Um pouco de luz para assustar quem vive das trevas

9 03 2011

Nasci no campo e cedo aprendi com meu pai que o meio mais seguro de evitar que as ratazanas não atacassem milhões, arroz, feijão e outros produtos guardados no galpão (paiol) era deixar a luz entrar nestes ambientes. Assim também é com as baratas, que vivem em esgotos e bueiros – basta tirar a tampa e correm desesperadas de um aldo para outro. É de lá que vem a expressão: correndo feito barata tonta.
Foi lembrandod e meu pai que resolvi tomar uma atitude e, pela reação, vejo e pressinto que se trata da mais correta: como os vermes continuam valçendo-se das redes sociais, dos grupos de debates e listas das quais faço parte para continuarem com a disseminação de mentiras e ataques furibundos e ensandecidos, tomei a decisão de passar a publicar tais aleivosias, tais diatribes no blog.
A publicação de um – que pode ser lido no link https://passelivreonline.wordpress.com/2011/03/03/a-direita-e-incansavel-e-burra/ – gerou reações de ameaças, arrogância, ódio e rancor. Mas tenho para mim que colocar estas visões e estes ataques doentios diante da opinião pública, disseminá-las para que mais pessoas saibma o que está sendo ‘distribuído’, é parte do processo de debater estas posições.
Longe de mim debater ou defender esta ou aquela bandeira. O que eu considero fundamental é que as pessoas debatam estes assuntos como parte de um processo dialético, não vociferando aleivosias e destilando e insuflando o ódio. Escrevi, e pode ser pesquisado neste blogue, um texto sobre os riscos de vivermos em um País sem uma oposição séria. Disse, inclusive, que o grande problema do Lula foi o fato de a oposição ter deixado de fazer política e se prestado ao papel de boneco manipulado pela mídia e pelas grandes corporações privadas.
O diacho é que este povo da oposição e seus porta-vozes obscuratistas não aprenderam com as sucessivas surras que levou. Perderam o rumo e o eixo e hoje observam, sem forças, a consolidação do projeto político que teoricamente deveria ter sido implantado pelo PSDB. Tenho para mim que o PT hoje domina o centro da cena política nacional, assumindo uma visão social-democrata – enquanto que a turma do Psdb e as exéquias do Demo e do PPS migram céleres para a extrema direita.
Por esta razão, volto a dizer: faz falta ao Brasil uma oposição política, uma alternativa de poder, um projeto diferenciado. Tanto é verdade a barafunda na qual os tucanos se meteram que a campanha do Serra chegou a usar imagens do Lula e em muitas eleições estaduais – mesmo aquelas vencidas por candidatos da extrema-direita, como no Paraná, SC, SP, MG e outros – os candidatos diziam que tinham boas relações de amizade com o Governo Lula.
Posso ser enfadonho e repetitivo, mas não vou desistir e nem mudar de batida: falta uma oposição política, um projeto alternativo para o País – para que a sociedade tenha como cotejar os dois (ou mais, se for o caso). Mas este projeto não emergirá,a na minha visão, destes grupos que hoje estão postados nem na extrema-direita (Psdb, PPs, Demo, PV e um sem fim de agremiações mais parecendo balcões de negociatas fisiológicas) e nem na extrema-esquerda (Pstu e Psol). E não emergirá porque os dois campos assim antagônicos pautam sua ação muito mais de olho na repercussão junto da mídia do que preocupados em mostrar para a sociedade que existem outras variáveis, outros caminhos.
Em relação aos textos do meu e-mail, volto a repetir e reiterar: eles serão sempre publicados, porque eu sei, afinal de contas nasci no campo e lembro bem de muitas das lidas campeiras, que elas não toleram a luz, nem a claridade.





