Taça das Bolinhas: Serra é o vencedor

1 03 2011

Pesquisa realziada pelo blog do Passe Livre mostrou que, para os internautas, a famigerada Taça das Bolinhas – razão de antiga disputa entre Flamengo e São Paulo e cuja discussão ganhou força com a ordem da Globo para que a CBF reconhecesse o título do Flamengo de 1987 – quem merece levar o troféu para casa é José Serra.
Foi o seguinte o resultado geral:
1 – José Serra com 48,78%
2 – Rede Globo com 21,95%
3 – Flamengo com 14,63%
4 – São Paulo com 12,2%
5 – Eurico Miranda com 2,44%
Ou seja… aqui, Serra, o azedo, venceu!





A Globo e o aborto do Serra

17 10 2010

É no mínimo sui generis a situação vivida pela famiglia Marinho e os veículos de comunicação da Globo. Assumidamente defensores de Serra e que adoram veicular uma linha editorial que criminaliza os movimentos sociais, que ridiculariza aqueles que defendem um projeto nacional, adversários ferrenhos da política externa brasileira implementada a partir de janeiro de 2003.
Em verdade, há uma postura radical da famiglia Marinho em ser contra tudo aquilo que o Governo Lula/PT defende enquanto política de governo.
E aqui é preciso mais uma vez fazer três registros e um resgate:
1. a famiglia Marinho é contra o Governo, apesar de ter se fartado de ganhar dinheiro deste governo;
2. a famiglia Marinho teve inúmeros benefícios em linhas de financiamento (de igual modo que O Estadão);
3. o governo não teve nenhuma preocupação ou cuidado em fazer valer o seu poder na questão das concessões de rádios e TVs de grupos ligados a TV Globo;
4. o resgate necessário: os petistas babam de desejo, algo que seguramente uma terapia poderia ajudar a resolver, de aparecer na TV Globo. Diria até que têm sonhos eróticos sendo entrevistados pela ex-vênus platinada, hoje reles e sabuja enlameada. Mas é patético observar o desejo de ser entrevistado0 pela Globo. Ridículo seria mais correto dizer.
Diante de um quadro assim tão favorável, a Globo quer Serra por uma questão de afinidade ideológica. De apego ao neoliberalismo – quem sabe na esperança de ‘ganhar’ alguma empresa a ser privatizada.
Mas a Globo também é – ou ainda é – uma empresa jornalística.
E agora está diante de um dilema: como tratar a questão do aborto que, segundo duas testemunhas, teria sido confessado por Mônica Serra em aulas? Continuar omitindo o assunto, como tem feito até agora – ainda que no horário eleitoral gratuito o assunto já tenha sido veiculado? Fingir que nada existe, mesmo o assunto sendo veiculado em jornais, rádios e TVs ‘rivais’? Deixar a água passar por debaixo da ponte, olhando descuidadamente para o outro lado e assim nem reparar que até mesmo ‘seus’ blogueiros tratam do assunto?
O dilema (e/ou quem sabe medo) do jornalismo Global – que me parece ser administrado pelo departamento comercial da empresa – está numa sutileza: se ela der publicidade e veicular o desmentido do carcamano Serra e sua esposa acerca do aborto, estará levantando a bola para o principal assunto político deste 2º turno que para ela ainda não é jornalismo (similar ao imbróglio Paulo Preto, igualmente ignorado pela famiglia Marinho). Se não veicular, estará desrespeitando seu ‘público’, mas para a famiglia isso parece ser coisa de menos importância.
É por estas e outras que apenas alguns petistas ainda continuam tendo sonhos com a Globo, cada vez mais venal, cada vez mais enrascada nas suas próprias contradições.

Em tempo:

Que fique bem claro: não faço nenhum juízo de valor ou julgamento da opção que Serra e Mônica fizeram acerca do aborto. Alegar situação de ‘vulnerabilidade’ é tão óbvio que chega a ser risível: toda mulher e/ou casal é levado ao aborto por uma situação de vulnerabilidade. O que resta aguardar é se o Serra terá uma atitude de homem e vai ser solidário com a esposa Mônica ou vai deixar sobre os ombros dela a responsabilidade individual de uma prática que, no caso do casal, sempre é tomada pelos dois.





Um cordel lapidar… e definitivo

2 02 2010

Já escrevi dezenas de vezes que sou um defensor intransigente da liberdade na internet, abertamente favorável aos spam – porque eles na realidade não inibem o verdadeiro lixo que circula na ‘grande rede’ que é o material enviado por empresas ‘idôneas’ tipo a Abril, Globo, Folha de São Paulo e outras que nos enchem com material de divulgação de seus produtos, serviços e ofertas. Portanto: toda liberdade aos spam – porque são eles os responsáveis pela difusão de coisas interessantes, como por exemplo este cordel que recebi e aqui transcrevo. Alfredo Bessow

O educador Antônio Barreto, um dos maiores cordelistas da Bahia, acaba de retornar ao Brasil com os versos mais afiados que nunca depois da polêmica causada com o cordel “Caetano Veloso: um sujeito alfabetizado, deselegante e preconceituoso”.

Desta vez o alvo é o anacrônico programa BBB-10 da TV Globo. Nesse novo cordel intitulado “Big Brother Brasil, um programa imbecil” ele não deixa pedra sobre pedra. São 25 demolidoras septilhas (estrofes de 7 versos):

Curtir o Pedro Bial
E sentir tanta alegria
É sinal de que você
O mau-gosto aprecia
Dá valor ao que é banal
É preguiçoso mental
E adora baixaria.

Há muito tempo não vejo
Um programa tão ‘fuleiro’
Produzido pela Globo
Visando Ibope e dinheiro
Que além de alienar
Vai por certo atrofiar
A mente do brasileiro.

