As etapas do golpe

23 09 2010

Muito tem sido dito acerca da movimentação da mídia na preparação de um golpe contra a eleição de Dilma Rousseff. Não sou destes que vêem fantasmas em tudo, mas reitero que é preciso neste momento considerar algumas realidades pontuais:

1. De um lado, a responsabilidade direta do presidente Lula e a omissão imperdoável de seu partido, o PT, em não tratar a mídia da forma como ela precisa ser tratada. Ela não está assumindo ares golpistas agora, mas desde janeiro de 2003 – e  o governo não teve coragem de efetivar o enfrentamento político que se fazia necessário. Pelo contrário – insistiu em manter intacto dentro da Secom e como política de comunicação o modo tucano de agir (sempre para os mesmos de sempre). Não tiveram – o presidente e o seu partido – coragem de implementar uma decisão de seu próprio Congresso de criar um jornal popular, nacional e que servisse de contraponto à manipulação da mídia. Manteve no Ministério das Comunicações um serviçal da Globo, perseguindo rádios comunitárias e impedindo que se estabelecesse uma rede de emissoras em nível nacional.

2. A manutenção da postura de deslumbrado, ensejando tratamento diferenciado para a chamada mídia tradicional. Muitos da chamada esquerda sonham em aparecer na mídia golpista. A própria Secom sempre foi conivente com as práticas e os preconceitos das agências – e volto a dizer que o Núcleo de Mídia, dirigido, coordenado, comandado ou a palavra que o valha por uma anti-petista, ex-serviçal de Roriz, é o retrato acabado de como o modo tucano de agir está impregnado no governo do PT. O mesmo acontece na Caixa, no BB e em outras instâncias do governo – onde os que mandavam nos tempos de FHC de um certo modo, continuam mandando no Governo Lula e do PT e com muito mais arrogância.

3. Lula repete agora a sua opção de confrontar com a grande mídia que adotou quando seu mandato esteve ameaçado. E o faz indo para junto da classe trabalhadora – que ele e o seu partido por vezes esqueceram, mormente quando se observa a conivência do Governo Federal com os lucros abusivos, escorchantes e imorais do sistema financeiro.

4. O governo não procedeu a uma devassa necessária nos meios de comunicação – porque se uma pequena revista ou jornal tiver algum débito, não pode nem pensar em pleitear publicidade. Mas a grande mídia que deve milhões para a Previdência, esta continua recebendo aportes milionários de modo diário.

5. Seria fundamental que o Governo Federal colocasse em cada anúncio veiculado em jornais, revistas, rádios e mesmo na TV qual o valor daquela inserção – e certamente ficaria patente que as empresas privadas cobram muito mais caro do governo do que dos anunciantes ‘privados’.

6. O governo Lula e o PT não tiveram a capacidade de terminar com a odiosa prática – principalmente da Caixa – de compra antecipada de espaços nos mesmo meios tradicionais.

Ou seja: o golpismo da mídia existiu desde 1º dee janeiro de 2003 e desde então o Governo Lula e o PT tem sido reiteradmente coniventes. Inclusive financiando-os.

O cenário golpista de hoje é o mesmo que existia em 2005. Lá como hoje – e só então – o presidente Lula vem buscar no povo a força para resistir ao golpe. Golpe que, repito, ele Lula, seu Governo e o PT ajudaram a alimentar. Percebo que o PT sonha em verdade em ser aceito pelas elites, em ser parte delas – e isto vale também pela relação dúbia mantida pelo governo com a mídia. Foi o Governo Lula quem financiou a mídia e não criou mecanismos para o surgimento de uma mídia alternativa de caráter popular.

O Governo Lula apoiou de modo pífio a mídia alternativa e quando o fez, não teve o viés de partir para o campo da comunicação popular ou massiva e preferiu apoiar iniciativas tipo ‘leitura cabeça’ como se falava nos anos 80.

Em verdade, Lula e o PT pagam hoje por seus erros e pela incapacidade de aprender com eles, visto que repetem o memso modo de agir que antes fizeram em prefeituras, governos estaduais e também em nível federal.

Certa feita escutei algo que costumo lembra:

AS PESSOAS MUITO INTELIGENTES, APRENDEM COM OS ERROS DOS OUTROS.

AS PESSOAS INTELIGENTES APRENDEM COM OS PRÓPRIOS ERROS.

E TEM OS OUTROS… que, arrogantes e burros, continuam pensando-se donos da verdade…





O mensalão da Abril

21 09 2010

Alguém já perguntou a razão pela qual a Veja ataca tanto o governo Lula, o PT e trata de criminalizar os movimentos sociais? Claro que não se trata de nada ideológico, afinal de contas, uma revista que traz no ‘dna’ as opiniões da famiglia Civita não tem nem ideologia e nem ética. É uma troca de interesses, meros negócios.

O pessoal do Blog da Dilma (não oficial) fez um levantamento de arrepiar – ao qual os demais blogueiros poderiam fazer levantamento semelhante em seus estados. Aqui mesmo no DF, em troca de uma entrevista nas páginas amarelas, a Veja vendeu para o GDF milhares de assinaturas desta coisinha fofinha que é a Veja e outras publicações.

