Mantega e o deslumbramento tupiniquim

11 04 2011

Nada contra, mas é totalmente fora de sentido um ministro de Estado, no caso da Fazenda, ter tempo para se encontrar com um roqueiro – Bono, que é uma espécie de arroz de festa – enquanto alega falta de espaço na agenda para receber micros e pequenos empresários.
Já seria uma falta do que fazer se a Ministra da Cultura resolvesse recebê-lo, imagina então o titular da pasta da Fazenda. O deslumbramento conta alto e revela a pobreza intelectual deste ministro. Também não me agrada esta sucessão de audiências que FHC, Lula e Dilma concedem a artistas estrangeiros – como se eles tivessem algo a contribuir com a mudança de nossa realidade social. Se quiser mostrar algum compormisso com a cultura, que abra agenda para receber os nossos artistas, nossos bons músicos e escritores (menos Paulo Coelho).
Em tempo: Votei em Dilma.





Zé Alencar – nem santo e nem demônio. Apenas humano

29 03 2011

Eu, a exemplo de milhares de brasileiros, acompanhei a luta estóica de Zé Alencar contra este famigerado câncer que é uma espécie de espada de Dâmocles a brandir e brilhar ameaçadora sobre a cabeça de cada um de nós. Sempre o coloquei em minhas orações, como coloco a todos os que não conheço – mesmo os que são meus inimigos apenas porque discordam dos meus pontos de vista.
Se para alguns o ser humano é o conjunto de suas próprias contradições, Zé Alencar é exemplo dos muitos ‘eus’ que vive em cada um de nós. Para mim, duas lembranças ficarão para sempre emoldurando a imagem do mineiro bonachão e bom de prosa, arraigado em sua fé.
De um lado, o empresário que teve coragem, convencido (segundo o Roberto Jefferson, do PTB, a custa de muito dinheiro) a ser vice de Lula – rompendo assim um estigma cuidadosamente criado pela mídia, colocando sob a imagem de Lula (e do PT) toda sorte de defeitos (alguns reais). Foi a vinda de Zé para ser vice de Lula que possibilitou quebrar uma barreira eleitoral e tornar-se palatável para a classe média.
Este Zé Alencar entra para a história como aquela figura que ajudou a mudar a história política nacional. E além do mais é um exemplo de dignidade, ao não aceitar que o tratamento médico fosse pago pelo governo, sempre bancando-o com a opulência do seu cheque. Quantos teriam a mesma dignidade?
Mas há um outro Zé, menos louvável e que nem por isso deve ser esquecido neste momento de sua morte. Foi o Zé que não aceitou fornecer material para o DNA que poderia determinar a obrigatoriedade dele em reconhecer a paternidade de uma filha supostamente sua gerada de uma relação com uma mulher que trabalhou com enfermeira em um clube em Caratinga. Para defender-se, Zé disse que se tratou de um affair regiamente remunerado – enfatizando em entrevistas que teve vários casos na zona e que não teria como se lembrar de todos.
Foi ridículo e patético escutar e ler esta grande figura reduzir-se a pouco mais do que nada com esta negativa. Para mim, ele é igual a Pelé ao não reconhecer uma filha tida de um relacionamento com uma pessoa humilde – antes da fama, antes do poder, antes de ficar rico.
São as múltiplas facetas, mas acima de tudo a revelação do quanto somos, em verdade, contraditórios e múltiplos. Algo que é superior ao mito e ao idealizado como símbolo e referência.
Descanse em paz, Zé.