Me refiro ao brasileiro
Que está em formação
E precisa evoluir
Através da Educação
Mas se torna um refém
Iletrado, ‘zé-ninguém’
Um escravo da ilusão.

Em frente à televisão
Lá está toda a família
Longe da realidade
Onde a bobagem fervilha
Não sabendo essa gente
Desprovida e inocente
Desta enorme ‘armadilha’.

Cuidado, Pedro Bial
Chega de esculhambação
Respeite o trabalhador
Dessa sofrida Nação
Deixe de chamar de heróis
Essas girls e esses boys
Que têm cara de bundão.

O seu pai e a sua mãe,
Querido Pedro Bial,
São verdadeiros heróis
E merecem nosso aval
Pois tiveram que lutar
Pra manter e te educar
Com esforço especial.

Muitos já se sentem mal
Com seu discurso vazio.
Pessoas inteligentes
Se enchem de calafrio
Porque quando você fala
A sua palavra é bala
A ferir o nosso brio.

Um país como Brasil
Carente de educação
Precisa de gente grande
Para dar boa lição
Mas você na rede Globo
Faz esse papel de bobo
Enganando a Nação.

Respeite, Pedro Bienal
Nosso povo brasileiro
Que acorda de madrugada
E trabalha o dia inteiro
Dá muito duro, anda rouco
Paga impostos, ganha pouco:
Povo HERÓI, povo guerreiro.

Enquanto a sociedade
Neste momento atual
Se preocupa com a crise
Econômica e social
Você precisa entender
Que queremos aprender
Algo sério – não banal.

Esse programa da Globo
Vem nos mostrar sem engano
Que tudo que ali ocorre
Parece um zoológico humano
Onde impera a esperteza
A malandragem, a baixeza:
Um cenário sub-humano.

A moral e a inteligência
Não são mais valorizadas.
Os “heróis” protagonizam
Um mundo de palhaçadas
Sem critério e sem ética
Em que vaidade e estética
São muito mais que louvadas.

Não se vê força poética
Nem projeto educativo.
Um mar de vulgaridade
Já tornou-se imperativo.
O que se vê realmente
É um programa deprimente
Sem nenhum objetivo.

Talvez haja objetivo
“professor”, Pedro Bial
O que vocês tão querendo
É injetar o banal
Deseducando o Brasil
Nesse Big Brother vil
De lavagem cerebral.

Isso é um desserviço
Mau exemplo à juventude
Que precisa de esperança
Educação e atitude
Porém a mediocridade
Unida à banalidade
Faz com que ninguém estude.

É grande o constrangimento
De pessoas confinadas
Num espaço luxuoso
Curtindo todas baladas:
Corpos “belos” na piscina
A gastar adrenalina:
Nesse mar de palhaçadas.

Se a intenção da Globo
É de nos “emburrecer”
Deixando o povo demente
Refém do seu poder:
Pois saiba que a exceção
(Amantes da educação)
Vai contestar a valer.

A você, Pedro Bial
Um mercador da ilusão
Junto a poderosa Globo
Que conduz nossa Nação
Eu lhe peço esse favor:
Reflita no seu labor
E escute seu coração.

E vocês caros irmãos
Que estão nessa cegueira
Não façam mais ligações
Apoiando essa besteira.
Não deem sua grana à Globo
Isso é papel de bobo:
Fujam dessa baboseira.

E quando chegar ao fim
Desse Big Brother vil
Que em nada contribui
Para o povo varonil
Ninguém vai sentir saudade:
Quem lucra é a sociedade
Do nosso querido Brasil.

E saiba, caro leitor
Que nós somos os culpados
Porque saem do nosso bolso
Esses milhões desejados
Que são ligações diárias
Bastante desnecessárias
Pra esses desocupados.

A loja do BBB
Vendendo só porcaria
Enganando muita gente
Que logo se contagia
Com tanta futilidade
Um mar de vulgaridade
Que nunca terá valia.

Chega de vulgaridade
E apelo sexual.
Não somos só futebol,
baixaria e carnaval.
Queremos Educação
E também evolução
No mundo espiritual.

Cadê a cidadania
Dos nossos educadores
Dos alunos, dos políticos
Poetas, trabalhadores?
Seremos sempre enganados
e vamos ficar calados
diante de enganadores?

Barreto termina assim
Alertando ao Bial:
Reveja logo esse equívoco
Reaja à força do mal.
Eleve o seu coração
Tomando uma decisão
Ou então: siga, animal.

FIM

Salvador, 16 de janeiro de 2010.

* * *

Antonio Barreto nasceu nas caatingas do sertão baiano, Santa Bárbara, na Bahia.
É autor de um dos mais recentes e estrondosos sucessos da Internet, o cordel Caetano Veloso: um sujeito alfabetizado, deselegante e preconceituoso.
Professor, poeta e cordelista. Amante da cultura popular, dos livros, da natureza, da poesia e das pessoas que vieram ao Planeta Azul para evoluir espiritualmente.
Graduado em Letras Vernáculas e pós graduado em Psicopedagogia e Literatura Brasileira.
Seu terceiro livro de poemas, Flores de Umburana, foi publicado em dezembro de 2006 pelo Selo Letras da Bahia.
Possui incontáveis trabalhos em jornais, revistas e antologias, com mais de 100 folhetos de cordel publicados sobre temas ligados à Educação, problemas sociais, futebol, humor e pesquisa, além de vários títulos ainda inéditos.
Antonio Barreto também compõe músicas na temática regional: toadas, xotes e baiões.

O cordel “Big Brother Brasil, um programa imbecil” é imperdível e está completinho aqui, em primeira mão: http://cachacaaraci.wordpress.com/