Libertadores – jogos fora complicam os brasileiros

16 03 2011

Começaram ontem os jogos de mais uma rodada da Libertadores 2011, na chamada fase de grupos. A rodada é particularmente delicada para os times brasileiros que seguem vivos na competição – exceção ao Corinthians que foi desclassificado pelo Tolima (que por sinal enfrenta o Cruzeiro em MG, depois de um empate heróico, por parte do time estrelado) e ao Flu – que sobrevive com ajuda de aparelhos e agora sem treinador. Mas o Flu só volta a campo na próxima semana.
Pode-se dizer que esta rodada marca a abertura dos chamados ‘jogos’ de volta – mas nãos e trata de uma verdade absoluta, porque há grupos com mais partidas já disputadas e outros ainda bem ‘atrasados’.

Grupo 1

Todos com quatro jogos e a liderança é do Libertad, do Paraguai – que soma 10 pontos, seis gols de saldo e está classificado (mesmo sem saber se em 1º ou 2º). Mas faz uma largada que o credencia a ser o time de melhor campanha na fase classificatória (o que implica em vantagens lá na frente quando na fase do mata-mata o segundo jogo sempre se dá na ‘casa’ do time com melhor campanha na 1ª fase.
Outros times do grupo 1:
San Martin – Peru – 6 pntos
Once Caldas – Colômbia – 3 pontos
San Luis – México – 2 pontos
Por incrível que pareça, até o San Luis tem chances ainda – tendo em vista que lhe restam mais duas partidas e teoricamente pode chegar a 8 pontos. Mas será preciso muita matemática e negar todo o desempenho até aqui (dois empates). Mais provável que o segundo classificado seja o San Matin, do Peru e que manda seus jogos no Estádio Monumental de Lima.

Grupo 2

É o grupo onde está o Grêmio – que em três partidas venceu duas e foi derrotado fora de casa para o Junior Barranquila, graças à providencial intervenção do árbitro. De qualquer forma, os jogos desta semana podem definir a situação de modo mais claro. A liderança é do Junior Barranquila que tem 9 pontos, seguido do Grêmio com 6. O Grêmio vai até o interior do Peru, cidade de Huánuco, para enfrentar o León – que levou 2 a 0 no Olímpico.
O jogo do Grêmio acontece às 5 da tarde desta quinta – 3 horas lá – porque o estádio não possui iluminação. Coisas da Conmebol. Na outra partida do grupo, o Júnior Barranquilla joga em casa contra o Oriente Petrolero e já pode carimbar e garantir a sua vaga.
Todos os times têm três jogos.
Junior Barranquilla – 9 pontos
Grêmio – 6 pontos
León de Huánuco – 3 pontos
Oriente Petrolero – 0 pontos

Grupo 3

É o grupo que tem o Flu na lanterna com dois míseros pontos. O grupo teve jogo ontem, com a vitória do Nacional de Montevidéui que fora de casa venceu por 1 a 0 o Argentino Juniors. O Flu só volta a campo no dia 23 de março – na outra semana, quando jogará ‘em casa’, contra o América do México. A vitória do Nacional não deixou o Argentno disparar, mas também não dá mais chance de vacilo ao Flu.
Vamos ver a classificação, colocando entre-parênteses a quantidade de jogos de cada um.
Argentino Juniors (4 jogos) – 7 pontos
América (3 jogos) – 6 pontos
Nacional (4 jogos) – 4 pontos
Fluminense (3 jogos) – 2 pontos

Grupo 4

Este grupo só terá jogos na próxima semana e não tem nenhum time brasileiro. Todos têm três jogos e a classificação, bem embolada, é a seguinte:
Caracas – 6 pontos
Universidad Católica – 4 pontos
Unión Española – 4 pontos
Velez Sarsfield – 3 pontos

Grupo 5

É o grupo no qual está o time do Santos e só tem um jogo esta semana, exatamente envolvendo o time da Vila contra o Colo Colo, jogo que acontece hoje no Monunteal David Arellano, em Santiago a sempre bela capital do Chile. Olhando-se, percebe-se que é o time com os jogos mais atrasados, razão pela qual colocarei a pontuação e o número de partidas já disputadas.
Assim, esta é a situaçãod e momento no grupo:
Cerro POrteño (3 jogos) – 5 pontos
Colo-Colo (2 jogos) – 3 pontos
Santos (2 jogos) – 2 pontos
Deportivo Táchira (3 jogos) – 2 pontos

Grupo 6

Neste grupo, o Inter faz hoje sua terceira partida – quando enfrentará em Cochabamba o Jorge Wilstermann. Aparentemente é o grupo mais fácil desta fase e o Inter deve ser o vencedor na partida de hoje – para chateação de gremistas que, a exemplo de mim, sabem que este time tem todas as condições de abocanhar em 2011 o 3º título da Libertadores. Pode perder apenas pela incompetência do seu treinador, porque em termos de time, elenco e força é o melhor do País. Cabe lembrar que todo começo de ano, esta é a avaliação que é feita do grupo/plantel colorado.
Hoje, neste grupo, também tem Emelec x Jaguares – deixando uma disformidade na quantidade de jogos de cada time. Assim, repitamos a estratégia de colocar o número de jogos já realizados.
Jaguares (3 jogos) – 6 pontos
Inter (2 jogos) – 4 pontos
Emelec (3 jogos) – 4 pontos
Jorge Wilstermann (2 jogos) – 0 pontos