Derrotada, mídia opta por disseminar preconceitos

17 11 2010

Causou asco, nojo, espanto e indignação a revelação, em nível nacional, das diatribese sandices vociferadas por um ‘comentarista’ da RBS/SC. Em verdade, não deveria.
Este sujeito, ao qual não se nomina e nem se insere em nenhuma profissão visto que a sua indicação como ‘parte’ de determinada área ou categoria poderia servir como referência desabonadora de outros bons profissionais em verdade não fala sozinho.
Este sujeito, ao qual alguns tentam vincular sua origem (RS) para disseminar o preconceito inverso de que todo gaúcho é preconceituoso, é na realidade semelhante a tantos outros.
A diferença básica está na sua reiterada grosseria – mas que em nada difere do que já foi vomitado pelo Madureira, pelo Jabor, pelo Mainardi, para ficar apenas em alguns casos. Neste caso, todos são condenados, mas a condenação se dá pela sua manifestação de opinião. Não vi nenhum comentário dizendo que Jabor é contra os nordestinos e contra o Lula por ser carioca. Ou que o Mainardi é contra o Lula e os nordestinos por ser paulista. Então não venham dizer que Prates faloiu o que falou por ser gaúcho. Falou porque é imbecil e porque representa um ponto de vista que está na cabeça de comentaristas de vários estados, de várias origens, de várias etnias.
A questão não é o estado onde nasceu, mas o estado (mental) no qual se encontra a cabeça de pessoas capazes de dizerem o que diz um Jabor, um Prates, um Mainardi, uma Cantanhede, um Merval.
Não é coerente que nós, de repente, movidos pelos nossos próprios preconceitos, queiramos jogar fora a água suja do balde sem antes tirarmos a criança de dentro.
Tenho dito e volto a dizer: o Governo Lula/PT foi omisso e se acovardou no enfrentamento desta questão da mídia. Foram oito anos jogados fora, período no qual nem o Governo e nem o Partido do Presidente tiveram a coragem e a ousadia de alterar o eixo da política de comunicação. O que impera dentro da lógica da Secom e na ‘comunicação social’ de empresas como CEF, BB, etc – a única exceção, ainda tímida, é a Petrobrás – é o modo tucano de tratar os veículos. Aos grandes, as benesses de tratamento privilegiado. Aos alternativos e pequenos, migalhas e tratamento desrespeitoso.
A mídia usa estas ‘bocas de aluguel’ porque sabe que o Governo Federal é frouxo e conivente. Certa feita cauosu furor e espanto a afirmação de José Serra de que haviam ‘blogues sujos’ que, segundo ele, eram financiados pelo Governo Federal. Decrépito e demente, como quem fala o que não sabe e nem entende, Serra jamais pode provar nada – ficando assim, mais uma vez comprovada sua dificuldade de manter ligados o ‘tico e o teco’.
Se o Serra não pode provar nada, resta-nos farto material para mostrar que existe sim uma ‘mídia suja’ fartamente bancada pela mídia oficial. Trata-se de algo vergonhoso, basta folhear – quem tiver estômago – alguma edição da Veja. Basta assistir – quem tiver estômago – a Globo ou a Band.
Sinceramente eu não consigo entender como esta cultura tucana se manteve intacta dentro da Secom – e pode-se temer até que continue a vigorar o mesmo tratamento preconceituoso no governo de Dilma. Não há sinais de mudança desta cultura, até porque muitos ‘companheiros e companheiras’ se sentem mais confortáveis com os salamaleques dos grandes veículos do que com o despojamento de quem faz comunicação comunitária, alternativa, independente ou o nome que se queira dar.
A mídia – derrotada pelos Brasil e pelos brasileiros – continua gozando da generosidade das verbas da Secom e do Governo Federal. E, bancada com o dinheiro da sociedadade, continuará a disseminar o preconceito contra o Brasil e os brasileiros que a derrotaram.
O que fomenta que os Jabor, os Prates, as Cantanhede e outros continuem vociferando suas aleivosias, exteriorizando de modo impune e incentivando o preconceito, é a certeza, dos donos dos meios de comunicação, de que lá na Secom o modo tucano de gerir as verbas de publicidade se mantiveram intactas durante os oito anos do Governo Lula/PT.
E apostam que continuará assim no Governo Dilma/PT…





