Sigilos: Serra e a histeria da derrota

11 09 2010

Neste episódio todo envolvendo a ‘violação’ do sigilo de milhares de pessoas, sai das sombras a fdigura perversa da ‘filha’ do Serra. Sabe-se, com o suceder das revelações, que a filha de Serra é contumaz contraventora – daquelas que orgulhariam qualquer pai mafioso.
Não se trata de suposição, mas da perversa e cruel realidade decorrente da impunidade desta figurinha – Verônica Serra – sócia e amiguinha de outra figurinha perversa – Verônica Dantas, irmã do maior criminoso no Brasil, o único que conta com um defensor dentro do Supremo. É muito chique alguém ter um ministro no Supremo só para cuidar dos seus interesses criminosos…
O que dirá Serra agora, quando enfim é revelado que o filho de Lula também teve o seu ‘sigilo’ devassado? Terá a mesma ênfase cênica de indignação? Ou assumirá que não passa de um parlapatão cínico, hipócrita e imbecil…?
Tenho sempre dito que o PT ganhou duas eleições – se encaminha para a terceira. O que não quer dizer que ganhou o Governo. O Governo brasileiro traz uma cultura construída ao longo de 500 anos de desmandos, de transformação do poder em instrumento de uma elite perversa – da qual Serra, Alckmin, Aécio e mesmo alguns petistas (tipo Mercadante e Martha) são os representantes do momento. Descartáveis, partes de um jogo.
Vamos ver como o Serra irá reagir depois que a imprensa passou a noticiar que também o filho de Lula teve o seu sigilo violado. Vai ficar quieto feito uma anta de presépio?
Transcrevo a seguir a nota do Lauro Jardim, da enojante Veja. E vou continuar esperando alguma reação de Serra em defesa do filho de Lula.

Nada menos que sete CPFs diferentes com o nome de Fábio Luiz da Silva foram consultados pelo terminal de Adeildda Ferreira dos Santos no escritório da Receita Federal em Mauá. Os acessos ocorreram no intervalo de tempo de apenas vinte e oito segundos da manhã do dia 20 de setembro do ano passado.

Não é possível saber pelo relatório da Serpro, que foi enviado à Receita Federal para ajudar nas investigações da quebra de sigilo fiscal dos tucanos, qual tipo de dado desses Fábios foi acessado – se as declarações de imposto de renda ou apenas dados cadastrais – e a motivação para cada uma das consultas.

Aliás, há um quase homônimo famoso deles: Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula.Por Lauro Jardim





Sobre criminosos e heróis

13 05 2010

Desde o surgimento das ‘denúncias’ do ex-delegado Durval Barbosa sempre deixei bem claro, que por detrás da revelação do esquema do Arruda estavam as digitais de Roriz, um político que se esmerou na arte de trair aliados, fazendo-os sangrar de modo vexatório em público. Que o digam Valmir Campelo e Abadia em 94, Gim em 2002 e a mesma Abadia (que parece não ter aprendido) em 2006.

Cabe resgatar que no Jornal Passe Livre nº 399 – circulou na semana de 12 a 19 de novembro de 2009 – o título de capa era uma pergunta: Roriz e Arruda: qual o pior? E já na abertura do comentário, estava explicitado de forma clara: “Talvez nem seja preciso perguntar, porque a realidade mostra que não há entre os dois ‘diferenças’. Os dois transformaram o GDF num balcão de negócios, manipulando a Câmara Legislativa, negociando com o Tribunal de Contas (onde construíram base de apoio), contando com a conivência da mídia mediante sistemática injeção de recursos – com uma oposição enfraquecida e dividida, sem conseguir estruturar um discurso único, até porque muitos dos chamados ‘oposicionistas’ têm o hábito de gostar de uma dupla convivência, de um conchavo”. (Se quiser ler a edição toda, acesse em https://passelivreonline.wordpress.com/2009/12/15/passe-livre-edicao-399/)

Somente alguém muito desinformado ou inocente por conveniência não fará a permanente ligação entre Roriz e Arruda, que a despeito dos estremecimentos pontuais e dos ódios e das mágoas recíprocas, sempre tiveram consciência de que um precisa do outro para sobreviver politicamente. A eleição de Roriz no 2º turno de 1998 passa pelo apoio ostensivo que ele recebeu de Arruda, da mesma forma que em 2002.

Quem quiser negar a realidade, que reclame e esperneie. Mas Roriz sempre foi devedor de Arruda, na mewdida em que possibilitava ao que destruiu a qualidade de vida dos moradores de Brasília angariar votos nas regiões mais politizadas, como Plano Piloto, lagos Sul e Norte, Guará e Cruzeiro. Foi a migração dos votos no 2º turno de 98 que deram a vitória para Roriz – contra todas as previsões e prognósticos, inclusive de boca de urna. Roriz ganhou graças ao trabalho de Arruda e Augusto Carvalho no 2º turno…

É preciso ser cego ou estupidamente comprometido com a desinformação esquecer que Durval Barbosa sempre foi homem de confiança de Roriz e que sua fama de xeretar a vida alheia fazia parte de sua trajetória como Delegado de Polícia.

