A estranha mania de bajular

12 08 2010

Observando o comportamento da mídia nacional – em suas manifestações de desenfreada parcialidade e partidarização, a despeito de uma cínica defesa da imparcialidade, neutralidade e democracia/liberdade – não tem como não culpar o Governo Lula e o PT pela manutenção de uma mesmice no que diz respeito aos meios de comunicação. Depois reclamam do tratamento que o Jornal Nacional, que a Veja, que a Globo e que o escambau destina ao veicular informações, ao manipular notícias e dados, ao entrevistar quem tenha qualquer vínculo ou relação com o Governo Federal.
Todos nós desejávamos que os deuses petistas tivessem aprendido que não adianta bajular, puxar o saco e babar os ovos dos donos da verdade. Mesmo tendo assumido, governado e reinado em municípios, estados e mesmo em nível federal, a verdade é que os petistas são sábios demais para aprender com os próprios erros e ególatras demais para ver os erros alheios e deles tirar lições.
Trata-se de algo doentio em termos de PT – e num certo sentido, algo que se repete em termos de PSB, PDT e outras siglas do consórcio amplo do chamado campo popular e democrático. A verdade é que os salamaleques dos poderosos, suas roupas bem cortadas, suas secretárias sempre obsequiosas, os presentes e cortesias acabam servindo para embotar a realidade e quando chegam ao poder – qualquer nível de poder e isso se dá também em boa parte dos sindicatos e mesmo na CUT se observa a obtuosidade com que a comunicação é tratada – deixam do lado de fora, de preferência na lata de lixo mais próxima, qualquer esboço ou idéia de fortalecer os meios e mecanismos alternativos de comunicação. Parece que existe o medo de ver algo surgir sem que possam manipular, usar ou assumir a ‘paternidade’.
Em lugar de ter uma política de fortalecimento de meios de comunicação alternativos, fomentar a criação de novas redes e assim quebrar a hegemonia da informação que é usada para a desinformação sistemática, percebe-se que os partidos ‘das esquerdas’ optam por se iludir, pensando que os empresários trocarão de lado pelo dinheiro. Ou abandonarão suas arcaicas e carcomidas ideologias em troca de uma visão de mundo coletiva.
Assim foi em São Paulo (prefeitura), Porto Alegre (prefeitura), Rio Grande do Sul (estado), DF e todos os demais níveis de poder – vergonhosamente também em nível federal. Em lugar de romper com a velha mídia, o pessoal prefere fazer conchavos e assim acaba fortalecendo-a. Em lugar de despejar milhões em veículos de linha editorial comprometida com o atraso, os chamados governos dos campos popular e democrático deveriam se preocupar em criar uma nova alternativa de comunicação, apoiando o surgimento de novos jornais, de novas redes de rádio e de TV.
Estamos prestar a acompanhar o início de um novo governo, tanto em nível federal quanto aqui no DF – onde se espera que Agnelo consiga vencer as eleições ainda não se sabe contra quem. É pouco provável que Roriz sobreviva, mas de qualquer modo ele usa a estratégia de manter-se na campanha, mesmo sabendo que será impedido pelo TSE, para difundir o papel de que está sendo vítima de uma armação – quando na realidade ele apenas um ficha suja a mais que tenta continuar usufruindo as benesses do poder. Reiterando: estamos prestes a começar ‘novos’ governos, mas não pensem que eu tenho qualquer otimismo quanto a uma mudança de postura, de comportamento ou mesmo de relacionamento dos ‘donos do poder’ com a mídia tradicional.
Não vejo em Dilma Rousseff, nem em Tarso Genro (RS), nem em Agnelo Queiroz (DF) e nem em qualquer outro dos candidatos do chamado campo popular e democrático qualquer lampejo de coragem e de compromisso em romper com este esquema.
É lamentável, mas continuaremos – nós, os produtores de mídias alternativas e por ironia do destino também o povo humilde – sendo solenemente ignorados por governantes que não têm a ousadia de um Roberto Requião (que mandou a Globo às favas, fortaleceu a TV e a Rádio públicas no Paraná, injetou recursos em mídias alternativas, etc).
Não falo do desconhecido. Basta ver como as assessorias de comunicação da Dilma e do próprio Agnelo se relacionam com a mídia alternativa. Se os produtores desta mídia não correm atrás, são ignorados. As equipes de comunicação são compostas por jornalistas contratados, por altos salários, de empresas tradicionais e portanto com os vícios de acharem que apenas os ‘grandes’ merecem tratamento em termos de agenda, de entrevistas.
Fico pensando: será que depois de tanto apanhar este povo ainda não teve capacidade de aprender?





Nós e nossa cara de palhaços

24 12 2009

A cada novo dia cresce a percepção de que boa parte da classe política trata a nós, eleitores, como palhaços. Para muitos, política é apenas um circo mambembe onde desempenham papéis. Não sei se alguém já foi assistir alguma encenação nestes circos que andam pelas periferias ou visitam as cidades do interior. São situaçõs grotescas, onde o público se deleita não pela qualidade do espetáculo, mas exatamente pela parte ‘bufa’, pelo erro, pelo grotesco.

Esta é a imagem que se consolida quando observamos de modo desapaixonado o comportamento dos políticos aqui do DF flagrados no episódio da corrupção e do mensalão do Demo. Ao contrário do que teima em veicular boa parte da mídia, não é similar o episódio que envolveu o PT e agora o Demo e o Pmdb e antes já havia colocado o Psdb no rol dos malfeitores.

Imaginemos, por mais impossível que seja (até por sua formação pessoal) se houvesse qualquer imagem de deputados ou senadores recebendo dinheiro durante aquele período no qual houve a tentativa de golpe contra o Governo Lula/PT. Imaginemos se houvesse uma assinatura trocando apoio financeiro por comprometimento publicitário. Imaginemos se houvesse uma Lista de Furnas… A mídia teria incendiado este País com a sua versão apenas.

No caso do DF, há deputados pegando dinheiro (filmagens sãotambém no tempo do Governo Roriz), botando nas meias, há um governador pegando dinheiro, há pessoas indicadas pelo vice-governador fazendo o reparte, há menção específica sobre a voracidade por dinheiro do vice… e a mídia silencia.

Este espisódio de ontem, quando o patético Leonardo Prudente ‘pede’ desfiliação e anuncia que vai voltar à Presidência da Câmara Legislativa é destas coisas vergonhosas, enojantes e que mostram o desprezo que certas pessoas tem para com a sociedade. E os outros… inclusive o vice, Paulo Octávio?

E o que vai fazer o Pmdb que teve uma meia dúzia de seus ‘históricos’ flagrados com a mão na grana? E a Executiva Nacional não vai investigar as denúncias contra Michel Temer? O que será que eles temem?

Neste episódio todo, lapidar foi APENAS o comportamento do Psb, que defenestrou de seus quadros alguém citado em conversas e com uma prática adesista ao Governo Arruda que sempre gerou suspeitas.

Nós somos, definitivamente palhaços…