrupção na capital do país.
Durval Barbosa, denunciante do escândalo, revelou à Promotoria do DF que encaminhou repasses de R$ 90 mil mensais a Alírio Neto (PPS), quando o secretário ocupava a mesma pasta na gestão do ex-governador José Roberto Arruda.
Segundo Barbosa, Alírio era um dos beneficiários de parte dos R$ 220 mil desviados mensalmente do Detran. O dinheiro, segundo ele, era arrecadado junto a empresas de informática contratadas pelo Detran e pela Secretaria de Justiça e Cidadania.
Alírio Neto nega as acusações e diz que elas têm motivação política.
Barbosa detalha a participação do secretário no esquema em dois depoimentos no dia 14 de setembro do ano passado. Não faz menção a vídeos registrando a entrega do dinheiro a Alírio, que presidiu a CPI criada para investigar a corrupção no DF.
Barbosa afirma nos depoimentos que “eram arrecadadas propinas” junto a duas empresas que prestavam serviços de informática no Detran e uma na Secretaria de Justiça e Cidadania.
“Por determinação do então governador Arruda, parte desses valores era repassado diretamente ao deputado distrital Alírio Neto, então secretário da referida pasta”, afirmou Barbosa.
Quem repassava a propina ao secretário, segundo os depoimentos, era o policial aposentado Marcelo Toledo, que aparece em um dos vídeos gravados pelo delator entregando dinheiro.
Ao falar sobre a Secretaria de Justiça, o delator afirma que os repasses de R$ 90 mil foram feitos no quando Alírio permaneceu na pasta- de fevereiro e novembro de 2009.
No caso do Detran, Barbosa diz que Arruda determinou que cerca de 30% do arrecadado na área de informática do Detran fosse entregue a Alírio e ao ex-deputado Leonardo Prudente.

Na mesma edição, Alírio Neto se defendeu:

OUTRO LADO

Acusações têm motivação política, afirma Alírio Neto

DE BRASÍLIA

O secretário de Justiça e Cidadania do DF, Alírio Neto (PPS), negou todas as acusações do delator do mensalão do DEM e disse que as declarações de Durval Barbosa têm motivação política.
Segundo Alírio, ele e Durval sempre foram de grupos adversários dentro da Polícia Civil do DF. O secretário disse desconhecer os depoimentos prestados pelo delator à Promotoria do DF, mas afirmou saber que Barbosa fala mal dele “há muito tempo”.
“Todo mundo que ele acusa, apresenta vídeo. É fácil falar, quero ver um vídeo com minha imagem e minha voz.”
O governo do DF informou não ter “conhecimento oficial sobre qualquer denúncia contra o secretário”.
Procurado pela Folha, o advogado de Marcelo Toledo disse que não o localizou. Também não foi localizado o defensor do ex-deputado Leonardo Prudente. Os advogados de Arruda não atenderam ligações da reportagem.


Ou seja: uma boa oportunidade para o Governo Agnelo se livrar de Alírio e a Câmara Legislativa inicra um processo de cassação do seu mandato.





Delação premiada ou autorização para chantagear?

11 03 2011

Foi preciso que alguém fora do viciado círculo político de Brasília resolvesse levantar a voz e dizer que está na hora de dar um basta nesta pantomima na qual se transformou o espetáculo deprimente que Durval Barbosa vem produzindo no DF, com a divulgação a conta gotas e a seu bel-prazer de farto material colhido na sua pratica criminosa de filmar reuniões e encontros. Volto a dizer: para mim, não existe bandido bom ou ruim. Sem querer ser maniqueísta, mas para mim existem bandidos e existem pessoas de bem. Um ato isolado, ainda que supostamente beneficie ‘meu’ grupo político ou atinja algum inimigo ‘meu’, mas praticado por um bandido continuará sendo um ato praticado por um bandido. O caminho para bandidos é a cadeia – depois de julgados e caso forem condenados pela Justiça.
É dentro desta ótica que vejo e lamento muito que as pessoas estejam si divertindo com o circo armado, onde nós, eleitores, somos os verdadeiros palhaços. Por isso saúdo o presidente da Câmara dos Deputados, o gaúcho Marco Maia (PT) ao dizer que a concessão da ‘Delação premiada’ implica na entrega de todo o material e não pode servir (interpretação minha) como escudo para a veiculação de ameaças e através de recadinhos – como pode ser lido em tuits e mesmo em blogs, onde supostas bocas de aluguel usam as chamadas redes sociais para a disseminação de boatos, tentando gerar um clima de apreensão e, quem saberá?, facilitar a prática de negociações excusas.
A fonte é sabida, mas a impunidade acaba gerando uma atenção desmerecida a tais figuras – muitas delas partes do mesmo lamaçal de onde emergiu o escândalo. Por vezes é hilário, noutras chega a ser patético o ataque sistêmico tipo: o rolo vai começar, as imagens estão sendo editadas, tem gente perdendo o sono… Cria-se a falsa impressão de que a classe política em sua totalidade é podre – clima propício, digo uma vez mais, para a perversa prática deletéria da generalização.
Há quem diga, de fonte segura, que a divulgação destas imagens de Jaqueline Roriz foi fruto apenas de desavença financeira e sensação de abandono. E que ao divulgá-las, estaria mandando um recado para algumas pessoas que não estariam cumprindo os acordos de silêncio, proteção e apoio já firmados. Volto a dizer: teve uma atitude correta o deputado Marco Maia ao não silenciar diante da pilantragem, de não calar diante da patifaria, de não pactuar com bandidos.
Se tem fitas/imagens com A, B ou C… que sejam divulgadas e que cada um assuma seus erros, responda por seus atos e se justifique perante o eleitor e trate de arranjar outra profissão bem longe da necessidade de referendo popular. É preciso emparedar o MP, que já se sabe também tem seus pecados, para que a coisa ande. Da mesma que respondo por meus atos e meus pecados, que cada um se vire pelo que fez – mesmo que tenha sido em alguém em quem eu tenha votado. Não me cabe pactuar ou passar a mão sobre a cabeça de ninguém. Quem errou que arque com as consequências.
Mas quero enfatizar: não é justo o MP e a PF manterem o benefício da Delação premiada para quem apenas a usa como escudo e nuvem de fumaça para manter-se no noticiário e usufruir outras benesses.
Ao circular por Brasília hoje de manhã, me deparei com toda sorte de ilações – mas não consegui encontrar nenhuma pessoa, independente de paixão ou facção partidária que tenha achado que Durval está divulgando estas fitas por ter algum compromisso com a ética e a justiça. A opinião pública que em um primeiro momento até pode ter visto no gesto do delator uma demonstração de hipócrito desejo de refazer o caminho, já descobriu que ele usa tais imagens para continuar usufruindo vantagens.
Que a PF e o MP cessem imediatamente os benefícios da Delação premiada e que ele passe a responder pelos crimes que já responde e por mais outros decorrentes destas práticas subterrâneas que fazem parte do seu modus operandis.





