Líbia – imprensa brasileira toma partido e não sabemos o que acontece

4 04 2011

Quem for se basear apenas pelo noticiário disponível nos sites e portais nacionais ou lligados de alguma forma ao modo norte-americano de ver o mundo, continuará certo de que os ‘rebeldes’ líbios estão vencendo a guerra contra Kadaffi.
Sinceramente, não sei em que pé está aquele salseiro lá.
Sei apenas que, também neste embate, quem está perdendo mesmo é a informação.
Não há compromisso em informar o que acontece.
Percebe-se que há muito mais torcida e vontade, do que notícias sérias acerca deste embate.
Tudo é superficial. Não há um aprofundamento nas questões básicas – como, por exemplo, na dissecação dos interesses envolvidos.
Quem fornece armas para os chamados rebeldes? Quem está por trás da ação de mercenários no País?
Fica complicado entender a mídia nacional, que parece funcionar como porta-voz do departamento de Estado norte-americano. Aqui, predomina apenas a visão de um lado.
Ninguém se ateve a questionar, por exemplo, o tipo de armamento dos rebeldes. Qual a origem deste armamento? Não sou especialista em armas, gostaria de saber o que usam, quem fornece alimentação e carros de combate?
Em face de tantas verdades, ouso transcrever um texto tentando mostrar que, de repente, pode haver um outro lado em toda esta história. Um outro lado que a nossa briosa mídia não aceita nem ao menos sugerir a sua existência.

Movimentos Sociais manifestam-se contra guerra na Líbia e pela Paz no Oriente Médio. Fazem manifestação no Senado, Câmara e Itamaraty.

Por KHARINNA CANAVARRO:

INTER.PRESS – AGNOT – Brasília – DF – Br. 313\11; 18.h: – Com uma vasta programação que incluiu a entrega de um documento com a posição dos movimentos sociais brasileiros sobre a revolta no Oriente Médio, a guerra na Líbia e pedindo a Paz no Oriente Médio, a CMS, Coordenação dos Movimentos Sociais, no Distrito Federal, a pedido de uma das entidades que a integra, o MDD, Movimento Democracia Direta, deliberou e com o apoio e a mobilização dos principais dirigentes das demais organizações populares que compõem sua direção, como representantes da CUT, CTB, CGTB, UNE, UBES, MST, CEBRAPAZ, CDR Cubana, dentre outras entidades posicionaram-se contra a guerra na Líbia, a intervenção dos EUA e da União Européia e pediram a imediata revogação da Resolução do conselho de Segurança da ONU de trata o assunto.
O documento foi entregue nesta quita feira, 31, na Comissão de Relações Exteriores do Senado Federal, na Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados e no Gabinete do Ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota.
O documento afirma que: “É com grande indignação que a Coordenação dos Movimentos Sociais, reunida no dia 28 de março, acompanha as conseqüências da resolução do Conselho de Segurança da ONU que, mesmo sem ser unânime, deflagrou uma agressão militar contra a Líbia. Sob cínicas declarações “humanitárias”, os governos das grandes potências (EUA, França, Reino Unido, Itália, Espanha) – agora com a chancela da OTAN – bombardeiam esse país norte – africano de apenas seis milhões de habitantes”.
O documento afirma ainda mais adiante que : “A agressão imperialista intervém numa guerra civil, causa centenas de mortes entre a população e é, na verdade, uma nova guerra de rapina por petróleo e uma estratégia de contenção contra a luta que varreu os regimes ditatoriais sustentados pelos EUA e a OTAN nos vizinhos Egito e Tunísia. Os Movimentos Sociais do Brasil exigem o fim imediato dos bombardeios à Líbia, reafirma que a intervenção militar externa é inaceitável e atentatória à soberania nacional dos povos. É a descarada manutenção, pela força, dos interesses das potências imperialistas e suas multinacionais na região.
Mais adiante e finalizando, o documento diz: “Neste momento de profunda aflição, prestamos toda nossa solidariedade ao povo líbio, pois apenas a ele cabe a decisão sobre seu próprio destino.Dirigimo-nos ao Ministério das Relações Exteriores do Brasil e as representações do Senado e da Câmara Federal, para que expresse junto aos organismos internacionais e, em particular à Organização das Nações Unidas, a exigência dos Movimentos Sociais pelo imediato fim da intervenção militar da OTAN na Líbia, pela cessação imediata dos bombardeios, e pelo restabelecimento da paz naquela região”.
Após a entrega do documento e em todos os locais onde foi deixado os manifestantes fizeram questão de afirmar que podem ir ás ruas na próxima semana em manifestações de rua nas principais capitais do país.
Ao finalizar a reunião no Itamaraty o grupo de manifestantes dirigiu-se a casa do Embaixador da Líbia no Brasil, Salem Al Zubeid onde fizeram questão de manifestar pessoalmente seu apoio ás manifestações que acontecem em todo o mundo contra a guerra na Líbia e por uma solução pacífica sem intervenção das potencias imperialistas.
O Coordenador da CMS no DF e representante da CUT, Ismael Silva fez questão de manifestar sua indignação contra os bombardeios praticados pelos EUA e França que mataram centenas de civis em Trípoli nestes últimos dias.
Acilino Ribeiro, Coordenador Nacional do MDD e um dos principais dirigentes da CMS no DF, disse que os crimes praticados pelos EUA e a União Européia, através da OTAN, a qual chamou de Organização Terrorista do Atlântico Norte , serão julgados e condenados pela história, e que “ terroristas como Obama, Sarkozy, Cameron, Hillary Clinton e Robert Gates devem pegar prisão perpetua pelos hediondo crimes praticados, como o assassinato de crianças, jovens, idosos e mulheres, dentre milhares de civis os quais são os responsáveis”, concluio.
Paulo Vinicius, representante da CTB, Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, reafirmou a unidade dos movimentos sociais pela necessidade de combater o imperialismo e levá-lo a derrota política em todo o mundo.
O representante do Comitê de Defesa da Revolução Cubana, Marcelo Melquiedes, reafirmou a posição dos movimentos sociais brasileiros em lutarem até as últimas conseqüências para conseguirem a Paz na região, buscando se necessário a articulação internacional para o fortalecimento da luta.
Iberê Lopez, Presidente do CEBRAPAZ, Centro Brasileiro pela Paz, afirmou que levará o assunto ao Conselho Mundial da Paz para intensificar suas ações, lembrando que a Presidente do órgão, Socorro Gome, já manifestou posição idêntica ao dos movimentos sociais brasileiros e que continuará lutando pela paz na líbia e demais países do Oriente Médio.
O embaixador da Líbia no Brasil, Salem Zubeib, agradeceu aos manifestantes afirmando que além do governo brasileiro a sociedade manifesta seu apoio a paz na Líbia e em toda a região como tradicionalmente tem sido de forma histórica. Afirmou que tais manifestações eleva a moral dos líbios que lutam contra o imperialismo e o sionismo, responsáveis pelo que hoje acontece em seu país.