Serra não conhece o Brasil. E nem aos brasileiros

26 10 2010

Até agora, salvo engano, foram três debates para o 2º turno. Resta o da Globo, na quinta. A percepção que advém destes três momentos é, segundo definição lapidar captada ao acaso no twitter, que a campanha dos tucanos se resume em: favela falsa, promessa falsa, agressão falsa, passeata falsa, discurso falso, candidato falso.
O grande problema de Serra, e das elites que ele representa, é a extrema incapacidade de não ver o Brasil e nem os brasileiros como algo possível, como algo viável. No processo de reprodução dos conceitos de classe, eles não tiveram nem capacidade e nem interesse em rever seus preconceitos. Estão acostumados a olhar a ‘sociedade’ como algo sobre o qual eles detém o controle.
Até foi assim. Houve um tempo no qual as elites mantinham absoluto controle sobre o povo.
Mas a velocidade com que os brasileiros estão mudando a forma de se enxergarem não mais como párias, mas partes de um processo de conquista de voz – esta velocidade não tem sido engolida pelas elites. A opção por Serra é, e a cada debate isto fica mais claro, a tentativa das elites (e seus instrumentos como TFP, Maçonaria, Opus Dei, meio de comunicação, segmentos das igrejas Católica e pentecostais – praticamente uma versão tupiniquim dos chamados AIE-Aparelhos Ideológicos do Estado conforme definição de Althusser) de retomar o controle do Brasil. As elites, perversas no seu egoísmo, sabem que apenas alguém neurótico como Serra será capaz de atacar de frente os movimentos sociais.
Este é o intuito. Serra não quer apenas privatizar o pré-sal, vender o BB e a Caixa. Desfazer-se do controle de Itaipu. As elites precisam, e Serra fará o papel de cão raivoso (que foi esta a percepção de sua face de ódio e rancor na saudação de encerramento do debate na TV Record), mutilzar os movimentos sociais. Quebrar-lhes a capacidade de luta. Tolher-lhes as condições operacionais de agir, atuar e intervir.
Serra e as elites batem no MST, mas na verdade miram associações, sindicatos, centrais e entidades de luta. Já dobraram e trouxeram para seu lado a CNBB e a própria OAB. Quem não aderir, será destruído.
Volto a dizer: Serra e as elites atacam o MST, mas o objetivo é destruir, mitigar o poder de intervenção dos movimentos sociais.
Mas, Serra revela o quanto desconhece o Brasil e os brasileiros ao tentar ridicularizar as conquistas dos últimos anos. Ao negar a mudança no perfil social do brasileiro, Serra (na condição de boneco das elites) reitera e descarrega sua carga de preconceito e ódio contra o povo.
Ainda que Dilma disponha de confortável dianteira, segundo as pesquisas, é importante que cada um de nós esteja consciente do que estará em jogo no domingo.
De um lado o representante de um segmento ideológico da sociedade que acredita que a razão de existir um país e haver povo nele é estarem sempre ao dispor destas elites. Estes votam no Serra.
De outro lado, a proposta de continuidade de um projeto que vem sendo implementado desde 2003 – com seus defeitos, com suas limitações. Mas um projeto que representa a perspectiva de tornar o Brasil um País de todos. Estes votam Dilma, 13.





O que esperar do debate na Record?

