Por trás da queda

3 03 2011

Confesso que ontem, depois do anúncio da queda de Emir Sader, fiquei preocupado com o rumo que este governo da Dilma está tomando. Volto a repisar uma tecla que me angustia: o PT já ocupou, no coração da elite, o espaço que antes era reservado ao PSDB. Se voltarmos ao começo dos anos 90, haveremos de nos lembrar que a agremiação tucana surgiu com um forte discurso social-democrata – que é hoje o retrato mais acabado deste PT.
A caminhada para o centro, sem preconceitos se aliando com agrupamentos de centro direita e de centro esquerda, já forçou os tucanos a adotarem um discurso de extrema-direita nas eleições de 2010. Digo, inclusive, se os tucanos quiserem sobreviver, terão de ocupar o espectro, o espaço e o campo que hoje está nas mãos do Demo, do PV, do PPS, do PTB e um sem fim de siglas que não chegam a se configurar em partidos – assumindo, também, a aliança com as alas mais conservadoras da maçonaria, tfp, udr, igrejas católica e pentecostais e outros grupos.
Com a ida do PT para o centro, com uma forte visão social-democrata nos moldes europeus dos anos 60 e 70, e com a ida do PSDB para a extrema-direita, há espaço sim para um partido de esquerda – ideia que deve mover boa parte de quem está no PSB, mas este sofre também pelo fato de sua cúpula ser de centro, com fortes pendores para a direita.
Assim… quem fica na esquerda? Nem Pstu e nem Psol dão sinais de capacidade política de transcenderem a dimensão de agrupamentos – com bons e preparados quadros, mas ainda carecendo de maior interação com o conjunto da sociedade, com dificuldade de levar a sua mensagem e sendo estereotipado até mesmo pela mídia, que acolheu o PT e rejeita divulgar as ações destes grupos efetivamente de esquerda.
Dentro desta visão, o episódio Emir Sader revela algumas questões fundaentais e isto ficou claro na extremada alegria com que comentaristas de TV, de jornais/blogues/portais e de rádio, ligados ao conservadorismo e obscurantismo da mídia comentavam que Ana de Holanda havia vencido a queda de braço contra os petistas. Também confirma, como já disse antes, que o PT hoje é o partido de centro que as elites adotaram.
Este episódio vem na esteira de outras ações de Dilma que deixam a militância de cabelos em pé, como a presença no convescote da Folha, nos programas de tititi e na relutância do governo de assumir a luta política pela regulação da mídia.
Para quem esperava que Dilma ajudasse a embicar o barco do governo um pouco a bombordo pode ir se acostumando com a certeza de que a timoneira está mais interessada em flertar a estibordo/boroeste. A travessia até 2014, ao que tudo indica, será de muitas e outras tantas frustrações de curso e não se admirem se esta mesma militância começar a trabalhar silenciosamente pela volta inexorável de Lula nas próximas eleições.





Os tucanos entre mensalões, caixa 2 e listas

11 10 2010

Vamos fazer um rápido levantamento acerca dos mensalões, listas e caixas dois dos últimos anos dos tucanos:
– Zé do Banco (1994) confessou Caixa 2 na Campanha de FHC;
– Mensalão Tucano de MG que também contemplou FHC e tucanos de todo país (1998);
– Lista de Furnas, a mais escabrosa demonstração de organização do crime (2002);
– Mensalão do Demo (2008) e que implodiu Arruda, o vice de Serra;
– Serra foi nota 3,5 pelo Diap por ter votado sempre contra os trabalhadores;
– Serra colocou a polícia contra os professores.
– O rolo do vice lá em SC;
– A roubalheira da Yeda (Detran; etc);
– O Visa do Arthur Virgilio;
– O emprego fantasma da filha real de FHC;

Aceito contribuições e adendos…
– Privatização e pilantragem no Governo FHC;
– Sanguessugas de Serra (será que ele tem mais saudade dos Vedoin ou da Soninha que faz aborto?);
– O amigo que fugiu com U$ 4 milhões e que antes tentava vender jóias roubadas;
– O episódio Cacciola;
– O Proer (tá rolando um processo básico contra o Serra);