DF: Onda de boatos e leviandades outras

10 03 2011

Alguns se dizem colunistas, outros se apresentam como articulistas e tem aqueles que se escondem por detrás do epiteto de ‘jornalistas’, mas estes todos estão se esmerando nos últimos dias a uma só prática e rotina no DF: disseminar e realimentar os boatos que eles próprios criam. Formam-se grupos que atuam de modo quase que orgânico, focados no mesmo objetivo.
A bem da verdade, eles andavam sumidos depois da vitória de Agnelo. Voltaram com a montagem da equipe frankenstein que o nosso governador entregou para a população – que em alguns casos foi um verdadeiro soco no estômago dos que realmente (como eu) acreditavam e ainda acreditam (como eu) na proposta de um novo caminho.
Depois de um ou dois dias nos quais estas pessoas ficaram claramente ‘passadas’ por terem se sentido traídas por Durval – afinal de contas ele entregou um vídeo editado e cortado que jamais tinha sido apresentado no cineminha que rolava numa certa casa no Park Way.
A onda de boatos assim está servindo muito mais para disseminar vontades do que amparados pela realidade. Fala-se com tanta convicção de coisas que nunca foram vistas que chega a beirar a irresponsabilidade. Leio, observo e me reservo o direito de acreditar que não passa de um trauma pelo inusitado da fita onde a própria filha de Roriz está com Durval.
Tudo bem… tem gente dizendo, insinuando que os últimos dias foram de intensas atividades de edição de imagens – mas e se entre as imagens houver alguma de Roriz, por exemplo, com Durval? Sabe-se que ele, Durval, devolveu ao menos a um personagem todo o material que teria desta figura. Será isto verdade ou apenas um boato a mais?
O que eu percebo é que muitos dos coleguinhas estão mais inseridos no exercício de um papel do que comprometidos com a informação.
Dentro desta visão – não estou aqui absolvendo ninguém e muito menos dizendo ou julgando, estou apenas me posicionando: para mim, boato pode virar notícia quando estiver amparado em fatos e não atendendo a um desejo ou necessecidade pessoal. É também importante saudar a postura firme, enérgica e clara do presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia, para quem não tem cabimento alguim o Durval continuar usufruindo do instituto da Delação Premiada e ir soltando o material na base do conta-gotas, como se só liberasse depois de não obter vantagens. Suspendendo o benefício da Delação Premiada, ele voltaria a ser um reles réu – ainda que seja daquelas figuras de alto poder destrutivo e com uma carga de ódio muito grande.
Já disse antes e este é meu posicionamento via Jornal Passe Livre desde que eclodiu o episódio das fitas de Arruda: para mim, Durval não passa de alguém encrencado na Justiça. Para mim, não existe bandido bom ou bandido ruim. É preciso acabar com este circo – que hoje serve apenas para alimentar uma imensa rede de boatos que tem como fontes emissoras um grupo de viúvas. E que os envolvidos – inclusive magistrados, pessoal do TCDF, políticos, jornalistas e agregados em geral – paguem exemplarmente por participarem desta bandalheira.





Para PMN, Jaqueline foi ingênua. Alguém mais acredita?

9 03 2011

Transcrevo a seguir a carta de Jaqueline Roriz na qual ela anuncia ao PMN que ‘renuncia’ sua vaga na Comissão da Reforma Política. Depois, vem uma peça que é verdadeira obra de ficção e de cinismo: a carta do PMN. E, pot fim, a matéria veiculada pelo G1.

1 – Carta de Jaqueline

Ilma Sr.

Telma Ribeiro dos Santos
Secretária-Geral Nacional do PMN

Cara amiga,

Quando pleiteei uma vaga para o Partido da Mobilização Nacional, na Comissão Especial da Reforma Política, no colégio de líderes da Câmara dos Deputados, o fiz com a convicção de que o nosso PMN e seus militantes têm uma valorosa contribuição a dar a essa comissão.

A reforma política é necessária e essencial para o avanço da democracia no Brasil, para o seu aperfeiçoamento e para toda a classe política. O atual modelo é falho e precisa ser revisto com a maior brevidade possível.

Aprendi que os interesses da sociedade, de um grupo político, devem prevalecer acima de qualquer interesse individual ou vontade pessoal e, neste contexto, solicito a minha substituição na Comissão Especial representando o PMN.

Continuarei contribuindo com propostas que façam com que o País encontre mecanismos eleitorais ainda mais democráticos, que ajudem a minimizar as injustiças sociais do nosso Brasil.

Deputada Federal Jaqueline Roriz
Presidente do PMN do Distrito Federal

2 – Agora este primor de cinismo que é a nota oficial do PMN

Partido da Mobilização Nacional, em resposta ao questionamento da imprensa em geral acerca do acontecimento ocorrido em 2006, envolvendo a atual Deputada Federal Jaqueline Roriz eleita em 2010 por esta Agremiação, vem registrar o que segue:

-I- ao convidarmos, em 2009, a então Deputada Distrital para ingressar em nossas fileiras, o fizemos baseados nas informações então colhidas de se tratar de uma pessoa de boa índole e fácil trato, filha zelosa, mãe dedicada, esposa amantíssima, estimada pela população, com estabilidade financeira, interessada no exercício da ação política, permitindo-nos visualizar um futuro promissor e uma carreira em ascensão;

-II- lamentamos profundamente que com esse perfil – por moto próprio ou induzida por terceiros – tenha se deixado envolver ingênua e desnecessariamente numa prática nefasta, própria de agentes políticos de pequena expressão, com tibieza ética, moral e intelectual, sem horizontes e carreira curta;

-III- lamentamos igualmente a transformação do instituto da “delação premiada” num instrumento de manipulação política de que a sociedade brasileira não é merecedora;

-IV- lamentamos também que – com elogiáveis exceções – alguns jornalistas venham se especializando em promover antecipadamente e a seu bel-prazer o linchamento moral de algumas pessoas, quando é visível o “poupamento” de outras cujo enriquecimento súbito causa estranheza, tanta vez que incompatível com o currículo de atividades até então exercidas;

-V- por fim, não pretendendo invadir a competência dos Órgãos a que a matéria está e estará submetida, reserva-se esta Direção – sem prejuízo das providências internas que achar conveniente adotar, aguardar o desenrolar dos acontecimentos.

São Paulo, 09 de março de 2011

TELMA RIBEIRO DOS SANTOS
Secretária Geral Nacional

Por fim, a matéria veiculada no G! – o portal de notícias da Globo.