25 10 2010

Antes de mais nada, uma certeza – mesmo sem saber o formato do debate, é certo que haverá mais audiência. O debate na Band teve mais repercussão que audiência, o da RedeTV/Folha, nem um e nem outro. Assim, vamos para o 3º embate. De um lado Dilma Rousseff, que representa os anseios dos brasileiros, que tem uma relação de respeito com os movimentos sociais e, acima de tudo, representa a continuidade do projeto político e das ações sociais e de desenvolvimento implementadas pelo presidente Lula/PT. De outro, temos Serra que representa a parte mais retrógrada das chamadas elites brasileiras e tem o apoio de grupos que se escondem por trás de siglas como UDR, Opus Dei, TFP, Maçonaria, Monarquistas e o grande conglomerado monopolista da mídia.
Acredito que será oportunidade para Dilma responder algumas mentiras do Serra que até o momento ela não soube colocar de forma clara:
– O Serra fala que o governo Lula privatizou empresas, quais foram;
– O Serra fala que o Governo Lula ‘vendeu’ o BB na Bolsa de Valores;
– O Serra fala que o Zé Dutra elogiou a m.. que os tucanos fizeram na Petrobras;
– O Serra fala que a Dilma, o Lula e o PT elogiaram o programa de picaretização do sistema de Telefonia;
– O Serra fala que o Governo Lula terminou com os cursos do FAT, mas a Dilma não diz o quanto era roubado nestes cursos no Governo FHC e que aqueles cursos não qualificavam ninguém para o mercado de trabalho.
De outra parte, Dilma deve enfatizar:
– O custo dos pedágios – mostrar o paralelo com os preços cobrados em praças da alçada do Governo Federal;
– Por que Paulo Preto é protegido pelo Governo de SP?
– Por que foram engavetadas mais de 60 CPIs contra os tucanos em SP?
– Onde está a Mônica Serra e como foi a história do abor. Sabe-se, por depoimentos de várias alunas, que Mônica deixou claro que o aborto foi uma decisão do Serra e que ela aquiesceu
– Se o BB não tivesse comprado a Nossa Caixa, ela teria sido privatizada como forma outras empresas públicas de São Paulo?
– Para quem os tucanos querem o Pré-Sal?
– Como falar de aparelhamento, se o próprio Jornal da Tarde de São paulo mostrou que o governo paulista é um puleiro de fantasmas de partidos de vários estados, inclusive ghente que hoje está trabalhando o tempo todo na campanha tucana…
– Deixar claro que enquanto LUla é motivo de orgulho para os brasileiros, ele, Serra, já virou motivo de chacota…
– Falar da destruição da indústria naval brasileira, que nos tempos de FHC/Serra empregava menos de 2 mil pessoas e hoje são mais de 50 mil.
É hora de pontuar estas questões e respondê-las de modo claro, incisivo. Vamos, pois, esperar para ver o bicho que vai dar.
Quais sereiam as sugestões de perguntas que cada um dos que me acompanham teria?





Como ficarão a Globo e a Veja depois das eleições?

23 10 2010

Não é de hoje que o sistema Globo, mas de modo mais incisivo a TV Globo, resolveu partir para uma de ação e de atuação típicas de um grupo político. O grupo – famiglia Globo – pode até fazer acordos pontuais, mas tem uma clara definição de qual universo que ela ocupa e dentro do qual procura se mover. Por não ser brasileiro, em verdade a postura pública do grupo é sempre um reflexo das determinações de fora – onde os ventriluquos que supostamente a administram em terras tupiniquins… Resgatando, por não ser brasileiro, o grupo não se sente comprometido com as aspirações do conjunto da sociedade. Construiu, conslidou e solidificou uma liderança que vai ruindo lentamente – mas enquanto não se esvai, continua disseminando a defesa de seus postulados como se eles fossem paradigmas de liberdade, igualdade e democracia.
A TV Globo está apostando alto na eleição de Serra. Sabe que a vitória de Dilma será um probelma a mais, pois como foi bem posto pelo Paulo Henrique Amorim, a Globo (ou seja, a extrema direita) perdeu o controle que tinha no Senado. A aposta da Globo envolve mentiras, montagens, edições e todo um arsenal de crimes que, tivéssemos uma Lei dos Meios de Comunicação, já a teriam tirado do ar tal a reiterada opção pela mentira.
Cabe lembrar, neste sentido, que a tag #globomente é, faz dias, líder mundial entre as mais citadas pelo twitter. A TV Globo, que vai perdendo audiência e com isso recursos privados e públicos (responsáveis pela saúde financeira), sabe que não terá como se recompor com Dilma. Por isso, chafurda cada vez mais no anti-jornalismo, abrindo espaço e dando notoriedade a figuras como Jabor, Molina, Miriam Leitão, Merval, Waack e outros que não passam de entes totêmicos a repetir o que lhes é mandado.
Talvez o ponto alto tenha sido a edição do ‘atentado’ sofrido por Serra. Amparado pela falta de credibilidade do perito Molina – que virou uma espécie de boca-de-aluguel – a Globo materializou umas das mais estapafúrdias criações do seu anti-jornalismo. A reação dos profisisonais de São Paulo após a exibição da matéria talvez tenha sido a mais clara demonstração de que a farsa era grotesca demais. Houve vaias e o assunto logo estourou na rede.
Resta mais uma semana.
Ainda há tempo para a Globo se superar.
Mas que a história da bolinha de papel mostrou o quão ridícula a ex-vênus platinada pode ser na defesa dos seus interesses.
Depois das eleições, restará o desafio de convencer alguns petistas do tipo do Suplicy, do Pallocci, do Rui Falcão, da Helena Chagas (que subitamente abandonou sua paixão pelos tucanos e virou porta-voz da Dilma), do Zé Dutra e outros inomináveis, de que, como disse o Lula, é possível viver sem a Globo. E que isto também chegue até ao pessoal de comunicação/marketing/publicidade da Secom e das empresas como BB, CEF, Eletrobrás, etc.

