Trajano Jardim e os 100 dias do Governo Agnelo

13 04 2011

CEM DIAS DO GOVERNO AGNELO

Trajano Jardim*

As forças democráticas e populares enfrentaram uma ferrenha luta para conseguir a emancipação política de Brasília. As correntes conservadoras, resquícios do governo autoritário-militar, usaram de todos os meios possíveis para impedir que a cidade pudesse escolher os seus governantes livremente.

Em 1986, um ano após a posse do primeiro presidente civil pós-ditadura militar, o Senado aprovou eleições diretas para deputado federal e senador. Durante a Constituinte, setores organizados se mobilizaram e foram ao deputado federal Ulysses Guimarães (PMDB-MG), presidente do Congresso Constituinte, reivindicar o direito de voto à população de Brasília.

A Constituição (1988), no seu Capítulo V, artigo 32, criou a representação política para a capital federal, com a eleição de um governador e de uma Câmara Legislativa; a criação de um Fundo Constitucional para o DF foi importante para a independência frente ao governo federal.
Até a primeira eleição direta enfrentamos os diversos governadores biônicos, indicados de acordo com a correlação de forças na comissão de senadores que dirigia administrativamente o Distrito Federal.

O último deles, Joaquim Roriz, conseguiu, por meio de conxavos políticos, concorrer e vencer a primeira eleição direta em 20/09/88, e transformou Brasília em um feudo familiar, interrompido por um mandato com a eleição do governo democrático e popular de Cristovam Buarque. Fora esses quatro anos, o domínio das forças rorizistas foi absoluto.

Em 2010, vislumbramos uma oportunidade de derrotar as forças dominantes. Por três motivos. Primeiro, porque o núcleo dirigente liderado por Roriz esfacelou-se e mergulhou no mais profundo mar de corrupção que afogou o governo de José Roberto Arruda. Segundo, os setores democráticos e de esquerda, principalmente o PT, entenderam que só seriam vitoriosos com ampla unidade de forças progressistas do DF. E terceiro, porque o nome do candidato escolhido, Agnelo Queiroz, tinha ampla passagem nos estamentos médios da sociedade formadores de opinião. Para ganhar a eleição foi necessária uma coalizão que envolveu até então antagônicos.

Do ponto de vista tático essa união de forças, levando em conta a conjuntura, era compreensível. Posições maniqueístas não contribuiriam para alcançar o objetivo estratégico de derrotar Roriz e seus asseclas. Separar o “joio do trigo” para buscar a vitória.

Passado o pleito, as articulações para formação do governo mostraram que “o buraco era mais embaixo”. A supremacia na aliança política dos profissionais da política prevaleceu. A luta pelo poder paralisou o governo Agnelo. Compromissos injustificáveis, com vistas a formação de uma maioria na Câmara Legislativa, quase sempre na base do “toma-lá-dá-cá”, mostrou-se frágil do ponto de vista político.

Passados cem dias de governo a fragilidade dessa maioria buscada comprovou-se. Os compromissos com gregos e troianos, pedros e pedrosos mostraram para Agnelo que era, literalmente, no senso comum uma roubada. E o governador reconheceu que não dá para colocar “raposas no galinheiro”.

Cem dias perdidos podem ser recuperados, desde que o comando das ações esteja em mãos certas. Os estudos e levantamentos feitos no governo de transição poderiam servir de subsídios para a elaboração de um plano emergencial para os primeiros meses de governo. Entretanto, as coisas trilham pelos mesmos caminhos “dantes navegados”. Nada de novo no front. Setores que sempre lidaram com os grandes orçamentos do DF continuam no comando.

Para os próximos cem dias esperamos que o espectro do governo do “camarada” Agnelo não continue a trilhar os “velhos caminhos” trilhados até agora e construa, de fato, um “Novo Caminho” para a política do Distrito Federal.
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*Jornalista Profissional

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Passe Livre 495

6 04 2011

A edição do Jornal Passe Livre 495 será distribuída nesta sexta-feira na rodoviária de Brasília – com 60 mil exemplares – e tem, entre outros destaques:
– Governo Agnelo está procurando sarna?
– Diretoria Comercial da Terracap continua um balcão de negócios
– Esquema de corrupção do Pró-DF continua a pleno vapor
– Turma do atraZo ‘abandona’ o DF e centra fogo nas eleições do Entorno
– Por que o Governo Agnelo não revoga todo o PDOT?
– Sinpro realiza nesta 5ª um dia de lutas.