09/03/2011 15h59 – Atualizado em 09/03/2011 16h12
Jaqueline Roriz anuncia saída da comissão de reforma política

Deputada federal foi indicada ao cargo pelo PMN.
Ela aparece em vídeo recebendo dinheiro de pivô do mensalão do DEM.

Iara Lemos
Do G1, em Brasília

A deputada federal Jaqueline Roriz (PMN-DF), flagrada em um vídeo recebendo dinheiro de Durval Barbosa, delator do mensalão do DEM de Brasília, entregou nesta quarta-feira (9) um pedido oficial para deixar a comissão especial da reforma política da Câmara dos Deputados. Jaqueline foi indicada pelo PMN para o cargo.

“Aprendi que os interesses da sociedade, de um grupo político, devem prevalecer acima de qualquer interesse individual ou vontade pessoal e, neste contexto, solicito a minha substituição na Comissão Especial representando o PMN”, disse a deputada, por meio de nota oficial. A nota foi encaminhada à secretária-geral do PMN, Telma Ribeiro dos Santos.

No texto, a deputada critica o modelo político no Brasil. “A reforma política é necessária e essencial para o avanço da democracia no Brasil, para o seu aperfeiçoamento e para toda a classe política. O atual modelo é falho e precisa ser revisto com a maior brevidade possível”, disse a deputada.

A deputada, contudo, não fez nenhuma referência ao vídeo em que apareceu recebendo dinheiro do delator do suposto esquema de corrupção. O assessor da família Roriz, Paulo Fona, disse que a deputada não irá se manifestar sobre o vídeo.

Na manhã desta quarta, a direção do PMN divulgou nota afirmando que aguardará o “o desenrolar dos acontecimentos “sobre o caso Jaqueline Roriz (PMN-DF)”. O partido disse lamentar que Jaqueline Roriz “tenha tenha se deixado envolver ingênua e desnecessariamente numa prática nefasta, própria de agentes políticos de pequena expressão, com tibieza ética, moral e intelectual, sem horizontes e carreira curta”.

Ainda nesta quarta, a assessoria do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, informou que ele pedirá ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de inquérito para apurar o caso. Segundo a assessoria de Gurgel, o procurador-geral deve solicitar nos próximos dias a abertura de inquérito contra a deputada, que tem foro privilegiado e só pode ser investigada com autorização do STF.





Roriz e Durval continuam filmando…

1 10 2010

O Jornal Passe Livre, edição 454, que circulou entre 17 e 20 de setembro já tinha denunciado que a parceria Roriz e Durval estava em plena atividade.
É longa, perversa e criminosa a parceria entre Joaquim Roriz e Durval Barbosa. Advém desde bem antes que alguns imaginam. Foram unidos pela mesma paixão pela contravenção, pela bisbilhotagem, pela paixão pela extorsão, pelo crime.
Foi assim na vergonhosa e impune montagem do chamado ‘Massacre da Estrutural’ que tantos estragos causou à candidatura de Cristovam em 1998, então candidato a reeleição. Sabe-se, agora, que o massacre na realidade foi uma ação coordenada pela campanha de Roriz em 98 – realizada por quem? Hum… adivinhou…
E esta parceria entre os dois nunca foi ‘diminuida’ ou sofreu qualquer abalo. Durval sempre foi o pitbull para os serviços sujos de Roriz. Por trás de cada vídeo, tem as digitais de Roriz.
Ao revelar que possui um vídeo com um genro de um Ministro do Supremo, Roriz mandou um recado para todos aqueles que conversaram com ele nos últimos meses: tenho material…
A nota que está na edição do Jornal Passe Livre é a seguinte:

VISTANTE
Clientes dos quiosques do Sia nas proximidades do comitê de Roriz falam da presença de Durval Barbosa no local. Estará ele arrumando as câmeras para flagar e registrar as reuniões e os acordos políticos – dentro da velha escola rorizista de fazer política?

Ou seja: para se manter informado no DF… Basta ler o Jornal Passe Livre – que desde 1998 é a Informação que viaja com você!





Arruda abre o bico e confirma Passe Livre

28 09 2010

O Arruda ao ser entrevistado pelo Correio Braziliense até parece um anjo. Um verdadeiro santo – até porque santos não existem e o único a merecer o título de Santo em sua dimensão plena foi Jesus. Mas o Arrudaestá ali – lado a lado com os santos de pés de barro que adornam os altares da hipocrisia e das Igrejas Católicas.

É de emocionar a pureza deste homem. Pegou dinheiro roubado e manteve o fornecedor ao seu aldo. A entrevista é pífia por não colocar Arruda diante de aftos, como por exemplo aqueles medonhos diálogos gravados onde ele discorre sobre o mensalão do Roriz e do Demo.

Mas é preciso também reconhecer que Arruda tocou em alguns pontos que alguns jornalistas e blogueiros e blogueiras de ocasião estão omitindo. Cabe aqui registrar que o Jornal Passe Livre foi o primeiro a denunciar – isso na edição 402, que circulou com data de capa de 27 a 30 de novembro de 2009 – que o tudo não passava de briga de gangues, de bandidos.

Quem quiser acessar e confirmar, este é o link: https://passelivreonline.wordpress.com/2009/12/15/passe-livre-edicao-402-extra/

Agora, vem o Arruda e confirma aquilo que o Jornal Passe Livre e a sociedade brasiliense como um todo já sabem: foi Roriz sim, junto com Durval Barbosa, quem articulou todo o conjunto de trabalhos, vídeos e manipulações contra o Arruda.

Na entrevista, Arruda inclusive mostra a proximidade das datas: em 16 de setembro Roriz é defenestrado do PMDB. Dia 19 de setembro, Durval negocia a delação premiada.

Ou seja: mais uma vez o Jornal Passe Livre mostrou algo que a mídia convencional não teve coragem de abordar.

Transcrevo a seguir a entrevista que o Arruda concedeu ao Correio Braziliense.

José Roberto Arruda diz: “Eleger Roriz é mostrar que o crime compensa” Ex-governador rompe silêncio de quase um ano em entrevista exclusiva ao Correio

Marcelo Tokarski

Publicação: 28/09/2010 08:01 Atualização: 28/09/2010 13:01

Às vésperas de completar um ano do escândalo político que abalou o Distrito Federal, o ex-governador José Roberto Arruda, que ficou preso por dois meses e teve o mandato cassado pela Justiça Eleitoral, decidiu romper o silêncio. Ao justificar o fim da “reclusão”, como classifica seu isolamento, Arruda argumenta que não poderia se omitir diante do cenário eleitoral do DF. “Pensei muito antes de romper esse silêncio e essa reclusão a que me impus. Mas chegou um momento que eu cheguei à seguinte conclusão: Ou eu falo agora ou mais tarde poderei ser acusado do pior dos atos, que é a omissão”, afirmou.