Grupo 7

É aqui que a coisa também tá renhida. Todos os times já tem 3 jogos e ninguém conseguiu disparar.A rodada para eles começa hoje com o Cruzeiro recebendo na Arena do Jacaré em Sete Lagoas o deportes Tolima e amanhã temEstudiantes contra o Guaraní – do Paraguai.
Uma vitória do cruzeiro hoje clareia bem a situação – e é fundamental, porque o time do meu amigo Heleno Carvalho faz os dois últimos jogos fora de casa.
Cruzeiro – 7 pontos
Estudiantes – 6 pontos
Deportes Tolima – 4 pontos
Guararaní – 0 pontos

Grupo 8

Por fim, chegamos ao grupo que tem na liderança, por critérios de desempate, o Godoy Cruz, da Argentina. Confesso que nunca tinha escutado o nome deste time. Todos já realziaram três partidas e quem está em primeiro tem seis pontos (dois times) e quem está em último (dois times), conseguiram três pontos.
Vamos lá:
Godoy Cruz – 6 Pontos (saldo 1)
Peñarol – 6 pontos (saldo 0)
LDU – 3 pontos (saldo 0)
Independiente – 3 pontos (saldo -2)

Ou seja – se Grêmio, Inter, Santos e Cruzeiro vencerem, ficam em situação confortável…
Tirante pessimismos pontuais, a verdade que a situação mais tranquila é do Cruzeiro que joga em cas e do Inter que pegará mamão com açúcar. Pedreira mesmo tem o Santos e eu não aposto nada no time do Grêmio em face de uma teimosia de Renato em escalar o time para perder, coo se ele realmente estivesse querendo voltar a ser treinador do Flu…





Libertadores 2011: naufrágio a vista ou apenas turbulência?

4 03 2011

A largada da Libertadores da América 2011 não tem sido aquela idealizada pelos clubes e incentivada pela chamada mídia esportiva. O fato de termos os principais clubes do País na disputa – Grêmio, Inter, Corinthians, Santos, Fluminense e Cruzeiro – gerava a certeza de que a principal disputa seria para saber quem seria o vencedor. Os demais times de outros países seriam apenas e tão somente figurantes.
Olhando a performance dos clubes, apenas pelos resultados – afinal de contas assisti somente um jogo de cada time – a situação é tensa.
Dois clubes estavam na fase eliminatória da Libertadores, que alguns erroneamente chamam de pré-Libertadores. O Grêmio foi sofrível nos dois jogos contra o Liverpool de Montevidéu, que mais parecia um time de amigos do bar que se reúnem para uma pelada, mas ao menos passou para a fase seguinte. Pior foi o Corinthians, que simplesmente não jogou diante do Tolima. Com esta performance, o time virou motivo de piada e constrangimento para sua sofrida massa de torcedores.

Grupos

Favorecidos por tabelas que possibilitaram dois jogos em sequencia em casa, Flu (grupo 3) e Cruzeiro (grupo 7) vivem realidades distintas. O primeiro respira por aparelhos e o segundo encaminhou bem a sua classificação com todos os indicativos de que fará a melhor campanha. Indicativos, não certeza… O Flu, por sinal, tem jogo decisivo no Engenhão dia 23 contra o mesmo América que o derrotou esta semana.
Quem não está conseguindo empolgar ninguém é o Santos (grupo 5), que contratou muitos jogadores e demitiu o técnico. Fez dois jogos, empatou ambos e ainda está devendo. Está em 3º no grupo, mas não deve ter problemas para se classificar. Pode ser beneficiado pelo fato de ter dois jogos ‘na volta’ na Baixada.
O Inter (grupo 6) é um enigma. Dono do maior plantel do futebol brasileiro, o time vive uma incompatibilidade entre os métodos do seu treinador e o gosto da torcida. Tem credenciais para ser tri, mas vai se defrontar com um desafio regional depois do carnaval: com o fracasso do chamado Inter B, o time A terá de se desdobrar em duas competições – algo que não é do agrado do treinador. Empatou fora, um jogo que estava ganho e fez 4 em casa – sem jogar bem. Fechará sua participação jogando em casa.
O Grêmio chegou à Libertadores amparado por uma surpreendente reação no Brasileirão e principalmente ao fracasso do Goiás na final da Sul-americana. O time de 2011 não consegue a mesma mecânica de jogo de 2010 – e o time se tornou previsível e repetitivo. E isto se deve não apenas por ter perdido Jonas, mas por conta de algumas bizarrices de seu treinador – como esta teimosi em jogar com dois centroavantes de área e manter a escalação de Carlos Alberto que parece ganhar a titularidade por afinidade e não por qualidade. Ao contrário de muitos, creio que o Grêmio precisa de um zagueiro pela direita, um lateral esquerdo e um atacante de velocidade – que poderia ser Éder Luis do Vasco, o único que tem algumas características de 2º atacante de velocidade.
Na minha opinião, o Grêmio entrará como 2º do grupo, mas pode crescer na fase do mata-mata.