Sugiro que os governos democráticos e populares – a começar pelo governo federal:

1 – cancelem todas as assinaturas da Veja e das demais publicações da famiglia;

2 – cancelem as milhares de assinaturas da Folha de São Paulo e de acesso a Uol;

3 – que o Governo federal suspenda os contratos de veiculaçãod e material ‘educativo’ na TV Globo – principalmente os telecursos e a retransmissão de conteúdo para as escolas pelo País;

4 – que uma vez eleito, Tarso Genro suspenda as assinaturas de Zero Hora, das autorizações de acesso ao conteúdo, das mídias e publicidades na RBS e em seus veículos (principalmente os que se encontram em nome de laranjas);

5 – que não sejam renovadas as assinaturas de O Estadão e também da revista Época,

6 – que seja criado o conselho de comunicação;

7 – que seja democratizado o Núcleo de Mídia – inclusive eliminando a figura perversa que hoje o coordena e que é anti-petista e prestou serviços ao governo Roriz (comenta-se que está no posto por sua amizade com Franklin Martins).

Se cada um de nós fizer um levantamento dos contratos em seus respectivos estados – e alguém tiver a parcimônia de fazê-lo em relação ao Governo federal – veremos que estas revistas não sobrevivem mais de venda em banca ou de publicidade – mas sim das assinaturas.

Este é o texto que copiei do blog da Dilma (http://blogdadilma.blog.br)

O mensalão da Editora Abril


Daniel Bezerra, editor geral


Numa minuciosa pesquisa aos editais publicados no Diário Oficial, o blog descobriu o que parece ser um autêntico “mensalão” pago pelo tucanato ao Grupo Abril e a outras editoras. Veja algumas das mamatas:


– DO [Diário Oficial] de 23 de outubro de 2007. Fundação Victor Civita. Assinatura da revista Nova Escola, destinada às escolas da rede estadual. Prazo: 300 dias. Valor: R$ 408.600,00. Data da assinatura: 27/09/2007. No seu despacho, a diretora de projetos especial da secretaria declara ‘inexigível licitação, pois se trata de renovação de 18.160 assinaturas da revista Nova Escola’.


– DO de 29 de março de 2008. Editora Abril. Aquisição de 6.000 assinaturas da revista Recreio. Prazo: 365 dias. Valor: R$ 2.142.000,00. Data da assinatura: 14/03/2008.


– DO de 23 de abril de 2008. Editora Abril. Aquisição de 415.000 exemplares do Guia do Estudante. Prazo: 30 dias. Valor: R$ 2.437.918,00. Data da assinatura: 15/04/2008.


– DO de 12 de agosto de 2008. Editora Abril. Aquisição de 5.155 assinaturas da revista Recreio. Prazo: 365 dias. Valor: R$ 1.840.335,00. Data da assinatura: 23/07/2008.


– DO de 22 de outubro de 2008. Editora Abril. Impressão, manuseio e acabamento de 2 edições do Guia do Estudante. Prazo: 45 dias. Valor: R$ 4.363.425,00. Data daassinatura: 08/09/2008.


– DO de 25 de outubro de 2008. Fundação Victor Civita. Aquisição de 220.000 assinaturas da revista Nova Escola. Prazo: 300 dias. Valor: R$ 3.740.000,00. Data da assinatura: 01/10/2008.


– DO de 11 de fevereiro de 2009. Editora Abril. Aquisição de 430.000 exemplares do Guia do Estudante. Prazo: 45 dias. Valor: R$ 2.498.838,00. Data da assinatura: 05/02/2009.


– DO de 17 de abril de 2009. Editora Abril. Aquisição de 25.702 assinaturas da revista Recreio. Prazo: 608 dias. Valor: R$ 12.963.060,72. Data da assinatura: 09/04/2009.


– DO de 20 de maio de 2009. Editora Abril. Aquisição de 5.449 assinaturas da revista Veja. Prazo: 364 dias. Valor: R$ 1.167.175,80. Data da assinatura: 18/05/2009.


– DO de 16 de junho de 2009. Editora Abril. Aquisição de 540.000 exemplares do Guia do Estudante e de 25.000 exemplares da publicação Atualidades – Revista do Professor. Prazo: 45 dias. Valor: R$ 3.143.120,00. Data da assinatura: 10/06/2009.

Negócios de R$ 34,7 milhões.


Somente com as aquisições de quatro publicações “pedagógicas” e mais as assinaturas da Veja, o governo tucano de José Serra transferiu, dos cofres públicos para as contas do Grupo Civita, R$ 34.704.472,52 (34 milhões, 704 mil, 472 reais e 52 centavos). A maracutaia é tão descarada que o Ministério Público Estadual já acolheu representação do deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP) e abriu o inquérito civil número 249 para apurar irregularidades no contrato firmado entre o governo paulista e a Editora Abril na compra de 220 mil assinaturas da revista Nova Escola.


Esta “comprinha” representa quase 25% da tiragem total da revista Nova Escola e injetou R$ 3,7 milhões aos cofres do ‘barão da mídia’ Victor Civita. Mas este não é o único caso de privilégio ao Grupo Abril. O tucano Serra também apresentou proposta curricular que obriga a inclusão no ensino médio de aulas baseadas nas edições encalhadas do ‘Guia do Estudante’, outra publicação do grupo.