Sobre mensalões e os venais da imprensa

3 04 2011

Por qual razão a mídia golpista está requentando o assunto mensalão?
Por uma razão simples: se o STF não for constrangido e achincalhado pela mídia e for julgar apenas pelos autos e as provas já colhidas, poucos serão os condenados. Esta é a opinião de advogados, de pessoas que, sem a paixão política que o caso gera, conhecem todo o emaranhado de documentos.
Basta observar que existe uma espécie de ‘escada’: um veículo requenta bombasticamente um tema já surrado e então entra blogueiros, comentaristas e outras doidivanas a tratar de manter em pauta algo que já está morto.
É ridículo ler, por exemplo, no blog do Josias Souza que ele se arvora no páladino da verdade, na quinta-essência da ala das baianas da Opus Dei. A verdade dele é ridícula e só serve para iludir beócios e imbecis de várias classificações.
Joaquim Barbosa, o ministro do STF sob a responsabilidade de quem está a peça acusatória, já se deu conta de que como está, nada se sustenta. Perguntou coisas, quer saber de novidades para a PF. A bem da verdade, há três novidades:
1 – Menção a um filho de Marco Maciel;
2 – O surgimento da filha de Roriz no imbróglio (e onde não há um Roriz envolvido em falcatrua?),
3 – E a extemporânea inclusão de Aécio – totalmente sem pé e nem cabeça.
Mas, em lugar de retratar estas novidades e, portanto, mostrar que nada há de novo no que diz respeito ao suposto mensalão, a revista Época e os cães que ladram e as viúvas que se lamentam da perda do País que era só deles, revista e jornalistas estão colocando, de forma irresponsável, como sendo ‘novidade’, algo que já foi divulgado anteriormente.
Lá estão as três bombas – que de tão ridículas, vão jogando cada vez mais no descrédito a imprensa oficial da oposição:
1 – O caso do segurança pessoal do ex-presidente Lula.
Este assunto foi largamente veiculado pela imprensa em 2006, mormente pelo jornal O Estado de São Paulo.
2 – O suposto envolvimento de assessores do Ministro Pimentel.
Quando o assunto veio a tona, o hoje ministro demitiu todos os assessores que então trabalhavam com ele.
3 – O custeio da posse de Lula.
Algo que já foi admitido e assumido por Delúbio Soares, ex-Tesoureiro do PT.

De envergonhar

Ou seja: nada há de novo e o que poderia ser novidade, foi ignorado.
Está em curso uma cruzada para chantagear ministros, para submetê-los ao ridículo – para que abandonem a condição e magistrados e passem a ser condicionados pela opinião pública.
Tenho dito e volto a repetir: ao se reduzir a serviçal da mídia, a oposição brasileira se destruiu, sem nenhuma capacidade de articulação e interlocução com a sociedade. A oposição política pensou que o Brasil ainda era dominado e condicionado pela mídia. É ruim, muito ruim, para o Brasil que ele não tenha uma oposição com capacidade de pensar, de entender o que se passa no Brasil. A oposição perdeu o discurso político ao assumir o discurso de rancor e ódio imposto pela mídia.
A mídia, cega em sua cruzada messiânica, não se deu conta ainda de sua dissociação com o Brasil real e com os brasileiros. Incrível como este segmento não percebe a queda na venda de exemplares, a redução da audiência…
Esta pressão, esta chantagem a mídia faz e obtém algum êxito porque ela sabe que hoje só quem a lê, escuta, acompanha e leva a sério é uma elite pestilenta e enojante. Esta minoria é onde os magistrados também se movimentam, razão pela qual, de uma hora para outra, a mídia voltou a requentar matérias – dando ares de bombástica a uma informação que já foi veiculada anteriormente.

O verdadeiro mensalão

Mas se a mídia e a elite estiverem realmente interessados em algo escabroso e que tem muitas provas, basta se debruçar sobre o Mensalão Tucano de Minas, de 1998; a Lista de Furnas de 2002; os escândalos do Governo Yeda no RS (inclusive com mortes nunca elucidadas) e o Mensalão do Dem no DF – que, conforme Arruda disse em entrevista para a Veja, encheu de dinheiro o bolso de demos, tucanos e assemelhados.