Resumindo

Dos times brasileiros, apenas o Cruzeiro está dando conta do recado. O Fluminense decepciona. O Santos empaca. O Inter se debate em suas dúvidas, inclusive da conveniência de manter o treinador. E o Grêmio ainda busca reencontrar sua cara…





Falácias com ares de verdades

4 01 2010

Gosto de futebol  e valendo-me de uma afirmação do Roberto Carvalho segundo a qual todo mundo que tem mais de 50 anos foi bom jogador quando novo posso dizer que joguei muito. Hoje o corpo estipulou outros limites, mas ficou, óbvio, a paixão por tudo que envolve o esporte como um todo.

Mas claro que vou falar de futebol e como estamos no período de reapresentação dos jogadores depois das férias, contratação de reforços e uma série de notícias que se repetem como uma ladainha enfadonha a cada novo ano (já fiz futebol também trabalhando em rádio, jornais e TVs).

Há coisas patéticas, como as declarações de amor nos momentos de euforia, aquele beijo ensandecido no escudo do clube e outras exteriorizações da emoção momentânea. Para mim, o último jogador-torcedor foi Danrlei, goleiro do Grêmio e que em seu jogo de despedida num sábado à tarde de dezembro em Porto Alegre foi capaz de levar 33 mil torcedores ao Olímpico. E não era Grêmio contra outro time e Danrlei jogando alguns minutos, saindo de campo e tudo mais. Foi uma partida de ex-atletas, mas a torcida estava lá para se despedir de alguém que nunca escondeu sua clara condição de torcedor – e talvez isto sirva para entender algumas de suas brigas. Entender, jamais perdoar.

Fora este exemplo, haverá um caso aqui outro ali. Mas nos clubes de ponta, figuras como Danrlei deixaram de existir. Não há mais lugar para este tipo de jogador. Lamentavelmente.

Hoje, o que existe são empresários. E são os empresários, que ganham sem jogar, que estão trazendo de volta um discurso de que não é acintoso um jogador ter salários de R$ 200 mil por mês porque a carreirra é curta. Não vou usar como referência alguém que receba R$ 200 mil por mês, mas sim alguém que perceba R$ 40 mil – hoje salário de qualquer perna de pau.

Você que está lendo este texto, acha pouco R$ 40 mil?

A carreira de um jogador dura em média 15 anos. Ou seja: sem contar bichos por vitrórias, prêmios por conquistas, patrocínios com marcas de material esportivo, um jogador reserva dos principais clubes brasileiros recebe em torno de R$ 480 mil por ano. A grosso modo, isto equivaleria a uma fortuna acumulada de mais de R$ 6 milhões no final da carreira.

Mas não é asism porque daí entram os empresário, que mordem sem fazer nada entre 10% e 40% do salário, além d percentual sobre bichos, prêmios, contratos e transferências.

A carreira não é curta. O problema é a rapinagem empresarial que existe e o despreparo dos atletas. Nada tenho contra o desejo de mudar e melhorar de vida. Mas a primeira coisa que qualquer jogador faz é a comprar um carro importado. Usa isto como símbolo de status e como isca para atrair as ‘maria chuteira’ sempre rondando vestiários, hotéis e concentrações. E é bem presente o caso de Jobson, menino humilde aqui da Ceilândia e que de repente estava envolvido com atrizes…

A falácia da ‘carreira curta’ não resiste a uma avaliação desapaixonada da realidade. O que existe é um despreparo destes atletas para a vida, sendo que muito cedo caem na lábia de empresários (muitos deles, a maioria para ser mais exato, usando o futebol para lavar dinheiro) que os transformam em mercadorias, em produtos em busca de vitrine. Não há nenhuma preocupação com o ser humano, mas apenas com a possibilidade de ‘lucro’.

Olhando a qualidade de jogadors que hoje ganham R$ 200 mil por mês me pergunto: quanto valeria e qual seria o salário de um cara como o Zico, ou o Reinaldo (Atlético Mineiro), ou o Falcão (Inter), ou o De Leon (Grêmio), ou o Pelé (Santos) e tantos outros?

O Grêmio memso é especialista nestas besteiras de jogar dinheiro fora, agora memso pagando R$ 200 mil por mês para repatriar do Japão o centroavante Leandro que era do São Paulo e estava jogando lá na 2ª divisão.

Nada contra alguém ganhar bem, mas é preciso ao menos mudar este discurso de que jogador tem que ganhar muito porque a carreira dele é curta. Na verdade, ele ganha pouco – sendo que a maior fatia fica com intermediários, empresários (e alguns treinadores) e até dirigentes que pagam e depois recebem uma parte de volta.

O que deixa jogadores na miséria no fim da vida é que ao longo da carreira esqueceram que a única coisa que dinheiro não aceita é abuso. E nesta hora final, não tem empresário e nem ‘maria chuteira’ por perto…