A política como um negócio meramente familiar

27 03 2011

Não sei se é pelo fato de eu estar entre aqueles milhões de brasileiros que precisam trabalhar – e muito! – para garantir o meu sustento e o de minha família; não sei se é pelo fato de eu, a exemplo de milhões de brasileiros, não compreender a mágica do enriquecimento de algumas pessoas; não sei se tem algo a ver com minha dificuldade com a matemática desde os tempos que tive aula com a profª Domitila Rodrigues, lá no Ginásio Agrícola Gastão Bragatti Lepage; não sei se ficou faltando algo do período de confirmação com o Pastor Elmer Nicodemus Flor ou de minhas conversas com o também Pasor Aragão… mas a verdade é que não compreendo a cínica mágica de pessoas que sobrevivem, enriquecem, engordam patrimônio e ainda têm lucros sem jamais terem trabalhado.
Uma reportagem hoje, domingo dia 27, veiculada no Correio Braziliense pode ajudar um pouco a revelar esta mágica. Mas ela se refere apenas ao universo de uma família e sua ramificação no DF. Vou colhendo tantos exemplos de pessoas que nunca trabalharam e continuam bancando campanhas milionárias. Possoaqui citar uns 30 nomes, como os de Pedro Simon, Esperidião Amin, Álvaro Dias, José Serra, César Maia e seu filho Rodrigo, Aécio Neves, Marconi Perillo, ACM Neto, José Sarney e seus filhos Roseana e Zéquinha.
É importante que a gente se dê conta e se revolte contra uma perversa realidade: a nossa elite dirigente só briga quando está fora do poder por não ter acesso a benesses. Vejam o caso do velho e nada saudoso ACM com a OAS, corretamente de Obras para os Amigos do Sogro.
Por esta razão, sou totalmente contra toda a reeleição.
Na minha forma de entender o mundo, a pessoa deveria disputar um mando e ao fim do seu exercício deveria ficar igual período em alguma atividade produtiva – comprovando a manutenção do padrão de renda. Só depois ele poderia voltar a se candidatar outra vez. Já disse isso e vou repetir: vereador, deputado estadual ou distrital, deputado federal ou senador que saísse do seu cargo durante o mandato teria de renunciar.
A reportagem do Correio Braziliense deveria servir para uma demorada reflexão sobre estas pessoas que fazem da política a profissão e mesmo com o baixo salário, enriquecem, adquirem patrimônio e vivem impunes.

Organograma da Câmara Legislativa revela uma teia de apadrinhados políticos
Lilian Tahan

Ricardo Taffner

Publicação: 27/03/2011 08:16 Atualização:

Antônio Abrão Hizim é advogado, faz bico como vendedor de couro, mas o que tem lhe ocupado a maior parte do tempo desde janeiro é a rotina na Câmara Legislativa. Irmão da distrital Celina Leão (PMN), ele cuida de assuntos administrativos no gabinete da parlamentar, que mal inaugurou o mandato e já entrou na mira do Ministério Público e da Polícia Civil por suposto envolvimento em desvio de dinheiro em Samambaia e suspeita de conivência com a manutenção de servidores fantasmas na época em que era chefe de gabinete de Jaqueline Roriz (PMN).

Como outro funcionário qualquer, Abrão Hizim dá expediente na Câmara Legislativa. Sempre com uma pastinha debaixo do braço, circula com desenvoltura pelos gabinetes dos colegas de Celina. Foi Abrãozinho, como é tratado carinhosamente pela irmã, quem esteve à frente, por exemplo, da negociação de cargos e salários dos funcionários que compõem a equipe da deputada. Apesar da função que exerce, esse não é um caso clássico de nepotismo. Simplesmente porque Abrão não está formalmente contratado pela Câmara. Faz um “trabalho informal” e recebe “uma ajudinha financeira” da irmã. Abrão é casado com Camila Calazâncio, uma das enteadas de Manoel Neto, que era empregada do gabinete de Jaqueline Roriz entre 2007 e 2010. “Sou representante de couro aqui em Brasília, mas como meu trabalho é muito por telefone, acaba me sobrando tempo”, disse Abrão ao Correio. A deputada contou que recompensa a dedicação do irmão. “Abrãozinho me ajuda muito desde a campanha. Sempre que posso, pago umas contas para ele”, disse Celina.