O desafio de viver fora do palanque

8 02 2011

Certa vez, ainda jornalista em Santa Catarina, fiz uma matéria com alguns ex-jogadores, lembro-me que entre eles estava Breno, que tinha sido atleta do Renner e do grêmio em Porto Alegre e depois tivera uma experiência no filme Orfeu do Carnaval. Vivíamos os idos de 84/85, lá no último quarto do século passado.
Havia em todas as entrevistas um tema recorrente: qual o maior desafio quando a carreira se encerra? E também as respostas, de um modo ou de outro, incidiam para o mesmo arrazoado: o que mais assusta é o súbito ostracismo, o não estar mais na mídia, o deixar de ser reconhecido – tanto em termos de crítica, quanto de elogio, dentro da visão emocional e maniqueísta do torcedor.
Esta é também uma árdua tarefa para os políticos, seus asseclas e assessores e toda a entourage que se move ao redor do ‘candidato’. Muita gente não quer sair do palanque, não quer abandonar aquela adrenalina de eventos, reuniões e nem mesmo o glamour de uma ‘temporada’ onde não há muito compormisso com a verdade e o político e todos os seus tentáculos podem levar a vida prometendo, jogando para um hipotético e distante “depois de eleito, a gente resolve isso”.
Mas o tempo é cruel e o depois chega. Da mesma forma que o atleta não quer pensar no que fazer depois que parar, o político e seus ‘aspones’ também não estão muito preocupados com o tempo de ostracismo de um e de cobranças de outro.
E o que se percebe, no caso de jogadores de futebol, é uma assustadora tendência ao álcool ou querem ficar envolvidos com a bola – único mundo do qual pensam conhecer um pouco. E os políticos – mais ainda seus assessores e algumas figuras que se deslumbram com a proximidade do poder – gostam desta aura de endeusamento que o eleitor acaba criando – uma vez que, na conversa, no sorriso, no abraço e na docilidade, ele pode resolver tudo.
Mas o amanhã chega e cobra o preço da realidade.
E então as pessoas enfrentam a terrível dificuldade de descer do palanque e encarar os fatos, resgatar os compromissos e entedner que ali, no exercício do poder, não estão no Olimpo entre deuses – mas estão em realidade abaixo do nível do chão e de onde apenas o exercício do poder e o cumprimento de promessas poderá guindá-los a viver em igualdade com os demais humanos.
Uma vez no poder, todas as incompetências escondidas por marqueteiros, relegadas pelo lufa-lufa do ritmo frenético das campanhas, surgem em sua verdadeira dimensão. E a verdadeira face da imbecilidade humana surge – e sempre com o mesmo discurso de não querer assumir a sua parte, dizendo-se assustado com o que encontrou.
Convenhamos… nos palanques, sendo oposição, eram exatamente as dificuldades que eram transformadas em desafios que seriam facilmente resolvidos com vontade política, com decisão, com organização.
E os assessores então, quando guindados a condições de mando, estabelecem logo sua liturgia e buscam afastar-se dos compromissos, como se estivessem num palco imaginário de luz e brilho. E quando advém a descoberta da incompetência, das limitações de há muito já sabidas – então são descarregados impropérios contra quem, por frustração pessoal, tem a coragem de tecer críticas contra deuses e deusas de patético aspecto.
Partes do cotidiano. Partes do circo -que pode transformar o eleitor em reles palhaços, mas que também tem seus leões invisíveis a devorar quem se deslumbra pensando ser eterno o que é tão provisório…





O Brasil precisa uma nova oposição

26 06 2010

Estou decepcionado com o Serra. Eu pensava, sinceramente, que ele queria disputar as eleições de outubro. Oferecer ao País uma visão renovada do PSDB, expurgando seus erros e pecados cometidos enquanto governo federal, municipal e estadual. Muitas vezes a derrota nos ensina. Muitas vezes a realidade nos mostra que é hora de mudar, que é hora de repensar nossos métodos, nossas verdades.
Não se trata de ironia, mas o Brasil precisa de uma oposição melhor do que a que hoje temos. O Brasil de Lula, de Dilma e de tantos milhões de brasileiros requer uma oposição mais qualificada, mais capaz de entender que há um tempo de gritar e um tempo de silenciar. Um tempo de criticar e um tempo de apoiar – sem jamais perder de vista o contexto e o conjunto de uma sociedade em permanente processo de mudança, de avanço, com a inserção de milhões de pessoas à condição de cidadãos. É preciso uma oposição capaz de entender que suas bandeiras (estado mínimo, privatizações) estão rotas. Uma oposição que saiba mudar o seu discurso em face daquilo que acontece ao seu redor.
Ao escolher Álvaro Dias – minha aposta sincera é que no desespero os tucanos e demos optassem por Daniel Dantas – Serra mostra que preferiu o caminho da mediocridade em lugar das idéias.
Sinceramente eu pensava que o Serra de 2010 fosse diferente do Serra que transformou o Ministério da Saúde em um permanente comitê eleitoral a serviço de seu egocentrismo doentio e perverso, que redundou na ação da PF (dizem que sob o comando de Itagiba) para defenestrar Roseana Sarney.
Podem me chamar de ingênuo ou mesmo tolo, mas eu tinha a convicção que a derrota em 2002 e o naufrágio de 2006, que a descoberta da máfia dos sanguessugas, de suas escabrosas relações com os irmãos Vedoin… eu pensava, eu esperava que o Serra e o PSDB tivessem mudado.
Confesso, entristecido… eu não espero nada do Demo e nem deste circo de horrores e bizarrices que é o PPS. Mas o PSDB, sinceramente… E volto a dizer e a enfatizar: o Brasil, o Lula, a Dilma, o PT e a democracia precisam de uma oposição de verdade. E este papel cabe ao PSDB, que precisa ajudar a livrar a cena política nacional destas coisas que se aninham ao redor do poder, como criminosos do PTB, do PMDB, do PPS, do Demo e tantas outras siglas de aluguel.
O PT e muitos do PSDB sabem que não se pode brincar com a democracia, que é frágil e muitas vezes só nos damos conta do seu veradeiro valor quando ela se esvai por entre nossos dedos.
Eu pensava que o Serra pudesse conduzir o PSDB a este novo patamar de maturidade enquanto oposição. Mas ele não tem estrutura para isso e não vejo e nem vislumbro no PSDB quem o possa fazê-lo, porque no fundo Aécio é apenas, por covardia e comodismo, um subproduto do PSDB paulista.
Como fortalecer a democracia em nosso país se a oposição é a primeira a negar importância a ela, tornando-se refém das vontades de grupos isolados ou se guiando por contingências familiares? Como fortalecer a oposição política se ela se presta apenas ao papel de ser porta-voz de um segmento (mídia), vinculada a uma minúscula parcela da população (elites) e amparada no poder que mantém os privilégios (judiciário)?
Não temo pela democracia pelo que o PT possa fazer. Temo pela democracia por aquilo que grupos anti-democráticos que usam a oposição política possam fazer contra a democracia.





