O feitiço de Sarney

18 06 2010

Recebo do Luis Dominmgos um texto lapidar do Leandro Fortes e que trata de uma situação lá do Maranhão. Trata-se de uma leitura interessante para que se possa entender um pouco mais acerca do que ocore no Marnhão – tido e havido como o Estado mais pobre do País e que vem sendo ‘administrado’ pelo clã Sarney faz muito tempo.

O texto também nos oportuniza uma amarga reflexão sobre os limites do pragmatismo – oportuno inclusive no momento em que, numa inversão total da lógica e da normalidade, o PT-DF ficou refém do PMDB-DF onde duas alas, verdadeiras gangues, lutam entre si.

Leia o texto com atenção…

O feitiço de Sarney

Texto de Leandro Fortes

O Maranhão é o quarto secreto onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esconde, como Dorian Gray, uma resistente decrepitude moral de seu governo. Assim como o personagem da obra de Oscar Wilde, Lula se mantém jovial e brilhante para o Brasil e o mundo, cheio de uma alegria matinal tão típica dos vencedores, enquanto se degenera e se desmoraliza no retrato escondido do Maranhão, o mais pobre, miserável e desafortunado estado brasileiro. Na terra dominada por José Sarney, Lula, o anunciado líder mundial dos novos tempos, parece ser vítima do feitiço do atraso.

Dessa forma, em nome de uma aliança política seminal com o PMDB, muito anterior a esta que levou Michel Temer a ser candidato a vice na chapa de Dilma Rousseff, Lula entregou seis milhões de almas maranhenses a Sarney e sua abominável oligarquia, ali instalada há 45 anos. Uma história cujo resultado funesto é esta sublime humilhação pública do PT local, colocado de joelhos, por ordem da direção nacional do partido, ante a candidatura de Roseana Sarney ao governo do estado, depois ter decidido apoiar o deputado Flávio Dino, do PCdoB, durante uma convenção estadual partidária legal e legítima, por meio de votação aberta e democrática.

Esse Lula genial, astuto e generoso, capaz de, ao mesmo tempo, comandar a travessia nacional para o desenvolvimento e atravessar o mundo para evitar uma guerra nuclear no Irã, não existe no Maranhão. Lá, Lula é uma sombra dos Sarney, mais um de seus empregados mantidos pelo erário, cuja permissão para entrar ou sair se dá nos mesmos termos aplicados à criadagem das mansões do clã em São Luís e na ilha de Curupu – isso mesmo, uma ilha inteira que pertence a eles, como de resto, tudo o mais no Maranhão.

Lula, o mais poderoso presidente da República desde Getúlio Vargas, foi impedido sistematicamente de ir ao estado no curto período em que a família Sarney esteve fora do poder, no final do mandato de Reinaldo Tavares (quando este se tornou adversário de José Sarney) e nos primeiros anos de mandato de Jackson Lago, providencialmente cassado pelo TSE, em 2009, para que Roseana Sarney reocupasse o trono no Palácio dos Leões. Só então, coberto de vergonha, Lula pôde aterrissar no estado e se deixar ver pelo povo, ainda escravizado, do Maranhão. Uma visita rápida e desconfortável ao retrato onde, ao contrário de seu reflexo mundo afora, ele se vê um homem grotesco, coberto de pústulas morais – amigo dos Sarney, enfim. Logo ele, Lula, cujo governo, a história e as intenções são a antítese das corruptas oligarquias políticas nacionais.

Lula, apesar de tudo, caminha para o fim de seus mandatos sem ter percebido a dimensão da imensa nódoa que será José Sarney, essa figura sinistramente malévola, no seu currículo, na sua vida. Toda vez que se voltar para o mapa do país que tanto vai lhe dever, haverá de sentir um desgosto profundo ao vislumbrar a mancha difusa do Maranhão, um naco de terra esquecido de onde, nos últimos 20 anos, milhares de cidadãos migraram para outros estados, fugitivos da fome, do desemprego, da escravidão, da falta de terra, de dignidade e de esperança. Fugitivos dos Sarney, de suas perseguições mesquinhas, de sua megalomania financiada pelos cofres públicos e de seu cruel aparelhamento policial e judiciário, fonte inesgotável de repressão e arbitrariedades.