Veja – por que o governo ainda anuncia?

A Revista Veja é uma história a parte, mesmo sendo parte do mesmo sistema que foi estruturado para atacar o governo, atacar o PT e atacar o Brasil. De escola para bons jornalistas, a Veja transformou-se em depósito da escória do jornalismo. Profisisonais que, em troca do salário, aviltam a própria biografia – esmeram-se em desrespeitar as biografias alheias.
A edição desta semana volta a utilizar uma ferramenta fundamental: a acusação sem provas, o grampo sem áudio. Antes foi aquela palhaçada envolvendo Demóstenes Torres – uma das figuras mais patéticas do Senado – e o Gilmar Mendes (a quem muitos chamam de Gilmar Dantas) num grampo nunca provado, numa interceptação que nunca existiu. Foi uma ação criminosa envolvendo os três – Veja, Gilmar e Demóstenes – com o intuito claro de brecar a ação da Polícia Federal no cerco às ações criminosas que, de uma forma ou de outra, têm guarida em altas esferas…
A Veja, a despeito desta postura reiterada, ainda assim merece anúncios do Governo Federal. Qual a lógica desta insanidade? Já escrevi várias vezes que a Secom do Governo Federal é um depósito tucano, um entulho. Lá, o que não falta é a hipocrisia de quem assume um discurso ético – mas que não sobrevive a um lampejo de seriedade. Se a Dilma quiser mudar o Brasil, deve começar a mudar a perspectiva de um governo que injeta milhões numa publicação – e não é só a Veja, pois o mesmo acontece com o grupo RBS, a Folha, famiglia Marinho, Estadão (que inclusive conseguiu um financiamento privilegiado) – que pratica um jornalismo de esgoto.
Reitero aqui, inclusive, a estranheza de ver que o ‘Núcleo de Mídia’ é coordenado por alguém que num passado não muito distante, se vangloriava de ser anti-petista. Dizem que o Núcleo não manda nada, então a situação é ainda mais ridícula na medida em que mantêm uma estrutura (salas, telefones, funcionários, etc) que não possui valor e nem tem importância. Pior: pagam para alguém anti-petista e que tem ódio por comunicação comunitária e alternativa.
Já propus inclusive que se fizesse algo simples: que se veiculasse em cada anúncio na Veja o valor que o Governo pagou por aquele espaço. Desta maneira, o contribuinte poderia ver como um governo que tanto fez como o do Lula/PT às vezes gasta mal o seu dinheiro. Na verdade o meu dinheiro. O nosso dinheiro.