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Comunicação falha e Agnelo ‘apanha’ de graça

27 03 2011

Ainda que toda unanimidade seja burra, há uma convergência quanto à perda de oportunidades pelo GDF pelo fato de não ter uma Secretaria de Comunicação com a estrutura e o perfil necessários. Há uma flagrante incompatibilidade entre uma repartição que emite releases, ocupada por um porta-voz, e a expectativa e os desafios que devem ser assumidos por um Secretário de Comunicação qualificado.
Resta saber até quando o Governador Agnelo irá continuar teimando com esta solução que ele criou, gerando um monstrengo. Se de um lado contemplou o ego e a demanda salarial pedida, de outro gerou uma situação ridícula. Nada justifica ficar amassando barro, sem sair do lugar, apenas para dar a falsa impressão de estar se movimentando.
O que se sabe é que decorridos quase 100 dias da posse, a imagem do governo Agnelo está muito mais próxima a uma convicção de continuidade dos outros governos do que uma ruptura ética. Dentro deste quadro, é apavorante observar que a Secretaria de Comunicação é de uma incompetência aterradora, sem se contrapor ao noticiário que tenta colar estereótipos no Governo Agnelo. Falta alguém com autoridade para dizer que episódios como os de Alírio Neto e de Chico Leite não dizem respeito ao atual governo, que foram suspeitas em relação a atuações lá no passado.
Estou entre aqueles que não tem nenhuma razão para defender ou achar que Alírio Neto seja um modelo de político, ainda mais pela sua participação efetiva no processo de destruição da qualidade de vida do Guará – tanto no episódio da tramitação do PDOT – que desrespeitou TODAS as deliberações dos moradores do Guará que em audiências públicas definiram gabaritos de prédios e outras ações – quanto na transformação da cidade em um amplo campo para a ilegalidade de construções, com a proliferação de kitinetes e a construção de novos andares nos setores de oficina e do chamado pólo de modas. Cabe lembrar que o administrador da cidade foi e continua sendo indicado por ele, Alírio.
Mas para mim, soa estranho que Durval diga que entregou dinheiro ao Alírio e estranhamente não o filmou. Logo ele que filmou a todos. Ou será que neste caso, como em outro envolvendo um policial, ele, Durval, prudentemente e por medo tratou de não exibir as imagens?
A palavra de Durval, volto a dizer, não tem credibilidade alguma. Já escrevi várias vezes que, para mim, ele continua sendo apenas e tão somente alguém com muitas contas a acertar com a Justiça e ao entregar AS FITAS ele fez algo para tentar salvar um pouco a sua pele – mas que isso em nada o redime dos crimes pelos quais está sendo acusado. A palavra de Durval não tem valor se não estiver amparada por fitas de vídeo.

Dois pesos, duas medidas

Quando Arruda denunciou o povo do Demo e do PSDB, sem no entanto conseguir provar nada, houve uma enxurrada de questionamentos – inclusive pela impossibilidade de comprovação das denúncias. E elas foram saindo rapidamente do noticiário. No entanto, agora com o Chico Leite, a palavra de Arruda – um mentiroso contumaz e assumido – passou a ter valor. Não se trata de uma defesa do Chico Leite, mas apenas a constatação de que existem avaliações circunstanciais que são utilizadas e disseminadas por conveniência. Quando ele, Arruda, diz que bancou o Demo e o PSDB – mas não tem como provar, ou ao menos não lhe convém provar ou mostrar os comprovantes – daí as revelações são descaracterizadas e rapidamente esquecidas pelas mídia.
No entanto, quando este mesmo Arruda diz que foi procurado por Chico Leite, a palavra de Arruda volta a ter valor e peso. Logo algo vindo de Arruda, um mentiroso de carteirinha.