A hipocrisia do PV

8 10 2010

Em verdade, o PV é o desaguadouro natural de todo o lixo e a escória da política nacional. Uma espécie de depósito de frustrados, fisiológicos e gente que se pensa mais do que é. Há exceções, pessoas que realmente têm a exata compreensão do que a sigla significa. Mas estes estão fora dos postos de direção, de comando e de ingerência nos destinos da sigla. Os demais.. bom, os demais estão naquela postura de um Gabeira, de um Feldman – são verdes por terem vergonha de serem tucanos… ou serem do Demo…
Então veio Marina, que de verde tem muito pouco – porque na essência sempre foi e continua sendo petista. Tenho para mim, inclusive, que Marina logo-logo voltará ao PT. Se dará conta de que há uma distância ‘amazônica’ entre as suas concepções políticas, suas convicções pessoais e sua vivência ‘petista’, com a pilantragem que norteia a ação do PV.
O PV, cabe sempre lembrar, consegue se moldar e se adaptar às circuntâncias. Houvesse no Brasil um partido nazista e certamente o PV acetaria compor aliança com eles – bastaria que fosse oferecido algum cargo.
Basta olhar a história recente e veremos a verdadeira gelatina ideológica que sustenta o PV – que é Lula, que é Serra, que é Arruda e asism por diante. Neste sentido, foi muito importante o desabafo de Martina revelando que o PV Nacional em verdade quer usar ela e os votos dela – sim, porque as pessoas votaram na Marina, não no PV; como antes votaram em Heloísa Helena e não no PSol – para barganhar cargos no governo. Seja ele quem for.
Com o seu desabafo, Marina reconquista parte da admiração que havia perdido ao aceitar ser candidata por um partido como o PV…





O ‘império tucano’ vai ruir?

19 09 2010

Faltam poucos dias. Qual será a proxima mentira?

Alguém, mesmo que embriagada, ainda é capaz de acreditar em algo que venha da Veja, da Folha, do Estadão, da Época, na Globo… esta perda de credibilidade dos jornais é ruim, eles não percebem, para a própria democracia?

Talvez o que poucos estejam atentando mas Gustavo Fruet, um dos deputados federais tucanos mais escroques e hipócrita, está na bica de ficar sem mandato (deve ser acolhido como comentarista de economia da Globo ou virar secretário de qualquer coisa em algum governo estadual tucano).

E até os gaúchos parece que estão tirando o tapa olho que os cegava. Podem até eleger a imbecil da Ana Amélia Lemos da Arena, digo PRBS, ops… me enganei de novo… afinal ela é da Yeda, mas filiada ao PP.. – como eu estava dizendo: podem até eleger a imbecil serviçal da RBS e do agronegócio, mas parece que re-elegerão o Paulo Paim (PT).





Luz sobre as trevas – quem é Eduardo Jorge?

6 09 2010

Transformado numa espécie de santo e intocável pelos tucanos, Eduardo Jorge é figura no mínimo controversa – fruto típico do obscurantismo que vigorou em nosso país no reinado dos tucanos. Vale a pena resgatar este texto de 1997 que o diligente e brizolista Arthur Monteiro encaminhou.

Em lugar da aura de vbítima, Eduardo Jorge é, em verdade, um trunfo para quem quiser colocar uma coleção de tucanos atrás das grades.

05/11/97

Palácio do Planalto

O homem-Interpol

Eduardo Jorge sairá do Planalto e o governo continuará olhando as dívidas dos parlamentares

Vladimir Netto

O ministro, acumulando salário e aposentadoria: “Sou a prova viva da necessidade de mudar a Previdência”

Secretário-geral da Presidência da República, o cearense Eduardo Jorge Caldas Pereira, de 55 anos, é figura poderosa. Com um bem fornido acervo de informações sobre os bastidores do governo e do Congresso, ele é temido tanto pelos adversários como por amigos do presidente Fernando Henrique Cardoso, com quem tem pelo menos dois encontros diários, às 9 da manhã e às 5 da tarde. “Homem-Interpol” é como o chamam no Palácio do Planalto, apelido com o qual o presidente se diverte. Por força de suas informações, Eduardo Jorge já se meteu em rebuliço. Em dezembro passado, o ministro Luiz Carlos Santos, da Coordenação Política, o acusou de ter pedido a lista dos parlamentares do PPB endividados com o Banco do Brasil para pressioná-los a votar pela emenda da reeleição. Até hoje Eduardo Jorge jura que não pediu a lista. De lá para cá, não se mexeu mais no assunto, mas sabe-se agora de coisa muito pior que acontece nessa área dentro do Planalto, como o desrespeito total ao sigilo bancário: o governo mantém registros das dívidas no BB de todos os parlamentares  e não só do PPB. “Isso porque a conta bancária pode influir em certas posições dos parlamentares. Algum pode ser levado, por exemplo, a votar o tabelamento dos juros a 12%”, explica um assessor. O Homem-Interpol, agora, tomou uma decisão grave. Mesmo que o presidente venha a ser reeleito, comenta, larga o governo no final deste mandato.