Circo e democracia não combinam

21 10 2010

O que me assusta é que a turma do PSDB quer manter o circo em polvorosa – mas o que ela desonhece é o limite muito tênue que separa a arte da farsa. Um lutador de telecatch, por exemplo, sabe que existe uma espécie de linha imaginária que ele precisa respeitar para, mesmo sendo um faz-de-conta, envolver o espectador e assim manter-se em atividade.
Certa feita conversei com Ted Boy Marino e perguntei se nujnca tinha levado e nem dado socos de verdade e me disse que o ‘real’ muitas vezes é mais presente do que se pensa.
São memórias e reminiscências que ressurgem quando observo as imagens que o SBT captou da tresloucada ‘agressão’ da qual se fez vítima o Serra. É algo que transcende a mediocridade de uma pessoa como o Serra. É vergonhoso acreditar que vanos para as eleições tendo como contendor uma dupla bisonha, patética e ofensiva à dignidade humana que é o Serra e o Índio.
Tenho famílias que perderam filhos nos tempos da ditadura. Morreram pelo sonho da democracia. Chego ao absurdo de me perguntar: valeu o sacrifício de vidas para dar espaço para figuras como estes dois?
Nada pode justificar o espetáculo deprimente que o Serra está tentando manter em horário nobre. Bem disse Lula: ele tenta reeditar o papel vergonhoso do Rojas, em jogo do Chile contra o Brasil no Maracanã.
Mas eu vejo uma situação um pouco mais complexa, na medida em que a direita em sua inasidade, pode se valer de tudo. Lembremo-nos de Lacerda – e Serra sonha ser uma espécie de versão bufa do Corvo. Lembremo-nos da armação contra Getúlio. Resgatemos a morte como artifício de mobilização que a direita gosta de usar.

Captei do Twitter:
Serra se casou com uma Allende, imitou o Rojas, torce pelo Valdívia mas quer mesmo é ser um Pinochet.

É mais ou menos esta a realidade: orioundo da esquerda mais por oportunismo do que por convicção, Serra não teve nenhuma dificuldade para migrar para a direita. Está se sentindo um igual entre os seus iguais. A direita gosta de cultuar a imbecilidade humana. Ela se sente prazeirosamente recompensada ao ver a que ponto consegue chegar em suas ações.
Basta observar os ‘back ego’ do Serra: Sérgio Guerra, Soninha Francine, Roberto Freire, Índio, César Maia, Yeda, FHC, Silas Malafaya… O que move estas figuras é o mesmo projeto de transformar em circo a vida cotidiana. Serra foi tornando a campanha perigosamente beligerante e o fingimento no Rio denota que para este bando, não há limite.
Li um ‘post’ da Soninha – circula o boato na blogosfera de que tem as filhas trabalhando no governo do PSDB e, questionada quanto a isso, saiu-se dizendo que ela não tem culpa por elas serem competentes (mas a gente nunca sabe quando o povo do lado tucano é real ou é fake) – quis trazer um dado novo, estranho. Disse ela que na verdade a dor na cabeça do Serra teria sido por uma pedra lançada quando o Serra estava tentando entrar na van. Ou seja: é muita palhaçada para uma estúpida encenação.
Engraçado que ontem, no dia da agressão, não tinha duas situações. estranho que nenhuma TV – nem a Globo! – disse isso. Seria muito mais fácil para ao menos montar a mentira. Como diz o Paulo Henrique Amorim, tá cada vez mais parecendo com a encenação do Rojas – lembrando que o ex-goleiro também não agiu sozinho.

Não aceitar provocação

Neste momento, cabe aqui reiterar. Independente do nível de engajamento na campanha eleitoral, o fundamental é não cair na tentação de responder. Temos que ter bem presente que são distintos os compromissos das duas candidaturas.
De um lado temos o Serra que optou pelo circo – que fugiu em 64, que casou com uma Allende no Chile e quando o Chile de Allende foi ‘invadido’ pelos EUA, eis que ele, o gênio, conseguiu ser convidado a morar nos estados unidos com a sua esposa Allende. É muito circo…
De outro, temos a Dilma.
Que lutou pela democracia.
Que resistiu.
Que nunca se omitiu da responsabilidade.
Que nunca fugiu de nenhum embate ou peleia.
Para mim, o que se decide neste segundo turno é se queremos um país movido a circo – imaginemos o Serra e sua aliança com os meios de comunicação – ou se queremos continuar construindo e fortalecendo a democracia.
Eu já me decidi.
E pelo que indicam as pesquisas, a maior parte dos brasileiros também já se decidiu…