O Brasil precisa uma nova oposição

26 06 2010

Estou decepcionado com o Serra. Eu pensava, sinceramente, que ele queria disputar as eleições de outubro. Oferecer ao País uma visão renovada do PSDB, expurgando seus erros e pecados cometidos enquanto governo federal, municipal e estadual. Muitas vezes a derrota nos ensina. Muitas vezes a realidade nos mostra que é hora de mudar, que é hora de repensar nossos métodos, nossas verdades.
Não se trata de ironia, mas o Brasil precisa de uma oposição melhor do que a que hoje temos. O Brasil de Lula, de Dilma e de tantos milhões de brasileiros requer uma oposição mais qualificada, mais capaz de entender que há um tempo de gritar e um tempo de silenciar. Um tempo de criticar e um tempo de apoiar – sem jamais perder de vista o contexto e o conjunto de uma sociedade em permanente processo de mudança, de avanço, com a inserção de milhões de pessoas à condição de cidadãos. É preciso uma oposição capaz de entender que suas bandeiras (estado mínimo, privatizações) estão rotas. Uma oposição que saiba mudar o seu discurso em face daquilo que acontece ao seu redor.
Ao escolher Álvaro Dias – minha aposta sincera é que no desespero os tucanos e demos optassem por Daniel Dantas – Serra mostra que preferiu o caminho da mediocridade em lugar das idéias.
Sinceramente eu pensava que o Serra de 2010 fosse diferente do Serra que transformou o Ministério da Saúde em um permanente comitê eleitoral a serviço de seu egocentrismo doentio e perverso, que redundou na ação da PF (dizem que sob o comando de Itagiba) para defenestrar Roseana Sarney.
Podem me chamar de ingênuo ou mesmo tolo, mas eu tinha a convicção que a derrota em 2002 e o naufrágio de 2006, que a descoberta da máfia dos sanguessugas, de suas escabrosas relações com os irmãos Vedoin… eu pensava, eu esperava que o Serra e o PSDB tivessem mudado.
Confesso, entristecido… eu não espero nada do Demo e nem deste circo de horrores e bizarrices que é o PPS. Mas o PSDB, sinceramente… E volto a dizer e a enfatizar: o Brasil, o Lula, a Dilma, o PT e a democracia precisam de uma oposição de verdade. E este papel cabe ao PSDB, que precisa ajudar a livrar a cena política nacional destas coisas que se aninham ao redor do poder, como criminosos do PTB, do PMDB, do PPS, do Demo e tantas outras siglas de aluguel.
O PT e muitos do PSDB sabem que não se pode brincar com a democracia, que é frágil e muitas vezes só nos damos conta do seu veradeiro valor quando ela se esvai por entre nossos dedos.
Eu pensava que o Serra pudesse conduzir o PSDB a este novo patamar de maturidade enquanto oposição. Mas ele não tem estrutura para isso e não vejo e nem vislumbro no PSDB quem o possa fazê-lo, porque no fundo Aécio é apenas, por covardia e comodismo, um subproduto do PSDB paulista.
Como fortalecer a democracia em nosso país se a oposição é a primeira a negar importância a ela, tornando-se refém das vontades de grupos isolados ou se guiando por contingências familiares? Como fortalecer a oposição política se ela se presta apenas ao papel de ser porta-voz de um segmento (mídia), vinculada a uma minúscula parcela da população (elites) e amparada no poder que mantém os privilégios (judiciário)?
Não temo pela democracia pelo que o PT possa fazer. Temo pela democracia por aquilo que grupos anti-democráticos que usam a oposição política possam fazer contra a democracia.