“Eu não estarei no próximo governo”, declarou a VEJA, na quarta-feira passada. A revelação espantou até sua mulher, Lídice, com quem é casado há 21 anos. “Você falou isso? Mas é para publicar?”, indagou ela ao próprio marido. “É”, respondeu Eduardo Jorge. “Quero consolidar esta posição.” Eduardo Jorge diz que está cansado da rotina do Palácio do Planalto e que se retira por isso, anuncia ainda que sairá para fazer a campanha de reeleição de FHC e depois não volta. Quem conhece o gosto dele pelo trabalho que realiza, e o apreço que Fernando Henrique tem pelo assessor, tem dificuldade em acreditar que não voltará. Ele não cuida de nenhuma área específica, mas influi em muitas  em geral, investigando, investigando, investigando. É sua atribuição conferir a “ficha” de todos que são nomeados para cargos no governo, pedindo informações à Receita Federal, aos tribunais de contas e à polícia. Ele também é encarregado de articular o apoio aos projetos de interesse do presidente no Congresso. Por isso, em seu computador Pentium MMX 200 estão arquivados um mapa com todas as indicações para cargos no governo e indicadores de fidelidade dos parlamentares. Com esses dados, e a influência com os ministros para liberar verbas, Eduardo Jorge é um dos principais alvos de pedidos de políticos. “Ele é o que o Luiz Carlos Santos pensa que é”, cutuca o senador Esperidião Amin, do PPB de Santa Catarina.

É ele, por exemplo, o encarregado de articular o apoio da base do governo a um projeto de emenda constitucional que regulamente a edição de medidas provisórias pelo presidente, sem limitar-lhe o poder. Na semana passada, ligou para líderes do governo pedindo a aceleração da tramitação da emenda. Eduardo Jorge também é o responsável por fazer a ponte entre o governo e a direção dos fundos de pensão das estatais, mastodontes que movimentam bilhões de dólares e decidem qualquer parada nas privatizações. “Não controlo fundo de pensão nem dou orientação de investimento”, diz. Mas que fundo de pensão passa por ele, passa. Foi assim antes da privatização da Companhia Vale do Rio Doce, quando ele entrou em campo para evitar que os fundos formassem um cartel. Coube a Eduardo Jorge puxar o freio dos fundos. Às vezes Eduardo Jorge solta as rédeas. Quando o senador José Eduardo Andrade Vieira, ex-Bamerindus, brigava com Benjamin Steinbruch, da Vicunha, pelo controle da Companhia Siderúrgica Nacional, a CSN, o secretário-geral mobilizou sindicalistas amigos do Planalto para entrar na parada ao lado do senador.

Prova viva  Formado em economia pela Universidade de Brasília, o Homem-Interpol trabalhou 27 anos no Congresso, até se aposentar em 1990. Com mestrado e doutorado nos Estados Unidos, foi convidado pelo então senador Fernando Henrique para trabalhar em seu gabinete em 1983. Aposentado pelo Senado quando tinha apenas 48 anos, Eduardo Jorge ganha 8.500 reais por mês. Soma a isso o contracheque de ministro, de 8.000. “Eu sou a prova viva da necessidade de uma reforma da Previdência, é um absurdo que eu possa acumular dois rendimentos desta maneira”, declara ele, aparentando seriedade. “Tenho lutado para acabar com isso”, salienta, ainda sério. Mas durante as negociações em torno da reforma da Previdência foi dele a idéia de acatar a sugestão vinda do Congresso para a criação do polêmico extrateto salarial. “A idéia original era que quem estivesse ocupando função temporária e fosse aposentado poderia acumular até um determinado valor. Achei que era legítimo”, afirma. Melhor seria dizer “oportuno”, já que o próprio Eduardo Jorge seria beneficiado pelo extrateto. Sem o emprego no governo, diz, pretende se dedicar a prestar consultoria na área política e legislativa. E avisa: seus torpedos continuarão a serviço de Fernando Henrique.





Lama tucana: sumiço de dinheiro ou desculpa?