Irmãos

A situação de Abrão é apenas uma das esquisitices do organograma montado pelos distritais com os cargos comissionados. Outra excentricidade: trabalham no gabinete de Celina três irmãos. Dois deles, Sandro de Moraes Vieira e Sílvio de Moraes Vieira, estão lotados lá oficialmente. O terceiro, Alcidino Júnior, tem rotina parecida com a de Abrão. Cumpre tarefas na Câmara em nome de Celina, mas não está oficialmente no gabinete. Na última terça-feira, Maria Balbina de Moraes Vieira foi nomeada com CL 14 de R$ 8,6 mil para a secretaria executiva da Comissão de Ética e Direitos Humanos da Câmara. Maria é mãe de Sandro, Sílvio e Alcidino e foi indicada para o cargo por Celina Leão, que é a presidente da Comissão. Antes, a família Balbino, como é conhecida na Câmara, era vinculada ao gabinete de Eurides Brito, cassada no ano passado por ter embolsado o dinheiro de Durval Barbosa.

Juninho, o Alcidino, não pode ter vínculo formal na Câmara, pois estaria em estágio probatório de três anos como técnico penitenciário. Conseguiu licença do emprego na Secretaria de Justiça sob o argumento de exercer atividades para o sindicato que representa a categoria. Porém é visto no dia a dia da Câmara, tendo acesso, inclusive, ao plenário, que é restrito a servidores da Casa ou do GDF com atuação na área parlamentar.

Jaqueline Roriz foi eleita para a Câmara dos Deputados, mas deixou herança no Legislativo local. Acomodou uma de suas afilhadas no gabinete da irmã Liliane Roriz. Angélica Veras dos Anjos era assessora de plenário de Jaqueline. É requisitada do Serviço de Limpeza Urbana (SLU) para atuar no Poder Legislativo. Entre os colegas, é vista com desconfiança. Há quem acredite que ela ainda mantém vínculos políticos com Manoel Neto, marido de Jaqueline e desafeto de Liliane, de quem é cunhado. Outra ex-funcionária de Jaqueline também foi mantida na Casa. Fabíola Pereira dos Santos ficou alojada no gabinete de Celina Leão por 11 dias e depois foi transferida para o bloco Avanço Democrático, do qual a deputada faz parte.

Engano

Jorcelino Teixeira dos Santos foi nomeado em 3 de fevereiro para o CL 3 no gabinete do distrital Raad Massouh (DEM). Ficou pouco tempo, apenas cinco dias, com um fim de semana no meio, mas o suficiente para causar estranheza. Em dezembro do ano passado, descobriu-se que Jorcelino era caseiro de Manoel Neto, mas recebia salário de R$ 2,8 mil. Ele é casado com Sandra Ribeiro Soares, que era lotada no gabinete de Jaqueline com salário de R$ 12 mil, mas trabalharia como empregada doméstica da então distrital. Raad Massouh disse que a nomeação de Jorcelino foi um erro. “Trata-se de um equívoco da minha chefe de gabinete, Ana Maria, reconhecido por ela própria. Nunca vi essa pessoa, nem sabia da existência dela. Não mandei nomear nem exonerar. Penso que alguém tenha tentado plantar esse funcionário em meu gabinete. Mas não colou, pois o erro foi corrigido de um dia para o outro.”

A teia de apadrinhados é comprida e complexa. Leny Eiró Dias de Oliveira pertencia ao gabinete de Jaqueline Roriz e foi nomeada para trabalhar com Celina Leão. O marido de Leny, José Flávio de Oliveira, é o chefe de gabinete de Liliane Roriz. Pessoa da confiança de Joaquim Roriz, ele trabalhou como secretário de Assuntos Parlamentares do ex-governador, de quem foi tesoureiro na campanha.