Contra tudo isso, o deputado Domingos Dutra, um dos fundadores do PT maranhense, entrou em greve de fome no plenário da Câmara dos Deputados, em Brasília. Seria só mais um maranhense a ser jogado na fome por culpa da família Sarney, não fosse a grandeza que está por trás do gesto. Dutra, filho de lavradores pobres do Maranhão, criou-se politicamente na luta permanente contra José Sarney e seus apaniguados. Em três décadas de pau puro, enfrentou a fúria do clã e por ele foi perseguido implacavelmente, como todos da oposição maranhense, sem entregar os pontos nem fazer concessões ao grupo político diretamente responsável pela miséria de um povo inteiro. Dutra só não esperava, nessa quadra da vida, aos 54 anos de idade, ter que lutar contra o PT.

Assim, Lula pode até se esquivar de olhar para o retrato decrépito escondido no quarto secreto do Maranhão, mas em algum momento terá que enfrentar o desmazelo da figura serena e esquálida do deputado Domingos Dutra a lembrá-lo, bem ali, no Congresso Nacional, que a glória de um homem público depende, basicamente, de seus pequenos atos de coragem.





Salvemos o Brasil! Ninguém merece o Serra…

7 06 2010

O pior que pode acontecer para Serra e seus tresloucados amigos é a veradde. E ela vai aparecendo. A cada novo dia.

É o que ocorre em relação a esta história fantasiosa do dossiê. O que o Sera e o Itagiba queriam mesmo era plantar, infiltraralguém na estrutura da Dilma. Não se trata de teoria conspiratória, mas fatos que vão surgindo com o desnudamento de personagens enojantes como o própri Sera, o Itagiba e este Onézimo.

Coloquei no meu comentário no Jornal Passe Livre desta semana (edição 435) que o mais estranhável em tudo isto é alguém ainda acreditar no Serra. Trata-se de uma pessoa doente, que mente sobre tudo que faz. E logo me lembrei também daquela tiradinha dele ao pré-convidar o Arruda para ser o seu vice (você vota num careca e leva dois). Poderíamos dizer por exemplo: você vota em um corrupto e leva dois; você vota em um mentiroso e leva dois.

Os métodos perversos e doentios do Serra estão, inclusive, afastando todos os pretensos candidatos a vice – porque a pessoa já sabe que vai ser menos do que um boneco decorativo.

Se ainda resta alguma dúvida sobre a tentativa de infiltrar alguém na campanha da Dilma, a reportagem a seguir revela quem são os personagens.

domingo, 6 de junho de 2010
Confirmado: Onézimo integrou aparato de arapongagem de José Serra no Ministério da Saúde

O infiltrado

As relações do ex-delegado Onézimo das Graças Souza, fonte da revista Veja, são mais próximas de José Serra (PSDB/SP) do que se imaginava.

E fica cada vez mais claro que houve tentativa de infiltrar na campanha de Dilma, num primeiro instante. Não conseguindo, resolveram apenas produzir um encontro público que desse margem à versão da encomenda do suposto dossiê.

A fabulosa máquina de espionagem de José Serra no Ministério da Saúde

É preciso voltar ao tempo, no fim da década 90, no governo FHC, quando José Serra era ministro da Saúde, para encontrar os primórdios das relações de José Serra como o ex-delegado Onézimo.

Marcelo Itagiba, ex-chefe do Centro de Inteligência da PF, foi chamado e aceitou integrar a assessoria de José Serra no ministério da Saúde, para montar um aparato de inteligência.

Oficialmente a função seria combater fraudes. Extra-oficialmente, o que se comenta como certo, em todos os meios políticos e jornalísticos de Brasília, é que funcionou como um serviço de arapongagem aos adversários políticos.

A escolha de Itagiba não foi por acaso. Como ex-chefe do Centro de Inteligência da PF, ele tinha conhecimento dos grampos legais da PF a serviço do governo. Tinha acesso a tudo o que se conversava pelos telefones grampeados na PF, desde traições políticas, corrupção, propinas, subornos, casos extra-conjugais, estado de saúde de políticos. Até bizarrices constrangedoras, que um grampeado cometesse o deslize de falar ao telefone, estava ao alcance do Centro de Inteligência da PF.