Para o ex-governador, a eleição de Weslian Roriz (PSC) nada mais seria do que uma manobra para a volta de seu marido, Joaquim Roriz, ao poder. “Meu voto é contra o Roriz e tudo o que ele representa. Contra essa tentativa desesperada de indicar alguém da família para continuar no poder, contra esse nepotismo atrasado que tenta dissimular uma ambição sem limites”, afirmou. Na avaliação de Arruda, uma eventual vitória do clã Roriz nas urnas representaria a volta do coronelismo. “A eleição do Roriz é a eleição do Durval (Barbosa, ex-secretário de Relações Institucionais e pivô do escândalo), é a eleição do (Édson) Sombra (jornalista envolvido na suposta tentativa de suborno que levou o Superior Tribunal de Justiça a decretar a prisão de Arruda), é a vitória do coronelismo, a vitória das piores práticas políticas a que o Brasil já assistiu. A vitória do Roriz significa dizer o seguinte: o crime compensa”, afirmou.

Questionado se estaria defendendo o voto no petista Agnelo Queiroz — que tem como vice em sua chapa Tade Filippelli (PDMB), ex-aliado de Roriz e do próprio Arruda —, o ex-governador preferiu contemporizar. “Acho que o Agnelo está longe de ser o candidato dos meus sonhos. Mas a eleição é plebiscitária. Depois de toda a tristeza que se abateu sobre a cidade, e eu sou em grande parte responsável por isso, depois de toda a frustração, eu não tenho o direito de induzir ou pedir voto para ninguém, mas eu tenho a obrigação moral de dizer o meu: eu voto contra o Roriz.”

Durante uma hora e meia em que recebeu o Correio em sua casa, onde diz só sair a cada 15 dias para ir ao médico ou resolver alguma questão pessoal, Arruda relembrou, sempre ao lado da mulher, Flávia, os dias na prisão, se disse vítima de um complô executado pelo ex-secretário de Relações Institucionais — mas “arquitetado” por Joaquim Roriz — e afirmou estar retomando aos poucos sua vida, mas longe da política. “Quero voltar a ser engenheiro. Estou me preparando para isso, devagar, me reciclando. Tenho 56 anos. Quero viver de maneira mais simples, mais tranquila, longe do poder.” Leia a seguir os principais trechos da entrevista concedida com exclusividade ao Correio.

“A eleição da mulher do Roriz é a eleição do Durval”

O que mudou na sua vida? Como o senhor viveu nos últimos meses?
É a primeira vez que eu falo, depois de 60 dias preso e cinco meses e tanto em casa. Estou rompendo o silêncio. O que eu estou passando é a terapia da dor, do sofrimento. Eu não desejo para ninguém, mesmo para os meus algozes, ter que passar pelo que eu, a Flávia e a minha família temos passado. Em primeiro lugar, fiquei 60 dias preso num cubículo menor do que essa mesa em que estamos, sem janela, sem banheiro. Eu, para usar o vaso sanitário, era escoltado por dois guardas fortemente armados e não podia sequer fechar a porta do box. Sofri todas as humilhações, todas as pressões psicológicas que um ser humano pode sofrer. Comecei a sentir dores no coração e picos de pressão muito fortes, e só 12 dias depois é que foi permitida a presença de um cardiologista. E aí eu fui submetido a um cateterismo. Depois repousei na UTI até as 5h da manhã e fui levado de volta ao cárcere. Nos cinco dias seguintes sequer conseguia levantar da cama. Como tinha uma cama-beliche, e como a luz não apagava nem de noite, a maneira que eu tinha de dormir, poucas horas por noite, era colocando um cobertor na parte de cima da beliche para tentar tampar pelo menos a incidência direta da luz. E mesmo com medicamentos era muito difícil eu dormir. Eu tinha apenas 15, 20 minutos por dia de oxigênio, quando a Flávia me levava o almoço. Era o tempo que ela podia estar comigo. E é o único contato que eu tinha com o mundo externo. Era proibido de ler jornal, de ver televisão, de qualquer comunicação com o meio externo.

E como foi quando saiu da prisão?
Depois que eu voltei para casa, tanto eu quanto a Flávia, e a nossa família, que me deu muito apoio, e os poucos amigos, poucos e verdadeiros amigos que restaram, eu me impus a uma reclusão. Então, há mais de cinco meses que eu praticamente não saio de casa, com raríssimas exceções, para ir ao médico, resolver algum assunto, mas passo 10, 15 dias sem sair de casa. E tudo isso faz parte da terapia do sofrimento. Acho que a dor ensina mais do que a alegria, a derrota ensina mais do que a vitória.

O que aprendeu com tudo isso?
Em primeiro lugar, estou num processo de aprimoramento humano, de dar mais valor às questões espirituais. Para mim, a política, a vida profissional, a ambição, a vaidade, tudo isso era minha prioridade. Hoje, minha prioridade é minha família, minha vida pessoal, a saúde. Estou aprendendo a conviver com o abandono, com a ingratidão, com a traição, sem raiva, sem mágoa, sem julgar ninguém. De cada 100 amigos que eu imaginei que tinha, um apareceu para me dar um abraço. Não fico contando os outros 99. Fico apenas relacionando aqueles poucos e verdadeiros que estão presentes num momento tão difícil. E também não fico julgando aqueles que não vieram — uns por medo, outros por covardia, outros por oportunismo. Cada um tem suas razões. Não julgo ninguém. Eu, que era tão cartesiano, materialista, hoje sou uma pessoa muito mais próxima de Deus. Vou fazer uma figura de imagem que talvez não seja de bom gosto, mas é a que melhor representa o que eu sinto: Deus está me dando o privilégio de assistir ao meu próprio velório. E aí eu vejo quem apareceu, quem chorou de verdade, quem gosta de mim, quem foi apenas para cumprir uma missão social, os que foram com ironia, os que não apareceram, os que fingiram que não me conheciam. Mas o mais interessante é que Deus está me dando ainda outro privilégio. Terminando o velório, ele está dizendo: ‘Agora você levanta e pode continuar vivendo um pouquinho mais’. São raras as pessoas que conseguem ter alegrias tão grandes quanto eu tive e tristezas tão profundas. É um grande aprendizado.

Estamos a poucos dias da eleição. Como o senhor avalia a candidatura de Weslian, mulher de Roriz?
Em primeiro lugar, quero dizer que pensei muito antes de romper essa reclusão a que me impus. Há quase nove meses me impus a esse silêncio. Mas chegou um momento, face à questão política e às questões jurídicas envolvidas, que cheguei à conclusão: ou falo agora ou me calo para sempre. Ou falo agora ou mais tarde poderei ser acusado do pior dos atos, a omissão. O que eu penso, e aí não vai nenhum sentimento de vingança, de ódio, com todo o respeito por todas as pessoas, inclusive pelo Roriz, eu acho que a eleição da mulher dele é a eleição do Durval, é a eleição do Sombra, é a vitória do coronelismo, a vitória das piores práticas políticas que o Brasil já assistiu. A vitória do clã Roriz significa dizer: o crime compensa.