Insanidade e desespero da oposição

19 06 2010

Cada vez que eu vejo o deputado Fruet na TV, lembnro de duas cosias: de alguém que esqueceu de tomar o remédio e está prestes a ter um surto e também aquele episódio que mancha a sua biografia dando conta da sua nada salutar prática de confiscar parte dos salários dos ‘seus’ servidores para aumentar o seu mísero salário. Até hoje soa estranho o recuo dos funcionários, mas convenhamos… é algo plenamente condizente com o seu estapafúrdio e vergonhoso papel federal de quarta linha.

Mas nada supera a sua mais vergonhosa pérola: a imbecilidade permanente. Ele, por sinal, tem dois bons e fiéis tucanos que rivalizam com ele na nada nobre arte de protagonizarem o besteirol. Fazem de tudo por aparecer. Um deles é o senador Álvaro Dias, que faz dossiês e depois diz que outros fizeram. E tem ainda o Demóstenas Torres, do Demo-GO, que conseguiu emplacar na Veja, mas lá qualquer porcaria vira notícia, basta pagar como fez o Arruda – por sinal muito amigo de Demóstenes, Fruet e Álvaro. Voltando: Demóstenes inventou a história do grampo de sua conversa com Gilmar Mendes – algo que NINGUÉM tem a coragem de dizer que efetivamente existiu. É um trio, mas se a gente olhar com um pouco mais de estômago, desacobre muitos outros.

Como é sabido de alguns, a oposição tentou infiltrar um agenteseu dentro da estrutura de Dilma. Não conseguiu e para sair de vítima, disse, e a mídia sem vergonha e patife que existe no Brasil aceitou, que eram os petistas que queriam os serviços.

A conversa – sabe-se agora que foram duas conversas – envolveram CINCO pessoas. O que este energúmeno do Fruet fez? Aprovou na Câmara dos Deputados o requerimento para que fossem ouvidos os envolvidos. Qualquer criança sabe que o correto, o decente, o justo e o equilibrado seria convocar os CINCO envolvidos.

Mas o Fruet, mostrando que realmente anda esquecendo de tomar os seus remédinhos, convocou apenas o Onézimo, exatamente aquele que era a figura central da estratégia deles de inserirem alguém dentro do bunker da Dilma e do PT. E não venham me dizer que chamaram o Dadá… ele só vai aparecer quando for convencido financeiramente a referendar a versão que oposição e mídia precisam. Se não aceitar mentir, não será escutado…

Por vezes, a gente fica coma  firme convicção de que a oposição e a mídia já fizeram tudo, já armaram todas as barbaridades e… eles se superam… Mas esta armação, este circo de horrores de escutar apenas uma parte dos envolvidos, de não confrontar versões, de não afzer a devida acareação das partes – esta é uma inovação que demonstra o quanto a oposição – tucanos, demos, boa parte do judiciário e a mídia porca e imunda – está perdida, desesperada e sem rumo.