Giselle Ferreira de Oliveira trabalhou com Jaqueline Roriz e hoje está com Washington Mesquita. Ela é filha de Vera Lúcia Ferreira, que é apontada por ex-colegas de ter agido como laranja no gabinete de Jaqueline. O caso está sob investigação. Poliana Oliveira Melo atua como secretária parlamentar no Bloco Avanço Democrático na cota de Olair Francisco. Na legislatura passada, Poliana foi uma das principais servidoras do gabinete de Jaqueline, tendo, inclusive, chefiado o gabinete da então distrital. A permanência dela na Casa, no entanto, não pode ser atribuída a Jaqueline. Poliana se desentendeu com Manoel Neto.

Olair ainda ficou com o espólio de Júnior Brunelli, que assim como Eurides Brito, saiu do cenário político por ter se envolvido no escândalo da Caixa de Pandora. Getúlio Soares Novaes Frota foi chefe de gabinete de Brunelli e agora trabalha com Olair. Esses são alguns dos casos em meio a muitos semelhantes. Sinal de que os deputados até passam, mas os laços continuam.





A cegueira e a política

7 02 2011

Um dos enigmas do exercício do poder é a forma como a cegueira se instala nos entes políticos, guindados a postos de mando e comando muito mais por forças das contingências do que por competências e capacidades. Para alguns, esta cegueira, que vem acompanhada por amnésias residuais e pontuais, é inoculada pela picada da chamada mosca azul – ainda que eu considere a cor apenas um preconceito contra o Grêmio, tendo em vista que existem moscas inoculadoras verdes, vermelhas, amarelas, pretas, brancas…
Em alguns casos, a cegueira já é esperada – tendo em vista que seu surgimento é parte do comportamento de pessoas, que só calçam eventuais sandálias de humildade em tempos de campanha. Depois, voltam ao mesmo patamar de arrogância e prepotência. Não aprendem com os erros e querem aplicar estratégias e colocar em prática opções que não deram certo, que naufragaram em outros locais.
Este é um dos riscos mais perversos, uma vez que eles acabam trazendo ônus não apenas para si ou para seu grupo político, mas, via de regra, acabam comprometendo um projeto todo – que é muito maior do que seu ego ou suas necessidades de mostrar pleno comando de situações. O que mais assusta em tais circunstâncias é que as lições dos outros nunca são aprendidas e as práticas acabam sendo repetidas – mesmo quando já se sabe de ante-mão qual a nhaca que dará.
E antes que digam ou pensem em A ou B, é bom cada um olhar para sua própria prática – porque este é outro problema sério que esta cegueira causa: ela torna as pessoas com olhares tão perscrutantes em relação aos outros que acaba gerando miopia acelerada e preconceituosa.
O único antídoto para tais situações está na crítica externa, tendo em vista que a cegueira de um líder de governo, facção, partido ou tendência acaba cegando os que estão sob a influência do ‘cego’. Nisto reside outro problema: a cegueira também gera um desvio de comportamento no qual uma eventual crítica não é vista como algo saudável, mas apenas como perfídia.
Assim, por conta da cegueira causada pelo poder, busca-se impor como norma de comportamento uma espécie de ‘espiral do silêncio’ adequada a circunstâncias e contingências, onde o politicamente correto acaba gerando conformismos e bolsões de revolta sufocados pelas conveniências. É nesta perversa junção de cegueira, poder e conveniências que se gesta o naufrágio de governos, de sonhos e de projetos.
E ninguém quer assumir a responsabilidade depois, mas acaba em verdade é se omitindo antes e durante.
(artigo publicado no Correio do Metrô, edição 396)