Veja e o exercício da desinformação

18 03 2011

A cada momento, um pouco mais do lamaçal no qual se transformou a Veja – que a exemplo de outros veículos optou por se transformar em instrumento de comunicação a serviço da direita retrógrada que viceja entre o esgoto e o lixo no Brasil.
A entrevista teria sido feita em setembro de 2010. Esta informação circula pela internet e em nenhum momento foi desmentida pela famiglia que controla a publicação. Ou seja: a patifaria é bem maior do que se pensa. A justificativa para a veiculação AGORA está no fato de que a referida entrevista teria sido concedida ao repórter Diego Escosteguy – alguém adequado para navegar e chafurdar em tais meandros.
Por conveniência política, foi engavetada. Imaginemos o estrago desta entrevista se ela tivesse sido veiculada em setembro de 2010… Quantos do que hoje ostentam mandato, teriam conseguido?
Ou seja… se faltava alguma ‘coisa’ na escala de decadência da Veja, esta foi a chamada pá de cal.
Agora, com a ida do Diego para a Época, a Veja sentiu que poderia ver a matéria publicada numa concorrente e para nãos er furada, colocou na edição online.
Ou seja: é pura lama e podridão.
Veja e Arruda, tudo assim… bem juntinho…





Delação premiada ou autorização para chantagear?

11 03 2011

Foi preciso que alguém fora do viciado círculo político de Brasília resolvesse levantar a voz e dizer que está na hora de dar um basta nesta pantomima na qual se transformou o espetáculo deprimente que Durval Barbosa vem produzindo no DF, com a divulgação a conta gotas e a seu bel-prazer de farto material colhido na sua pratica criminosa de filmar reuniões e encontros. Volto a dizer: para mim, não existe bandido bom ou ruim. Sem querer ser maniqueísta, mas para mim existem bandidos e existem pessoas de bem. Um ato isolado, ainda que supostamente beneficie ‘meu’ grupo político ou atinja algum inimigo ‘meu’, mas praticado por um bandido continuará sendo um ato praticado por um bandido. O caminho para bandidos é a cadeia – depois de julgados e caso forem condenados pela Justiça.
É dentro desta ótica que vejo e lamento muito que as pessoas estejam si divertindo com o circo armado, onde nós, eleitores, somos os verdadeiros palhaços. Por isso saúdo o presidente da Câmara dos Deputados, o gaúcho Marco Maia (PT) ao dizer que a concessão da ‘Delação premiada’ implica na entrega de todo o material e não pode servir (interpretação minha) como escudo para a veiculação de ameaças e através de recadinhos – como pode ser lido em tuits e mesmo em blogs, onde supostas bocas de aluguel usam as chamadas redes sociais para a disseminação de boatos, tentando gerar um clima de apreensão e, quem saberá?, facilitar a prática de negociações excusas.
A fonte é sabida, mas a impunidade acaba gerando uma atenção desmerecida a tais figuras – muitas delas partes do mesmo lamaçal de onde emergiu o escândalo. Por vezes é hilário, noutras chega a ser patético o ataque sistêmico tipo: o rolo vai começar, as imagens estão sendo editadas, tem gente perdendo o sono… Cria-se a falsa impressão de que a classe política em sua totalidade é podre – clima propício, digo uma vez mais, para a perversa prática deletéria da generalização.
Há quem diga, de fonte segura, que a divulgação destas imagens de Jaqueline Roriz foi fruto apenas de desavença financeira e sensação de abandono. E que ao divulgá-las, estaria mandando um recado para algumas pessoas que não estariam cumprindo os acordos de silêncio, proteção e apoio já firmados. Volto a dizer: teve uma atitude correta o deputado Marco Maia ao não silenciar diante da pilantragem, de não calar diante da patifaria, de não pactuar com bandidos.
Se tem fitas/imagens com A, B ou C… que sejam divulgadas e que cada um assuma seus erros, responda por seus atos e se justifique perante o eleitor e trate de arranjar outra profissão bem longe da necessidade de referendo popular. É preciso emparedar o MP, que já se sabe também tem seus pecados, para que a coisa ande. Da mesma que respondo por meus atos e meus pecados, que cada um se vire pelo que fez – mesmo que tenha sido em alguém em quem eu tenha votado. Não me cabe pactuar ou passar a mão sobre a cabeça de ninguém. Quem errou que arque com as consequências.
Mas quero enfatizar: não é justo o MP e a PF manterem o benefício da Delação premiada para quem apenas a usa como escudo e nuvem de fumaça para manter-se no noticiário e usufruir outras benesses.
Ao circular por Brasília hoje de manhã, me deparei com toda sorte de ilações – mas não consegui encontrar nenhuma pessoa, independente de paixão ou facção partidária que tenha achado que Durval está divulgando estas fitas por ter algum compromisso com a ética e a justiça. A opinião pública que em um primeiro momento até pode ter visto no gesto do delator uma demonstração de hipócrito desejo de refazer o caminho, já descobriu que ele usa tais imagens para continuar usufruindo vantagens.
Que a PF e o MP cessem imediatamente os benefícios da Delação premiada e que ele passe a responder pelos crimes que já responde e por mais outros decorrentes destas práticas subterrâneas que fazem parte do seu modus operandis.