Além disso, Itagiba fazia parte do núcleo de confiança de Serra, a quem tentou indicar como chefe da Polícia Federal. Era até casado com uma prima do tucano Andrea Matarazzo, muito ligado à Serra.

No aparato de espionagem a adversários, montado no Ministério da Saúde, junto com Itagiba, havia outros delegados da PF, entre eles Onézimo das Graças Souza.

Quando pipocaram denúncias de que esse dispositivo de arapongagem estava colocando a máquina pública para investigr ilegamente adversários, Serra desmontou tudo, pois o caso caminhava para virar um Watergate, com denúncias na área criminal.

Mas, ao que tudo indica a arapongagem não parou, foi apenas terceirizada. Em vez de um órgão com funcionários públicos, Serra, autorizou a contratação por R$ 1,8 milhão (dinheiro da época) da empresa carioca Fence Consultoria Empresarial, especialista em detectar escutas clandestinas.

O dono da Fence era Enio Gomes Fontenelle, um ex-coronel do Exército que por muitos anos trabalhou no extinto Serviço Nacional de Informação (SNI), órgão de investigação oficial durante a ditadura militar. Ex-chefe da área de comunicações do SNI, Fontenelle era um dos maiores especialistas em espionagem eletrônica.

O trabalho oficial da empresa era rastrear a existência de grampos ou emissores de rádio clandestinos. Mas estranhamente, Fontenelle esteve várias vezes no Ministério da Saúde, onde encontrava-se com Serra, quando ainda era ministro.

Quando houve o caso Lunus, em 2002, o PFL (que quis dar o troco e salvar a candidatura da pré-candidata), havia contratado detetives particulares para descobrir os bastidores da operação. As investigações sobre grampo ilegal na sede da Lunus haviam apontado para uma possibilidade: a empresa Interfort Sistemas de Segurança, de Brasília. Isto porque José Heitor Nunes, gerente da empresa, esteve várias vezes no Maranhão nas semanas que antecederam a invasão da Lunus.

Ex-militar do Exército, Nunes tinha trânsito nos órgãos de informação do governo. Como consultor de segurança, Nunes dava aulas para os arapongas da Polícia Federal e da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

Durante sua militância empresarial e militar, conheceu Itajiba e o coronel Fontenelle. Era ainda amigo do delegado Onézimo, aquele da revista Veja, que aposentou-se da PF e passou a trabalhar na empresa ControlRisk, especialista em investigações e medidas de segurança.
A Fábrica de dossiês, naquela época, atribuída à arapongagem a serviço de José Serra:

Em 2002, pipocavam denúncias de dossiês contra rivais de Serra. Alguns adversários diretos dentro do PSDB, como Paulo Renato de Souza e Tasso Jereissati. Outros rivais em outros partidos, como Lula, Roseana Sarney, Ciro Gomes, Garotinho. Outros seriam líderes partidários a quem Serra queria o apoio, como o falecido deputado José Carlos Martinez, na época presidente do PTB.

Ciro Gomes, denunciou, naquela época, a existência de uma estrutura de arapongagem, um grupo de 40 pessoas plantado em São Paulo para bisbilhotar a vida dos possíveis adversários do candidato do PSDB à Presidência, José Serra. Os principais alvos seriam, segundo Ciro, Lula, do PT, e Roseana Sarney, do PFL.

Anthony Garotinho, denunciou que foi procurado por um político do PSDB, a mando do deputado Márcio Fortes (PSDB-RJ, hoje pré-candidato a vice de Gabeira), que pretendia lhe passar um dossiê com denúncias contra Roseana Sarney.

O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva (que foi vice de Ciro em 2002), também afirma ter tido acesso a um dossiê. Ele teria informações que embasariam reportagem de uma revista de circulação nacional.

O presidente do PTB, deputado José Carlos Martinez, que ainda articulava uma aliança com Ciro Gomes, foi fotografado com uma amiga durante uma viagem a Miami. Uma revista de circulação nacional iria publicar a foto. Martinez procurou a direção da empresa e conseguiu evitar a publicação.

Pelas conversas, esses dossiês foram usados nos bastidores, para afastar candidatos de disputarem com Serra. Um deles não funcionou nos bastidores. Resultou na espalhafatosa operação Lunus, diante da ameaça de Serra ficar fora do segundo turno.