Qual foi o seu grande erro?

O grande erro do meu governo foi ter permitido que não apenas o Durval, mas alguns outros rorizistas, que vinham no poder há 20 anos, de forma oportunista, quando viram que eu ia ganhar, quando viram que a derrota da Abadia era inevitável, pularem para o meu barco na última hora, e eu, generosamente, ingenuamente, os mantive depois no governo. Para você ter uma ideia, os mesmos deputados distritais que quando eu ganhei a eleição me fizeram pressão para eu deixar o Durval no governo, porque eu não queria deixá-lo — embora ele tivesse me ajudado na campanha —, fizeram pressão e eu acabei cedendo. E aí cometi um erro. Mesmo tendo deixado ele num cargo assim meio honorífico, sem gestão financeira, a verdade é que eu deixei ele no meu governo. Vendo hoje o filme, eu tinha que ter cortado o mal pela raíz.

Essa pressão dos distritais incluiu cobrança de mensalão?
Hoje fica claro por que tantos deputados gostavam dele (Durval). Parece evidente que houve mensalão em Brasília, mas foi o mensalão do Roriz, e não meu. As imagens (dos vídeos) são todas anteriores ao meu governo.

Esses rorizistas que o senhor deixou no governo já tinham a intenção de miná-lo depois?

Você acha que é por acaso que, na única vez em que eu fui ao gabinete desse Durval, em 2005, a única vez em que eu o visitei, fiquei lá (no gabinete da Codeplan) 20 e poucos minutos, será que é coincidência o Roriz ter me ligado? Exatamente naquela hora? E eu pergunto: por que cortaram isso da fita? Graças a Deus, agora, um ano depois, é a Polícia Federal, é a perícia oficial que vem confirmar o que dissemos antes, que as fitas foram editadas, manipuladas para enganar a opinião pública. Fitas de 2003, 2004, 2005 e 2006, quando o governador era o Roriz, foram apresentadas de maneira violenta na mídia como se tivessem sido no meu governo. Será que era eu que tinha que ter sido preso? O Durval responde a 32 processos por corrupção, todos, eu repito, todos, sem exceção, corrupção praticada no governo Roriz, quando ele era presidente da Codeplan. O que eu tenho com isso? Ele não responde a nenhum processo no meu governo. Até porque, embora eu tenha cometido o erro de ter deixado uma figura com esse tipo de formação, de deformação de caráter, eu não posso esquecer que ele (Durval) tem um irmão deputado (Milton Barbosa), aliás candidato à reeleição com uma campanha caríssima. Eu cedi a essas pressões, esse foi o meu grande erro. E ele ficou no governo, sorrateiro, bajulador, até o momento de dar o golpe. Foi na verdade uma armação bem arquitetada. Há uma frase interessante, que é bíblica, que os filhos das trevas são mais perspicazes que os filhos da luz. Então, essas pessoas que se dedicaram a arquitetar o mal o fizeram com tal competência que convenceram a sociedade, através da mídia, com aquele bombardeio de imagens agressivas, que toda aquela corrupção que se passou no governo Roriz na verdade teria sido no meu governo. Porque não aparecia a data (nos vídeos).

Mas por que essa “armação”? Por quem ela foi arquitetada?
Vínhamos num projeto de governo com ampla aprovação, tínhamos duas mil obras em execução, tínhamos tirado as vans irregulares da cidade, tirado os camelôs, acabado com as invasões. Eu fazia um governo de ruptura, colocava ordem na cidade. E quando tudo isso estava indo tão bem, quando Brasília estava garantindo o privilégio de fazer a abertura da Copa de 2014, quando tinha 200 escolas de educação integral, as vilas olímpicas aí, o maior conjunto de obras no sistema viário desde a construção da cidade, quando tudo isso estava dando certo, vem essa armação dos interesses contrariados. O Roriz é um grande líder dos interesses contrariados. O Roriz reúne hoje todos aqueles que invadiam terras, que operavam o transporte irregular, que faziam o comércio irregular, que desejam aumentar a área de Brasília para fazer mais loteamentos, para acabar mais com a qualidade de vida. Ele reúne todos esses interesses que o meu governo contrariou.

O Roriz diz que o suposto esquema operado pelo Durval pode ter começado no governo dele, mas que ele não sabia. É possível?
Quem sou eu para julgar os outros? O que eu tenho absoluta certeza, e parece que sobre isso não paira dúvida na cidade, é que Durval e Sombra são braços armados do Roriz. Vão lá, armem uma arapuca para tirar esse Arruda da minha frente. Será que se eu fosse candidato à reeleição o quadro político era esse? Ele sabia que não.

Por que então manter o Durval no seu governo?

A pressão política que eu aceitei foi manter o Durval num cargo sem gestão financeira. Ele não responde a nenhum processo por ato que praticou no meu governo, porque no meu governo ele não praticou ato nenhum. No meu governo ele era aspone mesmo, é isso. Toda vez que eu precisava do voto do irmão dele eu pedia para ele. Agora, ninguém me pediu para manter esquema de corrupção porque não tiveram coragem de fazê-lo.

Mas então ele manteve à revelia algum esquema de corrupção?
Acho que o Durval manteve, residualmente, algum poder. Primeiro, pelo dinheiro que acumulou nos oito anos do governo Roriz. Segundo, pelos grandes empresários que ele representava. Você acha que ele estava sozinho? Imagine uma empresa que faturava R$ 100 milhões por ano e que no meu governo passou a faturar zero. Eu estou dizendo uma coisa que naquele momento da comoção ninguém conseguia ver. Há uma coisa interessante: a ligação do Durval e do Roriz é muito mais antiga. Foi o Durval quem fez o vídeo da Estrutural que derrotou o Cristovam (Buarque) em 1998. Ele era o (delegado) titular da 3ª DP do Cruzeiro, foi ele que filmou o que se intitulou depois de “massacre da Estrutural”, que, exibido no programa eleitoral, foi responsável pela derrota do Cristovam. Em 2002, o Durval foi o braço armado do Roriz para mais uma vez derrotar o (Geraldo) Magela com as urnas da Linknet, ou nós já esquecemos disso? Quem armou a farsa das urnas da Linknet? Doutor Durval. Em 2006, quando eles viram que não conseguiam ganhar com a Abadia, vêm para o meu lado de maneira oportunista e preparam o golpe para me derrubar em seguida para asfaltar a volta do Roriz. Quer dizer, estas pessoas que se reúnem em torno do Roriz, não é a primeira vez em que eles atacam alguém, não sou a primeira vítima.