Tenho para mim, e explicitei isto no Jornal Passe Livre, que não foi a corrupção do Governo Arruda que derrubou o seu governo – porque esta corrupção endêmica se tornou prática política e administrativa desde janeiro de 1999 – mas o anseio do ex-governador Roriz de voltar ao poder, algo que seria inviável com a manutenção no páreo de um Arruda no auge de sua popularidade, ávio por cada vez controlar e manipular novos partidos (fazendo-os funcionar como correias de transmissão do seu projeto de poder) e tendo feito uma administração marcada por obras – nem todas prioritárias, com a visível opção por privilegiar os corruptos do setor imobiliário. Ao perder o apoio do PMDB, Roriz resolveu abrir sua caixa de maldades.

Foi o Jornal Passe Livre-especial, edição 402 que circulou de 27 a 30 de novembro, quem pela primeira vez revelou que a divulgação dos vídeos pelo ‘Durval’ não teve nenhum gesto nobre, mas apenas uma ação política de Roriz para tirar alguém do seu caminho. E como forma de se vingar do que lhe havia aprontado o PMDB com a negativa da legenda. Basta ler: “Há mais de 60 dias, Roriz manifestou a interlocutores na sua casa no Park Way a sua certeza de que Arruda não seria candidato ao Buriti e nem a nenhum cargo em 2010. Era um período no qual ele ainda estava no PMDB e por lá passavam cotidianamente figuras de todos os timbres e calibres, ‘lideranças’ prestes a serem seduzidas por propostas e antigos aliados que, por oportunismo ou instinto de sobrevivência, acorriam a casa do ‘chefe’ na tentativa de ver qual o galho mais seguro no qual poderiam se segurar para continuar levando vantagens da proximidade com o poder, independente de quem seja o governador. A certeza de Roriz era tanta que já naquela época se falava abertamente, no alpendre da casa, da existência de vídeos e de dinheiro.” (Confira a íntegra em https://passelivreonline.wordpress.com/2009/12/15/passe-livre-edicao-402-extra/)

Como já foi bem dito: não há nenhuma possibilidade de acreditar que Durval Barbosa tenha feito todas estas estripulias a revelia do então governador Roriz. Não cabe no entendimento de nenhuma pessoa com o mínimo de capacidade de discernimento que o velho coronel não tivesse percebido que estava sendo lesado em milhões de reais por alguém que tinha a missão de gerir uma área com contratos milionários. Logo ele, conhecido morubixaba que costuma administrar deixando o povo fazer festa, mas tudo sob seu controle…

Vale lembrar de um telefonema trocado entre Arruda, Roriz e Durval, quando tudo teria sido acertado. Estão faltando claramente algumas perguntas, tanto para Durval, quanto para Roriz e Arruda. A começar pelo fato mais singelo: como ele conseguia esconder e justificar aquele tráfego de pessoas, aquele montante de dinheiro – tudo assim, sem gerar suspeitas em Roriz e nos seus ávidos colaboradores?

Tenho muitas dúvidas e algumas convicções bem formadas. Para mim, até provem o contrário, Durval e Roriz atuavam de comum acordo, com a troca permanente de informações – do contrário, como Roriz saberia dos vídeos e do dinheiro? Atuavam e continuam atuando. Se protegiam e continuam se protegendo.

Como tenho certeza de que Roriz e Durval continuam fechados no intuito de se protegerem, o único meio de clarear este fato é se Arruda resolver contar a sua versão da verdade daquele período. É preciso apenas perguntar para o ex-governador Arruda se ele conversou com Roriz alguma vez sobre o esquema de repasse de dinheiro. É algo simples.

Pode ser que Arruda opte por não responder, mas se tiver realmente desejo de melhorar a qualidade da representação política do DF, basta ele responder a esta simples pergunta: Roriz sabia? Conversou com ele? O que ele disse no telefonema?

É importante esclarecer algo simples: quando um criminoso da máfia italiana, por exemplo, resolve entregar os seus parceiros de crimes, ele continua sendo apenas e tão somente um ‘fora da lei’ – arrependido, mas criminoso. A delação pode ajudar a ‘limpar’ uma cidade ou região, mas não apaga sua participação. Este ato não tem nada de ‘generoso’ ou ‘heróico’, mas pode ser muito mais uma tentativa de se proteger da própria estrutura criminosa na qual estava inserido. Não existe ‘bom-mocismo’ numa ação que foi estrategicamente pensada para desviar do foco central. E volto a dizer: não é uma ‘delação’ de alguns pontos, enquanto que protege os verdadeiros chefes, que justifica mudar sua condição de criminoso, e muito menos o livrar da execração pública e dos rigores da lei. O mesmo princípio cabe aqui para Durval: ele pode, com o gesto que praticou a mando de Roriz, ter jogado um pouco de luz sobre o mar de lama e corrupção que tomou conta do DF a partir de janeiro de 1999, mas isto em nada diminui o seu papel de partícipe de uma quadrilha que transformou o GDF num alvo a ser pilhado e saqueado diuturnamente.