E as juras da Celina?

Não resistiu muito tempo o arrazoado da distrital Celina Leão dizendo que seu marido nada tinha a ver com a farra de cartas-convite na administração de Samambaia. A revelação de fac-simile com as assinaturas serviu para mostrar que se houver interesse por parte do Ministério Público, muita coisa poderá ser descoberta. Esta é a avaliação que especialistas fazem, corroboradas pelos dados já coletados e analisados pelo pessoal do Tribunal de Contas do DF. Descobrir o vínculo certamente é uma tarefa que ficará mais fácil se forem observadas as movimentações financeiras, a prestação de contas da campanha e outras ações que podem corroborar as suspeitas ou, o que acabaria sendo bom para a política do DF, a plena e total certeza de que ela não tem nada a ver com o que aconteceu na Administração de Samambaia.

Agnelo e uma nova agenda

Para sair do corner, para deixar de pagar por erros de outros, Agnelo precisa trabalhar com a parte saudável do seu governo. Já escrevi antes e repito: não precisa ter a maioria de 22 votos na CLDF. Basta costurar uma maioria de 16 votos confiáveis e deixe o resto ser oposição. É mais barato. É mais fácil.
Outra medida urgente é a de redefinir a estrutura de sua pasta de comunicação. Hoje o GDF não tem ‘comunicação’. Tem alguém ocupando uma função, sem no entanto ter a capacidade e a compreensão política que o cargo exige. Insistir com uma enjambração é continuar apanhando sem precisar, por coisas que não fez. Achar que comunicação continua se restringindo a uma TV e a um jornal aqui no DF é assumir a miopia e a incompetência. Há uma gama de novos agentes que estão sendo deixados de lado – revelando a arrogância de quem se pensa acima do bem e do mal.
Agnelo precisa formular uma política de comunicação, para falar com a sociedade e deste modo mudar esta imagem de continuísmo e de marasmo que hoje começa a se consolidar. Ainda é tempo, claro que sim – mas para não desperdiçar todas as oportunidades, Agnelo precisa começar a entender que ele é o Governador do DF…





39,29% consideram ‘péssimo’ início do governo Agnelo

17 03 2011

Enquete realizada por este blog apontou que para 39,29% dos internautas que participaram, o começo do governo Agnelo/PT é péssimo. Esta sensação de que nada acontece no ‘novo caminho’ se dá por uma série de equívocos que são apontados pelos próprios petistas com os quais conversei nos últimos dias. Para eles, Agnelo hoje contabiliza muitos erros e não consegue ‘faturar’ com os eventuais e esporádicos acertos.
Falta coordenação, falta sincronia, falta competência, falta capacidade de trabalho, falta criatividade… nas conversas, depois de preencher alguma spáginas com avaliações negativas, resolvi nem mais anotá-las – tamanha a carga de críticas que são feitas pelos próprios petistas.
Enquanto isso, 20,54% o consideram ótimo. A terceira opção com 15,18% foi para ‘Espero que melhore’. ‘Não inovou muito’ teve 13,39% dos votos; ‘Acima do esperado’ obteve 8,04% e ‘Outro’ apenas 3,57%.
Ou seja: fica a impressão, a estranha sensação de que o governo Agnelo para muitos acabou antes mesmo de começar!