14 08 2010

Enfim, veio a tona uma história escabrosa e que deve ser vista com preocupação e cautela. Preocupação porque revela o quanto foi roubado no governo paulista sem que nada tenha sido denunciado ou apurado. Segundo, porque esta históriade R$ 4 milhões tá com cara de desculpara de quem não consegue levantar dinheiro…
A reportagem da IstoÉ é reveladora:

Um tucano bom de bico
Quem é e como agia o engenheiro Paulo Vieira de Souza, acusado por líderes do PSDB de ter arrecadado dinheiro de empresários em nome do partido e não entregá-lo para o caixa da campanha
Sérgio Pardellas e Claudio Dantas Sequeira

POSIÇÃO ESTRATÉGICA
Paulo Vieira de Souza na obra do Rodoanel, que custou R$ 5 bilhões

Nas últimas semanas, o engenheiro Paulo Vieira de Souza tem sido a principal dor de cabeça da cúpula tucana. Segundo oito dos principais líderes e parlamentares do PSDB ouvidos por ISTOÉ, Souza, também conhecido como Paulo Preto ou Negão, teria arrecadado pelo menos R$ 4 milhões para as campanhas eleitorais de 2010, mas os recursos não chegaram ao caixa do comitê do presidenciável José Serra. Como se trata de dinheiro sem origem declarada, o partido não tem sequer como mover um processo judicial. “Ele arrecadou por conta própria, sem autorização do partido. Não autorizamos ninguém a receber dinheiro de caixa 2. As únicas pessoas autorizadas a atuar em nome do partido na arrecadação são o José Gregori e o Sérgio Freitas”, afirma o ex-ministro Eduardo Jorge, vice-presidente nacional do PSDB. “Não podemos calcular exatamente quanto o Paulo Preto conseguiu arrecadar. Sabemos que foi no mínimo R$ 4 milhões, obtidos principalmente com grandes empreiteiras, e que esse dinheiro está fazendo falta nas campanhas regionais”, confirma um ex-secretário do governo paulista que ocupa lugar estratégico na campanha de José Serra à Presidência.

Segundo dois dirigentes do primeiro escalão do partido, o engenheiro arrecadou “antes e depois de definidos os candidatos tucanos às sucessões nacional e estadual”. Os R$ 4 milhões seriam referentes apenas ao valor arrecadado antes do lançamento oficial das candidaturas, o que impede que a dinheirama seja declarada, tanto pelo partido como pelos doadores. “Essa arrecadação foi puramente pessoal. Mas só faz isso quem tem poder de interferir em alguma coisa. Poder, infelizmente, ele tinha. Às vezes, os governantes delegam poder para as pessoas erradas”, afirmou à ISTOÉ Evandro Losacco, membro da Executiva do PSDB e tesoureiro-adjunto do partido, na quarta-feira 11.

O suposto desvio de recursos que o engenheiro teria promovido nos cofres da campanha tucana foi descoberto na segunda-feira 2. Os responsáveis pelo comitê financeiro da campanha de Serra à Presidência reuniram-se em São Paulo a fim de fechar a primeira parcial de arrecadação, que seria declarada no dia seguinte à Justiça Eleitoral. Levaram um susto quando notaram que a planilha de doações informava um montante muito aquém das expectativas do PSDB e do esforço empenhado pelos tucanos junto aos doadores: apenas R$ 3,6 milhões, o equivalente a um terço do montante arrecadado pela candidata do PT, Dilma Rousseff. Ciosos de seu bom trânsito com o empresariado, expoentes do PSDB não imaginavam ter recolhido tão pouco. Sinal de alerta aceso, deflagrou-se, então, um processo de consulta informal às empresas que já haviam se comprometido a contribuir. O trabalho de checagem contou com a participação do tesoureiro José Gregori e até do candidato José Serra e logo veio a conclusão: Paulo Preto teria coletado mais de R$ 4 milhões, mas nenhum centavo foi destinado aos cofres do partido, oficialmente ou não. Iniciava ali o enredo de uma história nebulosa com potencial para atingir o seio do PSDB às vésperas das eleições presidenciais. “Além de representar uma quantia maior do que a arrecadada oficialmente até agora, o desfalque poderá atrapalhar ainda mais o fluxo de caixa da campanha”, explica um tucano de alta plumagem, que já disputou quatro eleições pelo partido. Segundo ele, muitas vezes as grandes empreiteiras não têm como negar contribuições financeiras, mas, nesse caso, ganharam um forte argumento: basta dizer que já contribuíram através do engenheiro, ainda que não o tenham feito.