Não cabe nenhum tratamento de herói e tenho para mim que a própria imprensa o incensa na tentativa de se proteger, porque também ela tem seus pecados…





Um sucesso de envergonhar…

11 01 2010

Enquanto o filme Avatar fatura milhões e mais milhões de dólares, tornando-se a segundo maior bilheteria do cinema, aqui no Brasil continuamos assistindo ao mais deslavado cinismo praticado não por um homem público, mas pelo chefe de um grupo mafioso que corrompeu o Executivo, o Legislativo, parte do Judiciário e a totalidade da imprensa do DF.





Um pitaco no futebol

2 01 2010

Aviso aos navegantes: gosto muito de futebol. Torço apenas para dois times. Para o Grêmio e quem joga contra o Internacional, afinal de contas é a mesma emoção torcer e secar. Como eu já disse, sou politicamente incorreto e assumo isto sem nenhum medo ou receio.

Neste começo de temporada, algumas questões em torno dos Clubes.

Atlético Mineiro – será que desta vez ganha ou ajuda a afundar ainda mais a carreira do Luxemburgo que, depois dos problemas com a mídia serrista/tucana de SP nunca mais teve paz para trabalhar? O grande erro de Luxemburgo é não querer mais ser só treinador – no que ele é um dos melhores do mundo, mas misturar o papel de empresário também.

Cruzeiro – entra como favorito na Libertadores. Mas será que não vai tremer de novo na final?

Sport, Náutico e Santa Cruz – alguém acende a luz para o torcedor pernambucano? Não há futebol brasileiro de verdade sem um time da terra do Allan Sales e da Banda Maria Fulô na 1ª divisão…

Ceará – de volta para a elite, mas quem aposta que não é candidato a rebaixamento de novo? Tomara que eu queime a língua.

Vitória e Bahia – será um sonho ver os dois de novo na 1ª divisão do futebol brasileiro?

Vasco, Flamengo, Botafogo e Fluminense – é preciso ver até quando o Pet vai conseguir jogar, porque sem ele, o Flamengo não existe. Qual o Fluminense que teremos em 2010: o da reta final ou aquele se arrastando em campo? O Botafogo… será que consegue escapar de novo de ser rebaixado… mesmo sem Jobson? O Vasco… o time é limitado para a 1ª Divisão, mas será fundamental que ele se mantenha na elite para enterrar de vez o fantasma de Eurico Miranda.

São Paulo, Corinthians, Santos e Palmeiras – torci muito pela volta da Portuguesa para a 1ª divisão… mas, tomara que este ano aconteça… Por falar nisso: qual é mesmo o time do Boris Casoy? São Paulo vai mudar a fotografia do seu time, mas ficará ainda preso mais a memória do que ao futuro. Corinthians é o time do ‘gerovital’, contratando um leque de vovôs: Roberto Carlos, Tcheco, Ronaldão – mas é o principal favorito entre os representantes brasileiros para a Libertadores. Santos… ah, os santos, para quem acredita neles e lhes deve devoção, terão muito trabalho para fazer o ‘Peixe’ voltar a ser grande. Por fim, o Palmeiras… treinado pelo Muricy e tendo Serra como torcedor, tem tudo para continuar afundando.

Coritiba, Atlético e Paraná – alguém entende como clubes estruturados vivem o dilema dos times da terra do Requião?

Avaí e Figueirense – o time do Avaí foi todo desmanchado, rompendo-se a estrutura de um grupo que vinha junto há dois anos.O Figueirense teve problemas com a empresa de investimento que lhe dava sustentação. Será muito pouco provável que o ‘leão da ilha’ repita o desempenho do ano anterior. Tudo indica que em 2011 os dois estarão juntos na B.

Grêmio e Inter – o Grêmio vai lutar para não ser rebaixado, o que já será motivo de muita alegria para a maior torcida do RS. Pode ganhar o Gauchão e entra como favorito na Copa do Brasil, onde a priori terá como maiores adversários o Vasco, o Atlético de Minas e o Palmeiras. Engraçado mesmo é o Inter: os principais jogadores querem sair. Depois do episódio Guiñazu, que pediu para seu empresário encontrar um time decente onde pudesse jogar, agora foi a vez do Dalessandro confessar a rádios de Buenos Aires que quer voltar ao River, para voltar a  ser feliz. Ou seja, os dois principais jogadores querem cascar fora o mais rápido possível. Por falar nisso, um aviso: gesta-se no RS um dirigente esportivo com o mesmo perfil do Eurico Miranda, trata-se de Fernando Carvalho…

Futebol de Brasília – no ano em que a cidade-estado completa 50 anos, o futebol entre nós continua sendo apenas e tão somente uma eficiente lavanderia.