Brasil 2010: mídia, tucanos e parcelas do Judiciário contra os brasileiros

18 09 2010

Posso estar enganado, mas os sintomas de esquizofrenia, de histerismo, de desconforto, de mágoa, de frustração e mesmo de impotência que a trinca formada pela mídia, pelos tucanos e uma parte do Judiciário (e por dever de ofício também o MP que já tem suas bandas podres, como é perceptível no caso do DF, em SP, no RS e outras unidades federativas) expõe no dia-a-dia tem a ver com o comportamento de pessoas, entidades e setores sociais que, de repente, se deparam perdidos no tempo e espaço. Olham para o lado e não enxergam mais quem eles nos seus devaneios viam ali, sempre ao dispor para servi-los. Olham no espelho e a imagem mostra não mais o retrato idealizado, mas a faceta do desespero e do medo. Sem saber como agir, reagem do modo como adrede reagiam: com a mentira, apelando para a truculência. Fazendo da desinformação e da massificação do medo ou de meias verdades seu grande argumento de perpetuação de um sistema excludente onde o Brasil e os brasileiros serviam aos seus objetivos e atendiam às suas necessidades.

Se cada um de nós fizer uma viagem ao seu próprio passado haverá de se encontrar imerso em situação semelhante como, por exemplo, ao ir a uma festa e de tão envolvido com o reencontro de amigos e amigas, não se deu conta de tudo que estava rolando ao redor e nem mesmo que todos, ao spoucos, foram embora e ficou apenas aquele grupinho. Falavam de si para si e assim continuaram. É como aquela cena da banda tocando no convés do Titanic. Assim aconteceu com a malta de tucanos, seus mentores da mídia e seus guardiões do Judiciário – uma estrutura viciada que demandará uma assepsia profunda por parte dos brasileiros, sob pena de se tornarem antros de práticas sabotadoras aos avanços sociais que, mesmo que lentamente, vão sendo implementados em nível nacional.

Não viram que o mundo mudou. Ficaram imersos e satisfeitos em compartilhar bravatas entre si, certos de que na hora decisiva poderiam arrebanhar o povo-gado e tratá-lo como sempre trataram: com migalhas, com mentiras, com a promessa de que enfim o bolo seria cortado (na infeliz expressão cunhada segundo se diz por Delfim Netto). O que estamos vendo hoje – e nisto reside a diferença – é que o bolo vai sendo cortado na medida em que vai sendo feito e quem ganhou alguma fatia deste ‘novo’ bolo, ajuda a fazer o próximo bolo.

Os tempos mudaram.

Cada qual ao seu tempo e ao seu modo tinha uma razão que o fazia ter a consciência de que deveria estar e permanecer ‘colado’ ao grupo de afinidades – inclusive como auto-defesa. A mídia, por exemplo: Em lugar da ‘liberdade de imprensa’, razão de tantas lutas nos tempos de aluno de comunicação, erigiu como única bandeira a ‘liberdade de impressão’ (no sentido de imprimir o que lhes convinha). Sentindo a incompetência da oposição política, a mídia resolveu criar uma agenda midiática para a oposição, apostando que conseguiria derrubar o governo Lula/PT. Se faltam conteúdo e capacidade política para um Álvaro Dias, para um Arthur Virgílio, para um Heráclito Fortes, para um Pedro Simon, para um Jarbas Vasconcelos, não lhes falta cinismo e nem a capacidade de serem marionetes do circo de horrores que a mídia criou. Eles se prestam ao papel de ficarem no papel de atores medíocres de um circo de horrores onde desempenham o papel de palhaços manipulados. No picadeiro, os homens públicos da oposição viraram ‘atores’ a levar entretenimento aos donos dos jornais, aos editores dos telejornais. Em lugar de uma ação política, da elaboração de uma agenda política, optaram por uma aliança de vaidades.

Ficaram restritos ao circo, esquecendo que o povo estava sendo alimentado (a parte do pão) por quem estava disposto a dar doses diárias de cidadania, de dignidade e de esperança. O povo cansou do circo, porque aprendeu que ali seu papel era o de se portar como parvo. E o povo passou a entender que o pão era também o passaporte para a construção de sonhos, para a transformação real. E deixou de lado os animadores de auditório que, a bem da verdade, queriam se portar como formadores de opinião.