Imagine-se o que pode acontecer depois de outubro – caso se confirmem todos os indicativos de vitóris de Dilma Rousseff já no 1º turno das eleições presidenciais.

Imagine-se o que este grupo de insanos – do padrão do Fruet – serão capazes de fazer…





Especial de Brasília – Lula comanda a oposição

28 12 2009

Transcrevo o artigo veiculado na Revista Boa Viagem – leitura de bordo, na edição de dezembro. É uma reflexão sobre o vazio que hoje desnorteia a oposição política e a mídia, tornando-os reféns de Lula.

LULA COMANDA A OPOSIÇÃO

Impressiona o vazio de ideias, projetos e pontos de vista próprios da chamada ‘oposição política’ brasileira. Este nihilismo foi cevado ao longo do mandato Lula/PT pela preguiça dos oposicionistas que preferiram ser pautados pela mídia do que pensar pela própria cabeça, e acabou resultando numa doce realidade: é o próprio presidente Lula quem, de fato, comanda e determina a agenda política da oposição.
E o presidente vai se esmerando na arte de tensionar os atores, impondo a eles não a ação que se espera da oposição, mas a reação que interessa ao governo. Ao “antecipar” a sucessão eleitoral de 2010, Lula expôs as divergências internas da oposição, onde o que menos existe é harmonia ou convergência.
Dentre tantos cenários, ficou claro que Serra é hoje mais unanimidade no raquítico PPS do que no seu partido ou no Demo – que funciona como mero apêndice, hoje ainda mais fragilizado para qualquer negociação ou barganha política por conta do episódio que defenestrou Arruda do cenário nacional. Ficou claro também que o governador paulista, a despeito de índices que oscilam de 28% a 36% das intenções de voto, não tem capacidade de agregar novos apoios e assim a tendência é ver seu sonho presidencial ir sendo desidratado pelo crescimento contínuo e consolidado da Ministra Dilma Rousseff.
Os próprios líderes oposicionistas já se deram conta de que acompanhar Serra é estar com os pés no alçapão por onde tende a submergir a candidatura preferencial das elites mais retrógradas deste País. Estes líderes na verdade sabem, amparados em pesquisas que não são reveladas, que o único contraponto possível ao nome de Dilma Rousseff seria do governador Aécio Neves, que surgiria como fato novo, podendo unificar e tonificar os ânimos exauridos dos anti-Lula em vários níveis. Mas o tempo se esvai por entre os dedos e, vingativo, Serra pode anunciar a eventual desistência em um tempo que não possibilite a potencialização do nome de Aécio, enfrentando como Dilma um elevado índice de desconhecimento por parte do eleitorado.
Hoje, o apoio de Serra restringe-se ao peso das pesquisas, porque de modo discreto para a opinião pública, mas de modo intenso e decisivo nos bastidores, os caciques já se deram conta da inviabilidade eleitoral do governador paulista. Até mesmo as pesquisas conspiram contra ele, na medida que apontam no horizonte uma linha de corte no qual as opções de voto em Dilma superam as do ainda líder.
Este é um dado a ser pensado: apenas uma reduzida minoria deseja votar em um anti-Lula, preferindo alguém que represente o aprofundamento das mudanças sociais que o País viveu nos últimos anos e que possibilitou que milhões de brasileiros deixassem a linha da miséria; a manutenção da retomada do crescimento e do fortalecimento da economia; a continuidade de uma política externa independente e capaz de fazer o Brasil ser parte do mundo – enfim, um agente dos tempos modernos e não um exótico mundo desconhecido que chegou ao ponto de ter  Buenos Aires como sua capital.
Quem quer um anti-Lula personificado na candidatura de Serra e na postura dos meios de comunicação, é uma parte de um Brasil que não se deu conta das mudanças estruturais que o País vivenciou – tendo em vista estarem mais preocupados e interessados na manutenção de seus privilégios do que comprometidos com um projeto político. Lula, ao perceber esta cegueira, este reducionismo conjuntural e a extrema incompetência deste grupo ‘anti’ de formular qualquer alternativa política, resolveu ele próprio comandar a pauta da oposição e dos meios de comunicação.
Assim, mais do que ‘bater’ em Lula e no PT, a mídia já se depara com um novo desafio: quem terá interesse em ir ao cadafalso? Ao que parece, Serra e Aécio já fugiram da raia…

Alfredo Bessow é jornalista e escritor.