Até abril, Paulo Preto ocupou posição estratégica na administração tucana do Estado de São Paulo. Ele atuou como diretor de engenharia da Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/A), estatal paulista responsável por algumas das principais obras viárias do País, entre elas o Rodoanel, empreendimento de mais de R$ 5 bilhões, e a ampliação da marginal Tietê, orçada em R$ 1,5 bilhão – ambas verdadeiros cartões-postais das campanhas do partido. No caso do Rodoanel, segundo um dirigente do PSDB de São Paulo, cabia a Paulo Preto fazer o pagamento às empreiteiras, bem como coordenar as medições das obras, o que, por força de contrato, determina quanto a ser pago às construtoras e quando. No Diretório Estadual do partido, nove entre dez tucanos apontam a construção do eixo sul do Rodoanel como a principal fonte de receita de Paulo Preto. Outro político ligado ao Diretório Nacional do PSDB explica que a função do engenheiro na Dersa aproximou Paulo Preto de empreiteiras como Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez, OAS, Mendes Júnior, Carioca e Engevix.

ELO POLÍTICO
Aloysio Nunes Ferreira é amigo de Paulo há mais de 20 anos e seu contato com o PSDB

Losacco, um dos coordenadores das campanhas de Serra e de Geraldo Alckmin em 2006, afirma que o elo principal de Paulo Preto com o PSDB é Aloysio Nunes Ferreira, ex-secretário da Casa Civil de Serra e atual candidato do partido ao Senado por São Paulo. O próprio engenheiro confirma uma amizade de mais de 20 anos com Aloysio (leia entrevista abaixo). De acordo com um importante quadro do PSDB paulista, desde 2008 Paulo Preto estava “passando o chapéu” visando ao financiamento da pré-candidatura de Aloysio ao governo do Estado. “Não fizemos nenhuma doação irregular, mas o engenheiro Paulo foi apresentado como o ‘interlocutor’ do Aloysio junto aos empresários”, disse à ISTOÉ o diretor de uma das empreiteiras responsáveis por obras de remoção de terras no eixo sul do Rodoanel. Geraldo Alckmin acabou se impondo e obtendo a legenda para disputar o governo estadual, mas até a convenção do partido, em junho, a candidatura de Aloysio era considerada uma forte alternativa tucana, pois contava com o apoio do então governador José Serra e da maioria dos secretários. O engenheiro, segundo um membro da Executiva Nacional do partido, agia às claras junto a empresários e a prefeitos do interior de São Paulo. Falastrão, contava vantagens aos companheiros e nos corredores do Palácio dos Bandeirantes. Prometia mundos e fundos num futuro governo Aloysio. E quando Aloysio deixou a Casa Civil de Serra, muitos passaram a torcer por sua exoneração, o que aconteceu sob a batuta do governador Alberto Goldman.

CÚPULA TUCANA
Baixa arrecadação despertou suspeita de desvio de dinheiro na campanha

Losacco, que foi secretário-geral do PSDB paulista até 2007, afirma que desde 2008 alertava a cúpula do partido sobre os movimentos de Paulo Vieira na Dersa. “Esse tipo de pessoa existe na administração pública. Tem a facilidade de achacar e não tem o menor controle. Todo mundo já sabia há muito tempo disso”, conta o dirigente tucano. Diante desses alarmes, a cúpula do partido chegou a cogitar a saída dele da estatal rodoviária há mais de um ano. Mas recuou. “O motivo (do recuo) eu não sei. Deve ter um motivo. Mas no governo às vezes você não consegue fazer tudo o que você quer. Você tem contingências que o obrigam a engolir sapo. E eu acho que esse deve ter sido o caso. Agora, de alguma maneira essa coisa toda vai ter que ser apurada. Sabemos da seriedade que o governo tem, mas infelizmente fica sujeito a esse tipo de gente”, acrescentou Losacco. Segundo o tesoureiro-adjunto do PSDB, o empresário acaba cedendo, pois “entende que o cara tem a caneta e que pode atrapalhar os negócios”. Os motivos que teriam levado Paulo Preto a dar o calote no PSDB ainda estão envoltos em mistério. Mas, entre os tucanos, circula a versão de que o partido teria uma dívida com o engenheiro contraída em eleições passadas. Na entrevista concedida à ISTOÉ, Paulo Preto nega que tenha feito qualquer tipo de arrecadação e desafia os caciques tucanos a provar essas denúncias.