DF: Onda de boatos e leviandades outras

10 03 2011

Alguns se dizem colunistas, outros se apresentam como articulistas e tem aqueles que se escondem por detrás do epiteto de ‘jornalistas’, mas estes todos estão se esmerando nos últimos dias a uma só prática e rotina no DF: disseminar e realimentar os boatos que eles próprios criam. Formam-se grupos que atuam de modo quase que orgânico, focados no mesmo objetivo.
A bem da verdade, eles andavam sumidos depois da vitória de Agnelo. Voltaram com a montagem da equipe frankenstein que o nosso governador entregou para a população – que em alguns casos foi um verdadeiro soco no estômago dos que realmente (como eu) acreditavam e ainda acreditam (como eu) na proposta de um novo caminho.
Depois de um ou dois dias nos quais estas pessoas ficaram claramente ‘passadas’ por terem se sentido traídas por Durval – afinal de contas ele entregou um vídeo editado e cortado que jamais tinha sido apresentado no cineminha que rolava numa certa casa no Park Way.
A onda de boatos assim está servindo muito mais para disseminar vontades do que amparados pela realidade. Fala-se com tanta convicção de coisas que nunca foram vistas que chega a beirar a irresponsabilidade. Leio, observo e me reservo o direito de acreditar que não passa de um trauma pelo inusitado da fita onde a própria filha de Roriz está com Durval.
Tudo bem… tem gente dizendo, insinuando que os últimos dias foram de intensas atividades de edição de imagens – mas e se entre as imagens houver alguma de Roriz, por exemplo, com Durval? Sabe-se que ele, Durval, devolveu ao menos a um personagem todo o material que teria desta figura. Será isto verdade ou apenas um boato a mais?
O que eu percebo é que muitos dos coleguinhas estão mais inseridos no exercício de um papel do que comprometidos com a informação.
Dentro desta visão – não estou aqui absolvendo ninguém e muito menos dizendo ou julgando, estou apenas me posicionando: para mim, boato pode virar notícia quando estiver amparado em fatos e não atendendo a um desejo ou necessecidade pessoal. É também importante saudar a postura firme, enérgica e clara do presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia, para quem não tem cabimento alguim o Durval continuar usufruindo do instituto da Delação Premiada e ir soltando o material na base do conta-gotas, como se só liberasse depois de não obter vantagens. Suspendendo o benefício da Delação Premiada, ele voltaria a ser um reles réu – ainda que seja daquelas figuras de alto poder destrutivo e com uma carga de ódio muito grande.
Já disse antes e este é meu posicionamento via Jornal Passe Livre desde que eclodiu o episódio das fitas de Arruda: para mim, Durval não passa de alguém encrencado na Justiça. Para mim, não existe bandido bom ou bandido ruim. É preciso acabar com este circo – que hoje serve apenas para alimentar uma imensa rede de boatos que tem como fontes emissoras um grupo de viúvas. E que os envolvidos – inclusive magistrados, pessoal do TCDF, políticos, jornalistas e agregados em geral – paguem exemplarmente por participarem desta bandalheira.





Os aliados de Serra no DF

11 10 2010

Muitos atacam, questionam e criticam os apoios que a Dilma foi colhendo ao longo da caminhada. Apontam Collor, Sarney… Eu também não me sinto ‘bem’ com estas figuras por perto – mas o Collor pelo que me consta foi eleito pelo povo de Alagoas Senador e agora foi reprovado nas urnas. Sarney (a família) o mesmo em termos de Maranhão. É do jogo democrático…
Mas olhemos quem está ao redor de Serra:
Quércia
TFP
Opus Dei
Maluf
César Maia
Bornhausen
Yeda Cruzius
Arthur Virgílio
Diogo Mainardi
Marcelo Madureira
Regina Duarte
Daniel Dantas
Gilmar Mendes

A lista é imensa. Só figurinha carimbada.
Mas… e aqui no DF? Aqui no DF, a fina flor da pilantragem está com Serra. Vejamos: Roriz, Weslian, Arruda, Paulo Octávio, Luiz Estevão.
É importante observar este pequeno detalhe: todos os que apóiam o Serra estão envolvidos em falcatruas, roubos e malversações de recursos públicos. Isto não quer dizer nada?





DF: Weslian também é ficha-suja?

