Agnelo tem o desafio de tirar o GDF do mar de lama

2 04 2011

A Caixa de Pandora, tal qual na mitologia, depois de aberta pela Polícia Federal como parte de uma operação, está revelando toda a podridão que tomou conta da política no DF – depois de janeiro de 1999, quando a Capital de todos os brasileiros foi governada por Roriz durante oito anos, Arruda três, Wilson Lima alguns dias e Rogério Rosso poucos meses.
Mas, ao contrário do legado grego, é preciso mantê-la aberta. Tenho para mim, que depois de todas as revelações, há de sobrevir a esperança. Não é possível que nós, brasiliense, não tenhamos razões de continuar acreditando em um novo tempo.
Estive ontem à tarde em um evento no Buriti. Não tive estômago para ficar mais do que meia hora no local.
Confesso que fiquei enojado vendo figuras que se locupletaram nos governos podres que transformaram Brasília em sinônimo de lama e corrupção andando com perversa desenvoltura pelos corredores de um Palácio hoje ocupado por um governo que deveria portar-se unicamente pelo padrão ético. E o que mais me apavorou foi ver como algumas pessoas são facilmente seduzidas pelas amplas ramificações da bandidagem.
Estes últimos 12 anos serviram para enraizar uma cultura de podridão entre a classe política que certamente vai acabar atingindo muitos dos que usam discursos de moralidade. Que a sociedade faça uma limpa, mas é vergonhoso como o eleitor é manipulável, como ele aceita trocar seu voto por uma promessa, por um benefício ou simplesmente por dinheiro.
É ruim que continuem na equipe de Agnelo pessoas que tem sido constantemente acusadas de atos de clara improbidade – mantendo-se sob a ameaça de que, sem espaço, passariam para a oposição. Não entendo como pode o governo Agnelo estar tão capenga em termos de negociação política. Não tem lógica esta ambição e querer construir um governo com 22 dos 24 distritais na sua mão.
Já disse isso e volto a repetir: de que adianta o apoio de Agaciel Maia, por exemplo, se ele na verdade é controlado politicamente por Pedro Passos – seu apoiador e financiador? Nos corredores da Câmara Legislativa fala-se abertamente que o mandato de Agaciel é ‘cuidado’ por Pedro Passos – e ele sabe usá-lo indicando apaniguados seus para a Secretaria de Agricultura, para administrações regionais. Qual a vantagem de contar com o apoio de Benedito Domingos, político que usa a sigla para fazer negócios e beneficiar familiares? Estes são apenas dois casos, mas poderíamos aqui discorrer sobre como a casa legislativa do DF tem prazer em chafurdar na lama.

Mais escândalos

A cada nova semana, um festival de denúncias.
A cada dia que passa, mas podridão vem à tona.
Segundo um velho conhecido da Receita Federal, já aposentado, os desvios no DF seriam superiores a R$ 30 bilhões – entre subornos, corrupção, desvios, aumento de gabaritos de prédios, remissão fiscal e tributária, tráfico de influência, etc.
E que o meio mais seguro para lavar este dinheiro é através de fazendas com criação de gado, lojas em shopping (consta que um ex-secretário dos governos Roriz e Arruda é dono de 10 lojas em um só shopping no DF, todas elas em nomes de laranjas), aquisição de imóveis e carros através de consórcios.
Talvez isto explique porque no DF está o metro quadrado construído mais caro do País – havendo apartamentos que são vendidos por R$ 14 mil o metro quadrado. Sempre tive curiosidade em saber se a desculpa de que o terreno encarece a construção poderia justificar tal absurdo. Ao encontrar um engenheiro/empreendedor, divaguei sobre valores e cheguei a conclusão de que o que encare a construção civil do DF são os chamados sócios ocultos.
A coisa funciona mais ou menos assim: alguém entra com um projeto numa administração regional ou órgão do GDF. Para o documento andar, começam a ser feitas concessões. Para quem não sabe, cada administração regional é nicho comandado e controlado por um distrital. Assim, para que o documento seja liberado e a autorização para a obra saia, o empreendedor é obrigado a dar apartamentos que são escriturados em nome de laranjas, ou igrejas, ou empresas…

Hora de dar um basta!

Terá Agnelo coragem e força para dar quebrar esta cadeia?
É difícil saber, porque a corrupção acabou empoderando pessoas que hoje detém mandatos parlamentares. E foi de atl forma letal que acabou seduzindo até mesmo deputados e políticos do próprio partido do Governador. Para romper todo este esquema, apenas com transparência e sem passar a mão na cabeça de aliados. Existe uma engrenagem carcomida, com dentes podres e alavancas invisíveis, entraves com vida própria.
A saída do Secretário de Desenvolvimento Econômico dá bem uma dimensão do poder desta máfia. O mesmo acontece em áreas como da Agricultura, Terracap, Saúde, Obras, Transporte, Educação, Tecnologia… Sei de histórias escabrosas que são contadas por pessoas que descobrem fatos e percebem que o comando destas estruturas corrompidas continuam nas mesmas mãos que estavam nos últimos anos, a mostrar o quanto esta rede de proteção criminosa detém de poder.