Mas e a prisão do senhor?

Foi a armação mais clara possível. Eles viram que, apesar de toda a delação que tinham feito, não estavam conseguindo me derrubar, e eu continuava bem avaliado pela sociedade, que no mínimo desejava que eu terminasse o meu governo, que eu concluísse as obras. Quando eles viram que estavam perdendo, inventaram então o segundo golpe. Chega a ser ridículo: duas pessoas que compartilhavam o mesmo escritório, que trabalhavam juntas. Um era o diretor comercial e outra era o presidente do mesmo jornal, aliás, um veículo de informação pouquíssimo conhecido, mas sempre muito bem aquinhoado com verbas públicas. Essas duas pessoas, que trabalhavam no mesmo escritório, resolvem um entregar proprina para o outro, e em vez de fazê-lo no escritório que ambos frequentavam, ou de fazer na casa de um deles, que ambos frequentavam — como está fartamente documentado em vídeos feitos por ele (Sombra) mesmo —, eles resolvem se encontrar numa lanchonete no Sudoeste. Foi um falso flagrante que me levou à prisão. E, tendo me levado à prisão, me calaram a boca. E enquanto eu estava amordaçado, os mesmos que haviam me pedido a nomeação do Rogério Rosso para o lugar do Durval na Codeplan, os mesmos que elegeram o Rosso como preposto do Durval e do Roriz, me agrediam no Legislativo. Fácil, né, chutar cachorro morto? Todo este plano diabólico deu certo. Vamos reconhecer a competência deles. São pessoas capazes, acostumadas a trafegar nos subterrâneos da política. E que portanto, lá, são imbatíveis.

Como o senhor avalia o fato de Roriz ter renunciado e colocado a mulher no lugar?
Como é triste ver pessoas que sempre tiveram o meu respeito naquela imagem melancólica, fraudulenta, tão bem traduzida pela filha do casal: “Meu pai indicou minha mãe”. É a oligarquia consciente, o contrabando da candidatura, o abuso da confiança dos cidadãos, o desrespeito à Justiça. Mas, vindo do Roriz, nada mais assusta, pela sua capacidade infinita de trapacear, de jogar sujo.

E ela pode ganhar nas urnas?
Claro. Na política, com as atuais regras, o poder econômico, o jogo sujo é ferramenta da maior utilidade no processo eleitoral. Não é à toa que o coronelismo sobrevive em vários estados e até na capital do país. Não vai aqui no meu coração nenhum sentimento de vingança, de ódio, nada pessoal. Eu estou apenas cumprindo uma responsabilidade que tenho, uma responsabilidade pública, como ex-governador. O que está em jogo são dois projetos diferentes para Brasília. Um projeto que eu liderava, que era um projeto de mudança, de ruptura. Demiti 15 mil servidores sem concurso. Vocês se lembram dos camelódromos no Setor Comercial? Se lembram dos esqueletos que implodi, das 5 mil vans que tirei das ruas? Vocês sabem que o meu governo foi o único na história de Brasília que nunca deu aumento na passagem de ônibus, e ainda assim eu obriguei os empresários a comprar 1.950 ônibus novos? O meu governo terminou a obra do metrô de Ceilândia, parada há 13 anos. O meu governo fez mil salas de aula, 200 escolas integrais. Este governo de ruptura, que proibia as invasões, que prendeu grileiros, regularizava os condomínios, colocava ordem na cidade. E com isso eu contrariei objetivamente os interesses daqueles que querem a bagunça, e que são liderados pelo Roriz. O Roriz está aí em campanha, e ele não esconde de ninguém. Ele é a favor das vans, do comércio irregular, nunca coibiu as invasões de terra, as construções irregulares, e é por isso que Brasília vem se tornando essa bagunça. Eu dei uma freada de arrumação e, quando tudo isso estava sendo feito, alguém nos derruba. São projetos diferentes. O que está em jogo não é nada pessoal. O que está em jogo é o seguinte: Brasília quer voltar ao passado da bagunça e da desordem ou quer insistir na organização da cidade?

O Agnelo leva essa bandeira?
O Agnelo está longe de ser o candidato dos meus sonhos. Mas a eleição é plebiscitária. Depois de toda a tristeza que se abateu sobre a cidade, e eu sou em grande parte responsável por isso, não tenho o direito de induzir ou pedir voto para ninguém, mas tenho a obrigação moral de dizer o meu: eu voto contra Roriz.

A delação de Durval começou em setembro de 2009, época em que havia o movimento para tirar Roriz do PMDB. Foi a gota d’água?
Não tenho dúvida de que a saída dele do PMDB foi a gota d’água, até as datas coincidem. Ele saiu do PMDB em 16 de setembro e a delação foi feita no dia 19. E um dia antes o TJDFT tinha aceitado uma denúncia contra o Durval.

Não fosse a saída de Roriz do PMDB o senhor acha que eles teriam levado adiante esse plano a que o senhor se refere?
É difícil saber, porque eu não sei pensar com a cabeça deles. Eu estou dizendo o que eu penso do Roriz abertamente. Ele nunca diz, ele usa os braços armados para me atacar. O Roriz nunca teve coragem de me enfrentar diretamente. Em 1994, eu tinha sido secretário de Obras do governo dele, ele não me queria candidato a senador. Escolheu a Márcia Kubitschek e o Pedro Teixeira. Eu tive que bater voto na convenção para ganhar a disputa e depois ser candidato ao Senado. Em 1998, disputei a eleição contra ele, que nunca compareceu a um debate onde eu estava, nunca teve coragem de debater comigo. Em 2002, ele apoiou fortemente outros candidatos para tentar ver se eu não seria eleito deputado federal e eu fui o mais votado. Em 2006, ele também se acovardou. Quando viu que eu estava com a candidatura mais forte do que a da Abadia, se afastou dela. Ele nunca me enfrenta diretamente, ele escala esses seus braços armados para fazer um tipo de jogo sujo que não tem coragem de fazer.

Dizem que o senhor teria muita coisa contra Roriz e que implodiria a candidatura do grupo ligado a ele. É verdade?
Primeiro, não tenho. Segundo, todas as vezes em que tentaram me oferecer, eu rechacei. Não tenho vídeo, não faço gravação de ninguém, acho isso hediondo, uma prática terrivelmente suja. Não tenho absolutamente nada, nenhum tipo de arma, nem contra o Roriz nem contra ninguém. A minha diferença com o Roriz não é apenas na forma de governar. Eu tentei fazer um governo de ruptura, que organizava a cidade. O Roriz tem uma visão diferente: é o governo da desorganização, da bagunça, da invasão de terra, da ilegalidade. Essa é uma diferença. Mas as nossas diferenças não param aí, as nossas diferenças também são na maneira de fazer política. O Roriz usa todas as armas, acha que os fins justificam os meios. Se há um obstáculo intransponível, destrói-se o obstáculo. Ele só decidiu me destruir quando descobriu que, fora do PMDB e com o nível de aprovação que eu estava, teria dificuldades para voltar ao poder.