“Acho muito pouco provável que isso tenha acontecido sem que eu soubesse”, disse Aloysio à ISTOÉ. “Não posso falar sobre uma coisa que não existiu, que é uma infâmia”, completou. No PSDB, porém, todos pelo menos já ouviram comentários sobre o suposto desvio praticado por Paulo Preto nos cofres tucanos. “Fiquei sabendo da história desse cara ontem”, disse o deputado José Aníbal (SP), ex-líder do partido na Câmara, na terça-feira 10. “Parece mesmo que ele sumiu. Desapareceu. Me falaram que ele foi para a Europa. Vi esse cara na inauguração do Rodoanel.” De fato, depois de deixar a Dersa, o engenheiro esteve na Espanha e só voltou ao Brasil há poucos dias. Na cúpula do PSDB, porém, até a semana passada poucos sabiam que Paulo Preto havia retornado e o tratavam como “desaparecido”.

As relações de Aloysio e Paulo Preto são antigas e extrapolam a questão política. Em 2007, familiares do engenheiro fizeram um empréstimo de R$ 300 mil para Aloysio. No final do ano passado, o ex-chefe da Casa Civil afirmou que usou o dinheiro para pagar parte do apartamento adquirido no bairro de Higienópolis e que tudo já foi quitado. Apontado como um profissional competente e principal responsável pela antecipação da inauguração do rodoanel, Paulo Vieira de Souza chegou a ser premiado pelo Instituto de Engenharia de São Paulo em dezembro de 2009. O engenheiro não é filiado ao PSDB, mas tem uma história profissional ligada ao setor público e há 11 anos ocupa cargos de confiança nos governos tucanos. No segundo mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso, foi assessor especial da Presidência e trabalhou quatro anos no Palácio do Planalto, como coordenador do Programa Brasil Empreendedor. Em São Paulo, também atuou na linha 4 do Metrô e na avenida Jacu Pêssego, ambas obras de grande porte e também cartões-postais das campanhas tucanas, a exemplo do rodoanel e da marginal Tietê.

CARTÕES-POSTAIS
Grandes obras como o Rodoanel, a Marginal e a Jacu Pêssego são vitrines da campanha tucana

Paulo Preto foi exonerado da Dersa oito dias depois de participar da festa de inauguração do Rodoanel, ao lado dos principais líderes do partido. A portaria, publicada no “Diário Oficial” em 21 de abril, não explica os motivos da demissão do engenheiro, mas deputados tucanos ouvidos por ISTOÉ asseguram que foi uma medida preventiva. O nome do engenheiro está registrado em uma série de documentos apreendidos pela Polícia Federal durante a chamada Operação Castelo de Areia, que investigou a construtora Camargo Corrêa entre 2008 e 2009. No inquérito estão planilhas que listam valores que teriam sido pagos pela construtora ao engenheiro. Seriam pelo menos quatro pagamentos de R$ 416,5 mil entre dezembro de 2007 e março do ano seguinte. Apesar de o relatório de inteligência da PF citar o nome do engenheiro inúmeras vezes, Paulo Preto não foi indiciado e, em janeiro, o inquérito da Operação Castelo de Areia foi suspenso por causa de uma liminar concedida pelo Superior Tribunal de Justiça. O temor dos tucanos é que durante a campanha eleitoral a liminar seja suspensa e a Operação Castelo de Areia volte ao noticiário.

Outro episódio envolvendo o ex-diretor da Dersa foi sua prisão em flagrante, em junho deste ano, na loja de artigos de luxo Gucci do Shopping Iguatemi, em São Paulo. Solto um dia depois, ele passou a responder em liberdade à acusação de receptar um bracelete de brilhantes avaliado em R$ 20 mil. Paulo Preto e o joalheiro Musab Fatayer foram à loja para avaliar o bracelete, que pretendiam negociar. Desconfiado da origem da joia, o gerente da loja, Igor Augusto Pereira, pediu para que o engenheiro e Fatayer aguardassem. Ao cruzar informações sobre o bracelete negociado, o gerente da Gucci descobriu que aquela joia havia sido furtada da loja em 7 de maio. Em seu depoimento, o gerente da Gucci disse para a polícia que foi Paulo Preto quem entregou o bracelete para que ele o avaliasse. O ex-diretor da Dersa alegou ter recebido a joia de Fatayer e que estava disposto a pagar R$ 20 mil por ela.