DF: Teremos um governo ou um frankenstein?

8 12 2010

Enquanto o governador eleito do DF, Agnelo Queiroz, não divulga o nome dos seus secretários – e tendo em vista que estranhamente em lugar de ter um assessor de imprensa ou uma assessora de imprensa ele preferiu colocar uma funcionária do Correio Braziliense que só repassa informação para os jornalistas do ‘seu’ jornal – o que conta mesmo no DF é o festival de boataria.
Alguns são aterradores, como por exemplo a informação de que André Clemente, atual titular da Secretaria da Fazenda do GDF e que vai passar para Agnelo o caixa do GDF com um rombo da ordem de R$ 1 bi deverá continuar comandando a pasta. Para quem não sabe, André Clemente foi transformado em secretário de Rosso atendendo pedido do Senador Gim Argello (PTB) – e que agora caiu em desgraça. Ous eja: a se confirmar o fato, Agnelo Queiroz terá como secretário da Fazenda alguém comprovadamente ligado a Gim – que foi defenestrado da relatoria do Orçamento da União por estripulias financeiras com emendas.
Ou seja: o slogan de campanha anunciando um novo caminho pode ser na verdade um caminho seguro para Agnelo ser engolido pela corrupção que marcou os últimos 12 anos no DF – inclusive no ‘interino’ Rosso a quem André serve, indicado por Gim.





Os dilemas de Roriz

9 09 2010

Quando resolveu, em ação combinada com Durval Barbosa, defenestrar Arruda e seu grupo político – aproveitando também para se livrar de alguns compromissos que impunham mais ônus do que bônus (neste caso se insere a destruição pública de Eurides Brito, Brunelli, Leonardo Prudente, Pedro do Ovo, Berinaldo Pontes, Rogério Ulisses, entre outros, e mesmo alguns empresários como JC Gontijo) – Roriz jamais pensou que o tiro na realidade teria o efeito bumerangue e, por conta da nova percepção política que a sociedade adquiriu a partir dos vídeos, o que ele (Roriz) pensou ser uma forma de deixar o seu caminho livre para voltar ao Buriti, na verdade está sendo o veneno que o está matando.
Cabe lembrar que a chamada ‘lei da ficha limpa’, que é apenas o complemento de uma lei anterior e que trata da questão das condições de elegibilidade, andou mesmo depois dos vídeos que Durval e Roriz colocaram ao dispor da sociedade. E foi por pressão e imposição da sociedade que os congressistas aprovaram esta Lei. Ou seja: ao matar Arruda e seu grupo, Roriz se envenenou e ficou isolado.
Esta é a percepção da realidade que hoje vivenciamos: Roriz, o ficha-suja, se esvai politicamente pela incapacidade de aglutinar. Ao tentar manter viabilidade eleitoral, Roriz matou todos aqueles que antes lhe davam sustentação. Basta ver a votação dos que Roriz foi matando. Percebe-se que Roriz tem poucos votos e vai ter cada vez menos – quanto maior for a truculência do seu grupo de ataque.
O dilema de Roriz – com derrotas no TRE-DF, TSE e agora no STF – é como sair fora, buscando eleger as duas filhas. Com poucos recursos, Roriz está reduzindo as ações e aparições públicas, inclusive por falta de agenda, e mesmo muitas das bandeiras usadas são antigas, velhas. Ele pode continuar na disputa, tenatndo reverter pesquisas, eleger-se e antes de ser caçado, renunciar e entregar o GDF para Jofran, o seu vice, que na realidade seria um reles boneco, fazendo tudo aquilo que o verdadeiro governador determinar. Pode colocar alguém em seu lugar e assim se dedicar de corpo e alma na eleição das filhas.


Em tempo: mais sorte teve Maria de Lourdes Abadia, do PSDB, que terá a sua situação relatada, no STF, por Gilmar Mendes, seu companheiro de partido, de militância e de conduta…





Passe Livre – Edição 433

25 05 2010

A edição desta semana – nº 433 – do Jornal Passe Livre traz em destaque a análise do que acontece em Brasília, com ênfase na constatação de que o verdadeiro criador do Mensalão do Dem(o) é Joaquim Roriz – o único palanque de Serra na Capital Federal. Os ex-integrantes do Governo Arruda, inclusive, migramn todos para a candidatura de Roriz – de onde saíram.

Sempre lembrando que o Jornal Passe Livre circula em Brasilia desde 1998, edição semanal e tiragem de 30 mil exemplares distribuídos na rodoviária urbana da Capital Federal.