Em depoimento ao Ministério Público Federal, o senhor falou que foi achacado pela promotora Deborah Guerner. E depois o próprio Durval confirmou que entregou dinheiro a Deborah a mando de Roriz. Essas pressões vinham também do MP do DF?
Vinham. E nunca passou pela minha cabeça que esses 20 anos de desmandos que o Roriz comandou em Brasília tivessem criado raízes nos outros poderes. As coisas que eu encontrava erradas no governo eu tomava a medida que me cabia, que era enviá-las ao MP. E lá elas paravam, sei lá por que. Só no fim soube-se a razão. Então, infelizmente, e a constatação não é minha, é deles próprios: se o Durval confessa que entregava dinheiro a uma procuradora a mando do Roriz, e se ela própria me diz que recebia esses recursos, em função disso três anos depois da renúncia do Roriz no Senado ele não havia sequer sido processado. Então o assunto é muito mais grave do que se imagina. Sinceramente, nunca passou pela minha cabeça que esses tentáculos do poder de corrupção do Roriz tivessem penetrado tanto em outras esferas. Infelizmente, tenho que reconhecer que isso ocorreu.

Mas Durval agia sozinho?
Seria ingenuidade da minha parte, a essa altura da vida, dizer que o Durval estava sozinho nisso. Ele é apenas um bem mandado de um esquema muito maior, liderado pelo Roriz, que tem braços no poder econômico. E que desejam que as facilidades voltem. Eu acabei com elas. É verdade que eu errei ao aceitar pressões. Agora, o Durval tem um irmão que é deputado, tinha voto. E tinha outros deputados que eram muito gratos a ele, hoje se sabe até porque. Tive que aceitar isso, mas confesso que aí cometi um erro. E não por falta de aviso de que deveria tirá-lo do governo.

Logo no início?
Antes de tomar posse. E eu, depois das pressões políticas, tomei uma medida que julguei muito salomônica: deixo ele num cargo no governo, mas tiro dele o poder de presidir a Codeplan. Só que minha ingenuidade foi grande. O mesmo grupo que apoiava o Durval me traz alguns nomes para eu analisar para a Codeplan. O primeiro era do atual governador, que tinha recebido 54 mil votos (como candidato a deputado) no PMDB, um homem muito educado, bem preparado, e eu aceitei. E o que os fatos hoje demonstram? Que ele foi para a Codeplan como preposto do Durval. Hoje ele é um governador que, por melhores que sejam suas intenções, tem uma limitação, é refém do Durval. Não é segredo para ninguém das ligações das pessoas mais próximas ao Rogério Rosso hoje que despacham com o Durval, que obedecem as suas ordens. Brasília pode até não saber, mas o governador de fato hoje é o Durval. E eleger o Roriz é outra vez eleger o Durval, o Sombra e esse grupo de pessoas que tanto mal tem feito a Brasília. E agora tudo isso se confirma, quando o Rosso vem apoiar a mulher do Roriz.

O senhor teve seu julgamento político. Como lida com a Justiça?
Num primeiro momento, com o bombardeio de vídeos, com o tamanho do escândalo que se montou, eu entendo as decisões que foram tomadas, tanto no âmbito do Ministério Público quanto no Poder Judiciário. Mas a gente não pode subestimar nem o MP e nem a Justiça. O aprofundamento das investigações está levando, naturalmente, a outros caminhos. E cada vez mais essa armação está ficando clara. É a Polícia Federal que, um ano depois do episódio, dá a público a primeira perícia. E qual o resultado? Que a fita foi cortada, editada criminosamente para proteger alguém. Os meus advogados me pedem que não entre no detalhe dessas questões, mas o que eu posso dizer é que hoje já existem provas contundentes da edição, do corte. Vocês sabem que o dinheiro na meia, o dinheiro na bolsa, o dinheiro sei lá mais aonde aconteceu no governo do Roriz, e não no meu. E mais: se eu tivesse cedido às chantagens do Durval, ele teria me denunciado? Ele estaria feliz da vida comigo. Ele buscou montar essa denúncia no momento em que seus interesses foram contrariados. E não apenas o interesse dele, o interesse dele era contrariado no mesmo momento em que o interesse político do grupo que o Roriz representa era contrariado, que interesses econômicos poderosos eram contrariados. Infelizmente, eu tenho que constatar que todos esses interesses econômicos estão aí com as suas candidaturas para domingo que vem. O irmão do dono de Linknet é candidato, o irmão do Durval é candidato. São dezenas de candidatos com chances grandes de eleição que representam interesses econômicos claros, contratuais com o GDF. Grande parte do nosso poder político busca eleição para defender interesses econômicos e contratuais diretos com o GDF.

O senhor fala de atuais deputados que são candidatos…
Atuais… (Falo) de personagens da política local. Os grupos econômicos de Brasília começam pequenininhos, vão crescendo e, na hora em que querem dar um pulo para ficar enormes, elegem um deputado. Para defender o quê? Os seus interesses. Essa mistura da vida política com os contratos do GDF é explosiva, muito ruim para a vida da cidade. Procurei combater, com muitas dificuldades. Hoje eu entendo por que demorei mais de dois anos para fazer a concorrência do lixo. E por que todo edital que eu mandava para o MP não servia.

Além de Deborah, que o senhor já citou, o Leonardo Bandarra, ex-procurador-geral do MP do DF, tinha participação nesse esquema?
Não julgo ninguém. A única coisa que eu constato é que forças internas do MP atuavam no sentido de que eu não conseguisse fazer a licitação do lixo, porque, quando consegui, o preço diminuiu 17%. Portanto, alguém era beneficiado antes, enquanto os contratos eram emergenciais. Forças internas no MP pegaram o processo da bezerra de ouro e colocaram na gaveta por três anos. Forças internas não analisaram a auditoria de Corumbá IV, que é o megawatt/hora mais caro da história do Brasil. Tudo isso está lá no Ministério Público local, devo dizer. Então, alguma coisa acontecia. Como e por que eu não sei responder. Quanto ao Bandarra, ele foi um dos que me avisou que eu deveria tirar o Durval e sempre se houve comigo com toda a correção.