11 10 2010

Trata-se de reportagem veiculada pela Folha Online – porque aqui no DF, os jornais sabem apenas silenciar…

10/10/2010 – 11h34

Tribunal de Contas liga ONG de Weslian Roriz a mensalão do DEM

FILIPE COUTINHO
GABRIELA GUERREIRO
DE BRASÍLIA

O instituto fundado pela candidata ao governo do Distrito Federal, Weslian Roriz (PSC), foi beneficiado pelo mesmo esquema que mais tarde patrocinou o mensalão do DEM, segundo o Tribunal de Contas do DF.

O Instituto Integra aparece na lista de irregularidades em contratos de informática da Codeplan (Companhia do Desenvolvimento do DF). Na época, a companhia estava sob a administração do governador Joaquim Roriz (2003-2006) e era presidida por Durval Barbosa.

Barbosa veio a ser o delator do mensalão do DEM. O caso envolve empresas também contempladas pelo esquema já no governo José Roberto Arruda (2007-2010). Essas empresas foram indiciadas pela Polícia Federal na operação Caixa de Pandora.

Segundo o delator e a CPI da Codeplan, a companhia de desenvolvimento foi o embrião do esquema do mensalão –possibilidade admitida pelo próprio Roriz.

Todas as “falhas graves” apuradas pelo tribunal no Instituto Integra são do período em que Weslian era presidente da ONG (2004-2006). O TCDF afirma que as facilidades obtidas pela ONG podem ser consideradas uma violação do princípio constitucional da impessoalidade, dada a relação do “casal 20” –slogan de Weslian na campanha ao governo após substituir o marido “ficha-suja” na disputa.

Segundo o tribunal, a ONG recebeu da Codeplan obras e equipamentos para montar laboratórios de informática para cegos, e o governo bancou os instrutores, sem a ONG ter comprovado que ofereceu os cursos. O governo pagou a manutenção dos computadores sem a organização oferecer de fato o programa de inclusão digital. Mesmo assim, o convênio foi renovado duas vezes.

A auditoria apontou também que os programas da ONG “Fábrica Minha Sopa” e “Cão Guia” não tinham relação com inclusão digital.

Não é possível saber quanto foi gasto pela Codeplan com a ONG. Não houve transferência direta de recursos e há quatro anos o governo não informa os valores gastos. Isso foi considerado mais uma irregularidade.

CARTÃO DE VISITAS

Usada na campanha como principal experiência da novata Weslian, a Integra contou ainda com outras facilidades no governo Roriz. A sala do instituto foi doada pelo governo e, segundo a auditoria, material de informática foi deixado para a ONG. Só para “adequar o ambiente”, o governo gastou R$ 343 mil (em valores atualizados).

A procuradoria do tribunal afirma ainda que funcionário terceirizado do governo, que deveria trabalhar no maior hospital de Brasília, dava expediente na ONG de Weslian. Além disso, um decreto de Joaquim Roriz deu exclusividade para o instituto Integra capacitar cães-guia.

O processo no TCDF se arrasta desde 2006 porque dirigentes da Codeplan não compareceram às audiências. No período, a Codeplan também foi presidida pelo atual governador, Rogério Rosso (PMDB). Aliado de Weslian, ele não prestou as informações pedidas pelo tribunal.

OUTRO LADO

Weslian Roriz não se manifestou sobre as irregularidades identificadas pelo Tribunal de Contas do Distrito Federal na ONG Integra.

A Folha encaminhou na quinta-feira uma lista de perguntas para a assessoria da candidata, mas não obteve resposta.

A presidente do Integra, Lúcia Bittar, também não atendeu às ligações telefônicas da Folha. Segundo funcionários da ONG, ela está em viagem para o exterior.

Aliado de Weslian Roriz e ex-presidente da Codeplan, o governador Rogério Rosso (PMDB) afirmou que não poderia responder sobre irregularidades encontradas em governos anteriores ao seu.

Por meio da assessoria, Rosso afirmou que não prestou informações ao Tribunal de Contas do DF, quando era da Codeplan, porque o órgão estava subordinado à Secretaria de Desenvolvimento Urbano do DF, e os contratos de informática não eram mais de sua responsabilidade.





Passe Livre – Edição 433

25 05 2010

A edição desta semana – nº 433 – do Jornal Passe Livre traz em destaque a análise do que acontece em Brasília, com ênfase na constatação de que o verdadeiro criador do Mensalão do Dem(o) é Joaquim Roriz – o único palanque de Serra na Capital Federal. Os ex-integrantes do Governo Arruda, inclusive, migramn todos para a candidatura de Roriz – de onde saíram.

Sempre lembrando que o Jornal Passe Livre circula em Brasilia desde 1998, edição semanal e tiragem de 30 mil exemplares distribuídos na rodoviária urbana da Capital Federal.