A cada dia, a caixa do meu e-mail recebe centenas de mensagens e estou entre aqueles que acesso até mesmo a listagem de spam para ver se tem algo que possa ser útil. E me dou conta de que a velha mídia está mais raivosa do que nunca, com seus articulistas tomados pelo ódio e pela sensação de impotência. E isto se reflete entre pessoas que compõe o que eles chamam de ‘bastiões da ordem’ – e aqui posso colocar seitas religiosas (católicas, evangélicas, piromaníacos e obscurantistas em geral), confraria como a maçonaria (que aceita tudo, menos a Deus, visto que sua aliança é com o dinheiro e seu poder sobre os homens – louvando ao diabo como guia e referência e tratando de demonizar e criminalizar os movimentos sociais, desvirtuar e tratar com preconceito as políticas de inserção social que possibilitam a continua melhoria da condição de vida dos brasileiros. É como se alguém com fama de garanhão, de repente ‘falhasse’ diante de uma mulher bonita, linda, sensual e cheirosa. Esta é a percepção que tenho ao ler o conteúdo de alguns e-mails que me chegam de amigos com pensamento totalmente diverso do meu e que, percebo, gostam de se sentir manipulados. Se sentem impotentes e tratam de culpar a mudança climática e a camada de ozônio para justificar a disfunção cerebral que os cega e os encoleriza.

Sem credibilidade

A mídia ainda não se deu conta de que perdeu o tempo. O seu poder está se esvaindo e vai se esvair ainda mais – agora pela perda de credibilidade, pela opção pela desinformação. Se o maior patrimônio de qualquer meio de comunicação é a credibilidade, o que restará depois de 3 de outubro a jornais como Folha, Estadão, Zero Hora, O Globo; revistas como Veja, Época; TVs como Globo e suas afiliadas, Band; emissoras de rádio como CBN e rede Eldorado e este antro de comunicação que é o conglomerado RBS que empestilha e manipula os sulistas?

E mais… o que será dos jornalistas, os comentaristas de ocasião, bocas de aluguel que se jactam de riquezas auferidas pela conivência com um projeto político que o País rejeito? Qual a credibilidade de figuras patéticas que hoje ocupam lugar de destaque como os comentaristas do caos do padrão do Merval, do Reinaldo, Sardenberg ou pastiches do porte, perfil e imbecilidade de um Bonner, Casoy ou mesmo Carlos Nascimentos, ou arrogantes como Waak e suas subservientes coleguinhas de bancada?

Será ruim para o País não ter uma oposição política responsável e que faça política, discutindo e se contrapondo ao governo federal. Percebendo este vazio, Aécio já se adiantou e está tratando de criar um novo partido político e que faça uma oposição moderada – que pode ser entendida também como oposição responsável.

O adeus ao PSDB

O sempre competente Luis Nassif postou em seu blog um artigo pertinente sobre esta débâcle da dupla PSDB e mídia. Tenho para mim que faltou fazer uma abordagem sobre o naufrágio de segmentos do Judiciário. O artigo pode ser acessado pelo link http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-fim-um-ciclo-em-que-a-velha-midia-foi-soberana – e cabe destacar a análise em forma de réquiem ou epitáfio: “Daqui para frente, o outrora glorioso PSDB, que em outros tempos encarnou a esperança de racionalidade administrativa, de não-sectarismo, será reduzido a uma reedição do velho PRP (Partido Republicano Paulista), encastelado em São Paulo e comandado por um político – Geraldo Alckmin – sem expressão nacional.”

Sobre Alckmin pode-se ainda colocar outro estigma que impede sua transformação em liderança de porte e abrangência nacional: além do seu reducionismo mental, pesa contra ele (e tantos outros) a vinculação com a Opus Dei – o que sempre é o risco em se tratando de um País como o Brasil, com reconhecida tolerância religiosa, mas que luta para se manter enquanto estado laico.

Ficha limpa também no Judiciário

Por fim, ainda que apenas de modo bem preliminar, algumas palavras sobre a terceira perna desta estrutura de poder que sempre esteve a serviço das elites tão bem representadas por siglas como PSDB, Demo, PPS, PTB. Esta perna oculta que é o Judiciário busca impor a judicialização das campanhas, onde de repente a vontade, as conveniências, os interesses ou os acordos de um ministro tem mais valor e peso do que o voto de milhões de brasileiros.