O senhor fez delação premiada com o MP Federal?
Não existe essa possibilidade. Só faz delação quem é criminoso, quem tem culpa. Eu não tenho. Não faço nada escondido de ninguém. Tudo o que tenho que falar eu estou falando aqui, com gravador ligado, pode ser publicado no jornal. Agora, o que eu sinto, nos poucos depoimentos que tive, no âmbito do Ministério Público Federal e no próprio Poder Judiciário, é que há um desejo muito claro de esclarecer a situação como um todo, fora daquele clima de comoção dos dias do escândalo.

E daqui para a frente?
Só consigo ver nesse momento o curto prazo. Nossas prioridades aqui em casa são: primeiro, retomar a minha saúde. Hoje eu tenho um artéria entupida, estou com uma carga de medicamentos muito grande, estou voltando a fazer meus exercícios físicos de maneira ainda muito lenta. Enfim, a primeira prioridade é recuperar a saúde. A segunda é recuperar a cabeça. E o que envolve essas duas prioridades é a vida familiar. A minha prioridade é ser feliz com a minha mulher, a minha filha. Isso é muito mais importante do que vida pública, do que qualquer outra coisa. Eu cumpro aqui esse meu dever de dizer as coisas que penso com muito respeito às opiniões divergentes, mas louco para virar essa página e voltar para a minha reclusão, porque, com essas regras, não volto para a política. A política hoje não exerce sobre mim nenhum fascínio.

E o poder?
O poder… Eu experimentei os dois lados do poder. Graças a Deus, quando fui governador, não mudei para a casa oficial, continuei dirigindo meu carro nos fins de semana, poucas vezes usava gravata. Não tirei os pés do chão. Sob esse aspecto, o baque não é grande. Agora, o lado negativo do poder dói muito. O lado do abandono, da ingratidão… Há dois tipos de sofrimento. Um é o pessoal, nosso. Nós dois aqui (referindo-se a ele e a mulher, Flávia) somos pessoas comuns. Há um ano a gente não vai a um restaurante, a um cinema. Sabe por quê? A gente tem vergonha na cara. Nós nos impusemos essa reclusão, em respeito a tudo o que aconteceu. Eu não saio de casa, recebo pouquíssimas pessoas, não interferi no processo político, fiquei quieto. Sofri todas as traições e os abandonos, as ingratidões que um homem público pode sofrer. O meu partido nacional, eu era o único governador, eu os ajudei sempre em tudo o que me pediram, e me abandonaram na primeira curva. Sofri todo tipo de execração pública, de humilhação. Mas esse é o meu, o nosso sofrimento pessoal. Mas ele é muito pequeno, e menos importante, do que o sofrimento da cidade. Nas poucas vezes que saio dirigindo o meu carro… Eu vou confessar uma coisa: me dá um nó na garganta. Eu às vezes choro de tristeza, porque é duro ver obras paradas. É muito duro ver obras concluídas sem terminar. Aquelas marginais que eu fiz ali perto do zoológico, não conseguiram fazer uma graminha no canteiro central nem postes de iluminação. Há pistas de 8km duplicadas que falta uma ponte de 10 metros e eles não conseguem fazer. A Linha Verde era para ter inaugurado em junho e está aí até hoje, enrolando. As vilas olímpicas estão prontas e com cadeado no portão. À exceção da de Samambaia, que eu tive tempo de inaugurar. As crianças podiam estar fazendo esportes, nadando, fugindo das drogas. Me dói muito ver as invasões de terra voltarem, nas nossas barbas. As vans piratas na rua. Os camelôs voltando para o centro da Ceilândia, para o Conic. Isso me dói. Era um projeto de cidade que estava sendo construído e aprovado e que está sendo destruído. Essa é uma dor muito profunda. Mas volto a dizer: não acredito em crime perfeito.

O senhor sofreu algum tipo de hostilidade na rua?

Não, graças a Deus, não.

E manifestações positivas?
Muitas. Mas eu também tenho tido, nós dois temos tido, muito respeito pela opinião pública. Uma pessoa que passa o que eu passei não pode ficar se exibindo. Eu me impus a uma reclusão. Eu raramente vou a algum lugar. Esses dias eu fui a um enterro de um amigo querido e falaram mal do morto… Então é melhor não ir a lugar nenhum. Estou aprendendo a ter paciência, tranquilidade. Tem uma frase de um personagem do Guimarães Rosa que diz assim: “a esperteza quando é muito vira bicho e come o dono”. Tem muito esperto pela cidade comemorando o crime perfeito antes da hora.

Essa primeira entrevista é o início de uma saída desse período de reclusão?
Não, eu volto para a reclusão. Porque eu acho que a reclusão a que nós nos impomos é respeitosa em relação às investigações. É saudável para nossa vida pessoal, nós precisamos voltar a ter paz. Eu tenho lido muito, escrito, pensado, conversado muito, e faço hoje uma constatação. Agora, em 15 de novembro, faço 35 anos como formado de engenheiro. Vai ter até uma festa lá na minha escola de engenharia em Itajubá (MG), que eu também não vou. Nesses 35 anos, a metade do tempo eu fui engenheiro. Na outra metade entrei na política. Fui muito mais feliz profissionalmente como engenheiro. E eu quero voltar a ser engenheiro. Estou me preparando para isso, devagar, me reciclando. A partir do ano que vem quero retomar minha vida de engenheiro. Tenho 56 anos, uma filha de 2 anos. Quero viver de maneira mais simples, mais tranquila, longe do poder.

Política nunca mais?
Com essas regras políticas que estão vigentes eu não mais serei candidato. Tem que mudar muita coisa: financiamento público de campanha, voto facultativo, voto distrital misto. Sem isso, é loucura. Não sou eu que estou deixando a política não. Pimenta da Veiga, um dos grandes políticos de Minas Gerais, não disputou mais eleição. Roberto Brant não quis mais disputar eleição. O ministro Nelson Jobim me disse uma vez que o exercício correto do mandato era impeditivo para uma nova eleição. Ser candidato com as atuais regras é quase uma roleta russa. Não há campanha política, em nenhum estado brasileiro e em nenhum partido, que seja imune a uma verificação séria das suas contas. Com as atuais regras, você pega alguma coisa errada ali ou alguma coisa errada aqui. Mas em todo lugar tem coisa errada. Basta ver a atual campanha em Brasília. É tudo claro, não vê quem não quer. É só sair contando as placas na cidade que você vê quanto custa. Já fui senador, deputado, governador, e eu tenho uma responsabilidade pública que independe do mandato. Por isso estou falando. Essa responsabilidade pública não me dá o direito de pedir voto para ninguém nem de induzir voto para ninguém, mas ela me dá a obrigação de dizer o que penso. Por isso o meu voto é contra tudo o que o Roriz representa. Não é nem contra ele ou sua mulher, mas contra tudo o que eles representam.

O senhor está escrevendo um livro?
Dizem que sim…