Governo Agnelo: risco de naufrágio apavora petistas do DF

17 03 2011

A letargia das ações governamentais, o amadorismo na formação da equipe de governo, a incapacidade política do governador de assumir compromissos e se desvencilhar deles, a falta de visão estratégica do cargo, a falta de sensibilidade na definição dos administradores regionais, a indefinição e a dubiedade da movimentação política do governador, a omissão diante da voracidade do vice que abocanhou as áreas estratégicas, um incompreensível alheamento do que acontece ao seu redor…
Estas são as opiniões recorrentes que a gente capta conversando com petistas de vários matizes e tendências. Dizem que até agora a marca do governo Agnelo é a omissão. Nem mesmo o povo da DS, corrente do secretários e deputados Paulo Tadeu e de Arlete Sampaio, e que foi a mais aquinhoada com espaço, cargos e poder, está contente.
Antes de completar 100 dias de governo, há uma sensação de frustração e desencanto com a tibieza de Agnelo Queiroz – que se cercou de um núcleo de amigos e, diante de problemas, acaba sempre se omitindo de tomar as decisões necessáiras. Tomado por uma percepção de infalibilidade, o governador não se dá conta de que manter alguns dos secretários escolhidos sabe-se lá segundo quais critérios é fazer naufragar ainda mais o seu governo.
E aqui, sejamos francos, ninguém leva a sério ou considera como real a possibilidade de haver alguma fita incriminadora de Durval contra Agnelo. O que está apavorando as pessoas é a falta de ação. Não houve rompimento com as antigas práticas – e muitos dos que se locupletaram com Roriz, Arruda e Rosso continuam nadando de braçada. Administrações regionais, como a do Guará, por exemplo, continuam nas mãos do grupo político que esculhambou a cidade, tornando-a um reduto de kits e um inferno por conta de prédios autorizados bem além do gabarito estipualdo pelos moradores em audiências públicas para a definição do PDL.
Agnelo, reclamam outros, é refém de esquemas com os quais fez acordos no afã de chegar ao poder.
A pergunta que fica: estes mesmos petistas que hoje temem pelo naufrágio… eles não sabiam o que estava sendo tramado? Há os que reclamam e ameaçam coocar a boca no trombone mostrando que Agnelo não está cumprindo acordos políticos e financeiros – um cenário que deixa petistas apavorados.





Governo Agnelo (PT-DF): Equívocos e omissões

31 01 2011

Faz 30 dias que o PT voltou a governar o DF. Mas não é bem o PT, o que temos hoje no comando político da Capital Federal é uma verdadeira salada de fruta que, na minha opinião, mais compromete o partido do que serve de vitrine.
Já foi uma espécie de monstrengo a composição da chapa, unindo rorizistas, arrudistas e toda sorte de corruptos. Vencida a eleição, o que já era ruim, conseguiu ficar ainda pior. No afã de governar sem oposição, Agnelo foi aceitando na ampla aliança o Demo de Arruda, Fraga e Eliana Pedrosa; o PR de uns loucos por dinheiro; o povo do PV sempre louco por cargo.
Houve um loteamento dos cargos das administrações regionais, com verdadeiras obras-primas, onde numa cidade como o Núcleo Bandeirante – o administrador foi indicado por Eliana Pedrosa e também por Fábio Simão. Ou seja…
No Guará, o quadro é patético e vergonhoso também, tendo em vista que a cidade – que foi destruída pelo grupo político de Alírio Neto, distrital do PPS – continua nas mãos destes que acabaram com a qualiadde de vida da comunidade.
Este quadro vai se repetindo em todos os cantos e recantos. Nas empresas públicas onde arrudistas e rorizistas nadam de braçada.
Ou Agnelo assume o comando político do seu governo ou não deverá causar surpresa a ninguém que em pouco tempo9 ecloda uma nova Caixa de Pandora. Os personagens da ‘caixa’ anterior já estão todos de novo em postos de mando e comando.
Pode-se dizer, sem medo de errar, que, hoje, não é o PT quem está mandando e nem governando o DF. Lamentável, mas a mais crua e cruel realidade. Pode vir a governar, mas hoje, dia 31 de janeiro de 2011, ainda não assumiu e nem tomou posse…





Governo Agnelo: nomes ou cogitações?

1 12 2010

Conforme a edição do Jornal Passe Livre 477 – que circulará amanhã aqui no DF e que terá sua edição online liberada às 19h aqui no site/blog – Agnelo Queiroz já definiu alguns nomes do seu secretariado e já tem gente ‘convidada’ convidando gente para trabalhar na equipe de futuras secretarias. Áreas como Comunicação, Saúde, Educação e Trabalho já teriam titulares definidos.
Quem está atuando de modo mais intenso é Campanella, ainda alojado na sigla do PMDB e próximo a Filippelli, futuro secretário do Trabalho.