O eventual prejuízo provocado por Paulo Preto pode não se resumir ao caixa da campanha. Um dos desafios imediatos da cúpula tucana é evitar que haja também uma debandada de aliados políticos, que pressionam o comando da campanha em busca de recursos para candidaturas regionais e proporcionais. Além disso, é preciso reconquistar a confiança de eventuais doadores, que se tornarão mais reticentes diante dos arrecadadores do partido.

“Gente como eu tem prazo de validade”
Por Delmo Moreira

Aos 62 anos, Paulo Vieira de Souza está em plena forma. Ele é triatleta, já disputou 40 maratonas, nove ironman (modalidade que junta ciclismo, natação e corrida), 35 meia-ironman e duas ultramaratonas (prova com percurso superior a 42 quilômetros). Desde que foi exonerado da Dersa, em abril, acelerou seus treinos físicos para disputar, em Florianópolis, as provas seletivas para o Ironman mundial, que será realizado no Havaí. “Só fora do governo para fazer um treinamento desses”, diz ele. Mas está confiante: “Pela minha personalidade, não tenho medo de dizer: vou ganhar essa porra.” Este estilo direto de falar, segundo Souza, é responsável pelos problemas que vem colecionando: “Pareço arrogante e por isso incomodo muita gente.” Souza é suspeito de levar propina de empreiteiras, foi envolvido no estranho caso da compra de uma joia possivelmente roubada e acabou acusado de desviar recursos da campanha tucana à Presidência da República. Ele refutou todas essas acusações numa conversa de quase uma hora com ISTOÉ. A seguir, os principais trechos da entrevista:

ISTOÉ – O sr. é apontado como responsável pelo desvio de recursos arrecadados para a campanha do PSDB. O que o sr. tem a dizer sobre isto?
Paulo Vieira de Souza – Tem gente dizendo que sou responsável, mas desafio qualquer um a mostrar que tive qualquer atitude, em qualquer campanha em andamento, que coloquei o pé em alguma empresa, que pedi a alguém alguma coisa. Eles estão em campanha. Querem me eleger como bode expiatório porque estou fora. Mas eu não serei. Nunca trabalhei para a campanha deles.

ISTOÉ – Por que seu nome aparece no caso, então?
Souza – Empresário só ajuda quem ele quer. Acho que tem alguém querendo R$ 4 milhões de ajuda e não está conseguindo. Acho que alguém não foi atendido. Isto é uma briga interna do partido. Nunca fiz parte do PSDB e nunca farei.

ISTOÉ – O sr. nunca foi arrecadador do partido?
Souza – Nunca arrecadei. Não sei nem onde fica o comitê de campanha. Querem dizer que sou maluco? Que apareçam para dizer.

ISTOÉ – Mas o sr. já participou de campanhas políticas do PSDB.
Souza – Da campanha do Aloysio (Aloysio Nunes Ferreira Filho) eu participei. Mas não na gestão. Eu participava da logística, da compra de material, de impressos, da distribuição de material. Eu sempre fiz parte da logística das campanhas dele.

ISTOÉ – Qual é o seu relacionamento com Aloysio?
Souza – Sou amigo pessoal do Aloysio há 21 anos. Amigo de família mesmo. Ele conhece minhas filhas desde pequenas. E eu sempre ajudei como podia o Aloysio nas campanhas.

ISTOÉ – O sr. ainda é amigo do Aloysio?
Souza – Sempre.

ISTOÉ – Vocês ainda se falam?
Souza – Sempre.

ISTOÉ – Qual foi a última vez que o sr. o encontrou?
Souza – Foi hoje (quarta-feira 11) pela manhã. Ele ia fazer a gravação do programa dele à tarde ou à noite. Meu relacionamento no governo do Estado sempre foi com o Aloysio e com o Luna, o secretário do Planejamento, que era o coordenador dos convênios entre Estado e prefeitura. Sou amigo pessoal do Aloysio e isso não vou negar nunca. Não sei o que ele vai falar. Mas sou amigo pessoal dele. Só não estou na campanha agora porque pedi para não participar. Não queria dar nenhum problema, em função daquele caso recente que aconteceu comigo.

ISTOÉ – O sr. está sendo processado como receptador de joias roubadas?
Souza – Jamais eu compraria alguma coisa roubada. Só ainda não dei a minha versão porque não tranquei o processo, que está entrando agora em juízo, com minha defesa. Depois vou falar. A tese é de receptação, mas eu não comprei. Por isso é que fui na Gucci. Alguém que quer vender joia roubada vai lá? Eu levei uma joia para verificar a autenticidade e o valor. Agora, você vai comprar um carro, o carro tem problema e você acaba preso? É uma aberração. Eu não fui preso no Iguatemi. O “Estadão” também diz que eu estava vendendo a joia. É mentira.