Fontes : – INTERPRENSA – AGNOT – INTERPRESS – MIDIA LATINA. 31.03.11- KM.





Líbia: rebeldes entregam os pontos e, derrotados, querem negociar

1 04 2011

Alguns se mostrarão surpresos. Outros dirão que é 1º de abril. Até poderia ser, por conta de onde está veiculada a notícia caso eu buscasse a informação apenas na mídia mentirosa do Brasil. Mas a verdade é que Kadaffi não apenas está vencendo a guerra, como irá derrotar os chamados rebeldes – grupos de apátridas onde se misturam mercenários contratados pelos EUA, guerrilheiros da Al Quaeda de Bin Laden, traficantes de armas e de drogas.
Em verdade, aconteceu aquilo que já era sabido por quem acompanhou a cobertura da Telesur – hoje o melhor canal de jornalismo da América Latina. Mas a miopia da mídia brasileira, a boçalidade daqueles que ainda se pensam formadores de opinião e a estupidez daqueles que ainda se pensam como a ‘elite’ de nosso País, impede que ‘eles’ vejam a realidade com os olhos de brasileiros. Preferem olhar de cócoras, esperando para bajular o que vem do norte…
Precisamos parar de pensar que o que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil.
Pelo contrário: tudo que é bom para eles, é péssimo para nós enquanto País e povo.
Os rebeldes perderam a guerra porque Kadaffi tem apoio popular. Esta é a única verdade.
Vejam a matéria veiculado no portal Uol:

01/04/2011 – 08h30

Rebeldes líbios dizem aceitar cessar-fogo, mas com condições

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

Os rebeldes na Líbia afirmaram nesta sexta-feira estarem dispostos a um cessar-fogo, desde que algumas condições seja cumpridas. Entre elas, o recuo das tropas do ditador Muammar Gaddafi de cidades no oeste e a liberdade para o povo se pronunciar.

Mustafa Abdel Jalil, chefe do Conselho Nacional de Transição, no reduto rebelde de Benghazi, pediu a remoção das tropas de “mercenários” das ruas, antes de decretar o fim das batalhas.

“Nós não temos objeção a um cessar-fogo, mas na condição que os líbios nas cidades do oeste tenham total liberdade de expressão de seus pontos de vista”, disse Jalil, em entrevista coletiva ao lado do enviado especial da ONU (Organização das Nações Unidas) ao país, Abdelilah al-Khatib.

Ele alertou também que os rebeldes não vão abrir mão de uma questão crucial, que é a saída de Gaddafi e sua família do país.

Jalil disse ainda que os rebeldes precisarão de armas, caso as forças de Gaddafi não parem de atacar os civis, repetindo os pedidos de ajuda para enfrentar as forças melhor equipadas do ditador.

O presidente americano, Barack Obama, não descarta armar os rebeldes. Contudo, a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), que assumiu o comando da operação, rejeita a ideia –assim como a Rússia. Muitos questionam se é seguro dar armas a grupos desconhecidos e as consequencias disso após a guerra.

CONFRONTOS

Os combates entre as tropas de Gaddafi e os milicianos revolucionários continuam nas imediações de Brega, 225 quilômetros a oeste de Benghazi, segundo o porta-voz militar dos rebeldes, coronel Ahmad Omar Bany.

“Os confrontos continuam ao redor de Brega. As tropas de Gaddafi se encontram no oeste da cidade, a cerca de 30 quilômetros”, acrescentou Bany.

Segundo a agência de notícias France Presse, pela primeira vez os jornalistas não foram autorizados a acompanhar o confronto. Os insurgentes impediam a passagem da imprensa e dos civis pela entrada oeste de Ajdabiya, que leva à frente de batalha.

Os rebeldes mudaram de estratégia para enfrentar os leais ao dirigente líbio nos últimos dois dias, já que situaram membros do Exército na primeira linha de batalha. Na segunda linha estão as milícias de voluntários.

Nesta quinta-feira, as tropas de Gaddafi bombardearam as posições rebeldes com mísseis Grad e foguetes Katyusha.

Enquanto isso, a maior parte dos habitantes da vizinha Ajdabiya, a 65 quilômetros ao leste de Brega, fugiram da cidade por temor a novos ataques.

Se Brega cair nas mãos das forças governamentais, seu alvo seguinte seria Ajdabiya, uma cidade estratégica já que dela sai uma estrada que liga diretamente com Tobruk, ao leste de Benghazi, sem passar por esta última cidade. Sua conquista é chave para isolar a capital rebelde.