(Com informações resgatadas da reportagem da edição de 14/03/2002 do jornal Correio Braziliense, cuja íntegra está no Blog Os amigos da presidente Dilma).





A insanidade latente do Serra

4 06 2010

José Serra é destas figuras que, por patéticas, acabam servindo para representar, sob a forma de estereótipo, todo um comportamento doentio da classe que representam. É um parvo ao qual foi transmitida a mensagem de que, com ele, os que o cercam poderão mais. Ainda que este ‘mais’ represente, na realidade, menos para o Brasil e para os brasileiros.
Esta é a impressão que fica: Serra não é o candidato. É um fantoche transformado em candidato por quem passou a vida inteira se locupletando das verbas e se beneficiando do aparelho do Estado em seu favor. É uma situação que a mídia omite, não aceita discutir e, pelo contrário, trata de manipular segundo os seus interessses e necessidades. É o episódio do pseudo-dossiê.
Pega-se um fato, manipula-se e constrói-se uma nova verdade. Foi assim com a roubalheira das ambulâncias e a relação dele com os Vedoin. Já tinha sido assim quando ele e os seus amigos da PF detonaram Roseana Sarney, no episódio Lunus.
É algo que transcende a racionalidade e, ao mesmo tempo, os parâmetros de normalidade. Serra precisa estar ‘delinquindo’ para se sentir bem e realizado. De outro modo, aumenta o seu azedume.
E para a materialização e realização de sua verdadeira personalidade, Serra precisa contar com o beneplácido da mídia e do judiciário, tão bem representado por Algemar Mendes. Há outros, mas este é o píncaro da lealdade para com Serra.
Por falar em mídia e Judiciário, dia destes no Jornal Passe Livre – edição 434, disponível aqui online no https://passelivreonline.wordpress.com/2010/06/01/jornal-passe-livre-434/ – sugeri que a tão cobrada transparência que a mídia e os macaquinhos amestrados do Judiciário cobram, fosse também aplicada ao Judiciário e aos meios de comunicação.
Pode parecer querer demais, mas seria importante que os leitores, ouvintes e telespectadores soubessem quanto a Folha de São Paulo recebe do Governo federal, do Governo do Estado de São Paulo e assim por diante – também saber quantas assinaturas ela (a Folha) e os demais têm com estes órgãos públicos. O mesmo para a RBS/Zero Hora – credo, daí a coisa ficará escrota demais – a famiglia O Globo, Grupo Abril e por aí afora. Imagine-se se estes veículos fossem obrigados a revelar também o chamado BV – Bônus de Veiculação, com o qual ‘presenteiam’ as agências por conta de destinarem verbas…
Vale aqui até uma sugestão para a campanha da Dilma Rousseff, pré-candidata e futura presidente do Brasil: que a Secom divulgue semanalmente a liberação de todos os valores de mídia veiculados nos grandes veículos de comunicação. Estará fazendo um imenso favor à cidadadia, caso isto realmente venha a ser implementado. Mas seria importante divulgar os valores todos,seme sconder nada – porque tem muito tucano que saiu da CEF e foi pra Secom do Governo Federal e continua com poder de mando, mesmo depois de 8 anos do Governo do PT/Lula.
Eles querem transparência… para os outros…
E o Serra?
Nunca é demais lembrar e relembrar que a PF ainda está infestada de pessoas ligadas ao PSDB. Basta ver o papel que o tal do Itagiba exerce, como ‘comandante’ de uma ala especialziada em fazer o jogo sujo em favor dos projetos representados por Serra. Não foi apenas o caso Lunus, que defenestrou a candidatura de Roseana. Há muitos outros episódios que revelam este perfil ‘necrófilo’ do Serra.
Episódio recente diz respeito ao suposto ‘dossiê’ que a turma da Dilma estaria preparando para detonar o ‘coisa’. Graças ao Luis Nassif, tudo ficou esclarecido. Mesmo sem autorização dele, transcrevo na íntegra o post dele – porque vale a pena ler e ver, entender e lamentar que a mídia esteja fazendo a parte suja de todo o trabalho…

O caso do suposto dossiê
Enviado por Luis Nassif, em 04/06/2010 – 08:07

À primeira vista, não fazia lógica a história da divulgação do suposto dossiê contra a filha de José Serra, que estaria sendo armado pelo PT.