ISTOÉ – O seu nome também aparece na investigação da operação Castelo de Areia, da PF, sob acusação de receber propina da construtora Camargo Corrêa. Foi outro engano? Não é muito azar?
Souza – Eu não sei como colocaram meu nome lá, com que propósito ou baseado em quê. Vi que tem uma lista de ajuda política, para deputado estadual, federal. Tem até o Carvalho Pinto! Vi que colocaram meu nome na lista: Paulo de Souza, coordenador do Rodoanel. Acho que adotaram um critério dentro da Camargo Corrêa de colocar o nome dos coordenadores relacionados a cada obra.

ISTOÉ – Ao lado de seu nome aparecem valores: quatro parcelas de R$ 416 ,5 mil em quatro datas seguidas. O que são esses valores?
Souza – Não sei. A mim nunca ninguém entregou absolutamente nada. O lote da Camargo Corrêa na obra era de R$ 700 milhões e a obra foi entregue no prazo, só com 6,52% de acréscimo. É o menor aditivo que já houve em obra pública no Brasil. Se isso desagradou a alguém, não sei.

ISTOÉ – Por que o sr. saiu da Dersa?
Souza – Eu fui exonerado pelo atual governador no dia 9 de abril. Até hoje não me informaram o motivo. Minha exoneração foi uma decisão de governo. Eu não pedi as contas.

ISTOÉ – O sr. nem imagina as razões de sua exoneração?
Souza – Acho que tem a ver com a forma como sempre agi nesses cinco anos em que trabalhei no governo. Tem a ver com meu estilo. Sou de tomar atitudes, de decisão, de falar o que penso. Fui premiado por meu trabalho como gestor público. Eu criei muito ciúme no governo.

ISTOÉ – Quem tinha ciúme do sr.?
Souza – Acho que pessoas como eu têm prazo de validade. O Rodoanel foi a primeira obra pública que tinha dia e hora para terminar. É meu estilo de gestão e nem todo governante gosta desta forma de agir. Na engenharia da Dersa quem mandou fui eu. Não sou mais uma jovem promessa. Sou uma ameaça para os incompetentes.





Demo: a cachorrada não morde

29 06 2010

Todos acompanharam as manifestações de empáfia e basófia da turma do demo. Gritaram. Bateram na mesa. Ameaçar revelar-se. Tiveram a coragem verborrágica de colocar Serra e Dias em seus devidos lugares. Arvoraram-se de uma dignidade que a história do partido e a biografia de cada um dos emissores das bizarrices não registra. Parvos, tentaram levantar a voz – como se a turma do Demo não fosse tal qual os ratos e as baratas: se alimentando de restos.
Hoje, bem mais dóceis, voltaram ao seu natural de andar curvados. Quem não aprendeu a a andar ereto, vive de beijar e bajular. Passa a vida agradecendo migalhas. Passa a vida sem um pingo de difgnidade. A turma do Demo – junto com o PPS e o PTB – é hoje a banda mais enojante na política nacional. A caminho da extinção, os três representam aquilo que nós, enquanto sociedade, precisamos extirpar da vida política nacional.
Cabe semrpe lembrar que este Demo é da mesma turma que lambia as botas de generalecos. Eles trazem no seu ‘dna’ a condição de subalternos, de serviçais, de puxa-sacos aos quais cabe carregar as bandeiras e aplaudir. Cabe o papel de mula – e ainda querem ser tratados como se tivessem algum valor.
Foram muitas as risadas lendo as bravatas de imbecis como Caiado, Demóstenes, Rodrigo Maia, ACMNeto, o parlapatão Bornhausen e uma pirralhada que se esmera na arte de se superar na capacidade do ridículo.
Vão ficar quietinhos. Vão usar a coleira que lhes é devida. Vão ficar caladinhos, como sempre ficaram. Irão se contentar com um papel subalterno – antes de sumirem do mapa. A derrota do Serra será fundamental para que eles se dêem conta de quem o tempo das ratazanas já se foi.
Como espero a convenção do Demo na quarta para ver eles, ajoelhados, pedindo para apanhar na cara sem-vergonha, sendo obrigados a engolir a empáfia. Se desculpando por existirem… ou melhor: por pensar que ainda existem.