Delação premiada ou autorização para chantagear?

11 03 2011

Foi preciso que alguém fora do viciado círculo político de Brasília resolvesse levantar a voz e dizer que está na hora de dar um basta nesta pantomima na qual se transformou o espetáculo deprimente que Durval Barbosa vem produzindo no DF, com a divulgação a conta gotas e a seu bel-prazer de farto material colhido na sua pratica criminosa de filmar reuniões e encontros. Volto a dizer: para mim, não existe bandido bom ou ruim. Sem querer ser maniqueísta, mas para mim existem bandidos e existem pessoas de bem. Um ato isolado, ainda que supostamente beneficie ‘meu’ grupo político ou atinja algum inimigo ‘meu’, mas praticado por um bandido continuará sendo um ato praticado por um bandido. O caminho para bandidos é a cadeia – depois de julgados e caso forem condenados pela Justiça.
É dentro desta ótica que vejo e lamento muito que as pessoas estejam si divertindo com o circo armado, onde nós, eleitores, somos os verdadeiros palhaços. Por isso saúdo o presidente da Câmara dos Deputados, o gaúcho Marco Maia (PT) ao dizer que a concessão da ‘Delação premiada’ implica na entrega de todo o material e não pode servir (interpretação minha) como escudo para a veiculação de ameaças e através de recadinhos – como pode ser lido em tuits e mesmo em blogs, onde supostas bocas de aluguel usam as chamadas redes sociais para a disseminação de boatos, tentando gerar um clima de apreensão e, quem saberá?, facilitar a prática de negociações excusas.
A fonte é sabida, mas a impunidade acaba gerando uma atenção desmerecida a tais figuras – muitas delas partes do mesmo lamaçal de onde emergiu o escândalo. Por vezes é hilário, noutras chega a ser patético o ataque sistêmico tipo: o rolo vai começar, as imagens estão sendo editadas, tem gente perdendo o sono… Cria-se a falsa impressão de que a classe política em sua totalidade é podre – clima propício, digo uma vez mais, para a perversa prática deletéria da generalização.
Há quem diga, de fonte segura, que a divulgação destas imagens de Jaqueline Roriz foi fruto apenas de desavença financeira e sensação de abandono. E que ao divulgá-las, estaria mandando um recado para algumas pessoas que não estariam cumprindo os acordos de silêncio, proteção e apoio já firmados. Volto a dizer: teve uma atitude correta o deputado Marco Maia ao não silenciar diante da pilantragem, de não calar diante da patifaria, de não pactuar com bandidos.
Se tem fitas/imagens com A, B ou C… que sejam divulgadas e que cada um assuma seus erros, responda por seus atos e se justifique perante o eleitor e trate de arranjar outra profissão bem longe da necessidade de referendo popular. É preciso emparedar o MP, que já se sabe também tem seus pecados, para que a coisa ande. Da mesma que respondo por meus atos e meus pecados, que cada um se vire pelo que fez – mesmo que tenha sido em alguém em quem eu tenha votado. Não me cabe pactuar ou passar a mão sobre a cabeça de ninguém. Quem errou que arque com as consequências.
Mas quero enfatizar: não é justo o MP e a PF manterem o benefício da Delação premiada para quem apenas a usa como escudo e nuvem de fumaça para manter-se no noticiário e usufruir outras benesses.
Ao circular por Brasília hoje de manhã, me deparei com toda sorte de ilações – mas não consegui encontrar nenhuma pessoa, independente de paixão ou facção partidária que tenha achado que Durval está divulgando estas fitas por ter algum compromisso com a ética e a justiça. A opinião pública que em um primeiro momento até pode ter visto no gesto do delator uma demonstração de hipócrito desejo de refazer o caminho, já descobriu que ele usa tais imagens para continuar usufruindo vantagens.
Que a PF e o MP cessem imediatamente os benefícios da Delação premiada e que ele passe a responder pelos crimes que já responde e por mais outros decorrentes destas práticas subterrâneas que fazem parte do seu modus operandis.





No DF, boataria deixa eriçada as viúvas de Arruda e Roriz

8 03 2011

Se alguém ‘de fora’ chagasse em Brasília durante o carnaval e falasse aleatoriamente com as pessoas que encontrasse, certamente formaria um juízo segundo o qual haverá um terremoto político nos próximos dias, algo capaz de não deixar pedra-sobre pedra envolvendo Tribunal de Contas, Juízes, Ministros de Cortes Superiores e Magistrados do TJDFT, deputados federais, distritais, senadores, equipes do GDF e mesmo meios de comunicação.
A divulgação do vídeo com a Jaqueline Roriz ‘olhando’ o dinheiro embolsado por seu marido e flagrado pela filmadora do Durval Barbosa serviu para deixar em polvorosa o povo que alimenta a central de boatos. Alguns são irresponsáveis, outros sonham com a implosão de tudo que aí está pelo simples fato de que ficaram alijados das benesses que tinham em governos anteriores. Separar o interesse pessoal do que pode ser verossímel é desafio pra lá de complexo.
Trocando mensagens via twitter com o também jornalista Rodrigo Vianna, deixei claro que, na minha avaliação, o ponto central é saber de onde o vídeo saiu – vazou. Ao que parece, este e supostamente outros vídeos teriam sido liberados pelo MP. Por trás desta ação, seria importante saber qual a motivação deste material ter sido divulgado só agora – tendo em vista que se tivesse sido veiculado antes das eleições teria impugnado a candidatura da filha de Roriz.
Há uma outra corrente que diz ser este apenas o primeiro de uma série de vídeos. E sempre apontam para a existência de coisas escabrosas envolvendo todo mundo. Volto a dizer: boato é uma coisa, fato é outra. É preciso, também, enfatizar que este material entregue pelo Durval foi cortado/editado segundo as suas conveniências. Ou seja: talvez nem ele (Durval) tenha mais a gravação na íntegra. Um excerto isolado do contexto é sempre uma faca de dois gumes e é escolhido muito mais pelo interesse ou vantagem pessoal do que amparado pela verdade.
Longe de mim pensar Durval como uma figura importante – ainda mais se levarmos em conta que a divulgação das primeiras imagens foi parte de uma estratégia do ex-governador Roriz de alijar Arruda do cenário político local. Para mim, ele é tão venal e abjeto quanto os que foram flagrados por sua câmera. E, num certo sentido, ele acaba sendo uma figura necessária – mas ao mesmo tempo desprezível porque não joga limpo, joga de acordo com sua estratégia.
Para ser bem sincero: não acredito nesta boataria. O que eu percebeo, volto a dizer, que há muito mais o desejo de alguns do que qualquer conexão com a realidade. E a realidade do momento, que pode ser desmentida quando algum destes boatos de hoje tiverem a materialização das imagens, é uma só: pegaram a filha do Roriz com a mão na massa.
O resto, reitero, é boato.