Primeiro, por ser inverossímil. Com a campanha de Dilma Rousseff em céu de brigadeiro, à troco de quê se apelaria para gestos desesperados e de alto risco, como a divulgação de dossiês contra adversários? Se a campanha estivesse em queda, talvez.

Além disso, os dados apresentados pela Veja, repercutidos pelo O Globo, eram inconsistentes. Centravam fogo em Luiz Lanzetta, que tem uma assessoria em Brasília que serve apenas para a contratação de funcionários para a campanha de Dilma – assim como Serra se vale da Inpress e da FSB para suas contratações.

Serra atacou Lanzetta, inicialmente, através de parajornalistas usualmente utilizados para a divulgação de dossiês e assassinatos de reputação. Só que há tempos caíram no descrédito e os ataques caíram no vazio. Serviram apenas como aviso.

Aí, se valeu da Veja que publicou uma curiosa matéria em que dava supostos detalhes de supostas conversas sobre supostos dossiês, mas nada falava sobre o suposto conteúdo do suposto dossiê.

Até aí, é Veja. Mas os fatos continuaram estranhos.

Há tempos a revista também caiu em descrédito tal que sequer suas capas são repercutidas pelos irmãos da velha mídia. Desta vez, no entanto, entrou O Globo, inclusive expondo a filha de Serra – como suposto alvo do suposto dossiê. Depois, o próprio Serra endossando as suposições, em um gesto que, no início, poucos entenderam. A troco de quê deixaria de lado o «Serra paz e amor» para endossar algo de baixa credibilidade, em uma demonstração de desespero que tiraria totalmente o foco da campanha?

Havia peças faltando nesse quebra-cabeças. Mas os bares de Brasília já conheciam os detalhes, que acabaram suprimidos nesse festival de matérias e editoriais indignados sobre o suposto dossiê.

A história é outra.

Quando começou a disputa dentro do PSDB, pela indicação do candidato às eleições presidenciais, correram rumores de que Serra havia preparado um dossiê sobre a vida pessoal de seu adversário (no partido) Aécio Neves.

A banda mineira do PSDB resolveu se precaver. E recorreu ao Estado de Minas para que juntasse munição dissuasória contra Serra. O jornal incumbiu, então, seu jornalista Amaury Ribeiro Jr de levantar dados sobre Serra. Durante quase um ano Amaury se dedicou ao trabalho, inclusive com viagens à Europa, atrás de pistas.

Amaury é repórter experiente, farejador, que já passou pelos principais órgãos de imprensa do país. Passou pelo O Globo, pela IstoÉ, tem acesso ao mundo da polícia e é bem visto pelos colegas em Brasília.

Nesse ínterim, cessou a guerra interna no PSDB e Amaury saiu do Estado de Minas e ficou com um vasto material na mão. Passou a trabalhar, então, em um livro, que já tem 14 capítulos, segundo informações que passou a amigos em Brasília.

Quando a notícia começou a correr em Brasília, acendeu a luz amarela na campanha de Serra. Principalmente depois que correu também a informação de um encontro entre Lanzetta e Amaury. Lanzetta jura que foi apenas um encontro entre amigos, na noite de Brasília. Vá se saber. A campanha do PT sustenta que Lanzetta não tem nenhuma participação na campanha.

Seja como for, montou-se de imediato uma estratégia desesperada para esvaziar o material. Primeiro, com os ataques iniciais a Lanzetta, que poucos entenderam o motivo: era uma ameaça. Depois, com a matéria da Veja.

A revista foi atrás da história e tem, consigo, todo o conteúdo levantado por Amaury. Curiosamente, na matéria não foi mencionado nem o nome da filha de Serra, nem o do repórter Amaury Ribeiro Jr. nem o conteúdo do suposto dossiê.

O Globo repercutiu a história, dando o nome da filha de Serra, mas sem adiantar nada sobre o conteúdo das denúncias – medida jornalisticamente correta, se fosse utilizada contra todas as vítimas de dossiês; mas só agora lembraram-se disso.

Provavelmente Veja sairá neste final de semana com mais material seletivo do suposto dossiê. Mas sobre o conteúdo do livro, ninguém ousa adiantar.