Houve sim a partidarização política do Judiciário. E isto não foi culpa do Lula e desta grande mentira chamada de aparelhamento. Quem aparelhou o Judiciário foi Collor, designando ministro alguém como Marco Aurélio – vale a pena observar qualquer julgamento no STF ou TSE a forma venal como ele se porta, jamais aquietando, sempre tentando buscar alguma forma de aparecer, se metendo no voto dos outros ministros, não aceitando a argumentação. Depois foi FHC que colocou como magistrados pessoas a ele vinculadas politicamente – e neste caso vale lembrar Jobim e Gilmar Mendes, que atua como uma espécie de ministro particular de Dantas e dos interesses tucanos.

O Judiciário precisa ser oxigenado. E não será o CNJ-Conselho Nacional de Justiça que irá conseguir romper estas barreiras, porque ele tende a assumir cada vez mais um papel de instrumento para legitimizar o corporativismo e não para abrir o Judiciário para a fiscalização da sociedade. Cabe sempre lembrar que naquele vídeo do Arruda pegando o dinheiro existem 3 segundo no final que mostram o que é o Judiciário – quando Arruda diz que se trata de dinheiro para pagar ministros do TSE. Ou alguém pensa que é diferente?

É chegada a hora de terminar com certos absurdos como por exemplo a pena máxima a qual está sujeita um ‘magistrado’ é a aposentadoria com proventos. Isto não é pena. É prêmio.

Como romper?

Será apenas através da efetiva mobilização da sociedade que conseguiremos implementar estas mudanças. Como bem disse o Lula, é hora de extirpar pelo voto os demos da vida. É hora de implementar uma campanha de boicote contra empresas que anunciam nestes veículos de comunicação – a começar pela obrigatoriedade do Governo Federal de não anunciar neles. Quanto ao Judiciário, será necessário ampliar a pressão e a fiscalização – mecanismos básicos e necessários para que ele se torne democrático e volte a ter credibilidade.





PASSE LIVRE edição 447

18 08 2010

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Arruda e Yeda, símbolos marcantes

25 12 2009

Dois governadores – um eleito pelo Demo e outra pelo Psdb – mostram claramente a face mais perversa do modelo de governo que a mídia e a oposição querem de volta em 2010. Os dois trazem o dna da corrupção, da mentira e de uma aliança espúria com os meios de comunicação. É vergonhosa a forma conivente como os meiosd e comunicação do DF e do RS tratam os dois ‘governantes’ – ambos flagrados cometendo toda sorte de delitos.

Yeda está com o corpo todo na lama – com episódios como a compra d euma mansão, o caso do Detran, a arapongagem de adversários e uso da truculência pela BM (que no RS não existe PM, mas sim a Brigada Militar). Arruda é um caso atípico, onde o que mais existe é motivo de vergonha. No caso dele há algo que o próprio Lula deveria se preocupar: como pode a União bancar a PM e o Governador usá-la contra o povo?

Houvesse um meio seguro de mensurar a dimensão da performance criminosa dos dois, certamente haveria empate. A paulista Yeda Crusius, que a RBS comandada por Pedro Parente (ex-Chefe da Casa Civil do defenestrado FHC) e com algumas bocas de aluguel como Lasier Martins e outros igualmente abjetos, é um símbolo acabado da decadência gaúcha comandada pelo monopólio da comunicação no Sul.

Para entender o empobrecimento moral dos gaúchos, a perda de sua auto-estima, o fim de sua cantada e propalada ‘maturidade política’ é preciso entender, avaliar e se debruçar sobre como os veículos da RBS trabalham em sua programação para a bestificação dos gaúchos. Se alguém considera a programação da Globo de baixo nível, tendenciosa e omissa coma verdade, multiplique-se por muitos pontos e se terá uma vaga idéia do que é a RBS – tanto no RS, como em Santa Catarina.

A perversidade da ação deste grupo é tamanha que acabou com toda a diversidade da informação, comprando ou ‘matando’ os jornais que existiam em cidades pólos, como Santa Maria, Passo Fundo, Caxias, Pelotas e Santa Cruz do Sul. Não por acaso, nestas cidades o PT enfrenta uma fadiga eleitoral por conta da opção dos veículos em apoiar abertamente candidatos reacionários e que assumam o compromissos de drenar boa parte dos recursos de publicidade e de comunicação para os veículos do ‘grupo’ – quando não são responsáveis pela indicação dos secretários de comunicação. Que os indicativos da Confecom contra toda forma de monopólio sejam prontamente aplicados no RS…

No caso do DF, a  relação não é menos promíscua – envolvendo também boa parte dos chamados jornais comunitários, que recebem a PI de algum anúncio e a indicação das matérias a serem veiculadas. Nada se sabe do que aocntece fora da vontade oficial.





Nós e nossa cara de palhaços

24 12 2009

A cada novo dia cresce a percepção de que boa parte da classe política trata a nós, eleitores, como palhaços. Para muitos, política é apenas um circo mambembe onde desempenham papéis. Não sei se alguém já foi assistir alguma encenação nestes circos que andam pelas periferias ou visitam as cidades do interior. São situaçõs grotescas, onde o público se deleita não pela qualidade do espetáculo, mas exatamente pela parte ‘bufa’, pelo erro, pelo grotesco.

Esta é a imagem que se consolida quando observamos de modo desapaixonado o comportamento dos políticos aqui do DF flagrados no episódio da corrupção e do mensalão do Demo. Ao contrário do que teima em veicular boa parte da mídia, não é similar o episódio que envolveu o PT e agora o Demo e o Pmdb e antes já havia colocado o Psdb no rol dos malfeitores.

Imaginemos, por mais impossível que seja (até por sua formação pessoal) se houvesse qualquer imagem de deputados ou senadores recebendo dinheiro durante aquele período no qual houve a tentativa de golpe contra o Governo Lula/PT. Imaginemos se houvesse uma assinatura trocando apoio financeiro por comprometimento publicitário. Imaginemos se houvesse uma Lista de Furnas… A mídia teria incendiado este País com a sua versão apenas.

No caso do DF, há deputados pegando dinheiro (filmagens sãotambém no tempo do Governo Roriz), botando nas meias, há um governador pegando dinheiro, há pessoas indicadas pelo vice-governador fazendo o reparte, há menção específica sobre a voracidade por dinheiro do vice… e a mídia silencia.

Este espisódio de ontem, quando o patético Leonardo Prudente ‘pede’ desfiliação e anuncia que vai voltar à Presidência da Câmara Legislativa é destas coisas vergonhosas, enojantes e que mostram o desprezo que certas pessoas tem para com a sociedade. E os outros… inclusive o vice, Paulo Octávio?

E o que vai fazer o Pmdb que teve uma meia dúzia de seus ‘históricos’ flagrados com a mão na grana? E a Executiva Nacional não vai investigar as denúncias contra Michel Temer? O que será que eles temem?

Neste episódio todo, lapidar foi APENAS o comportamento do Psb, que defenestrou de seus quadros alguém citado em conversas e com uma prática adesista ao Governo Arruda que sempre gerou suspeitas.

Nós somos, definitivamente palhaços…





A sinuca do Demo

23 12 2009

Faltando cerca de 3 horas para o início da reunião do Demo-DF que deve selar o destino de Leonardo Prudente, salta aos olhos a convicção de todos que o distrital do dinheiro nas meias irá mesmo pedir desfiliação, evitando submeter-se à expulsão que é tida como ‘mais do que decidida’.

Resta ao Demo-DF uma questão que se mostra mais delicada: o que fazer com P Ó – Paulo Octávio, o vice de tantas citações e práticas não condizentes com um cargo desta envergadura e que já mandou avisar reiteradas vezes que ninguém dentro do partido tem idoneidade para expulsá-lo ou para dizer o que ele deve fazer.